28 de jun de 2014

[Game] South Park - The Stick of Truth

Ame-o ou odeio-o, South Park é um desenho que inegavelmente conquistou seu lugar na cultura pop, com seu elenco de garotos boca-suja e um humor que vai da sátira ao nonsense, sempre chegando perto dos limites do bom gosto e outras vezes ultrapassando essa linha sem a menor cerimônia. Curto muito as primeiras temporadas, mas não venho acompanhando nos últimos anos. Como a maioria das série longevas, South Park tornou-se vítima de sua própria fórmula.

Apesar do sucesso na TV, a série nunca teve a mesma sorte nos videogames, limitando-se a poucas tentativas que nem são dignas de nota. Foi então que os criadores da série entraram na parada com a proposta de fazer um game que parecesse um episódio jogável do desenho. O resultado é South Park - The Stick of Truth, para PS3, Xbox 360 e PC.

A história do game gira em torno do Cajado da Verdade, um artefato que dá ao usuário poderes para controlar todo o universo! Atualmente, o Cajado está em posse do líder dos humanos, o mago Cartman e seus aliados: a princesa Kenny e o paladino Butters. Porém, o rei dos elfos, Kyle, acredita que não é seguro manter um item tão poderoso com os humanos e pretende tomá-lo com a ajuda do ranger Stan e do bardo Jimmy. Tudo muda com a chegada de um novo garoto, que ambos os lados acreditam ter o poder para conquistar a vitória final. Claro que esse Novato é o jogador (ou seja, você).

A princípio, essa premissa estilo Senhor dos Anéis parece estranha, mas tudo não passa de uma grande brincadeira dos garotos. As armaduras são fantasias, as espadas são de madeira ou papelão, os itens de cura são salgadinhos e refrigerantes e o próprio Cajado da Verdade é apenas um graveto. Por outro lado, existe uma ameaça real que irá surgir com o desenrolar da trama.

Em termos de jogabilidade, South Park - The Stick of Truth é um RPG de turnos à moda antiga, baseado em ataques, magias, itens de cura e status especiais. O sistema é simples, mas com alguns toques de complexidade (é preciso apertar o botão no tempo certo para aumentar a força dos golpes e defesas). É possível customizar a aparência do Novato, no entanto, será sempre um menino, não é possível escolher uma menina. O game não tem dublagem brasileira, mas vem com legendas e menus em português. A tradução foi muito bem feita, mantendo a maioria dos nomes e termos do desenho, além de palavrões sem censura, afinal, não seria South Park sem palavrões.

A principal característica do jogo é ser extremamente fiel ao seu material original, partindo do princípio que os jogadores já estão familiarizados com os personagens e o mundo que habitam. Para onde quer que se olhe, há uma referência a algum episódio. As piadas são as mesmas da TV (na verdade, há anos não me divirto tanto assim com o desenho), o que significa que se você não gosta do humor da série, provavelmente não vai gostar do game.

Em resumo, South Park - The Stick of Truth é um game muito divertido, com um bom sistema de batalha e muito (mas muito mesmo) humor ácido, mas eu vejo como um grande fanservice. Para quem curte o desenho, é imperdível. Se não for o seu caso, pode não ser o jogo mais adequado para você.

14 de jun de 2014

[Conto] O Gato no Muro

Esse foi o meu primeiro conto a ser publicado em uma antologia: Lugares Distantes. Com o fim da editora Infinitum, decidi postá-lo aqui no blog. O texto foi revisado, mas não reescrito. A história continua a mesma.
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Quando saiu no início da noite, Lucas disse aos pais que iria dormir na casa de seu amigo, Edu. Nada que pudesse preocupá-los. Eduardo tinha o hábito de reunir seus colegas de classe para noitadas de filmes e videogame; além disso, os pais do garoto sempre ficavam de olho na molecada. Lucas sabia que era uma péssima ideia dizer a eles quais eram seus verdadeiros planos: uma aventura vazia e infantil para provar sua masculinidade.

12 de jun de 2014

Capa e pré-venda de Mundos - Volume 2

A editora Buriti divulgou a bela capa da antologia Mundos - Vol. 2, da qual vou participar com o conto "O Campo dos Vaga-Lumes". A editora já iniciou a pré-venda com desconto, frete grátis e parcelamento no cartão.

Aqui a lista com os autores participantes e abaixo tem o link para quem quiser fazer a pré-compra.

