25 de dez de 2014

Melhores de 2014

Como o ano está chegando ao fim, hora daquela postagem com o que teve de melhor na cultura pop em 2014, ao menos, na minha opinião. E a opinião de vocês? Concordam com a lista?



Melhores de 2014

MELHOR LIVRO: O Assassino do Rei, de Robin Hobb


O segundo volume da Saga do Assassino é, para mim, o melhor da série. Lançado nos EUA em 1997 e no Brasil esse ano, o livro dá continuidade à dura jornada de FitzCavalaria, bastardo e assassino real. Com o Rei Sagaz doente e às portas da morte, Fitz está cada vez mais envolvido no complexo jogo de poder de seus tios: o Príncipe Herdeiro Veracidade e o ambicioso Príncipe Majestoso. O rapaz ainda se vê às voltas com um romance proibido, além de ser colocado na linha de frente das batalhas contra terríveis Navios Vermelhos (leia a resenha completa).


MELHOR FILME PIPOCA: Guardiões da Galáxia



Mais do que tudo, esse filme foi uma aposta da Marvel, uma tentativa de descobrir se seria possível emplacar um sucesso com heróis desconhecidos. Aposta ganha! Liderados pelo terráqueo Starlord (“Quem?”), os Guardiões da Galáxia são um grupo de foras-da-lei que se reúne para impedir que um artefato de poder inimaginável caia nas mãos de Ronan, O Destruidor. Com uma trilha sonora à altura, o longa resgata o clima das comédias de aventura dos anos 1980 e tem no elenco Chris Pratt, Zoe Saldana, Bradley Cooper e Vin Diesel.


MELHOR FILME ALTERNATIVO: Teorema Zero



Aqui, o diretor e roteirista Terry Gilliam retorna à sua melhor forma. O filme, uma ficção científica surrealista, conta a história do paranoico gênio da computação Qohen Leth, cujo dever é encontrar uma resposta para o Teorema Zero, um enigma matemático que todos acreditam não ter solução. Porém, sua vida regrada é abalada pelas investidas nada sutis da bela Bainsley e a presença do intempestivo Bob. No elenco, destaque para Christoph Waltz, Mélanie Thierry, Tilda Swinton e Matt Damon.


MELHOR HQ DE SUPERS: Loki – Agent of Asgard


A revista acompanha um Loki renascido (com uma aparência que lembra muito a dos filmes) trabalhando para Asgard como uma espécie de agente secreto mágico. Para cada missão cumprida, um de seus antigos crimes é apagado dos registros asgardianos. Com roteiro de Al Ewing e arte de Lee Garbett, a HQ se destaca pelas tramas inteligentes, diálogos bem sacados e pela irreverência; o narrador até ensina uma receita em uma das edições, com direito a dicas de preparo e tudo.


MELHOR ANIME/MANGÁ: Mushishi Zoku Shou



No ano em que um dos meus animes favoritos retorna após um longo hiato, não podia dar outra coisa. A série acompanha as andanças de Ginko, um especialista em criaturas misteriosas conhecidas como mushis, ao redor de vales e aldeias esquecidas pelo tempo no interior do Japão. Mais que ajudar a lidar com os mushis, Ginko se depara com diversos dramas pessoais por onde passa. O anime apresenta cenários belíssimos e uma trilha sonora simples, mas envolvente.


MELHOR SÉRIE DE TV: The Leftovers – 1ª Temporada



A história começa três anos após o Arrebatamento, quando 2% da população mundial desapareceu sem deixar rastro. É nesse cenário que vemos a luta diária do chefe de policia Kevin Garvey para manter a ordem na pequena cidade de Mapleton, onde a tensão crescente pode levar a uma tragédia. Com um enredo forte, a série acerta ao se afastar do mistério e focar nos dramas e dilemas pessoais e morais dos personagens. Destaque no elenco para Justin Theroux, Liv Tyler e Christopher Ecclestone (leia a resenha completa).


