25 de dez de 2014

Melhores de 2014

Como o ano está chegando ao fim, hora daquela postagem com o que teve de melhor na cultura pop em 2014, ao menos, na minha opinião. E a opinião de vocês? Concordam com a lista?



Melhores de 2014

MELHOR LIVRO: O Assassino do Rei, de Robin Hobb


O segundo volume da Saga do Assassino é, para mim, o melhor da série. Lançado nos EUA em 1997 e no Brasil esse ano, o livro dá continuidade à dura jornada de FitzCavalaria, bastardo e assassino real. Com o Rei Sagaz doente e às portas da morte, Fitz está cada vez mais envolvido no complexo jogo de poder de seus tios: o Príncipe Herdeiro Veracidade e o ambicioso Príncipe Majestoso. O rapaz ainda se vê às voltas com um romance proibido, além de ser colocado na linha de frente das batalhas contra terríveis Navios Vermelhos (leia a resenha completa).


MELHOR FILME PIPOCA: Guardiões da Galáxia



Mais do que tudo, esse filme foi uma aposta da Marvel, uma tentativa de descobrir se seria possível emplacar um sucesso com heróis desconhecidos. Aposta ganha! Liderados pelo terráqueo Starlord (“Quem?”), os Guardiões da Galáxia são um grupo de foras-da-lei que se reúne para impedir que um artefato de poder inimaginável caia nas mãos de Ronan, O Destruidor. Com uma trilha sonora à altura, o longa resgata o clima das comédias de aventura dos anos 1980 e tem no elenco Chris Pratt, Zoe Saldana, Bradley Cooper e Vin Diesel.


MELHOR FILME ALTERNATIVO: Teorema Zero



Aqui, o diretor e roteirista Terry Gilliam retorna à sua melhor forma. O filme, uma ficção científica surrealista, conta a história do paranoico gênio da computação Qohen Leth, cujo dever é encontrar uma resposta para o Teorema Zero, um enigma matemático que todos acreditam não ter solução. Porém, sua vida regrada é abalada pelas investidas nada sutis da bela Bainsley e a presença do intempestivo Bob. No elenco, destaque para Christoph Waltz, Mélanie Thierry, Tilda Swinton e Matt Damon.


MELHOR HQ DE SUPERS: Loki – Agent of Asgard


A revista acompanha um Loki renascido (com uma aparência que lembra muito a dos filmes) trabalhando para Asgard como uma espécie de agente secreto mágico. Para cada missão cumprida, um de seus antigos crimes é apagado dos registros asgardianos. Com roteiro de Al Ewing e arte de Lee Garbett, a HQ se destaca pelas tramas inteligentes, diálogos bem sacados e pela irreverência; o narrador até ensina uma receita em uma das edições, com direito a dicas de preparo e tudo.


MELHOR ANIME/MANGÁ: Mushishi Zoku Shou



No ano em que um dos meus animes favoritos retorna após um longo hiato, não podia dar outra coisa. A série acompanha as andanças de Ginko, um especialista em criaturas misteriosas conhecidas como mushis, ao redor de vales e aldeias esquecidas pelo tempo no interior do Japão. Mais que ajudar a lidar com os mushis, Ginko se depara com diversos dramas pessoais por onde passa. O anime apresenta cenários belíssimos e uma trilha sonora simples, mas envolvente.


MELHOR SÉRIE DE TV: The Leftovers – 1ª Temporada



A história começa três anos após o Arrebatamento, quando 2% da população mundial desapareceu sem deixar rastro. É nesse cenário que vemos a luta diária do chefe de policia Kevin Garvey para manter a ordem na pequena cidade de Mapleton, onde a tensão crescente pode levar a uma tragédia. Com um enredo forte, a série acerta ao se afastar do mistério e focar nos dramas e dilemas pessoais e morais dos personagens. Destaque no elenco para Justin Theroux, Liv Tyler e Christopher Ecclestone (leia a resenha completa).


MELHOR GAME: South Park – The Stick of Truth



Esse foi ano fraco em matéria de games, mas isso não diminui em nada os méritos desse jogo, escrito e produzido pelos próprios criadores do desenho em parceria com a Ubisoft. Na trama, assumimos o papel do Novato, um garoto recém-chegado à cidade, que logo se vê envolvido na guerra entre humanos e elfos pela posse do Cajado da Verdade, o que não passa de uma brincadeira das crianças. O game é um RPG de turno e remete aos clássicos do gênero. Como esperado de South Park, o humor é ácido e algumas piadas são bem pesadas (leia a resenha completa).

30 de nov de 2014

Daemonicus - lançamento Literata

Lançada oficialmente na Bienal do Livro 2014 de São Paulo, Daemonicus - Histórias Fantásticas de Demônios é uma antologia de contos que serve de complemento à Angelus - Histórias Fantásticas de Anjos. Essa nova coletânea traz contos de 15 autores, eu participo com o conto "Cinco Sombras".

Abaixo segue a lista dos autores e seus textos, além do link para compra e outros. Boa leitura!


- Felipe Pires – O Encarregado do Diabo;
- Felipe Leonard – A Raposa Vermelha;
- Gutemberg Fernandes – Abraxas; 
- Joe de Lima – Cinco Sombras;
- Kasumi Himura – Onna;
- Suzy M. Hekamiah – O Vento Árabe;
- Ren Deville – Espelhos;
- João Rogaciano – Jinni, o Demônio Destruidor;
- Josy Alves – A Canção do Incubus;
- Luiz Teodosio – Por isso eu gosto da cidade;
- João Victor Burgos Fernandes – O Diabo na Garrafa;
- Douglas Briganti – O Homem do Terno Branco;
- Alexandre Rofer – O Portador da Luz;
- Jerri Dias – A Troca;
- Leandro Zerbinatti de Oliveira – A Face de Hannya



16 de nov de 2014

Top 5 - Séries de TV Canceladas na 1ª Temporada

Adoro seriados (para quem ainda não percebeu, no final da barra lateral tem uma playlist com os shows que acompanho no momento) e a boa notícia é que recentemente vimos um aumento no número de boas séries, muitas delas com uma produção que não deixa nada a desejar a qualquer filme. Infelizmente, existe sempre uma ameaça para os seriadores: gostar de show novo e este ser cancelado prematuramente. Aqui vai um Top 5 com séries que curti, mas que não viveram para uma segunda temporada.