Autores:

Fernando Medici
Lucas Maziero
Caroline Policarpo
Jota Marques
Rubem Cabral
Davi M. Gonzales
Daniel I. Dutra
Verônica S. Freitas
Maurício Kanno
Joe de Lima

7 de jun de 2014

[Resenha] O Aprendiz de Assassino, de Robin Hobb

Apesar de lá fora, Robin Hobb ser uma referência em literatura fantástica, admito que nunca tinha lido nada da autora e confesso que essa obra só  entrou na minha lista pela sinopse, que me lembrou uma série de games da qual sou fã: Assassin’s Creed (de fato, eu não me surpreenderia se descobrisse que os jogos foram baseados nesse livro).  No fim, o resultado foi uma leitura que me surpreendeu e me agradou em vários aspectos!

Escrito por Robin Hobb — um dos pseudônimos da autora Margaret Astrid Lindholm Ogden — e publicado originalmente em 1995, O Aprendiz de Assassino é o primeiro volume da Saga do Assassino (The Farseer Trilogy).

O livro conta a história do jovem FitzCavalaria Visionário. Filho bastardo do príncipe Cavalaria, o garoto é levado para viver em Torre do Cervo, onde acaba sendo criado pelo cocheiro Bronco. Visto por muitos como um intruso na corte e considerado responsável pela queda de seu pai, Fitz é designado pelo Rei Sagaz para se tornar discípulo do misterioso Breu e ser treinado na arte do assassinato diplomático, ou seja, executar alvos políticos sem deixar vestígios. Ao mesmo tempo, os reinos dos Seis Ducados são assolados pelos ataques cada vez piores dos Navios Vermelhos, que deixam para trás cidades arrasadas e vitimas reduzidas a um estado selvagem.

Embora possa ser classificado como fantasia medieval, O Aprendiz de Assassino é mais pé no chão do que a maioria das obras do gênero. A ambientação é muito mais próxima de como a vida na idade média deve ter sido realmente, com a lama e o luxo convivendo lado a lado. Existem duas habilidades fora do normal que estão mais para poderes psíquicos do que magia: o Talento, uma espécie de telepatia avançada e prestigiada; e a Manha, que é a capacidade de se conectar com as mentes de pessoas e animais.

Ainda sobre esses poderes especiais, consta que O Aprendiz de Assassino nasceu de uma ideia básica de Robin Hobb: “e se a magia fosse viciante?”. Assim, o Talento e a Manha exercem um efeito quase intoxicante no usuário. O melhor reflexo disso é Veracidade.

O livro é narrado em primeira pessoa em tempo passado. Tudo indica que se trata de um Fitz maduro e calejado nos contando a história de sua vida. É notável como a autora conseguiu captar com perfeição os anseios e frustrações de um garoto adolescente, em especial no que diz respeito à relação de Fitz e Moli Veleira, seu primeiro amor. É difícil não simpatizar com o jovem e sua trajetória difícil. Tirando uma aptidão natural para a Manha (habilidade que não é muito bem vista), o rapaz é uma pessoa comum obrigada a enfrentar uma dura e sofrida jornada. Uma curiosidade é que ele jamais chega a conhecer o pai.

A narrativa evolui num ritmo devagar, mas envolvente. Os cenários são descritos em detalhes e de forma a fazer o leitor mergulhar no ambiente, enquanto as descrições de personagens fazem um belo uso de meta-linguagem, baseando-se nas impressões que causam e não na aparência. Como vocês já devem ter percebido, a maioria dos nomes tem significados ligados à personalidade. Méritos para a editora Leya, que acertou em traduzir os nomes para o português, caso contrário, os mesmos teriam perdido muito de sua força.

Antes de terminar, vale destacar que os amantes de cachorros têm um  par de razões a mais para ler essa obra: Narigudo e Ferreirinho, os dois cães de Fitz. Mais que mascotes, ambos são personagens realmente importantes no livro. Com uma boa narrativa, personagens interessantes e um clímax eletrizante, O Aprendiz de Assassino é uma excelente leitura e superou minhas expectativas. Recomendado!

A Saga de FitzCavalaria continua em O Assassino do Rei

O APRENDIZ DE ASSASSINO
Autora: Robin Hobb
Páginas: 416
Lançamento: 1996 (no Brasil, 2012)
Editora: Leya