MELHOR GAME: South Park – The Stick of Truth



Esse foi ano fraco em matéria de games, mas isso não diminui em nada os méritos desse jogo, escrito e produzido pelos próprios criadores do desenho em parceria com a Ubisoft. Na trama, assumimos o papel do Novato, um garoto recém-chegado à cidade, que logo se vê envolvido na guerra entre humanos e elfos pela posse do Cajado da Verdade, o que não passa de uma brincadeira das crianças. O game é um RPG de turno e remete aos clássicos do gênero. Como esperado de South Park, o humor é ácido e algumas piadas são bem pesadas (leia a resenha completa).

30 de nov de 2014

Daemonicus - lançamento Literata

Lançada oficialmente na Bienal do Livro 2014 de São Paulo, Daemonicus - Histórias Fantásticas de Demônios é uma antologia de contos que serve de complemento à Angelus - Histórias Fantásticas de Anjos. Essa nova coletânea traz contos de 15 autores, eu participo com o conto "Cinco Sombras".

Abaixo segue a lista dos autores e seus textos, além do link para compra e outros. Boa leitura!


- Felipe Pires – O Encarregado do Diabo;
- Felipe Leonard – A Raposa Vermelha;
- Gutemberg Fernandes – Abraxas; 
- Joe de Lima – Cinco Sombras;
- Kasumi Himura – Onna;
- Suzy M. Hekamiah – O Vento Árabe;
- Ren Deville – Espelhos;
- João Rogaciano – Jinni, o Demônio Destruidor;
- Josy Alves – A Canção do Incubus;
- Luiz Teodosio – Por isso eu gosto da cidade;
- João Victor Burgos Fernandes – O Diabo na Garrafa;
- Douglas Briganti – O Homem do Terno Branco;
- Alexandre Rofer – O Portador da Luz;
- Jerri Dias – A Troca;
- Leandro Zerbinatti de Oliveira – A Face de Hannya



16 de nov de 2014

Top 5 - Séries de TV Canceladas na 1ª Temporada

Adoro seriados (para quem ainda não percebeu, no final da barra lateral tem uma playlist com os shows que acompanho no momento) e a boa notícia é que recentemente vimos um aumento no número de boas séries, muitas delas com uma produção que não deixa nada a desejar a qualquer filme. Infelizmente, existe sempre uma ameaça para os seriadores: gostar de show novo e este ser cancelado prematuramente. Aqui vai um Top 5 com séries que curti, mas que não viveram para uma segunda temporada.

5 - Selfie (2014)



Adaptação livre de My Fair Lady, Selfie  contava a história de Eliza Dooley (a ex-Doctor Who Karen Gillan), uma viciada em redes sociais que cai em desgraça quando um vídeo constrangedor em que ela aparece vai parar na internet. Eliza descobre que não têm amigas de verdade e procura o especialista em marketing Henry Higgs (John Cho) para recriar sua imagem.

Cancelada recentemente, Selfie foi a série que me inspirou a elaborar essas lista. A série tinha um humor focado na ironia e recheado de referências a cultura pop. Acabou não caindo no gosto do público, sendo cancelada no sétimo episódio e engrossando meu histórico ruim com comédias.

4 - Flash Forward (2009)



Flash Forward girava em torno de um misterioso evento em que toda a população mundial perdeu os sentidos por cerca de dois minutos, experimentando visões sobre onde estariam numa data específica, seis meses no futuro. Uma equipe de investigadores é criada para descobrir as causas do evento enquanto tentam impedir que visões catastróficas se tornem realidade. No elenco, destaque para Joseph Fiennes e (pela segunda vez nesta lista) John Cho como investigadores e Dominic Monaghan como antagonista.

Flash Forward surgiu com grandes pretensões, sendo muito comparada na época com Lost. Porém, mudanças constantes no comando do show levaram a problemas no roteiro e a um longo hiato. Após uma excelente estréia, a audiência despencou rapidamente e a série que chegou com tudo se retirou pela porta dos fundos.

3 - The Michael J. Fox Show (2013)



A comédia contava a história de Mike Henry (Marty McFly em pessoa), um famoso jornalista que se sofre do Mal de Parkinson e decide retomar a carreira após anos afastado das telas. Mike ainda precisa lidar com os problemas de sua família disfuncional: a esposa controladora Annie (Betsy Brandt), o desocupado filho Ian, que namora uma mulher mais velha (vivida por Brooke Shields), a filha cheia de manias Eve, o caçula Graham e a irmã na crise meia-idade, Leigh.