5 - Selfie (2014)



Adaptação livre de My Fair Lady, Selfie  contava a história de Eliza Dooley (a ex-Doctor Who Karen Gillan), uma viciada em redes sociais que cai em desgraça quando um vídeo constrangedor em que ela aparece vai parar na internet. Eliza descobre que não têm amigas de verdade e procura o especialista em marketing Henry Higgs (John Cho) para recriar sua imagem.

Cancelada recentemente, Selfie foi a série que me inspirou a elaborar essas lista. A série tinha um humor focado na ironia e recheado de referências a cultura pop. Acabou não caindo no gosto do público, sendo cancelada no sétimo episódio e engrossando meu histórico ruim com comédias.

4 - Flash Forward (2009)



Flash Forward girava em torno de um misterioso evento em que toda a população mundial perdeu os sentidos por cerca de dois minutos, experimentando visões sobre onde estariam numa data específica, seis meses no futuro. Uma equipe de investigadores é criada para descobrir as causas do evento enquanto tentam impedir que visões catastróficas se tornem realidade. No elenco, destaque para Joseph Fiennes e (pela segunda vez nesta lista) John Cho como investigadores e Dominic Monaghan como antagonista.

Flash Forward surgiu com grandes pretensões, sendo muito comparada na época com Lost. Porém, mudanças constantes no comando do show levaram a problemas no roteiro e a um longo hiato. Após uma excelente estréia, a audiência despencou rapidamente e a série que chegou com tudo se retirou pela porta dos fundos.

3 - The Michael J. Fox Show (2013)



A comédia contava a história de Mike Henry (Marty McFly em pessoa), um famoso jornalista que se sofre do Mal de Parkinson e decide retomar a carreira após anos afastado das telas. Mike ainda precisa lidar com os problemas de sua família disfuncional: a esposa controladora Annie (Betsy Brandt), o desocupado filho Ian, que namora uma mulher mais velha (vivida por Brooke Shields), a filha cheia de manias Eve, o caçula Graham e a irmã na crise meia-idade, Leigh.

Como dá para perceber, nesse show Michael J. Fox interpretava um alter-ego e brincava com sua própria condição. Deixando o lado emocional à parte, eu realmente achava o programa engraçado, com piadas que fugiam do lugar comum. Mas após uma boa estréia, a série viu a audiência baixar a cada episódio e não foi renovada. Realmente, não dou sorte com comédias.

2 - Last Resort (2013)



Quando o submarino nuclear USS Colorado voltava para casa após uma missão, o capitão Marcus Chaplin descobre que ele e sua tripulação serão usados como bode expiatório e levarão a culpa de um ataque secreto do governo americano contra o Paquistão. Quando se vê sem meios de provar sua inocência, a tripulação toma o controle de Sainte Marina, uma ilha no oceano Índico e se declara como uma nação independente. O capitão alerta os líderes mundiais que pretende usar o poderio nuclear do submarino ao menor sinal de perigo.

Last Resort chegou como uma série ambiciosa, com uma produção impecável e um enredo ousado. O show recebeu excelentes criticas e conquistou uma legião de fãs. Porém, devido ao valor dos custos, o canal ABC estabeleceu metas de audiência que, mesmo os altos índices do programa não conseguiram alcançar. A série foi encerrada com 13 episódios.

1 - Camelot (2011)



Após a morte do Rei Uther, seu conselheiro, o mago Merlin (Joseph Fiennes, por aqui outra vez) parte em busca do herdeiro Arthur Pendragon, que vive com uma família adotiva sem saber de seu sangue real. Merlin auxilia o rapaz a conquistar a espada Excalibur e o leva para Camelot, onde iniciam a construção de um novo reinado, sob a ameaça constante da bela e diabólica feiticeira Morgana (Eva Green), filha ilegítima de Uther que reivindica para si o trono de Arthur e conta com o apoio do implacável rei guerreiro Lot (James Purifoy).

Lançada em 2011 como uma concorrente de Game of Thrones (que ainda não havia estreado), Camelot buscava inspiração em diversas fontes para apresentar uma versão nova da lenda do Rei Arthur. Com um elenco de primeira grandeza, o show dividiu a crítica, mas alcançou bons índices de audiência e os produtores faziam planos para muitas temporadas. Porém, conflitos de agenda de boa parte do elenco tornaram a gravação de novos episódios inviável. O impasse acabou levando a um cancelamento prematuro do show.

1 de nov de 2014

Mundos Vol. 2 - lançamento Buriti

Já está disponível para a compra no site da editora Buriti, a antologia Mundos Vol. 2, da qual participo com o conto "O Campo dos Vaga-Lumes". Abaixo segue um pouco mais sobre o livro e o link para quem quiser adquirir. Boa leitura!

Após o grande sucesso de ‘Mundos’, a coleção temática segue com este surpreendente segundo volume. Reunidos nesta antologia estão dez histórias recheadas de suspense, aventura, drama e intriga, ótimos ingredientes para uma grande ficção!

Páginas: 162
Autores: Fernando Medici, Lucas Maziero, Caroline Policarpo, Jota Marques, Rubem Cabral, Davi M. Gonzales, Daniel I. Dutra, Verônica S. Freitas, Maurício Kanno e Joe de Lima.
Acabamento: brochura
Tamanho: 14 x 21 cm

26 de out de 2014

[Resenha] O Assassino do Rei, de Robin Hobb

O Assassino do Rei é o segundo volume da Saga do Assassino, série de fantasia da autora Robin Hobb (pseudônimo da escritora americana Margaret Astrid Lindholm Ogden), que começou em O Aprendiz de Assassino e conta a dura jornada do jovem FitzCavalaria Visionário. Filho bastardo do finado Príncipe Cavalaria, Fitz foi treinado para se tornar um assassino furtivo.  Durante o casamento de seu tio, o Príncipe Herdeiro Veracidade, frustra os planos que seu outro tio, o Príncipe Majestoso, armou para matar o irmão mais velho e se tornar o sucessor do rei. Porém, essa vitória custou a saúde de Fitz.

