28 de dez de 2013

Melhores de 2013

Chegou a hora da última postagem do ano trazendo a minha lista com aquilo que vi de melhor na literatura, cinema, quadrinhos, TV e games. As obras que fazem parte dessa lista foram escolhidas de acordo com um único e específico critério: o meu gosto pessoal.

Mesmo assim, sintam-se a vontade para deixarem a sua opinião. Concordam, discordam? Acham que esses são os melhores? Lembrando que os vídeos abaixo e outros podem ser conferidos na minha playlist no Youtube.


MELHORES DE 2013


MELHOR LIVRO: O Espadachim de Carvão, de Affonso Solano


A obra de Affonso Solano conta a história de Adapak, um jovem de aparência exótica que parte em uma jornada em busca de sua verdadeira origem. O Espadachim de Carvão se destaca principalmente por apresentar um mundo fantástico totalmente novo, sem inspirações em mitologias conhecidas e consegue equilibrar a beleza da magia com os pecados da sociedade [leia a resenha completa].


MELHOR FILME PIPOCA: Jogos Vorazes - Em Chamas



No segundo capítulo da saga, Katniss Everdeen precisa lidar com as consequências de ter desafiado o regime ditatorial da Capital. Jogos Vorazes continua trazendo uma crítica feroz às chamadas políticas pão & circo e aos reality shows. É raro ver um blockbuster abordar temas tão delicados. O resultado é um filme maior e melhor que o primeiro em muitos aspectos. Empolgante e eletrizante, mas também faz pensar.


MELHOR FILME ALTERNATIVO: Juan dos Mortos



Juan dos Mortos é uma produção cubana de 2011 que só chegou aos nossos cinemas esse ano. No filme, vemos como o boa-vida Juan, acompanhado de sua filha e um grupo de amigos, lida com um ataque de zumbis em Havana. Esqueça o altruísmo dos heróis americano, aqui eles chegam a criar um serviço destinado a caçar mortos-vivos (por um bom pagamento, é claro): "Juan dos Mortos, matamos seus entes queridos". Comédia com muito humor negro.



MELHOR HQ DE SUPER-HERÓIS: The Movement


Enquanto a maioria dos heróis derrota vilões que querem dominar o mundo, The Movement (inédita no Brasil) mostra uma comunidade de super-humanos unida contra a falência do Sistema em uma cidade dominada por policiais desonestos e políticos corruptos (parece familiar?). Com roteiros de Gail Simone e arte de Freddie Williams II, essa é uma série que tem muito a ver com o momento atual do  nosso país. Os membros da equipe principal são (da esquerda para a direita): Kartasis, Burden, Ven, Virtue (a líder), Tremor e Mouse.


MELHOR ANIME/MANGÁ: Kami-Sama no Inai Nichiyoubi



O título em inglês desse anime é Sunday Without God (traduzindo, O Domingo Sem Deus). Em um mundo onde não há mortes e nascimentos, os hakamoris (coveiros) são os únicos que tem o poder de enviar uma alma para o além. Com 12 episódios, o anime acompanha a pequena Ai, uma jovem hakamori em uma jornada para salvar um mundo que parece estar além da salvação. Uma história bonita e contemplativa que medita sobre qual é o real significado de estar vivo.


MELHOR SÉRIE DE TV: In The Flesh (1ª. temporada)



E tem mais zumbis, dessa vez em um drama da BBC. In The Flesh começa após a humanidade sobreviver a um apocalipse zumbi. Os mortos-vivos que restaram agora recebem um tratamento especial para se reintegrarem a sociedade. É o caso de Kieren, um zumbi, suicida em sua vida humana e homossexual que retorna para seu lar em uma pequena cidade no interior, onde enfrentará o medo e o preconceito dos moradores, além de ter de lidar com as lembranças das coisas horríveis que fez. A temporada teve 3 episódios.


MELHOR GAME: Grand Theft Auto V



Mesmo em um ano repleto de jogos excelentes, o quinto capítulo da sempre polêmica série GTA consegue se destacar. O game de mundo aberto inova ao trazer, não um, mas três protagonistas: o ladrão de bancos aposentado, Michael, o rapaz do subúrbio, Franklin e o maníaco de carteirinha, Trevor em sua rotina de desafiar a lei para faturar alto em golpes arriscados. No caminho deles estão a máfia chinesa, traficantes mexicanos e agentes corruptos do governo [leia a resenha completa]

14 de dez de 2013

[Resenha] Sementes no Gelo, de André Vianco

Não sou um grande fã de histórias de terror. Poucos são os filmes do gênero me agradam (acho a maioria muito bobos) e o mesmo vale para os livros. Não que eu não aprecie a obra de H. P. Lovecraft ou um bom livro de Stephen King, só que esse está longe de ser meu tipo favorito de leitura. Mas como tenho lido muita fantasia decidi variar um pouco.

Acabei procurando Sementes no Gelo, de André Vianco por duas razões. Primeiro, ouvi muitos elogios à essa obra. Segundo, eu ainda não ter lido nenhum livro deste que é considerado um dos grandes autores nacionais da atualidade. Eu gostaria muito de dizer que gostei da experiência… mas estaria mentindo.

A trama é ambientada em Osasco e começa quando Tânio Esperança, um detetive particular sem dinheiro é procurado por sua velha amiga Lisete, que diz estar sendo atormentada pelo fantasma de um menino chamado Pedro. Ao mesmo tempo, mais crianças fantasmas são vistas pela cidade envolvidas em assassinatos brutais de estupradores, pedofilos e outros tipos de criminosos. De inicio, o detetive não acredita no sobrenatural, mas à medida que a investigação avança, Tânio percebe que os fantasmas não apenas são reais, como são diferentes de outros relatos de assombrações.

