Mostrando postagens com marcador como escrever. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador como escrever. Mostrar todas as postagens

12 de mar. de 2018

[Dicas para escrever] Tá na mesa! Refeições como ferramenta narrativa


A cena acima é de um jogo do Playstation 1 chamado Grandia. Mesmo se você for gamer, talvez não conheça esse RPG e eu não te culpo. Grandia é uma pérola oculta do PS1, um lançamento menor ofuscado pelas franquias famosas. Um elemento interessante nesse jogo é que em vários momentos os personagens se reuniam em volta da mesa, ou em torno da fogueira do acampamento, ou ainda num piquenique e conversavam sobre a próxima etapa da missão, contavam histórias, trocavam opiniões, flertavam... Enfim, estreitavam os laços entre si.

Eu gostava tanto dessas sequências que ficava esperando por elas, e as incorporei à minha narrativa. Abra qualquer livro meu e vai encontrar pelo menos duas ou três cenas em que os personagens estão trocando ideias enquanto matam a fome.

Não importa se você está escrevendo fantasia medieval, ficção cientifica, drama de época ou um romance romântico nos dias atuais, existem várias razões para dar mais atenção à dieta dos seus personagens.

HUMANIZAÇÃO

Há uma passagem em Boneca de Ossos na qual Zach, morrendo de fome e sede, se sente enganado pelos livros que leu, já que os aventureiros não costumavam ter esses problemas. E em Jogos Vorazes (no livro), Katniss passa maus bocados tentando encontrar uma fonte de água, o que me leva de volta à Grandia.

A razão que me fazia curtir as cenas de refeição é que isso me aproximava dos personagens. Eu me sentia como parte do grupo. Essa é uma forma simples de tornar seus personagens mais humanos, seja através de fome ou sede numa aventura, ou seja numa pausa para o café durante o expediente do escritório.

PERSONALIDADE

Imagine que Bob e Alice combinaram de lancharem juntos. Ele pede um x-búrguer duplo e um copo grande de refrigerante, ela pede suco natural e salada.

Aposto que você já começou a formar uma imagem dos dois. O x-búrguer duplo de Bob mostra que ele gosta de fast food e pode até passar um pouco do ponto (um hambúrguer comum poderia não transmitir a mesma ideia). Também ficou claro que Alice prefere comida saudável, e se ela estiver usando roupa de academia vai ser ainda mais nítido para os leitores que essa personagem gosta de se cuidar.

A cena continua e outro amigo aparece, Carlos, que pede uma taça de sorvete com molho de pimenta como cobertura (eu nunca experimentei, é só um exemplo). Esse pedido um tanto diferente ajuda a criar a imagem de Carlos como um individuo excêntrico ou, no mínimo, uma pessoa curiosa.

Todas essas informações foram transmitidas apenas através do lanche que pediram, os personagens nem abriram a boca ainda.

CLASSE SOCIAL

Esse é básico. Quanto mais rica é uma pessoa, mais opções ela terá à mesa. e quanto mais pobre, mais vazia é a dispensa.

Um bom exemplo do primeiro caso vem de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, quando o regente Denothor II se empanturra com uma ceia farta, enquanto a guerra corre solta e inocentes morrem.

No outro extremo, temos a famosa parábola bíblica O Filho Pródigo, onde a miséria de um jovem é tão grande que ele come a lavagem dos porcos.

AMBIENTAÇÃO

Às vésperas da Copa do Mundo de 2014 pipocaram no Youtube vídeos mostrando jornalistas estrangeiros provando pães de queijo, feijoada e até guaraná pela primeira vez. Por mais que esses pratos estejam presentes no nosso dia a dia, são incomuns na maioria dos países.  Outro exemplo é um episódio de Friends no qual todos fazem careta para uma das sobremesas mais comuns no Brasil: pudim.

Da mesma forma, nos surpreende a variedade de frutos do mar disponível nos restaurantes japoneses, incluindo o famigerado sushi. Mas levando em conta que o Japão é composto por ilhas, nada mais natural do que comer peixe. Felizmente, para ambientações contemporâneas não é difícil pesquisar os pratos mais consumidos no resto do mundo.

O cardápio típico de um país, ou mesmo de uma região, pode ajudar a dar maior contexto à ambientação, tornando o mundo mais real. No começo do meu livro Arcanista, Marcel e seus amigos aparecem na cantina da escola comendo sanduíches inteiramente sintéticos. Sim, até o tomate e a alface eram artificiais. Mais tarde, na Cidade Baixa, todas as refeições que ele faz são caseiras. As frutas e verduras foram colhidas em hortas de fundo de quintal e mesmo os pães são feitos em casa.

Escrevi dessa maneira para ressaltar as características de cada cenário, e também as diferenças entre os dois locais. De um lado, temos uma região de tal modo industrializada e distante da natureza que até mesmo as refeições são totalmente artificiais. Em contrapartida, na outra região o nível de industrialização é tão baixo que tudo é natural.

A alimentação também está intimamente relacionada ao período em que a trama se passa. Qualquer leitor de As Crônicas de Gelo & Fogo sabe que pão preto é o alimento mais comum em Westeros. Na verdade, pão preto era bastante consumido durante a Idade Média real, uma prova que George R. R. Martin fez a lição de casa.

É claro que em cenários com uma maior presença de elementos fantásticos é possível incrementar o cardápio com pratos que não existem fora do livro. Por exemplo: filé de grifo.

E em cenários futurísticos? Nesse caso, vale pesquisar, mas também fica muito por conta do autor. As refeições serão parecidas com as nossas ou serão totalmente diferentes? Vamos comer pílulas? E o que será que se consome em outros planetas? Aqui a criatividade é o limite.
---

Enfim, isso é só uma arranhada no tema. Eu poderia ficar horas falando sobre comida (deve ser por isso que estou acima do peso), mas acredito que já deu para pegar a ideia. Na próxima vez que chegar a hora do almoço no seu livro, pode valer a pena passar alguns minutos a mais pensando no que tem pra comer.