O Assassino do Rei começa exatamente onde O Aprendiz de Assassino terminou. Ainda se recuperando dos incidentes ocorridos durante o casamento de Veracidade e Kettricken, FitzCavalaria retorna à Torre do Cervo na companhia de Bronco. Apesar da aparente paz no castelo, os ataques dos Navios Vermelhos crescem em quantidade e violência. Enquanto isso, Fitz já não tem certeza se pode confiar no Rei Sagaz e sabe que é questão de tempo para Majestoso fazer uma nova tentativa de tomar o poder.

A narrativa de Robin Hobb continua bela e cheia de alegorias envolventes. O leitor que estiver acostumado demais à literatura contemporânea pode estranhar o ritmo lento que encontramos aqui, até mais lento do que no primeiro volume, já que esse livro tem quase o dobro de páginas de seu antecessor. Embora haja uma quantidade maior de batalhas e confrontos mais próximos com os Navios Vermelhos, a trama se foca mais nas intrigas da corte e no jogo de poder.

Se antes, Fitz era visto como um pária e só conseguia se provar através de ações marginais, como a Manha e as missões de assassinato, agora o vemos um pouco mais maduro e diante de uma questão presente na vida de todos os jovens adultos: encontrar seu lugar no mundo. Visto cada vez mais como um membro da nobreza, o rapaz está dividido entre ser um bastardo ou um príncipe… ou um lobo.

Assim como no primeiro volume, temos um animal ocupando um papel importante na trama. Desta vez, é Olhos-de-Noite (inicialmente chamado de Lobito), um lobo que sempre tenta convencer Fitz a acompanhá-lo em suas caçadas. Uma interessante metáfora sobre o desejo de liberdade confrontado pelas responsabilidades da vida adulta.

Já no prólogo, o livro começa com Fitz meditando sobre como até então esteve cercado de companhias masculinas, o que já indica que neste volume as mulheres estarão muito mais presentes na vida do rapaz e em vários papéis diferentes: interesses amorosos, cúmplices, figuras maternas e até mesmo inimigas mortais. E quem mais se destaca é Kettricken. Após termos apenas um vislumbre dela em O Aprendiz de Assassino, agora a vemos como uma rainha estrangeira, que tenta se estabelecer em uma corte que a vê como estranha ao mesmo tempo em que se esforça para que o casamento dê certo. Objetivos que ela alcança de forma maravilhosa!

O grande ponto fraco de O Assassino do Rei reside na relação de Fitz e Moli. Aqui, o flerte adolescente evolui para um tórrido romance, porém, pontuado por um excesso de elementos de novela, como o vai-e-vem interminável ou discussões causadas por mal-entendidos.

A própria Moli é o maior senão do livro. Agora uma aia da Dama Paciência, ela se tornou uma moça muito, mas muito chata, que só sabe reclamar de tudo e pouco lembra a menina independente e cheia de atitude do livro anterior (e que era uma das minhas personagens favoritas, mas durante essa leitura, me peguei torcendo para que Fitz a deixasse para ficar com Celeridade).

No entanto, apesar de alguns defeitos, O Assassino do Rei é uma ótima continuação! Não acredito que funcione como uma leitura isolada, mas para quem leu O Aprendiz de Assassino, vale muito a pena. Recomendado!

A saga de FitzCavalaria conclui em A Fúria do Assassino

O ASSASSINO DO REI
Autora: Robin Hobb
Páginas: 736
Lançamento: 1997 (no Brasil, 2014)
Editora: LeYa

3 de out de 2014

Top 5 - Casais Homossexuais

De uns tempos para cá, temos visto um aumento no número de declarações homofóbicas por parte de lideranças políticas e religiosas, o que (somado aos recentes casos de racismo no futebol) mostra que a sociedade brasileira não está tão livre de preconceitos quanto se acreditava.

Na cultura pop, por outro lado, os relacionamentos homossexuais são cada vez mais comuns e os casais, cada vez mais legais. Para esse Top 5, eu usei dois critérios. Como sempre, o primeiro e mais importante, é o meu próprio gosto pessoal; o segundo critério, foi deixar de fora os bromances e as grandes amizades que despertam dúvidas. Tem que realmente existir um romance entre os personagens.

5 - Renly & Loras (Game of Thrones)



Renly Baratheon é o irmão caçula do rei Robert. Com o desenrolar das guerras pelo trono dos Sete Reinos, Renly forja uma aliança com a poderosa Casa Tyrell ao tomar como esposa Margaery Tyrell, irmã de Sor Loras, um dos melhores espadachins do mundo e amante de Renly de longa data. Uma relação que ambos precisam esconder, já que o homossexualismo é considerado pecado em Westeros, ainda sim, comentários ocasionais dão a impressão que esse romance pode não ser tão secreto como eles pensam.

4 - Subaru & Seishirou (Tokyo Babylon/X-1999)



Herdeiro do clã Sumeragi, o tímido Subaru torna-se uma espécie de mago exorcista ainda muito jovem. Ele vive com a irmã gêmea Hokuto e, em suas missões, costuma receber a ajuda de Seishirou Sakurazuka, um veterinário que também possui talentos mágicos. Quando Seishirou perde a visão do olho direito para salvar Subaru, o rapaz percebe seus verdadeiros sentimentos por ele, mas Seishirou não tarda a revelar seu lado sombrio. Os dois se encontram anos mais tarde como inimigos e a relação termina de forma trágica.

3 - Haruka & Yuu (Sakura Trick)



Em seu primeiro dia como colegiais, as amigas Haruka Takayama e Yuu Sonoda querem reforçar o laço que as une, fazendo algo em segredo que apenas elas saberiam. As duas decidem se beijar, mas esse beijo faz despertar um sentimento que, até então, ambas desconheciam. A partir daí, elas vão descobrindo amor à medida em  que a relação se torna mais forte. Além de se esconder de Mituski, a ciumenta irmã mais velha de Yuu, as namoradas quase sempre se vêem em situações inusitadas, muitas delas causadas pela ingenuidade de Haruka.

2 - Dani & Finch (Witchblade/Artifacts)



Apesar de ganhar a vida como professora de dança, Danielle Baptiste também já foi usuária da manopla mística Witchblade. Dani acaba se envolvendo com os problemas de uma de suas alunas, a bissexual Finch, cujo namorado está tentando obrigá-la a trabalhar num bordel para pagar as próprias dívidas. Quando Finch se vê livre graças a Dani, se apaixona por ela. Eventualmente, Dani perde a posse da Witchblade, mas recebe os poderes de Angelus, a entidade guardiã da magia da luz. Depois disso, ela decide se mudar para Nova Orleans, Finch a acompanha e o relacionamento das duas, enfim, se desenrola.

