16 de jan de 2017

[Filme] Assassin's Creed


Como água e óleo, games e cinema teimam em não se misturar. A lista de adaptações de jogos para a telona é mais extensa do que parece e há mais para se lamentar do que comemorar.

Temos grandes produções que renderam filmes fracos, como Doom e Mortal Kombat; produções menores pra lá de duvidosas como The King of Fighters, Tekken e Dead or Alive; e obras imperdoáveis como Street Fighter e Super Mario Bros.

Mas existem sim, bons longas, e estes se dividem em duas categorias. Final Fantasy VII: Advent Children, Need for Speed e Warcraft tiveram seu foco nos fãs, enquanto Resident Evil e Tomb Raider optaram por jogar fora todo o material original e criar algo novo do zero.

Assassin's Creed é uma produção que busca ficar num meio termo entre essas duas abordagens, tentando ser um filme voltado para o grande público, mas respeitando suas origens. Como gamer e fã da franquia eletrônica, acredito que tenham sido bem sucedidos.

A trama acompanha a saga de Callum Lynch, um criminoso levado contra sua vontade para as instalações da Abstergo, uma organização que pretende investigar a memória genética guardada em seu DNA. A intenção é acessar informações sobre a vida de Aguilar, um antepassado de Callum que viveu durante a Inquisição Espanhola.

Apesar da premissa ser bastante semelhante aos games, o filme segue um caminho distinto, focando a história no presente (ainda que o passado tenha sua própria trama). O roteiro acerta ao não tentar comprimir a complexa mitologia dos Assassinos, focando apenas nos elementos necessários para compreender as jornadas de Callum e também de Aguilar.

O diretor Justin Kurzel encontra ótimas soluções para compensar o orçamento limitado e consegue criar uma identidade visual própria. É nas cenas de ação que as referências ficam óbvias, recriando com perfeição as acrobacias mirabolantes vistas nos jogos.

Ao mesmo tempo em que é um projeto ambicioso, Assassin's Creed funciona como uma boa diversão descompromissada. Acredito que deve agradar tanto aos gamers quanto o grande público e até consigo ver um paralelo entre esse filme e o X-Men de 2001, que abriu as portas para a invasão dos super-heróis no cinema.

8 de jan de 2017

Melhores de 2016

Por causa de um fim de ano bem agitado, acabei atrasando um pouco com a lista dessa vez, mas aqui está um pouco do que mais curti em 2016.

Leia as listas de anos anteriores

LIVRO: Deuses & Feras, de Fabio Brust



Em 2016, minha leitura favorita foi um livro nacional independente. Deuses & Feras se passa num futuro distópico, onde uma rede social criada pelo governo controla cada passo dos cidadãos: ocupação, amigos, inimigos e até amores. Nesse cenário, o ladrão Harlan Montag recebe a missão de roubar um item de Kali Assange, uma assassina profissional que também foi designada como seu par romântico (leia a resenha completa).

FILME PIPOCA: Rogue One


Com o poder do Império Galáctico no auge, uma equipe de foras-da-lei se lança em uma missão quase impossível e parte para roubar as plantas da Estrela da Morte. Rogue One inaugurou uma nova Era para a franquia Star Wars. O primeiro spin-off do cinema mostrou o quanto esse universo é vasto e cheio de histórias para contar.

FILME ALTERNATIVO: Baahubali - O Início


Numa vila na Índia, o destemido Shivudu passou toda sua vida sem imaginar que as montanhas próximas escondiam reinos inteiros, onde batalhas épicas são travadas. Épico bollywoodiano, esse é filme é o primeiro de uma duologia. Trata-se de um longa bastante divertido, tanto pela aventura e pelo clima camp, quanto pelo visual de tirar o fôlego.

COMICS: The Flintstones


Parte de uma nova linha de revistas dos personagens Hanna Barbera, a nova HQ dos Flintstones veio com a proposta de renovar Fred & Cia, mas mantendo-se fiel ao espirito original. Mesmo sendo uma missão difícil, a equipe criativa tirou a tarefa de letra e nos trouxe um título divertido e recheado de críticas sociais, mas também com muito humor inteligente pra lá de ácido.

ANIME: Assassination Classroom


Temos um bicampeão nessa categoria. Em seu segundo ano, Assassination Classroom trouxe a conclusão da saga da classe 3-E, uma sala cheia de alunos perdedores que se veem incumbidos de matar seu professor, o excêntrico Koro-Sensei. Com uma mescla perfeita de humor sem noção e cenas para serem vistas com uma caixa de lenços à mão, a série se despede com chave de ouro (leia a resenha da primeira temporada).