18 de mar. de 2017

[Dicas para escrever] Os 12 passos da Jornada do Herói


Tudo culpa de Joseph Campbell. Especialista em folclore, mitologias e religiões, Campbell compreendeu que a maioria dos mitos e lendas mais populares compartilhavam diversos elementos entre si. Em 1989, ele compilou seus estudos na forma do livro O Herói de Mil Faces, e no ano seguinte lançou O Poder do Mito.

Nesses livros, Campbell organiza os elementos mais comuns às narrativas épicas na forma de doze etapas, as quais chamou de A Jornada do Herói. De lá para cá, estudar essa jornada passou a ser "obrigatório" para todos os autores de ficção. Aos mesmo tempo em que muitos (inclusive eu) veem a Jornada do Herói como uma valiosa ferramenta, não falta quem torça o nariz, considerando-a ultrapassada e repetitiva.

Abaixo estão as doze etapas da Jornada do Herói e uma breve análise sobre como ela foi utilizada em duas obras bastante populares: Matrix e Jogos Vorazes. Leia, por sua conta e risco, e tire suas próprias conclusões (para quem leu o meu Arcanista fica o desafio: conseguem apontar como cada etapa está presente no livro?).

Uma última coisa antes de começar. Ao contrário do que os críticos da Jornada - e escritores preguiçosos - possam pensar, não se trata de uma fórmula mágica, que deva ser seguida à risca. Observando obras que utilizam a Jornada do Herói não é difícil encontrar etapas sendo subvertidas ou até revertidas, e nem sempre os passos vem na "ordem certa".

20 de jun. de 2016

[Dicas para escrever] Os 6 tipos de conflito na ficção

Já abordei a questão do conflito por alto há muito tempo, hoje quero me aprofundar um pouco mais no tema. Toda ficção precisa de algum tipo de conflito, independente de ser uma aventura épica, um romance adolescente ou uma fábula. O conflito cria tensão e mantém o interesse do leitor. Sem esse elemento, Chapeuzinho Vermelho seria a história de uma menina que passa o dia com a avó e depois volta para casa.

Embora seja possível encontrar diversos estudos sobre o assunto, é amplamente aceito que existem 6 tipos básicos de conflitos na literatura e na ficção em geral. É absolutamente comum que uma narrativa traga mais de um tipo de conflito, normalmente um deles é escolhido pelo autor como principal, mas outros também estão presentes em diferentes níveis...

30 de mai. de 2016

Conheça o Profissionais do Livro


Hoje, temos um post de utilidade pública. Se você é autor independente, já deve ter passado por dúvidas e obstáculos na hora de tentar contratar os serviços de capistas, diagramadores, sem falar em registros de ISBN, ficha catalográfica e outros. Além do mais, há ainda o receio de ser lesado.

E é aqui que entra o Profissionais do Livro, um site parceiro do Clube de Autores onde você pode contratar os serviços mencionados acima. Além de exibir anúncios, o site age como intermediário entre autores e os profissionais contratados, de forma muito semelhante aos sites de mercado pago. A diferença é que, ao invés de produtos, são vendidos serviços.

Funciona mais ou menos assim:
- conecte-se no site e faça uma busca pelo serviço que procura;
- clicando em qualquer dos anúncios, você pode ler o perfil do profissional e ver comentários de outros autores que já trabalharam com ele;
- depois de escolher entre os anúncios, clique em contratar e escolha a forma de pagamento;
- assim que o pagamento for registrado (o que leva dois ou três dias), o profissional recebe um alerta e vocês podem combinar os detalhes do trabalho;
- terminado o serviço, o profissional apresenta o trabalho para o autor, que pode aprová-lo ou pedir revisões. Somente depois do serviço ser aprovado é que o site libera o pagamento para o profissional.

Existem outros detalhes, porém o básico é isso. Você pode acessar o Profissionais do Livro clicando aqui ou na imagem acima.

2 de nov. de 2015

[Dicas para Escrever] Como formatar um ebook para o kindle

Como não anda fácil entrar no mercado editorial por meios tradicionais, a auto-publicação é sim uma realidade e a Amazon é uma das principais plataformas para o lançamento de livros independentes.

Eu mesmo lancei Arcanista via Amazon.

Um dos pontos que mais causam dúvidas para quem escolhe essa plataforma é sobre a maneira correta de preparar um livro para ser lido no kindle. Quando pesquisei sobre o assunto não tive dificuldade em encontrar sites que traziam dicas, porém acabei me deparando com um problema: a grande quantidade de informação desencontrada. Os sites divergem sobre certos aspectos e, dificilmente, cobrem todo o processo de formatação e publicação de um ebook na Amazon

Agora, sem querer fazer propaganda nem nada, o melhor guia que encontrei foi o ebook Preparando o seu livro para o kindle, um tutorial elaborado pela própria Amazon que cobre todos as etapas do processo de formatação do arquivo, preparação da capa, envio de imagens e apresenta um passo a passo para a publicação do arquivo.

Quem se interessou pode baixar o livro gratuitamente pelo site da Amazon clicando aqui. Se não tiver o dispositivo kindle, basta baixar o aplicativo.

2 de ago. de 2014

[Dicas para escrever] Videolog Nitro Dicas

Hoje quero apresentar para vocês o videolog do autor nacional Newton Rocha, que posta em seu canal no youtube uma boa quantidade de material relacionado à literatura e RPG. Meu destaque vai para a playlist Nitro Dicas, que traz uma série de videoaulas com dicas valiosas para os novos autores.

Abaixo tem o link para o videolog e o primeiro desses videos. Eu recomendo!