A primeira coisa que chama a atenção em Sementes no Gelo é seu tamanho diminuto. Com apenas 174 páginas a obra está mais para uma noveleta do que um romance e essa falta de espaço têm reflexos no livro como um todo.

Os personagens são bastante rasos. Não possuem diferentes facetas, motivações claras ou ambições, apenas reagindo às situações que são colocadas. Os diálogos são rasteiros e recheados de chavões. Parece até que os personagens estão lendo suas falas. Da mesma forma, a ambientação não é aproveitada. A história se passa em Osasco, mas poderia ser em qualquer outro lugar que não faria diferença, já que o autor se limita a citar nomes de ruas e locais que significam pouca coisa para aqueles que não conhecem a cidade.

A polícia é presença constante durante toda a trama, o que, na minha opinião, compromete o clima de tensão e suspense que se espera em uma história como essa (afinal de contas, quem chamaria a polícia para cuidar de um caso de fantasmas?). A trama não flui de forma natural, resultando em muitas situações forçadas. Para se ter uma ideia, em dado momento, o responsável simplesmente aparece diante do detetive Tânio e faz o imenso favor de contar todos os detalhes de seu plano.

Apesar de tudo isso, há pontos positivos para serem destacados. Vianco faz algumas referências interessantes a elementos do nosso cotidiano como o Jornal Nacional e a revista Época. As crianças-fantasma também são interessantes. Esqueça as almas penadas com assuntos inacabados. Aqui as assombrações ganham nova origem e novos poderes.

Sementes no Gelo definitivamente não me agradou, mas vale para aqueles que procuram uma leitura rápida e para quem quiser ver um tipo de fantasma diferente do tradicional.

FICHA TÉCNICA

SEMENTES NO GELO
Autor: André Vianco
Lançamento: 2002
Páginas: 174
Editora: Novo Século

7 de dez de 2013

HQ - Serpente de Fogo: Ataque ao Vilarejo

Como a maioria de vocês deve saber (mesmo que não acompanhem), estou publicando uma série literária do gênero dark fantasy com capítulos semanais disponíveis para leitura online gratuita: Serpente de Fogo. Logo no início da série somos apresentados à Mirya Clancey, que nos contará a saga de seus pais e também fala sobre a rivalidade com seu meio-irmão.

Hoje trago para vocês uma HQ curta contando uma pequena história extra estrelada por uma Mirya mais jovem do que aquela que vemos em Serpente de Fogo, e por Rodrick, o meio-irmão de Mirya. Não é preciso acompanhar a série para ler essa HQ, que tem apenas 4 páginas e é auto-contida (tem começo, meio e fim). A arte é de Rafa Lee.

Clique na imagem para ler.



E aqui, o roteiro original em full script (download via 4Shared)

30 de nov de 2013

[Game] Grand Theft Auto V

Grand Theft Auto V é o novo capítulo da controversa série de jogos da Rockstar. Uma palavra sobre esse game: Uau! Comecei minha primeira sessão com as expectativas lá no alto e tenho que dizer que GTA 5 superou todas elas!

Quem experimentou os games anteriores ou já está habituado à mecânica de jogos de mundo aberto não deve esperar por grandes inovações.

Não, o que realmente destaca esse game dos demais é a quantidade inacreditável de possibilidades: desde dirigir carros e motos à pilotar helicópteros, aviões e submarinos; de jogar tênis ou golfe à praticar ioga; de administrar seu próprio negócio (lícito ou não) à investir em ações na bolsa de valores, de dar um rolé com os amigos à colecionar fotos das strippers com as quais você dorme. E isso é só um pouco (quase nada) da lista imensa de coisas para se fazer na cidade fictícia de Los Santos.

Aliás, todos os aspectos do jogo são grandiosos. O tamanho da cidade é absurdo, como também é o cuidado com os detalhes. É possível notar a textura do asfalto enquanto dirige, as ruas são sinalizadas, todas as lojas têm nomes e por aí vai. Nenhum outro game conseguiu emular o mundo contemporâneo nesse nível.

A maior inovação que GTA 5 trás em matéria de gameplay é o fato de termos não um, mas três personagens principais. São eles: Michael De Santa, um ladrão de bancos aposentado que vive em uma mansão e está sempre em pé de guerra com a esposa e os filhos; Franklin Clinton, rapaz do subúrbio que mora com uma tia bagaceira e vive de pequenos golpes, mas que está cansado de se arriscar por ninharias; e Trevor Phillips, um antigo parceiro de Michael que pode ser descrito como um sujeito psicótico, violento e alucinado… não só é um maníaco, como gosta disso!




Como é possível alternar entre eles quase que livremente (dentro e fora das missões), cabe ao jogador a tarefa de cuidar da aparência, casas, carros, roupas, economias, equipamentos e negócios de cada um dos três. Isso dá uma perspectiva totalmente nova ao jogo.

Os games da Rockstar são conhecidos por serem polêmicos e GTA 5 não foge à regra. Nossos “heróis” são pessoas que vivem à margem da lei (cabe ressaltar que pessoas honestas são raridade em Los Santos). Roubar carros, usar drogas, aplicar golpes milionários, fugir da polícia… tudo isso é rotina! O jogo chega ao extremo de ter uma cena de tortura interativa, onde o jogador escolhe uma "ferramenta" e deve executar comandos para utilizá-la no pobre torturado.

Mas para aliviar o clima pesado, tudo é pontuado por muito, muito humor negro. Especialmente nos desenhos e reality shows que o jogador pode assistir na TV, que criticam de forma bastante ácida o que anda passando pelas telinhas atualmente.

Se você não lida bem com o politicamente incorreto, Grand Theft Auto V não é o seu jogo. Caso contrário, é um game imperdível! Não só um dos melhores do ano, mas um dos melhores em todos os tempos!




