1 de jun de 2013

O gênero Dark Fantasy

Está no ar Serpente de Fogo, série literária de minha autoria. Quem leu o post que fiz aqui no blog falando sobre esse novo projeto viu que classifiquei essa história como pertencente ao gênero dark fantasy, ou em bom português, fantasia sombria. O que nos leva a questão: que raio vem a ser isso?

Bom, definir gêneros não é uma tarefa das mais fáceis. As regras não costumam ser muito claras e sempre (sempre) há exceções. Em suma, essa é uma classificação um tanto ambígua e depende muito do próprio autor do texto (nesse caso, eu). Voltando a nossa questão principal, para entender o que é dark fantasy é preciso ter em mente um outro gênero de histórias: a fantasia medieval.

Acredito que qualquer leitor desse blog esteja familiarizado com o termo fantasia medieval, que é usado para definir aquela classe de contos que apresentam uma versão fantástica da idade média. As histórias desse gênero costumam ser aventuras alegóricas onde o bem vence o mal, normalmente com ajuda de um pouquinho de magia. O típico herói de fantasia medieval é o cavaleiro de armadura brilhante que derrota o dragão para salvar a donzela em perigo. O maior exemplo desse tipo de histórias são as lendas do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda.

A fantasia sombria surge como uma derivação da fantasia medieval, nascendo do desejo de contar essas mesmas histórias sob uma visão adulta. Saem as alegorias, entram o clima pesado e temas mais maduros. A linha que separa o bem e o mal já não é tão clara, e há uma presença maior de conteúdo sexual. Naturalmente, essa definição exclui qualquer trama ambientada no mundo moderno. Já vi quem considerasse obras como Entrevista com o Vampiro como dark fantasy, mas eu, pessoalmente vejo essa classe de histórias como parte de um gênero diferente (não é tarefa das mais fáceis, lembram?).

No mundo da literatura, atualmente a maior referência em fantasia sombria é a saga As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin que começa no livro Guerra dos Tronos (editora Leya). Em 2011, essa obra foi adaptada para a TV em uma bem sucedida série da HBO. Mesmo com a popularidade da saga de Martin, talvez o maior expoente da dark fantasy na literatura seja a obra de Michael Moorcock, Elric de Melniboné. Ainda que pouco conhecidos por aqui, os livros do anti-herói albino, Elric são extremamente populares nos Estados Unidos e Europa. Outro trabalho de destaque é a Saga do Bruxo, do autor polonês Andrzej Sapkowski que teve dois livros publicados no Brasil pela Martins Fontes: O Último Desejo e A Espada do Destino. A Saga do Bruxo também ganhou o mundo dos games na série de jogos The Witcher.

O cinema também já bebeu muitas vezes nessa fonte. Um dos primeiros grandes filmes de destaque é o clássico oitentista O Príncipe Guerreiro (1982), do diretor Don Coscarelli. Em tempos recentes, tivemos produções como o longa animado A Lenda de Beowulf (2007), de Robert Zemeckis e Anjos da Noite 3: A Rebelião (2009), com Michael Sheen e Rhona Mitra. Outro sucesso na telona foi Branca de Neve e o Caçador (2012), com Kristen Stewart, Charlize Teron e Chris Hemsworth. E apesar de não terem todos os elementos da nossa definição de fantasia sombria, O 13º Guerreiro (1999) e O Pacto dos Lobos (2001) figuram com frequência em listas de melhores filmes do gênero.

Chegando ao mundo dos quadrinhos, o maior ícone dark fantasy é o nosso velho amigo Conan (vivido no cinema por Arnold Schwarzeneger e mais tarde por Jason Momoa). No Brasil, a  era de ouro do bárbaro foi na saudosa revista da Abril Jovem, A Espada Selvagem de Conan, que durou mais de 200 edições! Outro ícone desse gênero é a exuberante Red Sonja (que até ganhou um filme pra lá de suspeito em 1985, estrelado por Brigitte Nielsen). Mesmo sendo uma personagem bem conhecida por aqui, apenas poucas histórias da heróina chegaram à nossas bancas. Também merece destaque a HQ francesa Arawn (inédita no Brasil), com roteiro de Ronan Le Breton e a arte espetacular de Sébastien Grenier.

Na Terra do Sol Nascente, podemos destacar Berserk, de Kentaro Miura, mangá que já conta com 36 volumes e ainda está em publicação, enquanto o anime teve 25 episódios; Claymore, de Norihiro Yagi, com 23 volumes de mangá e uma adaptação para a TV com 26 episódios; e RG Veda, do Clamp, mangá que durou 10 volumes e ganhou uma pequena versão anime com apenas 2 episódios.

Ufa! É isso aí, agora você não pode dizer que não conhece o gênero fantasia sombria. Claro que existe muito mais material por aí. Se você conhece outro livro, filme, série de TV, anime, quadrinho ou etc. que merece destaque, deixe a dica nos comentários.

Até!

4 comentários:

  1. Pra mim existe uma vertente muito forte de fantasia urbana que é bem sombria, tendo como maior representante o Neil Gaiman de Deuses Americanos e Lugar Nenhum.

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  2. Não conheço quase nada sobre o gênero, pois figura raramente em minhas leituras. Estou curioso para ler sua série, já que não tenho tantas referências assim. Tenho vontade de ler Claymore, parece ser interessante.

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