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4 de dez. de 2017

Chamada para a antologia Duendes: Contos Sombrios de Reinos Invisíveis


Faz um bom tempinho que não falo de antologias aqui. A verdade é que o cenário de antologias hoje é bem diferente do que era há alguns anos, sendo que hoje, a maioria das coletâneas cobra valores salgados dos autores que querem participar. Eu nunca participei de antologias assim (e também não recomendo a participação), mas fica a critério de cada um.

Felizmente, ainda existem algumas antologias gratuitas por aí e uma dessas é a Duendes: Contos de Sombrios de Reinos Invisíveis, que está com inscrições abertas para contos de fantasia sombria.

Abaixo tem um pouquinho texto de chamada. Para mais detalhes e o regulamento, acessem a página oficial da antologia.

O Reino Invisível sempre esteve perto de nós. Além dos círculos de pedra, no coração das florestas, em dimensões das quais nos separa uma frágil barreira, um povo muito antigo nos espreita com olhos cheios de paixão, curiosidade, sabedoria – mas também, algumas vezes, com inveja e maldade... [continue a leitura]

17 de abr. de 2017

[Audioconto] "A Senhora da Lua" no Desleituras


Mais um conto meu é destaque no podcast Desleituras. Dessa vez é um conto de terror chamado A Senhora da Lua. Originalmente, criei esse conto para um concurso da agência Wolfpack. O texto não foi aprovado, mas o Desleituras o recebeu de braços abertos.

Para quem ainda não conhece o projeto, é uma série de audiocontos criada pelo meu amigo Pensador Louco. A maioria dos contos traz apenas o próprio Pensador como narrador, mas esse episódio recebeu um tratamento especial com dramatização completa, com participação de um ótimo elenco.

31 de out. de 2016

[Conto] Amor Ardente

“Os olhos de Bernardo queimaram”.

Esta era a linha que mais perturbava o bispo Damião. Vira Bernardo crescer, acompanhou seus estudos rumo ao ministério de perto e amava-o como um pai amava um filho. Leu a carta novamente, as palavras apertaram seu coração. “Ele ficou cego”.

Mesmo detestando viajar, o bispo de rosto marcado dispôs-se a quase um dia inteiro sacolejando numa carroça aberta, alcançando seu destino no final da tarde. Santana limitava-se a uma ou duas ruas de casas escassas e um mínimo de comércio. Muitos habitantes da vila viviam, na realidade, em fazendas próximas.

A carroça parou diante da diminuta igreja, onde uma beata idosa varria a entrada. A senhora apressou-se em beijar a mão do bispo e pedir uma benção. Foi ainda mais rápida em despejar uma enxurrada de boatos a respeito de Bernardo e daquela mulher, acusando-os de terem recebido uma punição divina.

Sem perder tempo, Damião bateu na porta do quarto simples no interior da igreja, deparando-se com Bernardo acamado. À exceção da faixa sobre os olhos e do aspecto abatido, seu corpo não mostrava sinais de mácula.

Como o fogo teria queimado apenas os olhos?

— Não precisava ter feito essa viagem, senhor — disse Bernardo.

— Como sabe que sou eu?

— Ouvi sua voz. Perder a visão aguçou meus outros sentidos.

— Me dói vê-lo nessas condições. Quando tiver disposição, quero saber a verdade sobre o que aconteceu. Não imagina as histórias absurdas que ouvi.

— A melhor hora é agora, porque suspeito que ela virá por mim hoje à noite. Mas saiba que a verdade vai soar mais absurda que os boatos e é por essa razão que peço que escute sem interromper…

9 de set. de 2016

[Audioconto] "Homo Ciberneticus", no Desleituras


Mais um conto de minha autoria é destaque num episódio do Desleituras, podcast de audiocontos do grande Pensador Louco. Desta vez, o conto foi Homo Ciberneticus, uma obra de ficção especulativa. Como sempre, a narração e a edição do Pensador estão sensacionais!


Você também pode ouvir os outros episódios com contos meus clicando nos links: Eva & Morte, A Marca do Escorpião

8 de fev. de 2016

[Audioconto] "A Marca do Escorpião" no Desleituras


Estou de volta ao Desleituras, o podcast de audiocontos narrados pelo grande Pensador Louco. Dessa vez, ele narrou meu conto A Marca do Escorpião. Clique aqui ou na imagem para ouvir.

Clique aqui para ouvir o audioconto "Eva & Morte"

14 de dez. de 2015

[Conto] Joanna

Acho que eu tinha dez, talvez onze anos, quando conheci Joanna. Era véspera de Natal, como hoje. Eu passeava pelo centro da cidade com meus pais e minha irmã. Em algum momento me afastei um pouco… E foi quando a vi. Parecia ser mais velha um ano ou dois, tinha o rosto de uma boneca e o sorriso de um anjo. Brincamos, andamos de mãos dadas e conversamos. Eu nunca tinha conversado com uma menina até aquele dia.

