25 de fev de 2015

De Casa Nova

Olá, todo mundo! Não se confundam, o banner e o endereço podem ser outros, mas este é o bom velho Blog do Joe de Lima. O que acontece é que devido a um erro de servidor (ao menos eu acho que seja isto), não é mais possível compartilhar os links do meu blog tradicional no Facebook, uma plataforma que sempre foi muito importante para mim em termos de divulgação.

E como todo blogueiro sabe: divulgação é tudo! Por essa razão, o jeito foi fazer as malas e partir para encontrar uma nova moradia.

Sejam bem-vindos ao Desatinos por Escrito, minha nova casa na blogosfera!

A boa notícia é que todas as postagens, comentários e conteúdo do Blog do Joe de Lima está aqui. O velho continuará sendo atualizado por algum tempo, mas peço a todos que passem a acessar a partir deste novo endereço. Peço também que curtam, compartilham, comentem e, acima de tudo, sintam-se à vontade nesse novo lar!

21 de fev de 2015

[Resenha] Leviathan Wakes, de James S. A. Corey

Muita gente ainda torce o nariz para os e-books. Pessoalmente, eu também prefiro os livros impressos, não tenho nada contra os virtuais. Ao contrário, graças ao crescimento dos sites de venda de livros digitais, não é mais preciso esperar que as editoras brasileiras importem aquela obra que você tanto quer ler (é claro que ainda existe a questão do idioma).

No meu caso, a obra em questão é Leviathan Wakes, inédita no Brasil (situação que pode mudar, já que uma adaptação para a TV está em produção). Este é o primeiro volume da série de alta ficção cientifica The Expanse, escrita por dois autores: Daniel Abraham e Ty Franck sob o pseudônimo James S. A. Corey. Nessa resenha vou manter os termos de acordo com a versão original, em inglês.

A trama de Leviathan Wakes se passa alguns séculos no futuro e, embora ainda não existam viagens interestelares, todo o Sistema Solar foi colonizado. Nesse cenário, existem duas forças dominantes em constante tensão: Terra e Marte (que fique bem claro que os marcianos do livro não são alienígenas, mas sim humanos que nascem e vivem nas colônias do planeta); além destes, uma terceira facção vem ganhando força: a OPA (Outer Planets Aliance), organização que comanda o Cinturão de Asteroides, onde vivem os Belters, cuja sociedade foi erguida em estações espaciais e em cidades construídas no interior dos asteroides maiores.

O livro acompanha duas tramas paralelas: no asteroide Ceres, o detetive John Miller aceita a tarefa de encontrar uma jovem desaparecida chamada Julie Mao, a filha rebelde de um dos homens mais ricos do Sistema Solar. Ao mesmo tempo, no espaço, uma nave cargueira é alvo de um ataque e apenas cinco membros da tripulação conseguem escapar: o imediato James Holden, a especialista em comunicações Naomi, o mecânico Amos, o piloto Alex e Shed, um médico. Enquanto busca respostas para o que aconteceu com sua nave, Holden torna-se acidentalmente o pivô de um evento que deflagra uma guerra entre Terra e Marte. O confronto, no entanto, pode não passar de um subterfúgio para esconder um segredo capaz de abalar o Sistema Solar.

Olhando assim, o cenário de Leviathan Wakes parece demasiadamente complexo, mas as intrigas políticas ficam em segundo plano na maior parte do tempo, favorecendo cenas de ação e tensão que vão de tiroteios a confrontos de naves espaciais, em cenas que evocam, hora Star Wars, hora Jornada nas Estrelas.