16 de nov. de 2013

[Dicas para escrever] Foco Narrativo, com Pedro Bandeira

Hoje quero trazer para vocês uma aula sobre foco narrativo com um professor bem especial: Pedro Bandeira, autor de Os Karas. Para quem não conhece, essa é uma das séries infanto-juvenis mais bem-sucedidas da literatura nacional. As histórias acompanham as aventuras de um grupo formado bom cinco colegas do colegial: Miguel, Calú, Crânio, Chumbinho e Magrí, que a cada livro se vêem em uma nova trama de mistério, suspense e perigo.

Em ordem, os livros são:
- A Droga da Obediência;
- Pântano de Sangue;
- Anjo da Morte;
- A Droga do Amor;
- Droga de Americana.

Nas seis aulas abaixo, Pedro Bandeira fala sobre um tema de suma importância na hora de escrever um livro: a narrativa. Os temas abordados vão desde o narrador à como envolver os leitores de forma emocional. A linguagem utilizadas é simples, mas trás dicas preciosas. Vale a pena ver!

Lembrando que os vídeos compartilhados aqui no blog e na fanpage estão disponíveis na minha playlist Baú do Joe. Até!

Nota: Não foi possível incorporar o primeiro vídeo, mas a clicando no link do título do vídeo abaixo, você pode ver todas as aulas.

8 de nov. de 2013

[Dicas para escrever] Lembra desse? Quadrinize

Quem me acompanha a algum tempo deve se lembrar da Quadrinize. Projeto do qual participei em meados de 2010. A Quadrinize era um site de dicas para quem queria fazer quadrinhos. Entre o material disponível era possível encontrar colunas sobre roteiro, narrativa, ambientação, clichês, gêneros e mais.

Tanto material bom não poderia ser simplesmente deixado de lado.

Graças ao site Web Archive, especializado em guardar a memória da internet é possível matar um pouco da saudade. Não se trata de um resgate completo, nem todos os textos estão disponíveis e não é possível visualizar as imagens, mesmo assim ainda tem muito para ser aproveitado por lá.

10 de ago. de 2013

[Dicas para escrever] Tutoriais de roteiro e desenho no Facebook

Na última postagem, trouxe de volta um link para relembrar da Quadrinize. Esse post tinha dois objetivos: um deles era a questão da nostalgia, o outro era para cobrir a ausência de novas colunas com dicas para os novos quadrinhistas.

Continuando nessa linha, quero mostrar para vocês duas fanpagens do Facebook que trazem um material bem interessante para quem pensa em se aventurar pelo mundo das HQs. Clique nas imagens para acessar.

Script Comic Book Artist / Comic Book Writer

Página com muito material e dicas de roteiro, construção de personagens e etc. Até o meu blog aparece por lá de vez em quando.


Como Fazer 9ª Arte

Fanpage sobre tutorias para desenhistas, com uma quantidade grande de atualizações diárias e o passo-a-passo de uma grande variedade de ilustrações.

22 de jun. de 2013

[Dicas para escrever] Psicologia e Simbolismo

Esse é um post que eu já queria fazer há algum tempo. Muitas grandes histórias também são elogiadas pelo uso do simbolismo, pelas analogias e por mensagens que nem sempre percebemos de forma consciente. Não, não estou falando de mensagens subliminares e sim de algo mais profundo, quase espiritual.

Os vídeos abaixo mostram uma palestra sobre esse tema: a psicologia e o simbolismo nas histórias com as quais temos contato.

Vi esses vídeos graças a indicação de um amigo. Essa foi uma palestra de Edgar Damiani na Campus Party 2010. O foco é nos games, mas tudo que é dito vale muito para os autores e pode mudar a maneira como você enxerga a arte de contar histórias. Vai ser preciso abrir um espaço na sua agenda já que, juntas as duas partes somam quase 4 horas de duração e, acreditem, vale cada minuto.




28 de jul. de 2011

[Dicas para escrever] 8 dicas para escrever contos

Já foram postados aqui no blog várias dicas para escrever roteiros de quadrinhos, mas até hoje eu não tinha trazido nada para ajudar os contistas de plantão. Ultimamente eu tenho procurado dar um foco mais literário para minha carreira, e postado sobre antologias abertas à novos escritores, já estava mais do que na hora de trazer algo assim.

O texto que segue foi escrito por James McSill, traduzido por Kyanja Lee e postado no site da Revista Fantástica.

1. Ter um único fio narrativo. Como o espaço de um conto é limitado – talvez pouco mais do que 1000 a 2000 palavras – não há espaço para explorar as histórias de vários personagens ou mostrar como os personagens principais reagem em diferentes situações. 
Estabeleça uma linha de história e não se desvie da mesma.  Alguns exemplos:
*a. Helena planeja uma vingança contra a mulher que roubou o seu emprego.
*b. Camila decide se fica ou não com a carteira que encontrou na rua.
*c. Ricardo enfrenta o seu arqui-rival numa competição de vida ou morte de motocicleta.
Se você começar a ampliar a trama de sua história – talvez focalizando as vidas de todos os competidores da corrida de moto de Ricardo – você está escrevendo uma novela ou um romance. Qualquer conto com mais de 4000 palavras é difícil de vender. Qualquer texto com mais de 6000 palavras  é, em difinitivo, uma novela.

2. Um espaço temporal curto. Um conto é como uma foto – um instante congelado no tempo. - Faz um check-up de como seu personagem lida com um fato, em um período difícil ou traumático de sua vida. (Não é para lidar com a história de sua vida, fazer o estudo de um personagem ou escrever a crônica de suas várias aventuras.) - Os melhores contos têm um foco restrito – uma linha de história cobrindo não mais do que alguns dias. As histórias mais envolventes cobrem eventos que atingem seu herói em poucas horas cruciais. Um único estado de espírito, ritmo e estilo. - Um conto deve produzir o mesmo sentimento ao longo da narrativa. Não deve iniciar com um tom emocional recheado de sofrimento, para acabar descambando para um de comédia explícita. - Ele não d eve acelerar ou diminuir o seu ritmo de forma oscilante. Ou passar de um estilo seco, com sentenças cortantes e um vocabulário simples para uma prosa ininterrupta, langorosa, destilando expressões barrocas e imagens hiperbólicas. - No momento em que você muda a direção ou o tom que está sendo adotado, você provoca um tranco em seu leitor.