16 de nov de 2013

[Dicas para escrever] Foco Narrativo, com Pedro Bandeira

Hoje quero trazer para vocês uma aula sobre foco narrativo com um professor bem especial: Pedro Bandeira, autor de Os Karas. Para quem não conhece, essa é uma das séries infanto-juvenis mais bem-sucedidas da literatura nacional. As histórias acompanham as aventuras de um grupo formado bom cinco colegas do colegial: Miguel, Calú, Crânio, Chumbinho e Magrí, que a cada livro se vêem em uma nova trama de mistério, suspense e perigo.

Em ordem, os livros são:
- A Droga da Obediência;
- Pântano de Sangue;
- Anjo da Morte;
- A Droga do Amor;
- Droga de Americana.

Nas seis aulas abaixo, Pedro Bandeira fala sobre um tema de suma importância na hora de escrever um livro: a narrativa. Os temas abordados vão desde o narrador à como envolver os leitores de forma emocional. A linguagem utilizadas é simples, mas trás dicas preciosas. Vale a pena ver!

Lembrando que os vídeos compartilhados aqui no blog e na fanpage estão disponíveis na minha playlist Baú do Joe. Até!

Nota: Não foi possível incorporar o primeiro vídeo, mas a clicando no link do título do vídeo abaixo, você pode ver todas as aulas.

9 de nov de 2013

Conto - A Carta Para O Doutor

Como sou curadora do museu municipal, muita gente pensa que passo o dia inteiro sem fazer nada além de admirar arte. Bom, pode não ser o emprego mais pesado do mundo, mas têm dias e dias. Hoje estou fazendo hora extra noite afora para preparar uma grande exposição de esculturas para a próxima semana e devido a vários probleminhas, as obras só foram entregues no fim do expediente.

Dou um giro pelo museu para ver se está tudo em ordem. Caminho sozinha pelos corredores e não demora para ver algo fora do lugar. Alguém colocou um grupo de uma dúzia de pequenas gárgulas de pedra na sala barroca, ao invés da gótica. Depois resolvo isso. Agora, preciso cuidar da remoção das últimas peças da exposição anterior Engraçado. Em uma segunda olhada, algumas gárgulas parecem estar em posições diferentes.

Minha imaginação está me pregando peças.

Na sala seguinte, me deparo com outro problema. Apanho o rádio no meu cinto e me volto para a câmera no canto da sala.

8 de nov de 2013

[Dicas para escrever] Lembra desse? Quadrinize

Quem me acompanha a algum tempo deve se lembrar da Quadrinize. Projeto do qual participei em meados de 2010. A Quadrinize era um site de dicas para quem queria fazer quadrinhos. Entre o material disponível era possível encontrar colunas sobre roteiro, narrativa, ambientação, clichês, gêneros e mais.

Tanto material bom não poderia ser simplesmente deixado de lado.

Graças ao site Web Archive, especializado em guardar a memória da internet é possível matar um pouco da saudade. Não se trata de um resgate completo, nem todos os textos estão disponíveis e não é possível visualizar as imagens, mesmo assim ainda tem muito para ser aproveitado por lá.

26 de out de 2013

[Anime] Jormungand

"Her name is Koko! She is loco! I said: oh, no!"

Antes de começar, uma pequena aula de mitologia nórdica. Jormungand é uma serpente colossal, cujo corpo é grande o bastante para dar a volta ao mundo. Por essa razão, muitas vezes ela é chamada de Serpente do Mundo ou Serpente de Midgard (o mundo dos homens). Agora, para saber o significado do Jormungand do título do anime em questão vai ser preciso esperar um pouco, já que essa explicação só vem nos arcos finais da série.

Baseado no mangá de Keitaro Takahashi, Jormungand é uma produção de  2012 que conta com 12 episódios. No mesmo ano, a série ganhou uma segunda temporada chamada Jormungand: Perfect Order com mais 12 episódios.

A trama conta a história de Koko Hekmatyar, uma excêntrica e carismática traficante internacional de armas. Koko viaja pelo mundo acompanhada de sua equipe de guarda-costas. Entre eles quem mais se destaca é o menino-soldado Jonah, um orfão de guerra que odeia armas, apesar de ser um exímio atirador. Koko e Jonah tem uma relação onde ambos são tanto protetor quanto protegido e da interação entre eles nascem alguns dos momentos mais interessantes do anime.

Outros personagens de destaque são a lésbica super-turbinada Valmet, uma especialista em artes marciais e Kasper Hekmatyar, irmão mais velho de Koko e também traficante. O casal de irmãos é ligado por um forte laço, apesar de uma certa concorrência entre eles.

Sendo uma animação dirigida a um público mais maduro, Jormungand tem um tom sombrio e violento, mas também melancólico, por vezes. O estilo lembra um pouco os filmes de ação B com tiroteios irreais e explosões em cenários que vão desde ruas movimentadas à matas fechadas.




Esse é um anime que eu curti muito, mas preciso reconhecer que a série deixa a desejar em alguns pontos. É uma pena que o pai de Koko e Kasper não apareça em nenhum momento, sendo apenas citado várias e várias vezes.

Enquanto a primeira temporada traz episódios fechados com maior foco na ação, a segunda é mais voltada para os personagens. Mesmo sendo uma traficante de armas, Koko tem um grande plano para trazer a paz mundial. Aqui reside outro ponto fraco. Durante todo o anime, ela se mostra uma personagem inteligente e sagaz, mas no fim se entrega cegamente a um esquema ousado em sua forma, mas ingênuo em seus objetivos.

No final das contas, Jormungand se segura mais no carisma de seus personagens (especialmente Koko) do que em sua trama, que carece de um pouco mais de substância. Ainda assim, é um anime divertido de assistir, que se distância das produções adolescentes e dos ecchis que dominam o mercado.