Esse livro é um dos melhores exemplos de narrativa cinematográfica que já vi. O ritmo é rápido e as reviravoltas são constantes. Os capítulos acompanham alternadamente os pontos de vista de Holden e Miller, personagens que não poderiam ser mais diferentes. Holden é um cowboy do espaço: jovem, idealista, temerário e metido a conquistador; ao passo que Miller é um detetive noir: veterano, amargo e de espírito quebrado. As sequências em que os dois estão juntos são as melhores de Leviathan Wakes; afinal, uma coisa é estar dentro da cabeça de um personagem e entender que motivos o levaram a agir, outra coisa é ver a ação pura e simples pelo ponto de vista de outra pessoa.

O maior defeito do livro é o fato de seus personagens serem um pouco planos demais, com poucas camadas de personalidade. Ainda assim, a construção de mundo e a trama interessante compensam esse ponto negativo.

Leviathan Wakes é acima de tudo, um livro muito divertido. Para quem não tem problema com a língua inglesa, fica a dica. Para os demais, fica a torcida para que essa obra apareça em nossas livrarias. Recomendado!

LEVIATHAN WAKES
Autor: James S. A. Corey
Lançamento: 2011
Páginas: 448
Editora: inédito no Brasil

31 de jan de 2015

[Resenha] A Fúria do Assassino, de Robin Hobb

Terceiro (e último) volume da Saga do Assassino (The Farseer Trilogy), A Fúria do Assassino fecha a série criada pela autora Robin Hobb (Margaret Astrid Lindholm Ogden), iniciada em O Aprendiz de Assassino e que teve continuação em O Assassino do Rei. Essa resenha contém spoilers dos volumes anteriores, mas não deste.

A Fúria do Assassino começa pouco depois do desfecho de O Assassino do Rei: a busca de Veracidade pelos Antigos deu início a uma luta desesperada de FitzCavalaria para impedir a ascensão de Majestoso ao trono, mas ele acaba sofrendo uma derrota que lhe custa tudo, inclusive a vida.

Vamos reencontrar Fitz após seu milagroso retorno da morte como um homem sombrio e amargurado, assombrado pelas consequências de seu fracasso e tendo de se esconder daqueles que ama. Ao mesmo tempo, o caos toma conta dos Seis Ducados. Enquanto os Navios Vermelhos dão início a uma invasão total, Fitz e Olhos-de-Noite partem numa viagem com dois objetivos: assassinar Majestoso e encontrar Veracidade, onde quer que esteja.

E assim, chegamos ao final da saga de FitzCavalaria Visionário. Quem já leu algumas séries literárias sabe que o encerramento costuma ser um momento delicado e este livro não é uma exceção à regra. A Fúria do Assassino difere dos volumes anteriores em vários aspectos, sendo o mais fantasioso em uma série que se caracterizou por manter o pé no chão. Felizmente, essa transição de atmosfera é feita de forma bastante competente pela autora, sem atrapalhar a experiência.

As intrigas de poder e a Torre do Cervo (onde a maior parte da história havia se passado até então) saem de cena para dar lugar a um dos elementos mais tradicionais da literatura de fantasia: a jornada. A longa viagem de FitzCavalaria nos permite ver como a invasão e a sucessão de poder afetaram a gente comum dos Seis Ducados. Naturalmente, essa mudança de foco trouxe uma dúzia de personagens novos, enquanto velhos conhecidos ficaram de lado: Moli, Bronco, Breu e Paciência pouco aparecem.

Dos novos rostos, os maiores destaques são Panela, uma mulher idosa e cheia de segredos; e Esporana, uma jovem e bela menestrel errante que se tornou uma das minhas personagens favoritas de toda a série.

Se por um lado, tantas mudanças expandem a ambientação de uma forma bem vinda, durante a primeira metade do livro fiquei sempre com a sensação de estar lendo outra coisa e não a Saga do Assassino. Porém, soa mais como um conto de FitzCavalaria a partir do retorno de Bobo e também de Kettricken, que mais uma vez, prova ser uma das melhores personagens femininas da literatura fantástica.