3. Descrições breves. Um conto não é o espaço para exibir suas habilidades descritivas. Descrições extensas matam o ritmo e desviam a trama da atenção do leitor. - Você deve sempre ter como objetivo alcançar o máximo efeito com o mínimo de palavras. Você pode preencher uma página descrevendo cada aspecto da aparência de uma mulher de idade, mas a única informação útil que você terá dado ao leitor é que a mulher é idosa. Ou seja, você poderia atingir o mesmo efeito em seis palavras. Ex: Edite tem ondas prateadas nos cabelos. - Forneça apenas as informações secundárias que forem relevantes à trama. - Se a estória for sobre as lutas e as vitórias de John com o fim de seu casamento, o fato de ele ter feito seis tentativas para obter suas medalha s de natação nos 100 metros ou ser alérgico a amendoim não é importante. - O truque é manter um bom balanço e fornecer informações concisas e fatos relevantes suficientes sobre um personagem, de maneira que o leitor consiga visualizá-lo.

4. O mínimo de personagens. Quatro personagens ou menos. Não há tempo nem espaço em um conto para encontrar um batalhão de novos rostos, e memorizar cada personagem e seu grau de parentesco ou envolvimento com outros. - Pense em como é difícil você se lembrar de todos os nomes das pessoas a quem é apresentado em uma festa. Dois é o número ideal de personagens para um breve conto, pois permite que você use diálogos de como eles conversam e reagem. Três é excelente para contos explorando o eterno triângulo amoroso, mas quatro é, de fato, o limite.

5. Sem enredos paralelos, moral camuflada ou subtemas. Simplifique. Conte a estória da forma mais direta possível e não tente ser tão brilhante ou intelectual. - O enredo é de suprema importância. Assim, não permita que nada interfira na forma ligeira e uniforme que se recomenda ao narrar a história. Esse desvio poderá acontecer se sua escrita falar em vários níveis e revelar toda a sorte de verdades ao leitor. Se isso acontecer, ótimo. Mas não se esforce para isso, em definitivo. Deixe que aconteça de modo espontâneo. - Não faça de seu texto uma lição de moral.  - Não use simbolismos. - Não estabeleça a noção de que tudo tenha que ser significativo e profundo, pois grandes são as chances de que você termine com uma história cheia de significados entediantes.

6. Nada de criar um cenário ultra elaborado e redundante. As razões mais comuns que dispersam o leitor em alguns contos é que os escritores gastam as preciosas  linhas iniciais montando o cenário. Ao invés de narrar a história, prendem-se a descrições desnecessárias sobre o tempo, a cidade em que a história ocorre, ou o estado de humor do personagem principal, sua aparência ou seu histórico familiar. - Vá direto à trama em sua primeira frase. - Saiba também estabelecer o final da história. Termine-a de imediato assim que o conflito de seu personagem for resolvido. Não se deixe arrastar sem rumo por vários parágrafos extras, até se esgotar num sopro. - Assim como uma boa piada, um conto tem que ter um final arrebatador.

7. Diálogos tensos e cortantes. Não há como justificar um título atraente e arrebatar a atenção de seu leitor se toda vez que seu personagem principal fala, dá vontade de bocejar. - Diálogos devem ter um ritmo veloz, excitante e dramático. São uma ótima maneira de injetar emoção em uma história. Ajudam a criar estados de humor e tensão. - Crie diálogos concisos. Que eles sejam apenas um flash (recorte sonoro) da realidade, e sirvam apenas para dar vida ou caracterizar de forma peculiar os personagens, e não prosaicos bate-papos. -  Um texto sem diálogos fica menos tenso.

8. O menor número de pontos de vista quanto possível. Um bom conto deve relatar o que acontece ao seu personagem principal quando ele enfrenta uma certa quantidade de situações. E nós, leitores,  devemos enxergar esses eventos através de seus olhos – e somente através deles. Se começarmos a ver a ação pela perspectiva de outro personagem, o texto não está sendo eficaz. - Além de ser muito confuso, isso distancia o leitor do herói – quebrando o vínculo de empatia. Quando uma história funciona bem, tem apenas um único ponto de vista, através do qual o leitor imagina a si próprio como herói. - Troque de ponto de vista quando isso for vital para o enredo. Não mais do que uma vez, no conto.

9 de mai. de 2011

[Dicas para escrever] As lições de Will Eisner

Com algum atraso, vim hoje cumprir uma promessa que fiz ao meu amigo Caio Lucas: um post sobre os livros de Will Eisner.

O lendário Eisner nasceu em 1917, entrando para o mercardo dos quadrinhos na décade de 1930. Seu trabalho mais famoso apareceu em tiras de jornal semanais em 1940, tratava-se das aventuras de um charmoso herói sem poderes: The Spirit.

Com um visual inovador e roteiros inteligentes, The Spirit se tornou um marco, promovendo um verdadeira revolução no mundo das HQs!

Eisner faleceu em 2005 (clique aqui para ler sua biografia), não sem antes compartilhar com o mundo um pouco de seu conhecimento, e quem melhor do que um verdadeiro mestre para dar boas dicas?!

NARRATIVAS GRÁFICAS - Este livro discute os princípios da narrativa com a combinação sofisticada de texto e imagem. Embora as histórias em quadrinhos sejam o seu alvo principal, Narrativas Gráficas também nos revela e ensina métodos que podem ser aplicados no cinema, na TV e na internet.

QUADRINHOS E ARTE SEQUENCIAL - A presente obra baseia-se no curso que o autor ministrou por muitos anos na School of Visual Art de Nova Iorque e contém o acervo de suas idéias, teorias e aconselhamentos sobre a prática daquilo que ele conhece tão bem - contar histórias em quadrinhos. 

