18 de mar de 2017

[Dicas para escrever] Os 12 passos da Jornada do Herói


Tudo culpa de Joseph Campbell. Especialista em folclore, mitologias e religiões, Campbell compreendeu que a maioria dos mitos e lendas mais populares compartilhavam diversos elementos entre si. Em 1989, ele compilou seus estudos na forma do livro O Herói de Mil Faces, e no ano seguinte lançou O Poder do Mito.

Nesses livros, Campbell organiza os elementos mais comuns às narrativas épicas na forma de doze etapas, as quais chamou de A Jornada do Herói. De lá para cá, estudar essa jornada passou a ser "obrigatório" para todos os autores de ficção. Aos mesmo tempo em que muitos (inclusive eu) veem a Jornada do Herói como uma valiosa ferramenta, não falta quem torça o nariz, considerando-a ultrapassada e repetitiva.

Abaixo estão as doze etapas da Jornada do Herói e uma breve análise sobre como ela foi utilizada em duas obras bastante populares: Matrix e Jogos Vorazes. Leia, por sua conta e risco, e tire suas próprias conclusões (para quem leu o meu Arcanista fica o desafio: conseguem apontar como cada etapa está presente no livro?).

Uma última coisa antes de começar. Ao contrário do que os críticos da Jornada - e escritores preguiçosos - possam pensar, não se trata de uma fórmula mágica, que deva ser seguida à risca. Observando obras que utilizam a Jornada do Herói não é difícil encontrar etapas sendo subvertidas ou até revertidas, e nem sempre os passos vem na "ordem certa".

28 de fev de 2017

[Resenha] O Império Final - Mistborn, de Brandon Sanderson

Mistborn: Nascidos das Brumas é uma das séries de literatura fantástica mais conceituadas da atualidade, muito disso graças a coragem do autor Brandon Sanderson em romper com vários paradigmas do gênero de fantasia.

Para começar, em lugar da ambientação medieval tradicional, temos um cenário vitoriano com elementos de distopia. Nesse mundo, governado com mão de ferro pelo Senhor Soberano, famílias tradicionais oferecem bailes pomposos que servem de palco para intrigas, enquanto a classe pobre vive num estado de semi-escravidão. 

Como era de se esperar, movimentos rebeldes tentam se levantar. Um deles é liderado por um alomântico chamado Kelsier, o único homem a escapar com vida de uma mina de trabalhos forçados. Carismático e cheio de confiança, Kelsier nutre um ódio pessoal contra o Senhor Soberano e para destroná-lo reúne um grupo de figuras tão excêntricas quanto ele próprio, com destaque para sua nova aprendiza, Vin. Criada nas ruas, Vin se acostumou a viver sozinha e a não confiar em ninguém, mas agora que faz parte da gangue, tem de aprender a se passar por uma jovem dama da alta sociedade.

Como disse no paragráfo acima, Kelsier é um alomântico, assim como Vin. A alomancia é a magia desse mundo, e aqui Sanderson inovou mais uma vez, trazendo algo diferente do tradicional. Os alomânticos possuem diversas habilidades especiais: empurrar e puxar objetos metálicos com a mente, aumentar sua força e sentidos e até influenciar as emoções de outras pessoas. São dez poderes no total, cada um abastecido por um metal especifico que os alomânticos precisam engolir.

E embora o autor tenha realmente se dedicado a criar um cenário inovador, o ponto alto de O Império Final está no carisma de seus personagens, em especial os dois protagonistas, Kelsier e Vin. É difícil não se sentir cativado por essa dupla e pela relação disfuncional de pai e filha que os liga.

Com um estilo mais focado nas ações que descrições, o livro tem uma narrativa dinâmica e bem direta, prendendo a atenção do leitor. Com certeza, uma ótima pedida para os fãs de literatura fantástica, que também pode agradar quem não curte tanto o gênero.

Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 608
Ano: 2014
Editora: LeYa

15 de fev de 2017

[Tem na Netflix] Star Wars: The Clone Wars

"Há muito tempo atrás, numa galáxia distante..."

Jedi, Sith, stormtroopers, droides, a Força... Sim, hoje é dia de falar de Star Wars! Mais precisamente da série animada The Clone Wars.

Lançada em 2008, The Clone Wars se passa entre os filmes Episódio II: Ataque dos Clones e Episódio III: A Vingança dos Sith.

A série narra os eventos ocorridos durante as Guerras Clonicas, quando o conflito entre a República (protegida pelos Jedi) e os separatistas (liderados pelos Sith) estava no auge. Um período extremamente importante dentro do universo Star Wars, mas que tinha sido pouco explorado até então.