1 - Kieren & Simon (In The Flesh)



Após a humanidade sobreviver a um apocalipse-zumbi, os mortos-vivos "sobreviventes" agora passam por um tratamento para serem reintegrados a sociedade. É caso de Kieren Walker, um zumbi homossexual que tenta levar a vida na pequena cidade de Roarton. Mas essa é uma convivência cercada de preconceitos. É nesse contexto que ele conhece Simon Monroe, um zumbi defensor dos direitos de sua raça. Simon também é seguidor do misterioso Profeta e tem a missão secreta de encontrar o primeiro morto-vivo, que ele acredita ser Kieren. A proximidade e o fascínio de Simon por Kieren faz surgir um romance entre eles.

27 de set de 2014

The Leftovers - 1ª temporada

Quando se fala em The Leftovers, há quem pense que a presença do produtor Damon Lindelof faz dessa série um novo Lost, ou seja, uma trama de mistérios que nunca serão resolvidos. Bom, para quem pensa em assistir esta série, meu conselho é: esqueça Lost, apenas tire da cabeça. Os dois shows nada tem em comum.

Dito isto, The Leftovers é uma adaptação para a TV do livro homônimo de Tom Perrota. O autor assina a co-produção do show e também alguns episódios. Produzida pelo canal Showtime, essa primeira temporada conta com 10 episódios.

A trama começa três anos após um evento conhecido como Arrebatamento, quando 2% da população mundial simplesmente desapareceu sem qualquer explicação, deixando para trás uma sociedade confusa e alquebrada, mergulhada em uma crise existencial que afeta a todos, sem exceção. O que restou para aqueles que ficaram é tentar seguir com a vida em um mundo onde tudo parece ter perdido o sentido.

Estamos em Mapleton, uma pequena cidade suburbana nos arredores de Nova York, que perdeu 100 pessoas no dia do Arrebatamento. É nesse cenário, onde todos conhecem todos, que transitam nossos "heróis". A história se foca na família Garvey, que aparenta não ter perdido ninguém, mas, ainda sim, desmoronou após a data fatídica.

O protagonista da série é Kevin Garvey (Justin Theroux), o chefe da polícia local, que trava uma batalha interna contra a insanidade. Ele sofre "apagões" cada vez mais frequentes e, quando acorda, está em um lugar diferente sem se lembrar de como chegou lá ou o que fez pelo caminho. Kevin vive com a filha adolescente Jill (Margaret Qualley). Problemática e auto-destrutiva, Jill busca apoio em Aimee (Amilly Meade), uma jovem misteriosa que nunca fala da família e praticamente mora na casa da amiga.

Ainda temos, Tommy (Chris Zylka), o filho adotivo dos Garvey, que fugiu de casa para seguir um sujeito chamado Wayne (Paterson Joseph), que se diz um profeta. Perseguido pelo FBI, Wayne encarrega Tommy de proteger sua namorada grávida, Christine (Annie Q).

Para completar, temos Laurie Garvey (Amy Branneman), a ex-esposa de Kevin. Após o Arrebatamento, Laurie abandonou a família para se juntar aos Remanescentes da Culpa. Uma espécie de seita onde todos se vestem de branco, fumam cigarros e são proibidos de falar, comunicando-se através de mensagens em bloquinhos. Os Remanescentes são o elemento mais emblemático da série. De início, podem até despertar certa simpatia pela forma como são perseguidos e agredidos nas ruas, mas a medida que o tempo passa, eles se mostram mais e mais como grandes filhos da mãe!

Outros dois personagens merecem um destaque especial: o reverendo Matt (o ex-Doctor Who Christopher Eccleston) e sua irmã, a assistente social Nora (Carrie Coon).

Matt está convencido que o Arrebatamento não foi uma obra de Deus e tenta provar isso através de panfletos difamatórios, mostrando que muitos dos arrebatados não eram pessoas de boa índole. É um homem que luta para restaurar a fé de sua comunidade, mesmo que tenha que sujar as mãos de vez em quando. Já Nora é quem mais foi afetada pelo Arrebatamento: ela perdeu toda a família (marido e um casal de filhos). Mais adiante, descobrimos que à dor da perda que ela sente, também se soma um sentimento de culpa.

Como dá pra ver, The Leftovers apresenta um mosaico de personagens bem complexo. O próprio Arrebatamento permanece em segundo plano. Para onde as pessoas foram? Por que foram? Talvez nunca saibamos as respostas, mas não importa. Esse não é o tema da série.

Fica evidente o cuidado na escolha do elenco. Todos estão bem à vontade em seus personagens e temos algumas excelentes performances. Destaque para Justin Theroux, Carrie Coon e Ann Dowd (como Patty, a líder dos Remanescentes).

A série ainda se arrisca a fazer algumas experimentações. No 3º episódio, a família Garvey é colocada um pouco de lado e o foco caí quase que exclusivamente em Matt e sua jornada pessoal. O mesmo acontece no episódio 6, focado em Nora. Já no episódio 9, temos uma volta ao passado, aos momentos que antecederam o Arrebatamento (mas mesmo sendo um prelúdio, não recomendo ver esse episódio antes dos demais).

Pra concluir esse post, que ficou maior que esperava, The Leftovers é um drama complexo e sem soluções simples. É uma série que não tem medo de arriscar e conseguiu encontrar sua própria linguagem. Mais que recomendada!

20 de set de 2014

E-Livros Grátis (ebooks para download gratuito)

A dica de hoje é para quem procura um site com um bom acervo de e-books para baixar e também para novos autores que, assim como eu, procuram formas acessíveis de divulgar seus livros eletrônicos.

O E-Livros Grátis oferece o download de obras da literatura nacional clássica e moderna, literatura estrangeira, infanto-juvenil, crônicas, acadêmicos, filosofia e inúmeras outras opções. É importante destacar que não se trata de um site de pirataria: os livros encontrados no site são de domínio público ou foram disponibilizados pelos próprios autores.