ANATOMIA EXPRESSIVA - Neste livro, Eisner fala sobre suas técnicas para desenhar movimento, a mécanica dos corpos, expressões faciais, etc.  Em 2009 a Devir anunciou que lançaria esse livro no Brasil, mas não consegui encontrar nenhum link em português pra ele. Se alguém puder me passar alguma informação, eu agradeço.

23 de abr. de 2011

[Dicas para escrever] Elaborando um projeto - parte 2

Chegou enfim a hora de elaborarmos o nosso projeto. Se você não viu a primeira postagem sobre o assunto, dê uma lida para compreender melhor tudo que será dito aqui.

Como exemplo, estou usando uma proposta minha mais antiga para uma história chamada A Odisséia de Ulisses. Mais uma vez quero lembrar que esse post não teve ser lido como um guia definitivo, a ideia é apenas ajudar novos autores a terem uma melhor noção de como elaborar um projeto.

E não deixe de registrar sua história antes de enviar um projeto.

Folha de Rosto
Aqui não tem muito o que dizer, uma folha com o título da história em destaque, seguido do nome dos autores. Alguns já aproveitam esse espaço para deixarem o e-mail de contato de cada um da equipe.

Apresentação
Eis uma parte vital do nosso projeto. Em primeiro lugar a carta de apresentação deve conter o plot e a sinopse. O plot deve ter entre 3 e 5 linhas e ser o mais sucinto possível. Ex.: 

     Após a Guerra de Tróia, Ulisses está ansioso para voltar a seu lar. Mas um incidente faz com que sua nau fique perdida em alto-mar. Em uma jornada épica, Ulisses irá enfrentar o poder dos deuses na busca por seu caminho de volta para casa antes que tudo que ama seja tomado.

Seguindo com a apresentação você pode trazer a sinopse da história e considerações sobre o cenário, os simbolismos. Também informe o número de páginas da HQ, ou quantas páginas cada capítulo terá (incluindo todas as capas), se será em preto-e-branco ou colorida, o público-alvo, etc.
O objetivo da carta de apresentação é mostrar se seu projeto é consistente e se tem potencial. Algumas editoras pedem apenas o envio da carta de apresentação, cujo tamanho ideal é de 1 folha.

Resumo da História
A seguir, a proposta deve mostrar o resumo da sua história. Se a sua proposta é de uma série longa, você deve apresentar o resumo do primeiro arco de histórias, já para um one-shot ou minissérie, conte a história completa. Perceberam? Eu disse "completa".
Há quem pense que não se deve contar a história até o fim para deixar o editor curioso. Simplesmente não é assim que funciona!!! Conte sim, até o final. O projeto serve justamente para que a editora conheça o seu trabalho e decida se vai investir dinheiro nele.
Esse resumo deve ser escrito de forma direta, sem suspenses e sem slogans do tipo: "Nosso herói irá se salvar?". Diga exatamente o que acontece. Muitas editoras pedem que o resumo tenha apenas 1 folha (outras oferecem mais espaço).

Lista de Personagens
O próximo item da nossa proposta é uma lista dos personagens mais importantes, seguido de um pequeno texto falando sobre a aparência, personalidade e sua participação na história. Novamente, é preciso ser econômico, já que o ideal é que esse texto tenha no máximo 3 linhas. Ex.:

     Ulisses - é o protagonista. Possui cabelos castanhos e barba rala, usa armadura grega. Suas maiores armas são a inteligência e a sagacidade. Destemido e heróico, nunca desiste de voltar pra casa.

Autores
Pra encerrar o texto, dados sobre todos os participantes envolvidos: roteirista, letrista, colorista, etc. Informe os nomes verdadeiros e completos, e-mail de contato, sites, e experiências anteriores de todos. Uma boa dica é acrescentar o título do projeto e e-mails no cabeçalho e numeração no rodapé. Na hora de salvar o arquivo, coloque o nome dos autores junto ao título sem espaço, ou com underlines no lugar dos espaços.
     
     Ex1.: Aodisseiadeulissesjoedelimarafalee.doc
     Ex2.: A_Odisseia_de_Ulisses_Joe_de_Lima_Rafa_Lee.doc

Desenhos
É extremamente comum que as editoras peçam que sejam enviados desenhos junto com as propostas. Quase sempre, páginas da história. O mais comum são 5 páginas, mas algumas editoras pedem mais, outras menos. Se possível, você pode acrescentar esboços dos personagens, cenários e veículos. Isso vai de acordo com as regras de cada editora.

Bom, essas são as linhas gerais de como elaborar um projeto. Abaixo segue o exemplo completo do projeto de A Odisséia de Ulisses.

Mais uma vez vale lembrar, antes de enviar um projeto, saia um pouco do papel de autor, coloque-se no lugar do leitor e pense bem se você compraria o seu trabalho. O resto é com você. Boa sorte!

Projeto Quadrinhos                                                                                                   

18 de abr. de 2011

[Dicas para escrever] Elaborando um Projeto - parte 1

Então, depois de tanto treinamento você finalmente aperfeiçoou seu traço? Refinou seu roteiro até ser capaz de contar boas histórias que todos vão querer ler?

Isso é muito bom! Quer dizer que você está pronto para o próximo passo: enviar um projeto. Mas nesse momento pode pintar uma questão elementar. Como é que se faz um projeto?

O projeto, ou proposta é a ferramenta usada pelos autores para apresentarem uma nova história ou série para uma editora. Seria impossível para os editores se todos enviassem HQs completas. A proposta permite que a editora possa analisar a história, estudar os personagens e avaliar se o trabalho é consistente. Em resumo, o projeto é algo da maior importância.

Por experiência própria, eu sei que esse tipo de informação é muito difícil de ser encontrada para os novos quadrinhistas. Por isso mesmo, quero trazer até vocês um exemplo de um projeto que eu elaborei há algum tempo.