19 de out de 2013

[Resenha] O Espadachim de Carvão, de Affonso Solano

Não é segredo para ninguém que a literatura fantástica nacional está ganhando cada vez mais espaço e um dos livros mais comentados do ano é O Espadachim de Carvão, de Affonso Solano, publicado pela editora Casa da Palavra, através do selo Fantasy. Tantos elogios podem funcionar como uma faca de dois gumes, já que criam expectativas muito altas, como as que eu tinha quando comecei a ler.

Mas a obra de Solano não deixa por menos e consegue fazer jus à fama!

A história é ambientada no mundo fantástico de Kurgala e acompanha a saga do jovem guerreiro Adapak. Filho de um deus, ele passou a maior parte de sua vida oculto do mundo, adquirindo conhecimento e treinando para se tornar um espadachim sem igual. Porém, o ataque das forças de um misterioso inimigo obriga Adapak a partir em uma jornada para descobrir quem deseja matá-lo e qual é sua verdadeira origem.

Kurgala é um lugar que realmente chama a atenção. Enquanto a maioria das obras de fantasia busca inspiração em mitologias clássicas como a grega ou nórdica, Affonso Solano nos apresenta um mundo totalmente novo, povoado figuras exóticas, a começar pelo próprio Adapak: preto (ele não é afro-descendente, sua pele é mesmo da cor preta), de olhos totalmente brancos e sem orelhas.

O universo do livro ainda tem mitologia própria e é habitado por dezenas de raças nunca antes vistas, como lindas donzelas de pele roxa, homens-polvo de olhos gigantes, guerreiros de três braços, entre muitos outros. Prepare-se para exercitar sua imaginação!

A narrativa de Solano é sinérgica e flui de forma bastante agradável e envolvente. Muitas vezes o autor utiliza a ingenuidade de Adapak sobre o mundo para criticar a sociedade.

São muitos os pontos positivos do livro, mas também há ressalvas. O texto não costuma relembrar as características de cada raça e, como são muitas, me vi confuso em alguns momentos sobre a aparência deste ou daquele personagem. O clímax da trama vem de uma forma um tanto abrupta, acompanhado de um longo discurso do vilão explicando todos os detalhes do seu plano – algo que não fica legal.

O final do livro lembra mais a conclusão de um arco do que de uma história completa, deixando muitas pontas soltas para serem atadas no segundo volume.

Não costumo comentar sobre o preço dos livros que resenho, mas nesse caso, acho que é uma discussão válida. O valor cobrado varia de algo em torno de 25 reais podendo chegar até a 35 reais em algumas livrarias (salgado para um livro de meras 250 páginas).

No fim, O Espadachim de Carvão é uma ótima experiência e os pontos negativos são pequenos comparados com suas qualidades e não comprometem a ótima experiência. Recomendado!

FICHA TÉCNICA
O ESPADACHIM DE CARVÃO

Autor: Affonso Solano
Lançamento: 2013
Número de páginas: 250
Editora: Casa da Palavra

12 de out de 2013

A oitava geração dos videogames

O mercado dos games está mais consolidado do que nunca. O faturamento monstruoso de GTA 5 (muito acima de qualquer outra mídia de entretenimento nos últimos anos) chamou a atenção até de que quem nunca deu muita bola para os jogos eletrônicos. É nesse clima de grandes expectativas para o futuro que mais uma geração de consoles vêm chegando, a oitava.

Um rápido resumo sobre a evolução dos games e os principais consoles de cada fase:


1ª. geração: Atari 2600 reina absoluto;
2ª. geração (8 bits): Nintendinho, Master System;
3ª. geração (16 bits): Super Nintendo, Mega Drive e, correndo por fora, Neo Geo - essa ainda é uma das eras mais queridas pelos gamers das antigas;
4ª. geração (32 bits): Playstation, Sega Saturn e Neo Geo CD;
5ª. geração (64 bits): mesmo tecnologicamente superior, o Nintendo 64 não consegue retomar o mercado;
6ª. geração (128 bits): com o fracasso do Dreamcast (da Sega), o mercado se resume a três fabricantes de consoles. É a era do Playstation 2 da Sony, do XBox da Microsoft e do Game Cube da Nintendo;
7ª. geração (a mais longa de todas): Playstation 3, XBox 360 e Nintendo Wii.

A oitava geração vem cheia de expectativa, já que ao contrário do que vinha acontecendo, teremos 2 novos consoles bem diferentes entre si. Me parece que o Playstation 4 tem seu foco nos heavy gamers, investindo em um hardware poderoso e mais investimentos nos independentes; já o XBox One aposta na integração de várias plataformas como TV on demand e compatibilidade com o Skype.

E então, qual é a preferência de vocês? PS4 ou X OneAbaixo tem um vídeo com os principais jogos já confirmados (exclusivos e multiplataforma).

28 de set de 2013

O lado negro do mercado editorial

Existe uma quantidade razoável de podcasts de literatura disponíveis na rede e um dos que costumo acompanhar com frequência é o CabulosoCast, do site Leitor Cabuloso. Vale a pena conferir muitos dos seus episódios, mas um em especial, é quase obrigatório para os novos escritores que ainda buscam seu espaço (meu caso).

Estou falando do CabulosoCast #59: O Dark Side do Mercado Editoral, que foi ao ar algumas semanas atrás aproveitando o barulho da polêmica declaração de Raphael Draccon sobre a realidade atual dos autores e editoras.


Com certeza, um programa indispensável para quem quer conhecer melhor os bastidores da literatura nacional.

15 de set de 2013

Tabula Rasa entrevista Joe de Lima

O site Tabula Rasa, especializado em literatura e cultura pop em geral colocou uma entrevista comigo feita pela Anny Lucard onde falo sobre minha formação como autor, Serpente de Fogo e os planos para meu primeiro romance. Quem quiser conferir, basta clicar no link abaixo.