Eu mesmo já publiquei Serpente de Fogo por lá. Quem quiser fazer o mesmo, basta seguir as regras de envio do E-Livros.


Boas leituras!

6 de set de 2014

Top 5 - Bons Livros Que Renderam Bons Filmes

Não é de hoje que o cinema busca inspiração na literatura. Não é difícil ver adaptações que causam calafrios nos leitores, mas também existem muitos bons exemplos parcerias livro/filme bem sucedidas.

Até dizem por aí que é mais fácil gostar das duas versões quando você assiste o filme primeiro, o que, talvez seja verdade. Nesse Top 5, eu listo minhas obras favoritas em que gostei tanto da versão literária, quanto da cinematográfica, e a quinta posição é a única em que experimentei o livro antes.

Seja como for, aqui vai a lista. Quem quiser, pode deixar outras obras nos comentários.

5 – Solaris, de Stanislaw Lem


O livro é um sci-fi que narra os estudos mal-sucedidos de um grupo de cientistas em Solaris, um planeta completamente coberto por um oceano que, na verdade, é uma forma de vida inteligente. Ao mesmo tempo, o oceano também parece estudar os exploradores, criando replicas de pessoas que estes conheceram no passado. É o que acontece com o psicólogo Kris Kelvin, que se depara com uma sósia de sua falecida esposa.

Já foram duas adaptações para o cinema: uma de 1974 e outra de 2002, com George Clooney no papel de Kelvin. Essa segunda adaptação mantém a ideia original, mas traz uma abordagem bem diferente, com um foco maior no triller  psicológico e na relação de Kelvin com a réplica de sua amada. Ao invés de um planeta, temos uma estrela próxima ao fim de seu ciclo. O resultado são duas obras diferentes entre si, mas ambas são bem legais.


4 – Jogos Vorazes, de Suzanne Collins


A trama do livro (o primeiro volume de uma trilogia) gira em torno dos Jogos Vorazes, um reality show brutal, organizado pelo governo, em que 24 adolescentes são deixados em um ambiente hostil para se digladiarem até que apenas um saia com vida. Quando sua irmã caçula é sorteada para participar dos Jogos, a jovem caçadora Katniss Everdeen se oferece como voluntária para tomar o lugar dela.

O longa de 2012 não foi apenas um gigantesco sucesso, como também trouxe dois elementos incomuns para os blockbusters hollywoodianos: uma boa personagem feminina como heroína de ação e uma crítica social forte. O filme é bastante fiel ao livro e ainda tem Jennifer Lawrence (perfeita como Katniss) no elenco.


3 – Frankenstein, de Mary Shelley


O livro narra a infeliz trajetória de um cientista chamado Victor Frankenstein, revelando como sua obsessão com a vida e a morte o levou a estudar ciências até se tornar capaz de criar uma criatura inteligente em seu laboratório. A narrativa prossegue relatando a série de eventos  trágicos que levara criatura e criador a se voltarem um contra o outro.

Frankenstein e seu Monstro já deram as caras em incontáveis filmes. O meu favorito é Frankenstein de Mary Shelley (1994), com Kenneth Branagh e Robert De Niro. O longa tem uma atmosfera gótica que casa bem com a ambientação do livro e se mantém fiel ao original, fazendo mudanças apenas no arco que envolve a Noiva do Monstro.


2 – Drácula, de Bram Stoker


Por meio de relatos, o livro conta como o vampiro Drácula engana o corretor Jonathan Harker para comprar terras na Inglaterra e viaja para Londres, onde passa a assediar Mina Murray e sua amiga Lucy. Alertado da ameaça, o professor Van Helsing reúne um grupo, que inclui seu pupilo Jack, um americano chamado Quincy Morris, o noivo de Lucy, Arthur, além do próprio Harker. Juntos, eles iniciam uma luta contra as diabólicas forças de Drácula.

Como um dos maiores ícones da cultura pop, Drácula está presente em uma lista interminável de games, HQs e filmes. No cinema, acredito que a obra que melhor adaptou o livro foi Drácula de Bram Stoker (1992). Com direção de Francis Ford Copolla e um elenco estrelado, o filme traduz a linguagem do romance do século 19 para os tempos modernos. Mesmo as pequenas mudanças funcionam bem. Aqui temos a figura do vampiro sedutor em sua melhor forma.


1 – Entrevista Com o Vampiro, de Anne Rice


No livro, o charmoso Louis de Pointe conta a um jovem repórter a história de seus 200 anos de vida. Louis narra como, após a morte do irmão, conheceu o belo Lestat, que o transforma em vampiro e o conduz pelos caminhos dessa nova vida. Anos mais tarde, eles transformam uma menina chamada Cláudia em vampira. À medida que a mente de Cláudia envelhece, o trio compartilha uma relação cada vez mais complexa.

Em 1994, o livro ganhou uma excelente adaptação com um elenco recheado de galãs e uma jovem Kirsten Dunst. O longa é bem fiel ao enredo original, mas com uma abordagem diferente, mais focada nas alegorias e na figura romântica do vampiro, enquanto que a obra de Rice fala sobre a atração irresistível exercida pelo sobrenatural. Eu recomendo tanto o livro, quanto o filme. São experiências diferentes que se complementam com perfeição.

30 de ago de 2014

[Conto] A Doutora & O Doador

Esse é mais um conto que foi publicado pela extinta Editora Infinitum em uma de suas antologias. É um dos primeiros que escrevi. Aqui, o apresento em uma versão revisada.

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“Já vai acabar”, disse Cibele pra si mesma. “Coragem, você sabe que precisa fazer isso!”. 

O suor escorria por todo seu corpo. Ela acelerou o movimento frenético para alcançar logo o clímax. Fechou os olhos para não encarar o rosto do homem deitado embaixo dela (como era mesmo o nome?) e para não deixar as lágrimas rolarem. Há muito deixara de sentir prazer no ato. Seus músculos doíam pelo esforço, a mente divagava.

Estavam todos enganados! Ainda jovem chegara a essa conclusão. Livros, filmes, revistas… todos errados! Não havia nada de romântico ou sedutor em ser um vampiro, tudo que havia era a frieza… e a culpa.