Como dá para perceber, nesse show Michael J. Fox interpretava um alter-ego e brincava com sua própria condição. Deixando o lado emocional à parte, eu realmente achava o programa engraçado, com piadas que fugiam do lugar comum. Mas após uma boa estréia, a série viu a audiência baixar a cada episódio e não foi renovada. Realmente, não dou sorte com comédias.

2 - Last Resort (2013)



Quando o submarino nuclear USS Colorado voltava para casa após uma missão, o capitão Marcus Chaplin descobre que ele e sua tripulação serão usados como bode expiatório e levarão a culpa de um ataque secreto do governo americano contra o Paquistão. Quando se vê sem meios de provar sua inocência, a tripulação toma o controle de Sainte Marina, uma ilha no oceano Índico e se declara como uma nação independente. O capitão alerta os líderes mundiais que pretende usar o poderio nuclear do submarino ao menor sinal de perigo.

Last Resort chegou como uma série ambiciosa, com uma produção impecável e um enredo ousado. O show recebeu excelentes criticas e conquistou uma legião de fãs. Porém, devido ao valor dos custos, o canal ABC estabeleceu metas de audiência que, mesmo os altos índices do programa não conseguiram alcançar. A série foi encerrada com 13 episódios.

1 - Camelot (2011)



Após a morte do Rei Uther, seu conselheiro, o mago Merlin (Joseph Fiennes, por aqui outra vez) parte em busca do herdeiro Arthur Pendragon, que vive com uma família adotiva sem saber de seu sangue real. Merlin auxilia o rapaz a conquistar a espada Excalibur e o leva para Camelot, onde iniciam a construção de um novo reinado, sob a ameaça constante da bela e diabólica feiticeira Morgana (Eva Green), filha ilegítima de Uther que reivindica para si o trono de Arthur e conta com o apoio do implacável rei guerreiro Lot (James Purifoy).

Lançada em 2011 como uma concorrente de Game of Thrones (que ainda não havia estreado), Camelot buscava inspiração em diversas fontes para apresentar uma versão nova da lenda do Rei Arthur. Com um elenco de primeira grandeza, o show dividiu a crítica, mas alcançou bons índices de audiência e os produtores faziam planos para muitas temporadas. Porém, conflitos de agenda de boa parte do elenco tornaram a gravação de novos episódios inviável. O impasse acabou levando a um cancelamento prematuro do show.

1 de nov de 2014

Mundos Vol. 2 - lançamento Buriti

Já está disponível para a compra no site da editora Buriti, a antologia Mundos Vol. 2, da qual participo com o conto "O Campo dos Vaga-Lumes". Abaixo segue um pouco mais sobre o livro e o link para quem quiser adquirir. Boa leitura!

Após o grande sucesso de ‘Mundos’, a coleção temática segue com este surpreendente segundo volume. Reunidos nesta antologia estão dez histórias recheadas de suspense, aventura, drama e intriga, ótimos ingredientes para uma grande ficção!

Páginas: 162
Autores: Fernando Medici, Lucas Maziero, Caroline Policarpo, Jota Marques, Rubem Cabral, Davi M. Gonzales, Daniel I. Dutra, Verônica S. Freitas, Maurício Kanno e Joe de Lima.
Acabamento: brochura
Tamanho: 14 x 21 cm

26 de out de 2014

[Resenha] O Assassino do Rei, de Robin Hobb

O Assassino do Rei é o segundo volume da Saga do Assassino, série de fantasia da autora Robin Hobb (pseudônimo da escritora americana Margaret Astrid Lindholm Ogden), que começou em O Aprendiz de Assassino e conta a dura jornada do jovem FitzCavalaria Visionário. Filho bastardo do finado Príncipe Cavalaria, Fitz foi treinado para se tornar um assassino furtivo.  Durante o casamento de seu tio, o Príncipe Herdeiro Veracidade, frustra os planos que seu outro tio, o Príncipe Majestoso, armou para matar o irmão mais velho e se tornar o sucessor do rei. Porém, essa vitória custou a saúde de Fitz.