A história em questão é intitulada A Odisséia de Ulisses, baseada na obra de Homero. Uma HQ que não foi aprovada, mas mesmo não tendo vingado, acredito que essa proposta permite que a gente possa debater sobre o tema, aprender um pouco mais sobre as regras e ver o que não se deve fazer, ora essa :P

De início, aqui vão algumas considerações:

- não importa quantos membros façam parte da equipe, elaborar a proposta é trabalho do roteirista, pois é ele quem melhor conhece as referências, simbologias e rumos da história.

- antes de enviar um projeto, olhe para a sua obra com cuidado. Seja auto-crítico. Saia do papel de autor, imagine que você é um leitor que encontrou a HQ na banca e pergunte a si mesmo se compraria esse material. Responda com sinceridade, hein?! 

- sim, vamos generalizar. Aqui vamos falar sobre elementos em comum, mas cada editora tem suas próprias regras, e você deve conhecê-las.

- também é importante que o seu material esteja de acordo com a linha editorial. Se eles só publicam mangá, não envie um comics. Se a editora é especializada em obras infantis, trate de limpar esse sangue.

- não pense nisso como um guia definitivo. Certamente, quadrinhistas mais experientes podem apontar vários defeitos no meu projeto. O meu objetivo é ajudar os novos autores a terem uma melhor noção do que fazer nessa hora.

Bom, como esse post já está muito longo, no nosso próximo episódio vamos, enfim, elaborar a tal proposta. Até!

12 de fev. de 2011

[Dicas para escrever] Vamos pesquisar...

Esse é um post do início do blog que eu decidi trazer de volta. Como se trata de um assunto da maior importância para nós, autores, eu dei uma atualizada nos tópicos e complementei um pouco mais o assunto.

Talvez o trabalho mais cansativo na hora de escrever um roteiro, livro e afins seja a pesquisa. Isso porque costuma ser uma tarefa que consome tempo, e muitas vezes não é nada fácil achar a informação desejada.

Quando eu estava escrevendo o roteiro de Linha de Fogo, procurei descobrir quais eram as armas usadas pelas tropas americanas em missão no Afeganistão e Iraque, e também quais eram mais usadas pelas milícias Talibãs. Na hora de escrever A Caveira fui direto a fonte, o roteiro da peça de Shakespeare.

Quando se trata de histórias de época, parece óbvio a importância da pesquisa, evitando erros na linha de tempo e permitindo uma reconstrução fiel do cenário. Mas não se deve dispensar a pesquisa em histórias contemporâneas, já que é vital você conhecer a geografia e a cultura da cidade onde a ação se passa. Mesmo quando se retrata mundo de ficção cientifica e fantasia, é importante conhecer bem o assunto, dando uma base sólida para sua imaginação.

Existem várias formas de fazer uma pesquisa, todas com seus prós e contras.

Internet
É de longe o método mais prático e acessível de todos. Ao fazer uma busca no Google é comum aparecem sites que nada tem haver com o assunto procurado. Temos também o caso da referência cruzada: você faz uma pesquisa por bruxaria, e vai parar em um fórum de Harry Potter. E ainda há a questão da fonte ser confiável, mas com paciência e persistência é possível alcançar bons resultados.
O Google Street View é um ótimo recurso para quem quer falar sobre alguma cidade que não conhece, pois permite que você "caminhe" livremente pelas ruas da cidade em questão.

Biblioteca
Uma visita a biblioteca pode trazer resultados melhores porque você vai direto ao assunto que procura, com grandes chances de encontrar um livro inteiro com uma pesquisa aprofundada sobre o tema que você quer escrever. É claro que se a biblioteca mais próxima não tiver um grande acervo, os resultados podem não ser os esperados.

Documentários
Documentários são outra grande fonte de informação, afinal eles já fizeram todo o trabalho duro por você. Através de documentários também é possível ter acesso a arquivos históricos, relíquias, e outras coisinhas de difícil acesso. Os melhores e mais confiáveis canais de documentários são: Discovery Channel, The History Channel, National Geographic, Animal Planet e BBC.

Entrevista
Uma boa forma de garantir informações avalizadas é falar com um(a) especialista no assunto. Isso permite a você sanar dúvidas bem mais específicas. Na hora de uma entrevista não confie apenas na memória, grave a conversa, ou caso se comuniquem via chat, salve as mensagens trocadas. E não se esqueça de creditar o nome do especialista entrevistado. A maior dificuldade aqui é que, nem sempre haverá expert disponível, ou ele(a) pode não ter tempo hábil para isso.

Pesquisa de Campo
Esse é um recurso muito usado por autores de livros. Significa simplesmente, visitar o lugar onde a sua história se passa. Se o seu personagem é carioca, faça as malas e vá até o Rio de Janeiro, converse com as pessoas, e de preferência, consiga um guia que lhe conte curiosidades sobre um determinado local. Você também pode viver experiências pelas quais o personagem irá passar, e assim, escrever com base no que você mesmo sentiu. O autor britânico Ken Follet pilotou um caça restaurado da Primeira Guerra Mundial para escrever o livro O Voo da Vespa! Desnecessário dizer que o obstáculo desse tipo de pesquisa é a questão financeira.

Uma boa pesquisa demanda tempo e paciência, mas também demonstra profissionalismo, respeito com os leitores e aumenta a qualidade do seu texto final. Pesquisar, é preciso.

15 de dez. de 2010

[Dicas para escrever] Escolhendo um Tema

Você já parou pra pensar em qual é o tema do seu comic/mangá/anime/filme/etc favorito?


Toda boa obra (e até algumas não tão boas) tem um tema bem definido.

Um tema é uma forma de evitar que você fique escrevendo ao acaso. Além disso, é a melhor maneira de transmitir uma idéia ou mensagem.