16 de ago de 2014

[Resenha] Eleanor & Park, de Rainbow Rowell

Antes de mais nada, quero falar sobre os motivos que me levaram a ler esse livro. Quem acompanha o blog e minhas resenhas, deve ter percebido que meu gênero favorito é fantasia e também gosto de ficção científica. Esses são os tipos de leitura que prefiro, mas como autor, considero importante conhecer, ao menos um pouco, de outros gêneros. Acredite, isso pode acrescentar muito a sua escrita.

Foi com essa disposição que decidi procurar um romance e o escolhido foi Eleanor & Park, de Rainbow Rowell. O livro é ambientado na década de 1980, a trama se passa num subúrbio americano e conta a história de um inusitado casal adolescente.

Eleanor é uma ruiva acima do peso, sofre de baixa auto-estima e tem o hábito de andar desarrumada. Mora com uma família grande em uma casa pequena e ainda precisa lidar com um padrasto alcoólatra e violento. Já Park é um mestiço de feições orientais e espírito rebelde. Sua mãe é uma cabeleireira sul-coreana e seu pai é um ex-militar norte-americano, que parece sempre insatisfeito com o filho, embora seja quem mais o apoie nos momentos críticos.

De início, Eleanor e Park mal olham na cara um do outro, isso apesar de sentarem juntos no ônibus escolar. A relação começa a mudar quando ele percebe o interesse da moça em suas revistas dos X-Men.

O que mais me chamou a atenção nesse livro é a sobriedade. Não há o lirismo que se poderia esperar em uma obra do gênero. Nada de amor à primeira vista, brilho no olhar ou outras alegorias românticas. O maior mérito do livro está na maneira como a autora vai construindo aos poucos a relação do casal principal, em meio a pressões familiares e bullying.

Como dá pra perceber, Eleanor & Park não é só um romance, mas também um drama do tipo slice of life.

A narrativa é em terceira pessoa, mas sempre pelo olhar de um de seus protagonistas. As transições são marcadas pelos uso dos nomes de Park ou Eleanor como subtítulo. Essas mudanças de foco são constantes, chegando  a acontecer várias vezes dentro de um mesmo capítulo. Esse recurso dá um estilo diferenciado à narrativa, mas alguns leitores podem se sentir incomodados com uma alternância tão frequente de ponto de vista.

Para encerrar, Eleanor & Park é um livro que vale a pena ser lido por apresentar um romance cativante e, ao mesmo tempo, melancólico. Vale ainda como uma visita aos anos 80. Mais que recomendado!

ELEANOR & PARK
Autora: Rainbow Rowell
Páginas: 328
Editora: Novo Século
Lançamento: 2013

2 de ago de 2014

[Dicas para escrever] Videolog Nitro Dicas

Hoje quero apresentar para vocês o videolog do autor nacional Newton Rocha, que posta em seu canal no youtube uma boa quantidade de material relacionado à literatura e RPG. Meu destaque vai para a playlist Nitro Dicas, que traz uma série de videoaulas com dicas valiosas para os novos autores.

Abaixo tem o link para o videolog e o primeiro desses videos. Eu recomendo!



28 de jul de 2014

Terra da Magia - lançamento Quadrinhopole (e-book gratuito)

Já está disponível para download gratuito a antologia Terra da Magia. Com organização de Gian Danton, o e-book apresenta uma coletânea de contos que reúne elementos do folclore nacional com mitos e lendas de outros países. Eu participo com o conto Sr. Guerreiro.

Segue a lista completa dos autores e seus respectivos contos:

O Despertar de Boiuna - Roberta Spindler
Teatro do Invísivel - Gian Danton
O Guardador de Versos - Lucas Lourenço
O Uirapuru Negro - A. Z. Cordenosi
A Presa do Metamorfo - Rodolfo Santos
Em Uma Terra Distante - Bruna Louzada
A Solidão é Verde - Jefferson Nunes
Ensombração - Alexandre Lobão
Sr. Guerreiro - Joe de Lima

19 de jul de 2014

Novas jornadas: Rumo ao Mercado Literário

Na postagem de hoje, quero abrir espaço para trocar uma ideia com vocês. Mas no final tem alguns links também (pelos quais, não ganhei nada. É propaganda gratuita mesmo).

Essa semana, postei no meu outro blog o último capítulo de Serpente de Fogo, depois de pouco mais de 1 ano do início. Foi uma jornada e tanto! Estou satisfeito por ter conseguido me manter focado no mesmo projeto por tanto tempo. Também aprendi muito e sinto que evoluí como escritor. Mas ainda não deixei totalmente esse universo: estou trabalhando em uma versão e-book, com a história completa e revisada. O lançamento será em breve.

Ao mesmo tempo, é hora de buscar novos projetos e minha maior meta agora é conseguir entrar de vez no mercado literário com um livro impresso. Sei que já comentei no Twitter e no Facebook sobre um livro de super-heróis que pretendo escrever. Adoro esse projeto, o planejamento dele está bem adiantado e quero muito que seja publicado. No entanto, após me inteirar um pouco mais sobre o mercado literário, percebi que para mim - um autor sem nome no mercado - seria difícil encontrar uma editora para esse projeto por seu tema e tamanho (minhas primeiras estimativas são de, no mínimo, 600 páginas).

Até penso em tentar a auto-publicação, mas apenas inicialmente. Por essas razões, decidi vou colocar o livro dos supers em espera por hora e tentar a sorte com algum projeto mais acessível. Algo mais comercial, mais pipoca mesmo (conheço gente que tem calafrios só em ouvir essas duas palavras XD). Ao contrário do que fiz no passado com outras ideias, dessa vez, prefiro esperar a coisa toda estar bem encaminhada antes de dar maiores detalhes. Em outras palavras, o negócio agora vai ser falar menos e trabalhar mais.

Para encerrar, já que o tema é o mercado literário, minha dica para quem está querendo publicar seus primeiros textos é buscar as antologias. Elas são um jeito prático de ganhar experiência e fazer novos contatos. No geral, as editoras Draco, Buriti e Literata costumam apresentar novas coletâneas regularmente. Para aqueles que desejam entender melhor como funciona o mercado editorial brasileiro, eu recomendo demais ouvir os três episódios do Cabuloso Cast que abordam esse assunto:


Acho que por hoje é isso, na verdade, esse post ficou bem maior do que eu esperava! Boas escritas à todos!