O Assassino do Rei começa exatamente onde O Aprendiz de Assassino terminou. Ainda se recuperando dos incidentes ocorridos durante o casamento de Veracidade e Kettricken, FitzCavalaria retorna à Torre do Cervo na companhia de Bronco. Apesar da aparente paz no castelo, os ataques dos Navios Vermelhos crescem em quantidade e violência. Enquanto isso, Fitz já não tem certeza se pode confiar no Rei Sagaz e sabe que é questão de tempo para Majestoso fazer uma nova tentativa de tomar o poder.

A narrativa de Robin Hobb continua bela e cheia de alegorias envolventes. O leitor que estiver acostumado demais à literatura contemporânea pode estranhar o ritmo lento que encontramos aqui, até mais lento do que no primeiro volume, já que esse livro tem quase o dobro de páginas de seu antecessor. Embora haja uma quantidade maior de batalhas e confrontos mais próximos com os Navios Vermelhos, a trama se foca mais nas intrigas da corte e no jogo de poder.

Se antes, Fitz era visto como um pária e só conseguia se provar através de ações marginais, como a Manha e as missões de assassinato, agora o vemos um pouco mais maduro e diante de uma questão presente na vida de todos os jovens adultos: encontrar seu lugar no mundo. Visto cada vez mais como um membro da nobreza, o rapaz está dividido entre ser um bastardo ou um príncipe… ou um lobo.

Assim como no primeiro volume, temos um animal ocupando um papel importante na trama. Desta vez, é Olhos-de-Noite (inicialmente chamado de Lobito), um lobo que sempre tenta convencer Fitz a acompanhá-lo em suas caçadas. Uma interessante metáfora sobre o desejo de liberdade confrontado pelas responsabilidades da vida adulta.

Já no prólogo, o livro começa com Fitz meditando sobre como até então esteve cercado de companhias masculinas, o que já indica que neste volume as mulheres estarão muito mais presentes na vida do rapaz e em vários papéis diferentes: interesses amorosos, cúmplices, figuras maternas e até mesmo inimigas mortais. E quem mais se destaca é Kettricken. Após termos apenas um vislumbre dela em O Aprendiz de Assassino, agora a vemos como uma rainha estrangeira, que tenta se estabelecer em uma corte que a vê como estranha ao mesmo tempo em que se esforça para que o casamento dê certo. Objetivos que ela alcança de forma maravilhosa!

O grande ponto fraco de O Assassino do Rei reside na relação de Fitz e Moli. Aqui, o flerte adolescente evolui para um tórrido romance, porém, pontuado por um excesso de elementos de novela, como o vai-e-vem interminável ou discussões causadas por mal-entendidos.

A própria Moli é o maior senão do livro. Agora uma aia da Dama Paciência, ela se tornou uma moça muito, mas muito chata, que só sabe reclamar de tudo e pouco lembra a menina independente e cheia de atitude do livro anterior (e que era uma das minhas personagens favoritas, mas durante essa leitura, me peguei torcendo para que Fitz a deixasse para ficar com Celeridade).

No entanto, apesar de alguns defeitos, O Assassino do Rei é uma ótima continuação! Não acredito que funcione como uma leitura isolada, mas para quem leu O Aprendiz de Assassino, vale muito a pena. Recomendado!

A saga de FitzCavalaria conclui em A Fúria do Assassino

O ASSASSINO DO REI
Autora: Robin Hobb
Páginas: 736
Lançamento: 1997 (no Brasil, 2014)
Editora: LeYa

3 de out de 2014

Top 5 - Casais Homossexuais

De uns tempos para cá, temos visto um aumento no número de declarações homofóbicas por parte de lideranças políticas e religiosas, o que (somado aos recentes casos de racismo no futebol) mostra que a sociedade brasileira não está tão livre de preconceitos quanto se acreditava.