SERIADO: Stranger Things


Ambientada nos anos 1980, a série gira em torno de Will Byers, um menino que desapareceu sem deixar rastro. Enquanto buscam por ele, seus amigos encontram uma menina dotada de poderes psíquicos que se apresenta como Eleven (Onze). Emulando as aventuras oitentistas, Stranger Things chegou desacreditada à Netflix, mas rapidamente se tornou um verdadeiro fenômeno da cultura pop.

GAME: Dragon Age Inquisition


Primeiramente, quero dizer que não tive a chance de jogar o grande lançamento de 2016, FF XV, então vou falar da melhor experiência que tive como gamer nesse ano: o excelente Dragon Age Inquisition. Ambientado num mundo que mistura a intriga política de Game of Thrones com a fantasia de Senhor dos Anéis, o jogo traz um sistema de escolhas bastante refinado, permitindo que você crie seu/sua protagonista e escolha qual vai ser o caminho, mas sem perder a força da narrativa. Destaque para os menus e legendas em português.

19 de dez de 2016

Trilha sonora de Armamentista

Já comentei antes que costumo criar playlists para me ajudar a pegar o clima certo na hora de escrever. Como fiz com Arcanista, hoje vim compartilhar com vocês a seleção que eu ouvia enquanto escrevia Armamentista.
A lista é menor que a anterior porque reaproveitei algumas músicas da lista anterior, especialmente as trilhas de Matrix. Na lista abaixo, os clipe com letra estão legendados.

1. Moby - Extreme Ways
Os fãs de Jason Bourne conhecem bem essa música, nem sei dizer quantas vezes ouvi durante a escrita. Tanto o ritmo quanto a letra tornam essa trilha perfeita para ser o tema de Armamentista.


2. Lorde - Everybody Wants to Rule the World
Amo essa música! Simplesmente amo! Como eu disse antes, esse é o tema para a trilogia como um todo.


3. Pitty - Na Sua Estante
Para quem é fã (e para quem não é tão fã assim) da Beatrix, aqui uma trilha sobre a relação dela com o Marcel.


4. Linkin Park - What I've Done
Não tenho uma cena nem personagem específico para essa música, mas ela me ajudava a pegar o tom quando a coisa ficava mais densa.


5. The Bourne Supremacy - Road Rage
Mais um tema dos filmes Jason Bourne. Coloquei o título do filme porque não consegue descobrir o nome do artista. Essa é a trilha da sequência envolvendo os três ônibus.


6. Final Fantasy VII - Those Who Fight
O universo Final Fantasy exerce uma enorme influência no meu trabalho. O tema dos chefões de FF7, executado nessa versão espetacular, seria a trilha da sequência do estacionamento.

6 de dez de 2016

[Top 5] Mais Cinco Casais Homossexuais

A diversidade sexual vem ganhando mais destaque na ficção e na cultura pop. Cada vez mais, vemos um número maior de autores buscando retratar personagens homossexuais sem estereótipos. Ainda é pouco, é verdade, mas o cenário vem mudando.

Eu já tinha feito um Top 5 com casais homossexuais antes, e hoje trago uma segunda rodada.

5 - Clarke & Lexa (The 100)


Num futuro pós-apocalíptico, Clarke é a líder de um grupo de sobreviventes de uma estação espacial, enquanto Lexa é a comandante de uma tribo guerreira. Ambas têm personalidades fortes e colocam os interesses de seus respectivos povos em primeiro lugar, mesmo se precisarem jogar sujo. Essa atitude as levou a serem bem próximas, mas também as coloca em atrito com frequência. O resultado é uma relação de amor e ódio.

4 - Madame Vastra & Jenny (Doctor Who)


Vastra é uma silurian que tentou dominar a Terra no século 21. Colocada em animação suspensa, ela desperta num futuro distante e encontra sua espécie vivendo em paz com a raça humana. Eventualmente, conhece a espadachim Jenny Flint, com quem se casa, deixando os planos de dominação para trás. Com uma ajudinha do Doutor, elas viajam de volta à Era Vitoria, se estabelecendo como uma dupla de detetives especializadas em casos fora do normal.

3 - Lito & Hernando (Sense8)


Lito Rodriguez é um ator mexicano no auge da carreira. Visto pela mídia e pelas fãs como um sex symbol, ele teme que seus dias de galã cheguem ao fim caso seu relacionamento com o erudito Hernando venha a público. Apesar de Hernando concordar em manter o segredo, vez ou outra isso se torna um ponto de fricção entre os dois, especialmente depois que essa situação traz consequências muito ruins para a atriz Daniela, namorada de fachada de Lito e confidente do casal.

2 - Nomi & Amanita (Sense8)


Blogger, ativista LGBT e hacker badass, Michael Marks sempre teve uma alma feminina. Adulto, passa por uma cirurgia de mudança de sexo e se torna Nomi. Desprezada pela mãe, ela é internada à força para ser submetida a um tratamento radical. Felizmente, sua namorada, a intempestiva Amanita não mede esforços e nem consequências para liberta-la. Logo, Nomi descobre que o hospital onde esteve internada é ligado a uma perigosa corporação e a partir daí, usa seus talentos para confrontá-los.