Ganhadora de inúmeros prêmios, sucesso entre os críticos e os fãs, The Clone Wars é muito mais do que uma mera expansão de Star Wars. A série se sustenta por suas próprias pernas, adicionando novos elementos e personagens tão icônicos quantos os vistos no cinema, incluindo figuras notáveis como Assage Ventress, Cad Bane, Saw Gerrera, os Guardiões da Força e Ahsoka Tano, a jovem aprendiza de Anakin Skywalker. 

A saga completa é composta por um longa animado que serve de prelúdio, seguido pelas 6 temporadas da série (todo esse conteúdo está na Netflix atualmente).

23 de jan de 2017

[Resenha] Segunda Chance, de Kamila Villareal

Bom, acho que não é novidade para nenhum leitor desse blog que meu tipo de leitura favorito é a literatura fantástica. Mas como autor, gosto de buscar referências em outros gêneros de vez em quando. É o caso de Segunda Chance, de Kamila Villareal, do blog parceiro Resenha e Outras Coisas.

O livro narra o romance da jornalista Diana Ferreira e do engenheiro sueco Mikael Karlström, que acabou de se mudar para o Brasil. Ele viúvo, ela ainda com a lembrança de uma relação abusiva. A princípio, os dois tem pouco contato, mas um incidente envolvendo a filha de Mikael leva a uma aproximação que incomoda as famílias de ambos.

Segunda Chance é um slice of life que conta uma história de romance mais pé no chão, sem lirismo e alegorias, mas ainda sim conseguindo-se manter como um livro leve e agradável.

A narrativa é bastante fluída e ágil e a autora descreve os acontecimentos com muito dinamismo. Embora o foco seja no relacionamento entre Diana e Mikael, há outros temas mais pesados como violência doméstica, a perda de entes queridos e até estupro, porém tudo é mostrado sem carregar no drama.

Isso mantém a leveza da leitura, mas também acaba tratando essas questões de forma superficial. Eu realmente gostaria de ter visto uma abordagem mais aprofundada de como tais experiências influenciam os personagens, principalmente Marie, que passa por um evento traumático logo nas primeiras páginas e o supera com relativa facilidade.

No entanto, essa é uma visão pessoal minha, e não é nenhum demérito para o livro, dentro da sua proposta.

Outro ponto a ser destacado é o tamanho pequeno. Com apenas 217 páginas, Segunda Chance oferece uma leitura rápida e direta, sendo uma boa pedida para quem busca um livro dinâmico e agradável.

Segunda Chance está disponível na Amazon.

Autora: Kamila Villareal
Páginas: 217
Ano: 2016
Editora: Independente

16 de jan de 2017

[Filme] Assassin's Creed


Como água e óleo, games e cinema teimam em não se misturar. A lista de adaptações de jogos para a telona é mais extensa do que parece e há mais para se lamentar do que comemorar.

Temos grandes produções que renderam filmes fracos, como Doom e Mortal Kombat; produções menores pra lá de duvidosas como The King of Fighters, Tekken e Dead or Alive; e obras imperdoáveis como Street Fighter e Super Mario Bros.

Mas existem sim, bons longas, e estes se dividem em duas categorias. Final Fantasy VII: Advent Children, Need for Speed e Warcraft tiveram seu foco nos fãs, enquanto Resident Evil e Tomb Raider optaram por jogar fora todo o material original e criar algo novo do zero.

Assassin's Creed é uma produção que busca ficar num meio termo entre essas duas abordagens, tentando ser um filme voltado para o grande público, mas respeitando suas origens. Como gamer e fã da franquia eletrônica, acredito que tenham sido bem sucedidos.

A trama acompanha a saga de Callum Lynch, um criminoso levado contra sua vontade para as instalações da Abstergo, uma organização que pretende investigar a memória genética guardada em seu DNA. A intenção é acessar informações sobre a vida de Aguilar, um antepassado de Callum que viveu durante a Inquisição Espanhola.

Apesar da premissa ser bastante semelhante aos games, o filme segue um caminho distinto, focando a história no presente (ainda que o passado tenha sua própria trama). O roteiro acerta ao não tentar comprimir a complexa mitologia dos Assassinos, focando apenas nos elementos necessários para compreender as jornadas de Callum e também de Aguilar.

O diretor Justin Kurzel encontra ótimas soluções para compensar o orçamento limitado e consegue criar uma identidade visual própria. É nas cenas de ação que as referências ficam óbvias, recriando com perfeição as acrobacias mirabolantes vistas nos jogos.

Ao mesmo tempo em que é um projeto ambicioso, Assassin's Creed funciona como uma boa diversão descompromissada. Acredito que deve agradar tanto aos gamers quanto o grande público e até consigo ver um paralelo entre esse filme e o X-Men de 2001, que abriu as portas para a invasão dos super-heróis no cinema.

8 de jan de 2017

Melhores de 2016

Por causa de um fim de ano bem agitado, acabei atrasando um pouco com a lista dessa vez, mas aqui está um pouco do que mais curti em 2016.