Mas se há algo que me incomodou foi o fato de Rosamaria ter desaparecido da história. No começo do volume, Fitz reafirma suas suspeitas de que ela seja uma espiã e assassina; essa dúvida, porém, nunca é comprovada, nem desmentida já que Rosamaria sequer volta a ser citada, ficando a impressão que a autora simplesmente a esqueceu. Isso não chega a prejudicar a leitura, mas ainda assim, é um ponto negativo.

Os capítulos finais do livro levam a reflexões muito interessantes sobre a natureza das relações humanas e o clímax ganha um tom épico que eu jamais teria esperado.

Apesar da mudança de ambientação causar estranheza no início, A Fúria do Assassino fecha com chave de ouro essa excelente série! Mais que recomendado!

A FÚRIA DO ASSASSINO
Autora: Robin Hobb
Páginas: 832
Lançamento: 1998 (no Brasil, 2014)
Editora: LeYa

17 de jan de 2015

[Conto] A Marca do Escorpião

Fonte da imagem: http://goo.gl/Pd8OTi
Todos ficaram calados, ouvindo os corvos crocitarem. As aves banqueteavam-se de uma vintena de viajantes mortos. O sangue escorria ainda fresco, tingindo o solo desértico de vermelho; uma indicação de que o massacre fora recente.

A brisa constante lambia a pele queimada de Sol de Al Jaber, emaranhando grãos de areia em sua barba e agitando levemente sua cafia, o pano preso à cabeça por uma fita; o que ele usava exibia estampas quadriculadas e era marrom claro, a mesma cor do abeie, a capa que trazia sobre a túnica branca.

— Que horror! — a voz de Jade tremeu. O xador púrpura que vestia lhe cobria o corpo e o rosto, deixando apenas a testa e os olhos de cílios longos à mostra. Olhos que procuraram os de Al Jaber com uma expressão aflita.

10 de jan de 2015

Serpente de Fogo: Ascenção #01 de 03

Hoje trago a vocês o lançamento de Serpente de Fogo: Ascenção, minissérie em três partes que traz um final alternativo para três personagens de Serpente de Fogo. Clique na capa para saber mais.


3 de jan de 2015

Chamada para a antologia Maravilhosas Distopias

A editora Novo Romance está com inscrições abertas para a antologia Maravilhosas Distopias, organizada por Mauricio Coelho. Os interessados em participar, devem também preencher uma ficha de inscrição que pode ser acessada clicando aqui e enviá-la juntamente com o texto e uma minibiografia para o e-mail antalogiasednovoromance@gmail.com com cópia para moccoelho@gmail.com

Zygmunt Bauman já prevê o fim da democracia, mas não consegue dizer de que forma. O mundo já não aguenta tanta desigualdade. Este famoso sociólogo polonês, vai contra as palavras da ficção cientifica que enxergam um futuro nebuloso, encoberto por brumas de mil megatons, repleto da mais intensa desigualdade e realidades múltiplas; um mundo que cada vez mais caminha para as profundezas, rumo às distopias de Aldous Huxley e George Orwell.

Os contos reunidos nessa antologia procuram demonstrar o que está por trás dessa cortina nebulosa que só autores de ficção científica conseguem ver: futuros nada agradáveis numa realidade muito próxima do que antes chamavam de distopia.

A data limite de envio é 31 de março.

25 de dez de 2014

Melhores de 2014

Como o ano está chegando ao fim, hora daquela postagem com o que teve de melhor na cultura pop em 2014, ao menos, na minha opinião. E a opinião de vocês? Concordam com a lista?



Melhores de 2014

MELHOR LIVRO: O Assassino do Rei, de Robin Hobb


O segundo volume da Saga do Assassino é, para mim, o melhor da série. Lançado nos EUA em 1997 e no Brasil esse ano, o livro dá continuidade à dura jornada de FitzCavalaria, bastardo e assassino real. Com o Rei Sagaz doente e às portas da morte, Fitz está cada vez mais envolvido no complexo jogo de poder de seus tios: o Príncipe Herdeiro Veracidade e o ambicioso Príncipe Majestoso. O rapaz ainda se vê às voltas com um romance proibido, além de ser colocado na linha de frente das batalhas contra terríveis Navios Vermelhos (leia a resenha completa).