1 - Craig & Tweek (South Park)


Esse é um caso curioso. No 6º episódio da 19ª temporada, Craig e Tweek descobrem uma exposição de arte yaoi que os retrata como gays. Tentando desfazer o mal-entendido, os dois acabam se aproximando. Ao fim do episódio, não fica claro se vão seguir ou não com a relação, porém, são vistos passando muito tempo sozinhos e nos episódios seguintes aparecem de mãos dadas. Os fãs de South Park compraram a ideia e mesmo os criadores da série já compartilharam a hashtag #CreekIsReal

28 de nov de 2016

[Tem na Netflix] Cloud Atlas - A Viagem


Eu costumo falar de séries nessa seção, mas dessa vez trago um filme que considero uma obra-prima subvalorizada: Cloud Atlas, que chegou aos nossos cinemas como A Viagem.

O longa é uma adaptação do livro de David Mitchell, lançado no Brasil esse ano com o título Atlas de Nuvens. O filme tem a assinatura das irmãs Wachowski e um elenco de primeira grandeza: Tom Hanks, Susan Sarandon, Hale Berry, Hugo Weaving e Hugh Grant, entres outros.

A história interliga seis tramas diferentes em épocas distintas: de uma fazenda escravagista no século 19 à saga de um homem santo num futuro pós-tecnológico, passando por um compositor, uma repórter e um editor nos anos 1930 e 1970 e no ano 2012, sem esquecer da jornada de uma clone no século 22.

E todas essas tramas são protagonizadas por reencarnações das mesmas pessoas. Aqui, é preciso ressaltar o trabalho primoroso para dar uma nova aparência para o elenco a cada nova trama, às vezes até mudando a etnia e o sexo de algum ator ou atriz. A direção é inspirada e consegue dar o tom certo para cada trama, principalmente se levarmos em conta que cada linha narrativa segue um gênero diferente: drama de época, romance, espionagem, ação, etc.

É uma pena que não tenha conseguido alcançar o retorno esperado. Pessoalmente, considero uma obra belíssima e emocionante! Vale a pena conferir.

21 de nov de 2016

[Resenha] Deuses e Feras, de Fabio Brust

Num futuro distópico, um dispositivo é implantado no braço de cada pessoa no momento de seu nascimento. Quando mais velhos, esse dispositivo funciona como um celular: envia mensagens, faz ligações, tem acesso a vídeos e jogos, etc.

Essa tecnologia também mantem a população conectada em tempo integral à Teia, o governo que controla, literalmente, todos os passos dos habitantes de Dínamo. Através das telas implantadas nos braços, a Teia decide quem devem ser os amigos, inimigos e pares românticos de cada pessoa, além de determinar que atividades uma pessoa vai exercer.

É nesse cenário que se passa Deuses e Feras, título independente do autor Fabio Brust.

A trama acompanha a trajetória do jovem Harlan Montag, designado pela Teia para ser um ladrão. Sua vida vira de cabeça para baixo quando um de seu alvos é assassinado antes da hora pela intempestiva Kali Assange, o único par romântico listado no dispositivo de Harlan.

O ato desperta a ira da Teia, manifestada na forma de uma punição contra ambos. A partir daí, Harlan e Kali entram numa espiral frenética para desafiar uma organização que acompanha todos os seus movimentos. Cada nova tentativa de se libertarem parece apenas piorar a situação.

Deuses e Feras foi uma leitura que me surpreendeu. O ritmo de Fabio Brust é dinâmico e cheio de energia, te prendendo no livro. Mesmo tendo um tamanho considerável, foi uma leitura que terminei bem depressa.

Fica bem clara a intenção do autor em fazer uma critica à sociedade atual, cada vez mais conectada e com menos interações diretas entre as pessoas.

Um ponto que me chamou a atenção foi a abordagem e a construção da dinâmica entre Harlan e Kali. Ao invés de pintar o casal como heróis, o autor os mostra como anti-heróis que, apesar de estarem lutando contra um governo totalitarista, tomam várias atitudes questionáveis pelo caminho.

Deuses e Feras está disponível na Amazon e no Wattpad. Recomendado!

Autor: Fabio Brust
Páginas: 549
Ano: 2015
Editora: Independente

14 de nov de 2016

Parcerias

- Atualizando com as novas parcerias do blog: Ler é Literário, Caminhando Entre Livros, Every Little Book, Mundo Literário, Cá Entre Nós, O Viajante das Estrelas e Leitura Descontrolada.

Estou aceitando parceria com blogs que desejem fazer a resenha de Arcanista e de meus futuros trabalhos. Os interessados, entrem em contato através do meu perfil no Facebook ou pelo e-mail: joedelima.blog@gmail.com