Leia as listas de anos anteriores

LIVRO: Deuses & Feras, de Fabio Brust



Em 2016, minha leitura favorita foi um livro nacional independente. Deuses & Feras se passa num futuro distópico, onde uma rede social criada pelo governo controla cada passo dos cidadãos: ocupação, amigos, inimigos e até amores. Nesse cenário, o ladrão Harlan Montag recebe a missão de roubar um item de Kali Assange, uma assassina profissional que também foi designada como seu par romântico (leia a resenha completa).

FILME PIPOCA: Rogue One


Com o poder do Império Galáctico no auge, uma equipe de foras-da-lei se lança em uma missão quase impossível e parte para roubar as plantas da Estrela da Morte. Rogue One inaugurou uma nova Era para a franquia Star Wars. O primeiro spin-off do cinema mostrou o quanto esse universo é vasto e cheio de histórias para contar.

FILME ALTERNATIVO: Baahubali - O Início


Numa vila na Índia, o destemido Shivudu passou toda sua vida sem imaginar que as montanhas próximas escondiam reinos inteiros, onde batalhas épicas são travadas. Épico bollywoodiano, esse é filme é o primeiro de uma duologia. Trata-se de um longa bastante divertido, tanto pela aventura e pelo clima camp, quanto pelo visual de tirar o fôlego.

COMICS: The Flintstones


Parte de uma nova linha de revistas dos personagens Hanna Barbera, a nova HQ dos Flintstones veio com a proposta de renovar Fred & Cia, mas mantendo-se fiel ao espirito original. Mesmo sendo uma missão difícil, a equipe criativa tirou a tarefa de letra e nos trouxe um título divertido e recheado de críticas sociais, mas também com muito humor inteligente pra lá de ácido.

ANIME: Assassination Classroom


Temos um bicampeão nessa categoria. Em seu segundo ano, Assassination Classroom trouxe a conclusão da saga da classe 3-E, uma sala cheia de alunos perdedores que se veem incumbidos de matar seu professor, o excêntrico Koro-Sensei. Com uma mescla perfeita de humor sem noção e cenas para serem vistas com uma caixa de lenços à mão, a série se despede com chave de ouro (leia a resenha da primeira temporada).

SERIADO: Stranger Things


Ambientada nos anos 1980, a série gira em torno de Will Byers, um menino que desapareceu sem deixar rastro. Enquanto buscam por ele, seus amigos encontram uma menina dotada de poderes psíquicos que se apresenta como Eleven (Onze). Emulando as aventuras oitentistas, Stranger Things chegou desacreditada à Netflix, mas rapidamente se tornou um verdadeiro fenômeno da cultura pop.

GAME: Dragon Age Inquisition


Primeiramente, quero dizer que não tive a chance de jogar o grande lançamento de 2016, FF XV, então vou falar da melhor experiência que tive como gamer nesse ano: o excelente Dragon Age Inquisition. Ambientado num mundo que mistura a intriga política de Game of Thrones com a fantasia de Senhor dos Anéis, o jogo traz um sistema de escolhas bastante refinado, permitindo que você crie seu/sua protagonista e escolha qual vai ser o caminho, mas sem perder a força da narrativa. Destaque para os menus e legendas em português.

19 de dez de 2016

Trilha sonora de Armamentista

Já comentei antes que costumo criar playlists para me ajudar a pegar o clima certo na hora de escrever. Como fiz com Arcanista, hoje vim compartilhar com vocês a seleção que eu ouvia enquanto escrevia Armamentista.
A lista é menor que a anterior porque reaproveitei algumas músicas da lista anterior, especialmente as trilhas de Matrix. Na lista abaixo, os clipe com letra estão legendados.

1. Moby - Extreme Ways
Os fãs de Jason Bourne conhecem bem essa música, nem sei dizer quantas vezes ouvi durante a escrita. Tanto o ritmo quanto a letra tornam essa trilha perfeita para ser o tema de Armamentista.


2. Lorde - Everybody Wants to Rule the World
Amo essa música! Simplesmente amo! Como eu disse antes, esse é o tema para a trilogia como um todo.


3. Pitty - Na Sua Estante
Para quem é fã (e para quem não é tão fã assim) da Beatrix, aqui uma trilha sobre a relação dela com o Marcel.


4. Linkin Park - What I've Done
Não tenho uma cena nem personagem específico para essa música, mas ela me ajudava a pegar o tom quando a coisa ficava mais densa.


5. The Bourne Supremacy - Road Rage
Mais um tema dos filmes Jason Bourne. Coloquei o título do filme porque não consegue descobrir o nome do artista. Essa é a trilha da sequência envolvendo os três ônibus.


6. Final Fantasy VII - Those Who Fight
O universo Final Fantasy exerce uma enorme influência no meu trabalho. O tema dos chefões de FF7, executado nessa versão espetacular, seria a trilha da sequência do estacionamento.