"Joe de Lima é roteirista, iniciando como autor de contos ao publicar algumas de suas histórias em antologias. Tem vários trabalhos e projetos interessantes, que inclui a história online (para leitura gratuita) ‘Serpente de Fogo’, série de dark fantasy que tem os capítulos disponibilizados semanalmente, todas às quartas, no www.baudojoe.blogspot.com.br

O autor se descrever como uma pessoa caseira, que ele acredita influênciar seus textos sempre voltados as críticas sociais..." [continua a leitura]

7 de set de 2013

Top 5 - Heróis que poderiam virar série de TV

Agents of SHIELD, o seriado que expande o universo Marvel dos cinemas para a TV está chegando! A estréia nos Estados Unidos será no próximo dia 24 e dois dias depois (26/09) chega ao Brasil pelo canal Sony. Que melhor momento para falar sobre essa velha parceria entre heróis e telesséries?

Muitos shows já levaram os supers às telinhas. Entre essas produções podemos encontrar clássicos como Adventures of Superman (1951), o icônico Batman (1966) e O Incrível Hulk (1978); pequenas pérolas como Mulher-Maravilha (1975) e Lois & Clark: The New Adventures of Superman (1994); além de algumas bolas fora como Witchblade (2001) e Birds of Prey (2002); até chegarmos aos tempos recentes com o sucesso Smallville (2001), o seriado Arrow (que estreou no anos passado e vai para a segunda temporada) e o já citado Agents os SHIELD.

Aproveitando a deixa, fiz um ranking com cinco heróis que eu acredito que poderiam render boas séries de TV. Essa lista segue dois critérios: primeiro, tem que ser algo dentro da realidade de um seriado, e o segundo é que esse herói nunca tenha estrelado seu próprio show antes.

Deixe nos comentários se você concorda com a lista ou se acha que alguém ficou de fora, afinal, todos sabem que listas só servem mesmo para gerar discussão

5. Manto & Adaga

Tandy Bowen, a Adaga, possui o poder de disparar adagas de luz que podem ser usadas em ataque, mas também podem curar; Ty Johnson  pode se teletransportar usando seu manto negro e também projetar uma onda de sombra. Ambos são mutantes que tiveram seus poderes despertados após usarem uma droga experimental. A dupla teve um pico de popularidade nos anos 80, hoje não são tão conhecidos, mas ainda tem potencial.

Como ex-viciados, as histórias de Manto & Adaga abordam a questão do vício na adolescência e da criminalidade nas ruas. Uma série estrelada pelos dois deveria se focar mais no drama dos personagens do que no uso de poderes, além de trazer um óbvio contexto social.

4. Red Sonja

Quando sua família foi atacada e morta, Sonja foi abençoada por uma deusa, ganhando uma habilidade insuperável com a espada, mas há uma condição: ela só pode se entregar a um homem se ele a derrotar em combate primeiro ou perderá as bençãos da deusa. Sonja vive em um mundo dark fantasy cheio de feiticeiros malignos, bestas antigas e reis ambiciosos. Não estranhe se parece com Conan, de fato, os dois pertenceram ao mesmo universo durante muito tempo.

O sucesso de Game of Thrones mostra que séries de fantasia adulta podem emplacar e já que é assim, por que não uma série estrelada por um heroína forte e sensual, com uma pouco mais de ação do que GoT? Desde que se mantenha o clima maduro das histórias.

3. Demolidor

Ainda criança, Matt Murdock sofreu um acidente que lhe tirou a visão, mas aguçou seus demais sentidos e ainda fez com que ele desenvolvesse um apurado sentido de radar. Na vida adulta, Murdock divide seu tempo como o herói Demolidor e como um brilhante advogado. O Homem Sem Medo é um herói de muitas faces, mas na maior parte do tempo ele combina o lado sombrio do Batman com a irreverência do Homem-Aranha.

Sendo um herói urbano, Demolidor enfrenta vilões relativamente normais, como a ninja Elektra e o Rei do Crime, mas como também é advogado, uma série do herói apresentaria uma mistura perfeita entre uma trama realista, com espaço para dramas de tribunal e as alegorias dos supers.

[AT] Pouco depois da série do Constantine, foi confirmada a série do Demolidor, com produção do Netflix. [fim da AT]

2. Constantine

John Constantine teve uma vida tumultuada desde o início. Sua mãe morreu ao dar a luz, o pai alcoólatra foi preso, seu irmão gêmeo o odiava. Em meio a tudo isso, John descobriu ter uma aptidão natural para magia. Mais velho, ele saiu em viagem pelo mundo, aprendendo tudo que podia sobre ocultismo e satanismo, tornando-se um detetive do sobrenatural e um dos maiores magos do mundo, além de ser um fumante incorrigível e um trapaceiro sem igual. Para ele, os fins justificam os meios.

Não é difícil imaginar uma série de TV estrelada por Constantine à la Supernatural. Mas para uma adaptação fiel às HQs seria importante ter uma classificação mais alta (e não 13 anos, como o filme de 2005), afinal demônios, sexo e magia negra fazem parte do cotidiano de John.

[AT] Cerca de três semanas após essa postagem, foi noticiado que Constantine vai mesmo ser adaptado para a TV. Os roteiros serão de David S. Goyer [fim da AT]

1. Justiceiro

Após sua esposa e filhos serem brutalmente assassinados, o veterano do exército Frank Castle começou uma guerra particular contra a mafia e o crime organizado como o anti-herói Justiceiro. Em sua jornada para limpar as ruas, Castle utiliza de qualquer meio necessário: assassinato, tortura, extorsão, suborno e o que mais for preciso para aplicar sua filosofia: bandido bom é bandido morto. Graças a seu treinamento militar, o Justiceiro é um especialista em táticas de guerrilha e em inúmeras armas de fogo.