Na cultura pop, por outro lado, os relacionamentos homossexuais são cada vez mais comuns e os casais, cada vez mais legais. Para esse Top 5, eu usei dois critérios. Como sempre, o primeiro e mais importante, é o meu próprio gosto pessoal; o segundo critério, foi deixar de fora os bromances e as grandes amizades que despertam dúvidas. Tem que realmente existir um romance entre os personagens.

5 - Renly & Loras (Game of Thrones)



Renly Baratheon é o irmão caçula do rei Robert. Com o desenrolar das guerras pelo trono dos Sete Reinos, Renly forja uma aliança com a poderosa Casa Tyrell ao tomar como esposa Margaery Tyrell, irmã de Sor Loras, um dos melhores espadachins do mundo e amante de Renly de longa data. Uma relação que ambos precisam esconder, já que o homossexualismo é considerado pecado em Westeros, ainda sim, comentários ocasionais dão a impressão que esse romance pode não ser tão secreto como eles pensam.

4 - Subaru & Seishirou (Tokyo Babylon/X-1999)



Herdeiro do clã Sumeragi, o tímido Subaru torna-se uma espécie de mago exorcista ainda muito jovem. Ele vive com a irmã gêmea Hokuto e, em suas missões, costuma receber a ajuda de Seishirou Sakurazuka, um veterinário que também possui talentos mágicos. Quando Seishirou perde a visão do olho direito para salvar Subaru, o rapaz percebe seus verdadeiros sentimentos por ele, mas Seishirou não tarda a revelar seu lado sombrio. Os dois se encontram anos mais tarde como inimigos e a relação termina de forma trágica.

3 - Haruka & Yuu (Sakura Trick)



Em seu primeiro dia como colegiais, as amigas Haruka Takayama e Yuu Sonoda querem reforçar o laço que as une, fazendo algo em segredo que apenas elas saberiam. As duas decidem se beijar, mas esse beijo faz despertar um sentimento que, até então, ambas desconheciam. A partir daí, elas vão descobrindo amor à medida em  que a relação se torna mais forte. Além de se esconder de Mituski, a ciumenta irmã mais velha de Yuu, as namoradas quase sempre se vêem em situações inusitadas, muitas delas causadas pela ingenuidade de Haruka.

2 - Dani & Finch (Witchblade/Artifacts)



Apesar de ganhar a vida como professora de dança, Danielle Baptiste também já foi usuária da manopla mística Witchblade. Dani acaba se envolvendo com os problemas de uma de suas alunas, a bissexual Finch, cujo namorado está tentando obrigá-la a trabalhar num bordel para pagar as próprias dívidas. Quando Finch se vê livre graças a Dani, se apaixona por ela. Eventualmente, Dani perde a posse da Witchblade, mas recebe os poderes de Angelus, a entidade guardiã da magia da luz. Depois disso, ela decide se mudar para Nova Orleans, Finch a acompanha e o relacionamento das duas, enfim, se desenrola.

1 - Kieren & Simon (In The Flesh)



Após a humanidade sobreviver a um apocalipse-zumbi, os mortos-vivos "sobreviventes" agora passam por um tratamento para serem reintegrados a sociedade. É caso de Kieren Walker, um zumbi homossexual que tenta levar a vida na pequena cidade de Roarton. Mas essa é uma convivência cercada de preconceitos. É nesse contexto que ele conhece Simon Monroe, um zumbi defensor dos direitos de sua raça. Simon também é seguidor do misterioso Profeta e tem a missão secreta de encontrar o primeiro morto-vivo, que ele acredita ser Kieren. A proximidade e o fascínio de Simon por Kieren faz surgir um romance entre eles.

27 de set de 2014

The Leftovers - 1ª temporada

Quando se fala em The Leftovers, há quem pense que a presença do produtor Damon Lindelof faz dessa série um novo Lost, ou seja, uma trama de mistérios que nunca serão resolvidos. Bom, para quem pensa em assistir esta série, meu conselho é: esqueça Lost, apenas tire da cabeça. Os dois shows nada tem em comum.

Dito isto, The Leftovers é uma adaptação para a TV do livro homônimo de Tom Perrota. O autor assina a co-produção do show e também alguns episódios. Produzida pelo canal Showtime, essa primeira temporada conta com 10 episódios.