Vamos tomar como exemplo a minissérie Dragonlords (de Byron Erickson), estrelada pela Família Pato (lançada no Brasil na extinta revista Aventuras Disney). Logo no começo da história, Huguinho, Zezinho e Luisinho são separados de seus tios Patinhas e Donald, dessa forma, começa uma luta para unir a família novamente. Outros heróis dessa minissérie enfrentam o mesmo drama: estão separados de seus entes queridos. Não é difícil ver que a união familiar é o tema de Dragonlords.

Já o mangá Death Note (de Tsugumi Ohba) tem como tema o certo e o errado. O protagonista Light Yagami acredita que, para que aja paz no mundo é necessário que uma pessoa tome o controle da situação e proteja os inocentes com mão-de-ferro. Por outro lado, seu adversário, o detetive L acredita que um homem só não pode representar a justiça, apesar do próprio L passar por cima lei várias vezes. Temos ainda o chefe de polícia Yagami que acredita cegamente na lei.

A coisa vai muito além disso. Veja Naruto, não é só uma história sobre combates de ninjas, a busca da identidade parece ser o que move todos os personagens. Da mesma forma, por trás da luta contra vilões como Magneto e Apocalipse, X-Men fala sobre preconceito.

Colocando as questões dessa maneira, os leitores acabam sendo levados a refletirem sobre esses mesmos pontos. 

Aqui uma pequena lição de casa. Análise com cuidado as HQs, filmes e séries que gosta e tente definir o tema dessas histórias.

4 de out. de 2010

[Dicas para escrever] Criação de Personagens - parte 2


Pra quem não viu, da última vez nós falamos aqui sobre algumas dicas para criação de personagens.

Agora vamos com a segunda parte dessas dicas, com uma ficha de personagem no final.

Personalidade

Chegamos agora a parte mais complexa da criação de personagens: a personalidade. Aqui será preciso se passar um pouco mais de tempo pensando do que nas outras etapas. Mas com certeza é um esforço que vale a pena, pois quanto mais tempo você passar elaborando a personalidade, menor é a chance de criar um personagem clichê.

Na hora de definir a personalidade vale a mesma regra sobre o passado. Mesmo que os leitores não saibam de certos elementos sobre a personalidade e a psicologia desse ou daquele personagem, é importante que o roteirista saiba, para escolher melhor suas ações.

Talvez a melhor forma de tornar um personagem mais realista seja acrescentar algumas incoerências e/ou defeitos em sua personalidade. É o que acontece com Yukino Miyazawa, do mangá Kare Kano (de Tsuda Masami), na escola Yukino é uma aluna-modelo, inteligente e prestativa, mas em casa ela se mostra relaxada e preguiçosa. Já nos comics, basta ver como Batman, mesmo sendo heróico e honesto também é obsessivo e manipulador.

Esse é um bom ponto para começarmos. Quais são as melhores qualidades e os piores defeitos do seu personagem? Quais são seus medos?

Depois vamos pensar nos objetivos do seu personagem, afinal são suas metas que o impulsionarão para frente e o manterão firme nos momentos difíceis. Um objetivo pode ser algo longo e interminável (um super-herói que jurou combater o crime), ou algo que ele/ela possa concretizar algum dia, (como Naruto que sonha em ser o líder da Vila da Folha).

Quais são os objetivos de seu personagem? Por que ele/ela quer isso? O que fará para alcançar seu sonho? Quais são seus maiores obstáculos?

E como ninguém é uma ilha, o nosso personagem terá de se relacionar com as pessoas à seu redor. O comportamento é a característica mais marcante de um personagem, é o que define como ele ou ela será visto e lembrado pelos leitores.
O que o seu personagem pensa sobre as pessoas à sua volta? E sobre as pessoas em geral? O que ele/ela pensa sobre si mesmo(a)? Como as outras pessoas o vêem?

Peculiaridades

Existem mais alguns detalhes extras que podem ser incorporados ao personagem, as peculiaridades. São pequenas coisas do cotidiano que, talvez não acrescentem nada a história, mas acrescentam mais cor ao personagem.

Coisas do tipo, qual é o prato predileto do personagem? Ele ou ela tem algum hobby? Algum animal de estimação? Ele/ela sente atração por que tipo de mulher/homem?

Ficha

Muitos roteiristas, tanto veteranos, quanto novatos gostam de elaborar fichas de personagens na hora da construção. Aqui vai uma ficha criada por mim, repassando o que vimos nesse aqui. É possível achar fichas muito mais detalhadas na internet.
FICHA DE PERSONAGEM

Bom pessoal, é isso. Espero que essas dicas possam ser úteis e lembrem-se: escrevam sempre!

28 de set. de 2010

[Dicas para escrever] Criação de Personagens - parte 1


Qual é a primeira coisa que vem a sua mente quando se fala em Star Wars? É possível que muitas pessoas pensem em naves espaciais e nos diferentes planetas, mas a maioria irá pensar em Darth Vader, Princesa Leia e nos cavaleiros jedi com seus sabres de luz.

Por mais que o mundo da história seja rico e envolvente, são os personagens que mantém os leitores fiéis à história. Um bom personagem é alguém fácil de se gostar ou odiar, alguém carismático que possa levar os leitores a se identificar, espelhar ou admirar.

Mas como criar um personagem assim? Infelizmente, não há uma fórmula para criar personagens carismáticos, e isso sempre depende mais dos leitores do que do próprio autor. Mas no geral, podemos dizer que personagens mais bem elaborados, e com um ou dois defeitos têm mais chances com o público.

A criação de personagens é um assunto complexo e já foi tema de inúmeros estudos. Longe de mim, dar a palavra final, mas aqui vão algumas etapas básicas que podem te ajudar nessa missão.

Definição

Aqui temos apenas a informação básica, o mínimo necessário para saber com quem estamos lidando. É possível escrever uma história fechada de poucas páginas apenas com essas informações (como eu faço aqui no blog), mas não HQs com mais páginas ou mais capítulos.