— Você me ama, Breno? — meu coração bateu forte.

— P-por que essa pergunta?

— Porque eu amo você, mas só vou te beijar se disser que me ama também.

— A-acho que amo… não sei… é a primeira vez que me sinto assim…

12 de jun. de 2015

[Conto] Licença Maternal

Ladrões, sequestradores, pedófilos, estupradores, assassinos… Esse tipo de gente não me assusta; lidar com o pior da Sociedade é meu trabalho. Mas o que vou fazer agora, isso sim, mexe comigo. É o futuro da minha vida familiar que está em jogo.

Confiro minha aparência no espelho do fundo do elevador. Dou uma ajustada na armadura policial modelo copsuit de placas nanopolimetrícas azuis sobre um colante preto à prova de balas, fogo, eletricidade e sei lá mais o quê. Pesa menos de um quilo, mas o manual garante que aguenta até um tiro de canhão de plasma.

— Nervosa, Sandra? — pergunta o capitão Álvaro, sua hierarquia superior garante uma copsuit um pouco mais sofisticada. No espelho, o vejo dar aquele sorriso com o canto da boca, enquanto encara minha bunda, me comendo com os olhos. Nenhuma novidade.

11 de abr. de 2015

[Audioconto] "Eva & Morte" no Desleituras


Meu amigo Pensador Louco está trabalhando num projeto de audiocontos muito legal chamado Desleituras. É o próprio Pensador quem faz todo o trabalho, incluindo a narração e a edição da trilha sonora. O resultado é um trabalho de alto nível!

O sexto episódio de Desleituras apresenta um conto de minha autoria: "Eva & Morte", que vocês podem acessar clicando aqui ou na imagem. E não deixem de conferir os outros episódios também.

17 de jan. de 2015

[Conto] A Marca do Escorpião

Fonte da imagem: http://goo.gl/Pd8OTi
Todos ficaram calados, ouvindo os corvos crocitarem. As aves banqueteavam-se de uma vintena de viajantes mortos. O sangue escorria ainda fresco, tingindo o solo desértico de vermelho; uma indicação de que o massacre fora recente.

A brisa constante lambia a pele queimada de Sol de Al Jaber, emaranhando grãos de areia em sua barba e agitando levemente sua cafia, o pano preso à cabeça por uma fita; o que ele usava exibia estampas quadriculadas e era marrom claro, a mesma cor do abeie, a capa que trazia sobre a túnica branca.

— Que horror! — a voz de Jade tremeu. O xador púrpura que vestia lhe cobria o corpo e o rosto, deixando apenas a testa e os olhos de cílios longos à mostra. Olhos que procuraram os de Al Jaber com uma expressão aflita.

30 de ago. de 2014

[Conto] A Doutora & O Doador

Esse é mais um conto que foi publicado pela extinta Editora Infinitum em uma de suas antologias. É um dos primeiros que escrevi. Aqui, o apresento em uma versão revisada.

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“Já vai acabar”, disse Cibele pra si mesma. “Coragem, você sabe que precisa fazer isso!”. 

O suor escorria por todo seu corpo. Ela acelerou o movimento frenético para alcançar logo o clímax. Fechou os olhos para não encarar o rosto do homem deitado embaixo dela (como era mesmo o nome?) e para não deixar as lágrimas rolarem. Há muito deixara de sentir prazer no ato. Seus músculos doíam pelo esforço, a mente divagava.

Estavam todos enganados! Ainda jovem chegara a essa conclusão. Livros, filmes, revistas… todos errados! Não havia nada de romântico ou sedutor em ser um vampiro, tudo que havia era a frieza… e a culpa.

14 de jun. de 2014

[Conto] O Gato no Muro

Esse foi o meu primeiro conto a ser publicado em uma antologia: Lugares Distantes. Com o fim da editora Infinitum, decidi postá-lo aqui no blog. O texto foi revisado, mas não reescrito. A história continua a mesma.
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Quando saiu no início da noite, Lucas disse aos pais que iria dormir na casa de seu amigo, Edu. Nada que pudesse preocupá-los. Eduardo tinha o hábito de reunir seus colegas de classe para noitadas de filmes e videogame; além disso, os pais do garoto sempre ficavam de olho na molecada. Lucas sabia que era uma péssima ideia dizer a eles quais eram seus verdadeiros planos: uma aventura vazia e infantil para provar sua masculinidade.

29 de mar. de 2014

Conto - Homo Ciberneticus

Bom, chegou a hora. Ainda bem que nosso aerocarro recebeu autorização para usar a pista VIP, caso contrário, estaríamos presos no trânsito intenso da hora do rush, somado a grande quantidade de veículos daqueles que vieram para se juntar a um lado ou ao outro da multidão e dos que estão apenas curiosos para ver o que irá acontecer.