A trama começa três anos após um evento conhecido como Arrebatamento, quando 2% da população mundial simplesmente desapareceu sem qualquer explicação, deixando para trás uma sociedade confusa e alquebrada, mergulhada em uma crise existencial que afeta a todos, sem exceção. O que restou para aqueles que ficaram é tentar seguir com a vida em um mundo onde tudo parece ter perdido o sentido.

Estamos em Mapleton, uma pequena cidade suburbana nos arredores de Nova York, que perdeu 100 pessoas no dia do Arrebatamento. É nesse cenário, onde todos conhecem todos, que transitam nossos "heróis". A história se foca na família Garvey, que aparenta não ter perdido ninguém, mas, ainda sim, desmoronou após a data fatídica.

O protagonista da série é Kevin Garvey (Justin Theroux), o chefe da polícia local, que trava uma batalha interna contra a insanidade. Ele sofre "apagões" cada vez mais frequentes e, quando acorda, está em um lugar diferente sem se lembrar de como chegou lá ou o que fez pelo caminho. Kevin vive com a filha adolescente Jill (Margaret Qualley). Problemática e auto-destrutiva, Jill busca apoio em Aimee (Amilly Meade), uma jovem misteriosa que nunca fala da família e praticamente mora na casa da amiga.

Ainda temos, Tommy (Chris Zylka), o filho adotivo dos Garvey, que fugiu de casa para seguir um sujeito chamado Wayne (Paterson Joseph), que se diz um profeta. Perseguido pelo FBI, Wayne encarrega Tommy de proteger sua namorada grávida, Christine (Annie Q).

Para completar, temos Laurie Garvey (Amy Branneman), a ex-esposa de Kevin. Após o Arrebatamento, Laurie abandonou a família para se juntar aos Remanescentes da Culpa. Uma espécie de seita onde todos se vestem de branco, fumam cigarros e são proibidos de falar, comunicando-se através de mensagens em bloquinhos. Os Remanescentes são o elemento mais emblemático da série. De início, podem até despertar certa simpatia pela forma como são perseguidos e agredidos nas ruas, mas a medida que o tempo passa, eles se mostram mais e mais como grandes filhos da mãe!

Outros dois personagens merecem um destaque especial: o reverendo Matt (o ex-Doctor Who Christopher Eccleston) e sua irmã, a assistente social Nora (Carrie Coon).

Matt está convencido que o Arrebatamento não foi uma obra de Deus e tenta provar isso através de panfletos difamatórios, mostrando que muitos dos arrebatados não eram pessoas de boa índole. É um homem que luta para restaurar a fé de sua comunidade, mesmo que tenha que sujar as mãos de vez em quando. Já Nora é quem mais foi afetada pelo Arrebatamento: ela perdeu toda a família (marido e um casal de filhos). Mais adiante, descobrimos que à dor da perda que ela sente, também se soma um sentimento de culpa.

Como dá pra ver, The Leftovers apresenta um mosaico de personagens bem complexo. O próprio Arrebatamento permanece em segundo plano. Para onde as pessoas foram? Por que foram? Talvez nunca saibamos as respostas, mas não importa. Esse não é o tema da série.

Fica evidente o cuidado na escolha do elenco. Todos estão bem à vontade em seus personagens e temos algumas excelentes performances. Destaque para Justin Theroux, Carrie Coon e Ann Dowd (como Patty, a líder dos Remanescentes).

A série ainda se arrisca a fazer algumas experimentações. No 3º episódio, a família Garvey é colocada um pouco de lado e o foco caí quase que exclusivamente em Matt e sua jornada pessoal. O mesmo acontece no episódio 6, focado em Nora. Já no episódio 9, temos uma volta ao passado, aos momentos que antecederam o Arrebatamento (mas mesmo sendo um prelúdio, não recomendo ver esse episódio antes dos demais).

Pra concluir esse post, que ficou maior que esperava, The Leftovers é um drama complexo e sem soluções simples. É uma série que não tem medo de arriscar e conseguiu encontrar sua própria linguagem. Mais que recomendada!