Justiceiro encabeça essa lista por ser o herói mais facilmente adaptável para uma série de TV. Seus inimigos são criminosos em geral, policiais corruptos, traficantes e qualquer um que se envolve em atividades ilegais. Após três tentativas mal-sucedidas no cinema (apesar de eu ter curtido o filme de 2004, estrelado por Thomas Jane), talvez seja a hora de uma chance na telinha. Também seria um sopro de novidade para o desgastado gênero das telesséries policiais.

31 de ago de 2013

O Verdadeiro Final de A Caverna do Dragão


Se não você não sabe o que é o desenho A Caverna do Dragão, quer dizer que você é um astronauta e passou os últimos 30 anos em Marte. Na trama, baseada no famoso livro de RPG Dungeons & Dragons, seis jovens são transportados para um mundo de fantasia onde recebem armas mágicas para lutar contra o vilão Vingador, o dragão de cinco cabeças Tiamat e outros perigos, sob a tutela do Mestre dos Magos, que sempre desaparece sem contar a seus discípulos como encontrar o caminho de casa.

Como o desenho foi cancelado antes do episódio final ser produzido, ficou a impressão de que Hank, o arqueiro, Eric, o cavaleiro, Sheila, a ladra, Presto, o mago, Diana, a acrobata e Bob, o bárbaro nunca voltaram para casa. Isso deu margem para inúmeras teorias sem noção. A mais viajante delas (e tenho certeza de que vocês conhecem) é aquela que sugere que os seis jovens estavam mortos.

Gente, era um cartoon dos anos 1980, a chance dessa teoria ser verdadeira é absolutamente nenhuma, zero, pode esquecer!

O fato é que o roteiro do último episódio chamado Réquiem foi sim escrito, mas nunca foi parar nas telas. A extinta revista Dragão Brasil chegou a publicar esse roteiro adaptado como conto e recentemente Réquiem foi transformado em uma HQ assinada por Michael Reaves (um dos roteiristas do desenho), com arte do brasileiro Reinaldo Rocha.

Essa HQ foi disponibilizada em alguns sites, então se você quer acabar com uma das grandes dúvidas da sua infância, basta clicar no link abaixo. Boa leitura!



24 de ago de 2013

Chamada para a coletânea A Revolução das Máquinas

A Navras Digital já está com inscrições abertas para a coletânea A Revolução das Máquinas, com organização de Ademir Pascale (O Desejo de Lilith, Diabólica).

Na página da antologia, não há um texto introdutório, apresentando apenas o tema aos autores interessados, deixando bastante espaço para a imaginação. As inscrições vão até 05 de outubro de 2013.


Boas escritas!

17 de ago de 2013

[Game] Bioshock Infinite

Bioshock Infinite começa com o protagonista Booker DeWitt sendo conduzido de canoa à um farol debaixo de uma forte chuva. Ele tem um revolver, a foto de uma jovem e uma ideia em mente: "Entregue a garota, livre-se da dívida". A garota em questão é Elizabeth, uma jovem misteriosa que possui o poder de abrir portais dimensionais. Ela é mantida cativa sem qualquer contato com o mundo exterior em uma torre na cidade voadora de Columbia. Claro que essa não será uma missão fácil, já que o Songbird, um pássaro de metal gigante vai fazer de tudo para impedir que Elizabeth deixe a cidade.

Apesar de eu curtir jogos de tiro em 3º pessoa, não sou assim tão fã de tiro em primeira pessoa. Mas quando vejo um game com uma premissa tão interessante e um background tão rico, eu simplesmente preciso jogar! Sou o tipo de jogador que valoriza mais uma boa história do que o gameplay (embora eu concorde que uma mecânica de jogo ruim estraga qualquer roteiro).

O jogo é ambientado em 1912 e combina o retrô com elementos steampunk, com uma tecnologia improvável, como cavalos mecânicos. Toda a história gira em torno de Elizabeth: seu poderes, seu passado e o futuro que o líder de Columbia, Comstock planeja para ela. Tão logo chega à cidade, Booker se vê dentro de uma igreja, e de fato, a religião é quem comanda tudo aqui. Comstock é venerado pelos moradores que o chamam de "O Profeta".

Mas nem tudo são flores. Enquanto a elite de Columbia é formada por brancos em sua maioria, os membros do movimento rebelde Vox Populi são quase todos negros, cujos métodos são tão questionáveis quanto os do Profeta. Como dá pra ver, esse é um jogo que não foge de temas complexos.

Outra questão que os poderes de Elizabeth deixam no ar é: "o que você faria se tivesse outra chance? se pudesse viver outras vidas?".


Em Bioshock Infinite, a visão em primeira pessoa não é só um aspecto técnico, é uma escolha artística. A ideia dos produtores da Irrational Games é que você veja tudo com seus próprios olhos. Desde a cena de abertura na canoa até o final do jogo, tudo é visto em primeira pessoa, não há nenhuma cutscene onde Booker seja visto do ponto de vista de um observador "de fora". Você não vai ver os inimigos chegando até que se vire na direção certa. E há muito para ser visto. Columbia é um lugar deslumbrante! Alguns cenários são belíssimos, outros são sombrios, mas todos de um realismo impressionante!


Elizabeth estará ao seu lado durante 99% do tempo, mas você não precisa protegê-la durante as lutas. Ao contrário, ela ajudará jogando munição e itens de cura, o que faz dela uma excelente parceira. Na verdade, desde Ico eu não via um game que investia tanto na relação do jogador com um personagem do jogo.