MELHOR FILME PIPOCA: Guardiões da Galáxia



Mais do que tudo, esse filme foi uma aposta da Marvel, uma tentativa de descobrir se seria possível emplacar um sucesso com heróis desconhecidos. Aposta ganha! Liderados pelo terráqueo Starlord (“Quem?”), os Guardiões da Galáxia são um grupo de foras-da-lei que se reúne para impedir que um artefato de poder inimaginável caia nas mãos de Ronan, O Destruidor. Com uma trilha sonora à altura, o longa resgata o clima das comédias de aventura dos anos 1980 e tem no elenco Chris Pratt, Zoe Saldana, Bradley Cooper e Vin Diesel.


MELHOR FILME ALTERNATIVO: Teorema Zero



Aqui, o diretor e roteirista Terry Gilliam retorna à sua melhor forma. O filme, uma ficção científica surrealista, conta a história do paranoico gênio da computação Qohen Leth, cujo dever é encontrar uma resposta para o Teorema Zero, um enigma matemático que todos acreditam não ter solução. Porém, sua vida regrada é abalada pelas investidas nada sutis da bela Bainsley e a presença do intempestivo Bob. No elenco, destaque para Christoph Waltz, Mélanie Thierry, Tilda Swinton e Matt Damon.


MELHOR HQ DE SUPERS: Loki – Agent of Asgard


A revista acompanha um Loki renascido (com uma aparência que lembra muito a dos filmes) trabalhando para Asgard como uma espécie de agente secreto mágico. Para cada missão cumprida, um de seus antigos crimes é apagado dos registros asgardianos. Com roteiro de Al Ewing e arte de Lee Garbett, a HQ se destaca pelas tramas inteligentes, diálogos bem sacados e pela irreverência; o narrador até ensina uma receita em uma das edições, com direito a dicas de preparo e tudo.


MELHOR ANIME/MANGÁ: Mushishi Zoku Shou



No ano em que um dos meus animes favoritos retorna após um longo hiato, não podia dar outra coisa. A série acompanha as andanças de Ginko, um especialista em criaturas misteriosas conhecidas como mushis, ao redor de vales e aldeias esquecidas pelo tempo no interior do Japão. Mais que ajudar a lidar com os mushis, Ginko se depara com diversos dramas pessoais por onde passa. O anime apresenta cenários belíssimos e uma trilha sonora simples, mas envolvente.


MELHOR SÉRIE DE TV: The Leftovers – 1ª Temporada



A história começa três anos após o Arrebatamento, quando 2% da população mundial desapareceu sem deixar rastro. É nesse cenário que vemos a luta diária do chefe de policia Kevin Garvey para manter a ordem na pequena cidade de Mapleton, onde a tensão crescente pode levar a uma tragédia. Com um enredo forte, a série acerta ao se afastar do mistério e focar nos dramas e dilemas pessoais e morais dos personagens. Destaque no elenco para Justin Theroux, Liv Tyler e Christopher Ecclestone (leia a resenha completa).


MELHOR GAME: South Park – The Stick of Truth



Esse foi ano fraco em matéria de games, mas isso não diminui em nada os méritos desse jogo, escrito e produzido pelos próprios criadores do desenho em parceria com a Ubisoft. Na trama, assumimos o papel do Novato, um garoto recém-chegado à cidade, que logo se vê envolvido na guerra entre humanos e elfos pela posse do Cajado da Verdade, o que não passa de uma brincadeira das crianças. O game é um RPG de turno e remete aos clássicos do gênero. Como esperado de South Park, o humor é ácido e algumas piadas são bem pesadas (leia a resenha completa).