15 de mai de 2015

[Resenha] A Lenda da Ruff Ghanor: O Garoto-Cabra, de Leonel Caldela

O Garoto-Cabra é o primeiro volume da série de fantasia A Lenda de Ruff Ghanor. Embora tenha sido escrito por Leonel Caldela, o livro não é uma criação sua. Como o prefácio explica, Ruff e seu mundo surgiram durante as sessões de RPG da equipe do site Jovem Nerd (gravadas em forma de podcast). O nome de Caldela só entrou nessa história depois, quando a equipe do site decidiu lançar uma versão romanceada das aventuras criadas por eles.

[Pausa para um adendo sem nenhuma ligação com a resenha] Sempre me interessei muito pelos RPGs de mesa, mas infelizmente, minhas experiências como jogador e mestre se resumem a meia dúzia de sessões disputadas há muito tempo, em uma galáxia distante. [/Fim da pausa. Voltemos à resenha]

O livro começa quando dois acólitos de São Arnaldo (o correto seria “santo”, mas há uma explicação para o erro) encontram um menino perdido e o veem usar magia para matar dois monstros. O garoto recebe o nome de Ruff e passa a viver no mosteiro. Após descobrir que o menino é descendente da antiga linhagem Ghanor, o prior lhe impõe um rigoroso treinamento físico e mental, acreditando que o jovem está destinado a acabar com o reinado de terror do dragão Zamir.

A Lenda de Ruff Ghanor é, claramente, um blockbuster. Sua proposta é a diversão pela diversão. E verdade seja dita, o livro é bastante honesto quanto às suas intenções e em momento algum tenta parecer mais sério ou denso do que realmente é. Essa é a maior qualidade de O Garoto-Cabra, e também seu maior defeito.

Estamos falando uma obra de alta fantasia, então espere por magias mirabolantes, combates exagerados e raças não-humanas, como o dragão e seu exército de hobgoblins. Como é possível notar pela sinopse, o livro apresenta um cenário bem familiar aos fãs de fantasia medieval: guerreiros e clérigos, heróis predestinados, dragões malignos… e por aí vai.

Os próprios personagens incorporam os arquétipos típicos do gênero. Além do nosso herói, outras figuras de destaque são: Korin, aprendiz de guarda, alivio cômico e melhor amigo de Ruff; o prior do mosteiro, um homem misterioso e rígido, totalmente devotado a preparar Ruff para seu destino; e Áxia, uma jovem rebelde e (aparentemente) única garota do mundo, além de interesse romântico de Ruff. Um romance que nunca conseguiu me convencer de verdade, me deixando com a impressão de acontecer apenas pela necessidade de haver um casal.

Uma consequência negativa da narrativa rasa é que todo os personagens parecem viver em função do protagonista, e não só eles. Tudo no livro gira ao redor de Ruff Ghanor. Se alguém morre doente, é para que ele aprenda uma lição; se uma batalha é travada, serve para que ele entenda seu lugar no mundo.

Essa falta de profundidade dos personagens se espalha para o cenário da aventura, descrito de forma rasa e um tanto genérica.

Dito tudo isso, é preciso deixar claro que não achei que o livro só tem pontos negativos. Apesar dos defeitos, a obra consegue divertir em vários momentos e, por ser uma leitura relativamente rápida, não exige um grande investimento de tempo. O plot twist no final é genial e abre um leque imenso de possibilidades para o próximo volume.

Quem procura algo mais denso, pode se decepcionar com A Lenda de Ruff Ghanor: O Garoto-Cabra, mas pode ser uma boa opção para quem estiver à procura de uma diversão mais simples e despretensiosa.

A LENDA DE RUFF GHANOR: O GAROTO-CABRA
Autor: Leonel Caldela
Lançamento: 2014
Páginas: 320
Editora: Nerdbooks

4 comentários:

  1. Ufa, até que enfim achei um review não apaixonado pelos autores da obra. Obrigado.

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  2. A falta de profundidade dos personagens é comum em histórias baseadas em RPG, não me surpreende. Mesmo assim vou ler pois gosto de uma leitura divertida de vez em quando. Acho que o Leonel fica melhor escrevendo suas próprias histórias.

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    1. Ainda não conheço outras dele, então não tenho base pra comparar.

      Valeu pelo comentário!

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