13 de jul de 2014

[Resenha] A Esperança, de Suzanne Collins

Como fiz nas resenhas dos volumes anteriores dessa série, vou começar com um pequeno parêntese para falar sobre cinema. Ou melhor, para não falar. Ao contrário dos livros anteriores, li este sem nenhuma referência cinematográfica. Ou seja, o texto é absolutamente focado em literatura.

A Esperança é o terceiro (e último) volume da série de Suzanne Collins, iniciada em Jogos Vorazes e  que continuou no livro Em Chamas, chegando agora à conclusão. Essa resenha pode conter alguns spoilers da primeira e segunda parte, mas não dessa terceira.

A história começa pouco depois do Massacre Quaternário, que terminou de forma abrupta quando Katniss destruiu a arena do Jogos Vorazes. Embora ela tenha sido salva dos escombros juntamente com Finnick e Beete, Peetae Johanna não tiveram a mesma sorte, ambos foram capturados pela Capital, que, em retaliação, lançou um ataque aéreo que varreu o Distrito 12 do mapa. Gale, a mãe de Katniss e Prim estão entre os poucos sobreviventes.

Agora encontramos Katniss vivendo com sua família no Distrito 13, um imenso bunker subterrâneo que muitos acreditavam ser apenas uma lenda urbana. A jovem toma conhecimento de uma rebelião secreta, da qual Haymitch e Plutarch já participam, e decide se juntar ao movimento encabeçado pela presidente Coin para derrubar o regime ditatorial da Capital, tornando-se o rosto do movimento rebelde.

Após o final, literalmente, explosivo de Em Chamas e a promessa de uma guerra prestes a estourar. Comecei a ler A Esperança cheio de expectativas e pronto para um desfecho eletrizante. No entanto, os primeiros capítulos se encarregam de baixar a adrenalina dos leitores. Durante boa parte do livro, o confronto segue por um caminho diferente e bem menos empolgante.

Um tema recorrente ao longo da trilogia Jogos Vorazes é o poder da mídia sobre a massa. Os melhores exemplos são os próprios Jogos (um reality show brutal), e o oportunismo de Katniss ao fingir um romance com Peeta para ganhar a simpatia do público e o apoio dos patrocinadores. Logo, parece natural que, num primeiro momento, a guerra entre a Capital e o Distrito 13 seja através de propagandas. Faz todo o sentido dentro do universo da série, mas a execução dessa ideia é que deixa a desejar. Pessoalmente, não consegui me livrar da sensação de que a primeira parte do livro estava apenas enrolando o tempo.

Outro ponto negativo é a evolução de Katniss como personagem, que aqui, quase não acontece. Durante todo o livro ela é praticamente a mesma pessoa que vimos no fim de Em Chamas.

Porém, apesar do que pode parecer, A Esperança não é um livro ruim. Há muitos aspectos positivos a serem destacados. Como sempre, a critica social é muito forte. Apesar de lutar contra uma ditadura, o Distrito 13 vive na mais rígida disciplina militar. Em vários momentos, Katniss se questiona sobre a semelhança entre os métodos de Coin e Snow e se a rebelião irá mesmo mudar as coisas.

Na parte final, o clímax trás de volta toda aquela ambientação emocionante que já conhecemos dos Jogos (embora não exista uma nova edição nesse livro). Nos últimos capítulos fica claro que em tempos de guerra, é difícil esperar por um final feliz. Não quero dar detalhes demais, mas há uma morte  inesperada que é de partir o coração.

Para encerrar, o triângulo amoroso Katniss / Peeta / Galeganha uma dinâmica bem diferente e, sim, ela faz uma escolha.

Em resumo, A Esperança pode não ser a conclusão que todos esperavam, mas é um bom livro e encerra a série Jogos Vorazes de forma digna. Recomendado (e que a sorte esteja sempre a seu lado)!

A ESPERANÇA
Autora: Suzanne Collins
Páginas: 424
Lançamento: 2012
Editora: Rocco

28 de jun de 2014

[Game] South Park - The Stick of Truth

Ame-o ou odeio-o, South Park é um desenho que inegavelmente conquistou seu lugar na cultura pop, com seu elenco de garotos boca-suja e um humor que vai da sátira ao nonsense, sempre chegando perto dos limites do bom gosto e outras vezes ultrapassando essa linha sem a menor cerimônia. Curto muito as primeiras temporadas, mas não venho acompanhando nos últimos anos. Como a maioria das série longevas, South Park tornou-se vítima de sua própria fórmula.

Apesar do sucesso na TV, a série nunca teve a mesma sorte nos videogames, limitando-se a poucas tentativas que nem são dignas de nota. Foi então que os criadores da série entraram na parada com a proposta de fazer um game que parecesse um episódio jogável do desenho. O resultado é South Park - The Stick of Truth, para PS3, Xbox 360 e PC.

A história do game gira em torno do Cajado da Verdade, um artefato que dá ao usuário poderes para controlar todo o universo! Atualmente, o Cajado está em posse do líder dos humanos, o mago Cartman e seus aliados: a princesa Kenny e o paladino Butters. Porém, o rei dos elfos, Kyle, acredita que não é seguro manter um item tão poderoso com os humanos e pretende tomá-lo com a ajuda do ranger Stan e do bardo Jimmy. Tudo muda com a chegada de um novo garoto, que ambos os lados acreditam ter o poder para conquistar a vitória final. Claro que esse Novato é o jogador (ou seja, você).

A princípio, essa premissa estilo Senhor dos Anéis parece estranha, mas tudo não passa de uma grande brincadeira dos garotos. As armaduras são fantasias, as espadas são de madeira ou papelão, os itens de cura são salgadinhos e refrigerantes e o próprio Cajado da Verdade é apenas um graveto. Por outro lado, existe uma ameaça real que irá surgir com o desenrolar da trama.

Em termos de jogabilidade, South Park - The Stick of Truth é um RPG de turnos à moda antiga, baseado em ataques, magias, itens de cura e status especiais. O sistema é simples, mas com alguns toques de complexidade (é preciso apertar o botão no tempo certo para aumentar a força dos golpes e defesas). É possível customizar a aparência do Novato, no entanto, será sempre um menino, não é possível escolher uma menina. O game não tem dublagem brasileira, mas vem com legendas e menus em português. A tradução foi muito bem feita, mantendo a maioria dos nomes e termos do desenho, além de palavrões sem censura, afinal, não seria South Park sem palavrões.