Em resumo, Bioshock Infinite combina tudo que um grande game deve ter: uma história inteligente, um ótimo gameplay, personagens carismáticos e um cenário espetacular! Sério candidato a jogo do ano!

15 de ago de 2013

Novo Layout e Nova Fase

Como vocês já devem ter notado, o blog está de cara nova. Tem acontecido muitas coisas e achei que era hora de uma mudança. Quem costuma vir aqui em busca de dicas para escrever roteiros e contos, novas antologias e similares não precisa se preocupar, ainda vamos ter esse tipo de material por aqui.

Mas a partir de agora também quero falar sobre outros assuntos que me atraem como games, cinema, nerdices em geral ou até mesmo qualquer outra ideia aleatória que me passar pela cabeça. Em resumo, o blog vai ganhar um aspecto um pouco mais pessoal.

Espero poder contar com todos vocês nessa nova fase e tomara que gostem do que vem por aí!

PS: Em tempo, o background veio desse site aqui.

10 de ago de 2013

[Dicas para escrever] Tutoriais de roteiro e desenho no Facebook

Na última postagem, trouxe de volta um link para relembrar da Quadrinize. Esse post tinha dois objetivos: um deles era a questão da nostalgia, o outro era para cobrir a ausência de novas colunas com dicas para os novos quadrinhistas.

Continuando nessa linha, quero mostrar para vocês duas fanpagens do Facebook que trazem um material bem interessante para quem pensa em se aventurar pelo mundo das HQs. Clique nas imagens para acessar.

Script Comic Book Artist / Comic Book Writer

Página com muito material e dicas de roteiro, construção de personagens e etc. Até o meu blog aparece por lá de vez em quando.


Como Fazer 9ª Arte

Fanpage sobre tutorias para desenhistas, com uma quantidade grande de atualizações diárias e o passo-a-passo de uma grande variedade de ilustrações.

13 de jul de 2013

[Resenha] Filme: Homem de Aço

Em mais um dia no Planeta Diário, Clark Kent lida com seu romance com Lois Lane, que não ata nem desata, quando sua super-audição capta um pedido de socorro. Clark dá uma desculpa esfarrapada e sai para vestir o uniforme azul e voar pela janela. Uma típica história do Superman, certo?

Bom, esqueça! Lex Luthor, identidade secreta, cueca vermelha por cima das calças. Você não vai ver nada disso em Homem de Aço. Talvez na continuação, mas não hoje.

Aqui preciso fazer duas considerações: primeiro, ainda estou mais acostumado a chamar de Super-Homem; segundo, assim, como Homem de Ferro 3, imagino que o Homem de Aço deve dividir os fãs. O que sei é que eu gostei. Gostei muito!

O que temos aqui é um filme difícil de ser definido. Na maior parte do tempo é mais ficção cientifica do que uma história tradicional de super-heróis. Também é a jornada pessoal de um homem em busca de seu lugar no mundo ao mesmo tempo em que conta a saga de um salvador destinado a proteger a humanidade, quase um messias. E quando chega a hora da ação, as lutas ocorrem em uma escala épica, digna de Dragon Ball Z!

Se nos filmes de Christopher Reeve, o Super era a encarnação da bondade e da justiça, aqui temos uma tentativa de humanizar o herói. Ele ainda simboliza a esperança, mas é um símbolo ao nosso alcance: passível de erros, que tem medo de seu destino, mas ainda assim luta pelo que acredita. Em resumo, esse não é o Super-Homem que conhecemos (uma cena em especial, perto do fim, já está deixando os puristas de cabelo em pé).

Não que seja um personagem diferente. A essência é a mesma, foi o mundo que mudou desde os tempos de Reeve, algo que Bryan Singer não percebeu no filme de 2006 com Brandon Routh.

Zack Snyder acerta a mão em sua direção e faz escolhas interessantes na hora de mostrar naves voando pelo céu e nas cenas de ação. O toque de Christopher Nolan se faz sentir na hora de dar um tom mais realista, o que resulta em uma atmosfera parecida com a recente trilogia do Batman. E o roteiro de David S. Goyer é dinâmico e consegue amarrar bem todos os elementos diferentes do filme.

O Homem de Aço não só resgata o Super-Homem nos cinemas, como também conta uma história grandiosa, emocionante e humana. Mais do que recomendado!

5 de jul de 2013

[Resenha] Crônicas dos Senhores de Castelo: O Poder Verdadeiro, de G. Brasman & G. Norris

Temos visto recentemente um número considerável de bons livros de fantasia nacional, mas quando o assunto é a ficção cientifica nacional, a quantidade de obras cai bastante. Aqui temos um livro que não é propriamente um sci-fi, e sim uma ficção fantástica, mas aponta que o gênero ainda tem salvação no Brasil.

Meu primeiro contato com os Senhores de Castelo foi através da fanfic O Filho do Fim, do meu amigo Victório Anthony. Daí foi um pulo para ler Crônicas dos Senhores de Castelo: O Poder Verdadeiro, primeiro volume da série infanto-juvenil criada por Gustavo Brasman e Gustavo Norris, que apesar dos pseudônimos gringos, são brasucas.

Como disse acima, essa é uma obra de ficção fantástica, ou seja, temos uma alta tecnologia que necessariamente não tem explicação cientifica, como em Star Wars. Na verdade, o mundo dos cavaleiros jedi, com seu mix de magia e tecnologia fantástica parece ter sido uma das inspirações para esse livro. Outra fonte de inspiração parece ser os jogos de RPG, onde um grupo de heróis com poderes e habilidades bem diferentes se lança em uma longa jornada.

Os Senhores de Castelo são uma organização criada para proteger a paz e fazer justiça através do universo, ou melhor dizendo, multiverso. Na história, acompanhamos dois Senhores de Castelo: o pistoleiro Thagir e o “monge” Kullat, que tem como missão escoltar a princesa guerreira Laryssa e seu guarda-costas robô Azio para garantir que um poderoso artefato conhecido como Globo Negro não caia em mãos erradas.