A primeira coisa é definir o conceito, ou seja, o que o seu personagem é. De que tipo de pessoa estamos falando? Um guerreiro ou um advogado? Uma freira ou uma espiã internacional? Ou será um pica-pau com uma risada marcante?

Qual é o nome do seu personagem? E qual é a idade, ou no caso de personagens longevos (como vampiros e super-heróis), qual é a idade real e a aparente?
Depois vêm suas ocupações, o que ele/ela faz pra viver? Tem alguma outra atividade secreta? (Clark Kent é repórter e também é o Super-Homem). Onde vive (ou se esconde), e com quem?
Ele ou ela é solteiro(a), está namorando, é casado(a), divorciado(a) ou viúvo(a)? Tem amigos ou inimigos? Quem são?

O Passado

No mundo dos quadrinhos o passado define o presente. Pense em quantos personagens só se tornaram o que são devido há algum evento em seu passado. Peter Parker se tornou o Homem-Aranha para se redimir da morte de seu tio Ben. Magneto (dos X-Men) odeia a humanidade porque sua família foi enviada para um campo de concentração quando ele era criança. Gaara (do mangá Naruto, de Masashi Kishimoto) se tornou um maníaco homicida após sobreviver a uma tentativa de assassinato.

Os eventos do passado sempre irão interferir com o presente em diferentes intensidades. E lembre-se: mesmo que os leitores nunca venham a saber sobre o passado de um personagem é importante que o roteirista tenha pelo menos o quadro geral, para assim, determinar melhor as atitudes desse ou daquele individuo.

Vamos pensar então: Onde o personagem nasceu e cresceu? Como foi sua infância? Como era sua relação com a família e com os amigos de infância? Ainda tem contato com essas pessoas? Qual foi o fato mais marcante na vida dele ou dela?

Aparência

A menos que o seu personagem seja invisível, você por certo quer que ele/ela tenha um visual único e chamativo. Mesmo que o traço dos personagens (ou character design) seja criado pelo desenhista, ele fará isso com base nas referências que você passou.

Um erro comum quando se está começando é imaginar todos os personagens (ou pelo menos a maioria deles) como pessoas jovens, bonitas e na moda. Isso deixa a HQ repetitiva e pouco realista, como acontecia com os primeiros títulos da editora Image: todos os homens eram grandes e fortes, e todas as mulheres eram gostosas e se vestiam como strippers.

Nesse caso, a variedade é a fórmula do sucesso. Dito isso, vamos passar a questão do aspecto físico.
Qual é a cor dos cabelos e olhos? A que etnia pertence? Qual é o tipo físico (forte, gordo, esbelto)? Possuí algum traço marcante no rosto ou no corpo (tatuagens, cicatrizes, pierciengs, etc.)?
Uma boa regra aqui é criar um contraste entre os personagens. Se o herói é loiro, então sua namorada deve ser morena, ruiva, negra, etc. O importante é que não seja loira também.

Por fim, chegamos ao vestuário. As roupas refletem o dia-a-dia do nosso personagem: um mendigo vestirá trapos sujos, já um executivo usa terno e gravata. O mesmo princípio vale para a personalidade: uma garota tímida usará roupas conservadoras, enquanto outra mais saidinha vestirá trajes ousados.

Encerramos por aqui a primeira parte dessa coluna, fiquem atentos para a segunda parte.

30 de jun. de 2010

[Dicas para escrever] Tipos de Roteiro: Layout


Encerrando essa trilogia sobre os principais tipos de roteiro, vamos falar hoje sobre Layout.

Lembrando que os outros dois tipos mais comuns, o Full Script e o Método Marvel já foram comentados aqui e aqui.

Layout

Apesar de não fazer tanto sucesso lá fora, o Layout (também chamado de Rafe) é bastante usado aqui no Brasil, sendo o estilo preferido de roteiristas como Alexandre Nagado e Wellington Srbek, além de ser utilizado na produção das revistas da Turma da Mônica.

O layout é basicamente um esboço da HQ feito pelo próprio roteirista, mostrando assim como deve ser a diagramação, os ângulos, as poses dos personagens, etc, etc...

A maior vantagem do layout é oferecer ao roteirista controle absoluto sobre o resultado final da história, aqui a liberdade do artista é praticamente zero. A desvantagem é que o roteirista deve ter boas noções de diagramação e narrativa visual.

Alguns layouts já vêm com o texto escrito à mão, outros trazem apenas indicações nos balões, e o texto vem em algum documento separado, ou digitado abaixo dos quadros. Esse último é o caso do layout que eu desenhei de SUZANA & JÚLIO. O texto está ai embaixo e o layout você pode conferir acima:

SUZANA & JÚLIO - Joe de Lima
PÁGINA 01

1. "É sério, Júlio..."
2. ...essa prova do ENEM vai acabar comigo!
3. Nem me fale. Eu ainda vou morrer de tanto estudar!
4. E pensar que eu ainda tenho treino de handebol hoje!
5. Não sabia que você estava no time, Suzana.

Pessoalmente, eu não gosto muito desse tipo de roteiro. Acho que limita demais a mão do desenhista.

Bom, é isso. Agora que você já conhece todos os tipos de roteiro, suas vantagens e desvantagens, pode escolher qual deles combina melhor com seu estilo narrativo. Então não fique aí parado, comece a escrever!

23 de jun. de 2010

[Dicas para escrever] Guia Oficial DC Comics de Roteiro


Pra quem quer saber mais sobre como escrever e estruturar um roteiro, e principalmente para quem quer conhecer melhor o jeito DC Comics de fazer quadrinhos, aqui vai uma dica valiosa direto do blog do meu amigo Marius.

É um guia oficial escrito por Denny O'Neal, um dos cobras da DC.

Clique aqui para acessar o blog Hadrian Marius, e ver o link para download.

Leitura indispensável.