A principal característica do jogo é ser extremamente fiel ao seu material original, partindo do princípio que os jogadores já estão familiarizados com os personagens e o mundo que habitam. Para onde quer que se olhe, há uma referência a algum episódio. As piadas são as mesmas da TV (na verdade, há anos não me divirto tanto assim com o desenho), o que significa que se você não gosta do humor da série, provavelmente não vai gostar do game.

Em resumo, South Park - The Stick of Truth é um game muito divertido, com um bom sistema de batalha e muito (mas muito mesmo) humor ácido, mas eu vejo como um grande fanservice. Para quem curte o desenho, é imperdível. Se não for o seu caso, pode não ser o jogo mais adequado para você.

14 de jun de 2014

[Conto] O Gato no Muro

Esse foi o meu primeiro conto a ser publicado em uma antologia: Lugares Distantes. Com o fim da editora Infinitum, decidi postá-lo aqui no blog. O texto foi revisado, mas não reescrito. A história continua a mesma.
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Quando saiu no início da noite, Lucas disse aos pais que iria dormir na casa de seu amigo, Edu. Nada que pudesse preocupá-los. Eduardo tinha o hábito de reunir seus colegas de classe para noitadas de filmes e videogame; além disso, os pais do garoto sempre ficavam de olho na molecada. Lucas sabia que era uma péssima ideia dizer a eles quais eram seus verdadeiros planos: uma aventura vazia e infantil para provar sua masculinidade.

12 de jun de 2014

Capa e pré-venda de Mundos - Volume 2

A editora Buriti divulgou a bela capa da antologia Mundos - Vol. 2, da qual vou participar com o conto "O Campo dos Vaga-Lumes". A editora já iniciou a pré-venda com desconto, frete grátis e parcelamento no cartão.

Aqui a lista com os autores participantes e abaixo tem o link para quem quiser fazer a pré-compra.

Autores:

Fernando Medici
Lucas Maziero
Caroline Policarpo
Jota Marques
Rubem Cabral
Davi M. Gonzales
Daniel I. Dutra
Verônica S. Freitas
Maurício Kanno
Joe de Lima

7 de jun de 2014

[Resenha] O Aprendiz de Assassino, de Robin Hobb

Apesar de lá fora, Robin Hobb ser uma referência em literatura fantástica, admito que nunca tinha lido nada da autora e confesso que essa obra só  entrou na minha lista pela sinopse, que me lembrou uma série de games da qual sou fã: Assassin’s Creed (de fato, eu não me surpreenderia se descobrisse que os jogos foram baseados nesse livro).  No fim, o resultado foi uma leitura que me surpreendeu e me agradou em vários aspectos!

Escrito por Robin Hobb — um dos pseudônimos da autora Margaret Astrid Lindholm Ogden — e publicado originalmente em 1995, O Aprendiz de Assassino é o primeiro volume da Saga do Assassino (The Farseer Trilogy).

O livro conta a história do jovem FitzCavalaria Visionário. Filho bastardo do príncipe Cavalaria, o garoto é levado para viver em Torre do Cervo, onde acaba sendo criado pelo cocheiro Bronco. Visto por muitos como um intruso na corte e considerado responsável pela queda de seu pai, Fitz é designado pelo Rei Sagaz para se tornar discípulo do misterioso Breu e ser treinado na arte do assassinato diplomático, ou seja, executar alvos políticos sem deixar vestígios. Ao mesmo tempo, os reinos dos Seis Ducados são assolados pelos ataques cada vez piores dos Navios Vermelhos, que deixam para trás cidades arrasadas e vitimas reduzidas a um estado selvagem.

Embora possa ser classificado como fantasia medieval, O Aprendiz de Assassino é mais pé no chão do que a maioria das obras do gênero. A ambientação é muito mais próxima de como a vida na idade média deve ter sido realmente, com a lama e o luxo convivendo lado a lado. Existem duas habilidades fora do normal que estão mais para poderes psíquicos do que magia: o Talento, uma espécie de telepatia avançada e prestigiada; e a Manha, que é a capacidade de se conectar com as mentes de pessoas e animais.

Ainda sobre esses poderes especiais, consta que O Aprendiz de Assassino nasceu de uma ideia básica de Robin Hobb: “e se a magia fosse viciante?”. Assim, o Talento e a Manha exercem um efeito quase intoxicante no usuário. O melhor reflexo disso é Veracidade.

O livro é narrado em primeira pessoa em tempo passado. Tudo indica que se trata de um Fitz maduro e calejado nos contando a história de sua vida. É notável como a autora conseguiu captar com perfeição os anseios e frustrações de um garoto adolescente, em especial no que diz respeito à relação de Fitz e Moli Veleira, seu primeiro amor. É difícil não simpatizar com o jovem e sua trajetória difícil. Tirando uma aptidão natural para a Manha (habilidade que não é muito bem vista), o rapaz é uma pessoa comum obrigada a enfrentar uma dura e sofrida jornada. Uma curiosidade é que ele jamais chega a conhecer o pai.

A narrativa evolui num ritmo devagar, mas envolvente. Os cenários são descritos em detalhes e de forma a fazer o leitor mergulhar no ambiente, enquanto as descrições de personagens fazem um belo uso de meta-linguagem, baseando-se nas impressões que causam e não na aparência. Como vocês já devem ter percebido, a maioria dos nomes tem significados ligados à personalidade. Méritos para a editora Leya, que acertou em traduzir os nomes para o português, caso contrário, os mesmos teriam perdido muito de sua força.

Antes de terminar, vale destacar que os amantes de cachorros têm um  par de razões a mais para ler essa obra: Narigudo e Ferreirinho, os dois cães de Fitz. Mais que mascotes, ambos são personagens realmente importantes no livro. Com uma boa narrativa, personagens interessantes e um clímax eletrizante, O Aprendiz de Assassino é uma excelente leitura e superou minhas expectativas. Recomendado!

A Saga de FitzCavalaria continua em O Assassino do Rei

O APRENDIZ DE ASSASSINO
Autora: Robin Hobb
Páginas: 416
Lançamento: 1996 (no Brasil, 2012)
Editora: Leya