Sendo um livro infanto-juvenil, a narrativa tem um ritmo dinâmico e com uma linguagem bem acessível. A estrutura da trama é linear e os personagens, apesar de arquetípicos, são carismáticos. O interior trás algumas ilustrações dos personagens e cenários, se aproximando um pouco de uma light novel.

De forma resumida, pode-se dizer que a aventura é a própria história. Os heróis escapam de um perigo apenas para cair em outro logo adiante, e vale ressaltar que os desafios são variados e interessantes. Por um lado isso garante um texto rápido e ágil, capaz de atrair algum jovem ainda não acostumado ao hábito da leitura. Por outro, me parece um erro acreditar que esse público não seria capaz de assimilar um cenário mais elaborado ou personagens mais profundos. Aí está Harry Potter que não me deixa mentir.

É aqui que reside o maior pecado do livro: o excesso de simplificação.

Em muitos momentos fala-se sobre um multiverso cheio de planetas e civilizações exóticas, mas toda essa grandiosidade fica de lado, já que praticamente toda a ação se passa no reino de Agas’B. Nem mesmo chegamos a ver como se viaja de um mundo à outro e até a explicação sobre quem são os Senhores de Castelo não aparece dentro do livro, só podendo ser encontrada na orelha da capa. Conhecer o mundo onde a história se passa é boa parte da diversão em uma leitura desse tipo, uma diversão que os autores preferiram resumir a notas de rodapé. Outra questão é o pouco desenvolvimento dos personagens e da forma como se relacionam (ao fim da história não sabemos quase nada sobre Kullat).

No final das contas, colocando acertos e erros na balança, faço uma análise positiva de Crônicas dos Senhores de Castelo: O Poder Verdadeiro. Fica a impressão de que a obra não alcançou todo o seu potencial, mas pode ser uma boa pedida como primeiro livro.

FICHA TÉCNICA
CRÔNICAS DOS SENHORES DE CASTELO: O PODER VERDADEIRO

Autores: Gustavo Brasman e Gustavo Norris.
Lançamento: 2010
Número de páginas: 236
Editora: Verus

22 de jun de 2013

[Dicas para escrever] Psicologia e Simbolismo

Esse é um post que eu já queria fazer há algum tempo. Muitas grandes histórias também são elogiadas pelo uso do simbolismo, pelas analogias e por mensagens que nem sempre percebemos de forma consciente. Não, não estou falando de mensagens subliminares e sim de algo mais profundo, quase espiritual.

Os vídeos abaixo mostram uma palestra sobre esse tema: a psicologia e o simbolismo nas histórias com as quais temos contato.

Vi esses vídeos graças a indicação de um amigo. Essa foi uma palestra de Edgar Damiani na Campus Party 2010. O foco é nos games, mas tudo que é dito vale muito para os autores e pode mudar a maneira como você enxerga a arte de contar histórias. Vai ser preciso abrir um espaço na sua agenda já que, juntas as duas partes somam quase 4 horas de duração e, acreditem, vale cada minuto.




15 de jun de 2013

Campanha de incentivo à leitura

Para quem ainda não conhece, a "Campanha de incentivo à leitura" é uma corrente que rola pela internet. O meu blog já recebeu duas indicações, uma do Lugar Distante e outra do Gole Nerd. Hora de colocar minha participação na brincadeira em dia ^^

As regras para participar são:
- indicar mais 10 blogs
- alertar os indicados
- compartilhar a imagem da campanha
- e responder a pergunta: "Que livro indicaria para alguém começar a ler?", indicando pelo menos um livro.

Certo, aqui vão minhas indicações (a ordem não segue nenhum tipo de ranking):

- Baú do Joe (foi mal, não resisti)

Agora aqui vão minhas dicas de leitura. Uma série de livros e alguns quadrinhos.

Livro: Coleção "Os Karas", de Pedro Bandeira

Essa é uma dica para quando te perguntarem que livro oferecer a um adolescente para ajudá-lo a criar o hábito da leitura. Os Karas, de Pedro Bandeira é uma série que acompanha um grupo de cinco estudantes do colegial (4 rapazes e 1 garota) com um talento natural para solucionar mistérios e se envolverem em problemas. A linguagem é ágil e cinematográfica e o mais importante: a história respeita a inteligência do jovem leitor.


Comic: He-Man and the Masters of the Universe

Com esse novo título (continuação de uma minissérie publicada no ano passado), o roteirista Keith Griffin e o desenhista Pop Mhan fizeram o que parecia impossível: levar o He-Man a sério! Com um teor mais adulto, mas respeitando a mitologia do personagem, a HQ consegue agradar os fãs antigos ao mesmo tempo em que trás com sucesso o herói oitentista para o século 21.

Mangá: Diário do Futuro (Mirai Nikki)
"Até onde você chegaria para realizar seu desejo?". Essa é a grande questão de Mirai Nikki (de Sakae Esuno), mangá onde o jovem Amano Yukiteru recebe um celular capaz de prever o futuro. Agora Yukiteru terá de enfrentar outros 11 donos de diários do futuro em confrontos até a morte. O prêmio? O poder para transformar seus desejos em realidade.

HQ europeia: Incal

Incal é uma dica para quem busca uma leitura mais complexa. Essa minissérie em seis volumes é trabalho de dois mestres: Jodorowski e Möebius. Incal conta a história de John Difool, um bufão que por pura sorte (ou azar) encontra o artefato mais poderoso do universo e passa a ser perseguido por dúzias de facções. As reviravoltas são tão constantes que, de uma página para outra a história pode mudar completamente.