Pods da polícia nos escoltam para impedir qualquer possível agressão e drones da imprensa voam nos limites do corredor de isolamento, tentando conseguir alguma imagem exclusiva enquanto transmitem o que acontece em tempo real para os usuários da hipernet. As redes sociais não falam de outra coisa, milhões de mensagens são postadas nos fóruns que debatem o assunto. As telas gigantes dos arranha-céus transmitem declarações de líderes e formadores de opinião. No chão, manifestantes demonstram seu apoio ou seu repúdio.

O centro de Nova Sydney está completamente tomado por um mar de gente, enquanto os olhos do mundo se voltam para nós.

9 de nov. de 2013

Conto - A Carta Para O Doutor

Como sou curadora do museu municipal, muita gente pensa que passo o dia inteiro sem fazer nada além de admirar arte. Bom, pode não ser o emprego mais pesado do mundo, mas têm dias e dias. Hoje estou fazendo hora extra noite afora para preparar uma grande exposição de esculturas para a próxima semana e devido a vários probleminhas, as obras só foram entregues no fim do expediente.

Dou um giro pelo museu para ver se está tudo em ordem. Caminho sozinha pelos corredores e não demora para ver algo fora do lugar. Alguém colocou um grupo de uma dúzia de pequenas gárgulas de pedra na sala barroca, ao invés da gótica. Depois resolvo isso. Agora, preciso cuidar da remoção das últimas peças da exposição anterior Engraçado. Em uma segunda olhada, algumas gárgulas parecem estar em posições diferentes.

Minha imaginação está me pregando peças.

Na sala seguinte, me deparo com outro problema. Apanho o rádio no meu cinto e me volto para a câmera no canto da sala.

7 de jan. de 2011

Conto - O Discípulo de Eusébio Duarte

O grande espelho na porta do guarda-roupa mostrava a imagem de César em sua camisa branca. Desde seu divórcio habituara-se a dedicar muito mais tempo ao ato de vestir-se. Apanhou a gravata preta ciente do quanto ficava bem de terno. Contudo, os olhares femininos não atrairiam sua atenção nessa noite, acreditava que flertar em um velório não era de bom tom, principalmente sendo este o velório de seu velho mestre, Eusébio Duarte.

Orfão de pai, César colecionara figuras paternas ao longo da vida. Porém, Eusébio era o único a quem ele realmente desejara chamar de pai. Se conheceram em uma classe da faculdade de história. Duarte era então um professor veterano, conhecido por tirar o melhor de seus alunos, era um homem dotado de um poderoso raciocínio e de uma memória infalível. Parecia capaz de traçar uma linha de tempo de toda a história mundial sem a necessidade de consultar nenhum livro e sem omitir nenhum detalhe, por mais obscuro ou irrelevante que fosse. E em César, o educador havia encontrado mais do que um aluno dedicado, encontrara um discípulo obstinado! Compartilhavam as mesmas idéias sobre todas as guerras terem sido disputadas por razões políticas, sobre os verdadeiros heróis serem os anônimos, e que os grandes líderes eram sempre movidos por interesses pessoais. Se não concordavam em tudo, era porque o aluno nunca entendeu a paixão de seu professor por certas áreas do conhecimento humano.

3 de dez. de 2010

Conto - Três da Tarde

A bela moça acordou de sobressalto em meio a violentas convulsões. Fortes espasmos agitavam todos os músculos do seu corpo, e sentia uma queimação intensa no peito... cada vez que respirava seus pulmões ardiam como se o próprio ar não fosse mais bem-vindo em seu organismo. As dores a derrubaram da cama de camisola. No chão, fez um esforço hercúleo para diminuir sua respiração e se acalmar enquanto a dor diminuía.
 
Tentou coordenar o turbilhão de idéias. Primeiro seu olhar buscou o rádio-relógio e ficou chocada ao ver que já passava das três da tarde! Jamais havia dormido até essa hora. Estranhou o quarto por um momento, até se lembrar que aquele era o apartamento de seu noivo. De pé, voltou-se para a cama, onde o noivo ainda dormia. Antes de chamá-lo, não deixou de notar que, apesar das pesadas cortinas bloquearem por completo a luz do dia, deixando o quarto na escuridão absoluta, conseguia ver perfeitamente tudo a sua volta.
 
Ignorou esse novo mistério, tudo o que queria agora era se sentir segura nos braços do seu amado. Mas ao tocar seu corpo... estava frio como um cadáver! Porém o que mais a assustou foi o filete de sangue que escorria dos lábios. Num rompante, e sabe-se lá por qual instinto levou a mão ao pescoço encontrando dois orifícios. De súbito, ouviu uma voz que vinha de dentro de si... das profundezas da sua alma rosnando que era tarde demais, que ela já não era humana... logo depois, as dores voltaram...
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Esse é um conto escrito para um pequeno concurso de minicontos de vampiro do blog Masmorra do Terror, do escritor Lino França Jr. Infelizmente eu não ganhei nenhum prêmio. Bom, fazer, o quê? Mais contos vem por aí. Aguardem!