16 de ago de 2014

[Resenha] Eleanor & Park, de Rainbow Rowell

Antes de mais nada, quero falar sobre os motivos que me levaram a ler esse livro. Quem acompanha o blog e minhas resenhas, deve ter percebido que meu gênero favorito é fantasia e também gosto de ficção científica. Esses são os tipos de leitura que prefiro, mas como autor, considero importante conhecer, ao menos um pouco, de outros gêneros. Acredite, isso pode acrescentar muito a sua escrita.

Foi com essa disposição que decidi procurar um romance e o escolhido foi Eleanor & Park, de Rainbow Rowell. O livro é ambientado na década de 1980, a trama se passa num subúrbio americano e conta a história de um inusitado casal adolescente.

Eleanor é uma ruiva acima do peso, sofre de baixa auto-estima e tem o hábito de andar desarrumada. Mora com uma família grande em uma casa pequena e ainda precisa lidar com um padrasto alcoólatra e violento. Já Park é um mestiço de feições orientais e espírito rebelde. Sua mãe é uma cabeleireira sul-coreana e seu pai é um ex-militar norte-americano, que parece sempre insatisfeito com o filho, embora seja quem mais o apoie nos momentos críticos.

De início, Eleanor e Park mal olham na cara um do outro, isso apesar de sentarem juntos no ônibus escolar. A relação começa a mudar quando ele percebe o interesse da moça em suas revistas dos X-Men.

O que mais me chamou a atenção nesse livro é a sobriedade. Não há o lirismo que se poderia esperar em uma obra do gênero. Nada de amor à primeira vista, brilho no olhar ou outras alegorias românticas. O maior mérito do livro está na maneira como a autora vai construindo aos poucos a relação do casal principal, em meio a pressões familiares e bullying.

Como dá pra perceber, Eleanor & Park não é só um romance, mas também um drama do tipo slice of life.

A narrativa é em terceira pessoa, mas sempre pelo olhar de um de seus protagonistas. As transições são marcadas pelos uso dos nomes de Park ou Eleanor como subtítulo. Essas mudanças de foco são constantes, chegando  a acontecer várias vezes dentro de um mesmo capítulo. Esse recurso dá um estilo diferenciado à narrativa, mas alguns leitores podem se sentir incomodados com uma alternância tão frequente de ponto de vista.

Para encerrar, Eleanor & Park é um livro que vale a pena ser lido por apresentar um romance cativante e, ao mesmo tempo, melancólico. Vale ainda como uma visita aos anos 80. Mais que recomendado!

ELEANOR & PARK
Autora: Rainbow Rowell
Páginas: 328
Editora: Novo Século
Lançamento: 2013

2 de ago de 2014

[Dicas para escrever] Videolog Nitro Dicas

Hoje quero apresentar para vocês o videolog do autor nacional Newton Rocha, que posta em seu canal no youtube uma boa quantidade de material relacionado à literatura e RPG. Meu destaque vai para a playlist Nitro Dicas, que traz uma série de videoaulas com dicas valiosas para os novos autores.

Abaixo tem o link para o videolog e o primeiro desses videos. Eu recomendo!



28 de jul de 2014

Terra da Magia - lançamento Quadrinhopole (e-book gratuito)

Já está disponível para download gratuito a antologia Terra da Magia. Com organização de Gian Danton, o e-book apresenta uma coletânea de contos que reúne elementos do folclore nacional com mitos e lendas de outros países. Eu participo com o conto Sr. Guerreiro.

Segue a lista completa dos autores e seus respectivos contos:

O Despertar de Boiuna - Roberta Spindler
Teatro do Invísivel - Gian Danton
O Guardador de Versos - Lucas Lourenço
O Uirapuru Negro - A. Z. Cordenosi
A Presa do Metamorfo - Rodolfo Santos
Em Uma Terra Distante - Bruna Louzada
A Solidão é Verde - Jefferson Nunes
Ensombração - Alexandre Lobão
Sr. Guerreiro - Joe de Lima

19 de jul de 2014

Novas jornadas: Rumo ao Mercado Literário

Na postagem de hoje, quero abrir espaço para trocar uma ideia com vocês. Mas no final tem alguns links também (pelos quais, não ganhei nada. É propaganda gratuita mesmo).

Essa semana, postei no meu outro blog o último capítulo de Serpente de Fogo, depois de pouco mais de 1 ano do início. Foi uma jornada e tanto! Estou satisfeito por ter conseguido me manter focado no mesmo projeto por tanto tempo. Também aprendi muito e sinto que evoluí como escritor. Mas ainda não deixei totalmente esse universo: estou trabalhando em uma versão e-book, com a história completa e revisada. O lançamento será em breve.

Ao mesmo tempo, é hora de buscar novos projetos e minha maior meta agora é conseguir entrar de vez no mercado literário com um livro impresso. Sei que já comentei no Twitter e no Facebook sobre um livro de super-heróis que pretendo escrever. Adoro esse projeto, o planejamento dele está bem adiantado e quero muito que seja publicado. No entanto, após me inteirar um pouco mais sobre o mercado literário, percebi que para mim - um autor sem nome no mercado - seria difícil encontrar uma editora para esse projeto por seu tema e tamanho (minhas primeiras estimativas são de, no mínimo, 600 páginas).

Até penso em tentar a auto-publicação, mas apenas inicialmente. Por essas razões, decidi vou colocar o livro dos supers em espera por hora e tentar a sorte com algum projeto mais acessível. Algo mais comercial, mais pipoca mesmo (conheço gente que tem calafrios só em ouvir essas duas palavras XD). Ao contrário do que fiz no passado com outras ideias, dessa vez, prefiro esperar a coisa toda estar bem encaminhada antes de dar maiores detalhes. Em outras palavras, o negócio agora vai ser falar menos e trabalhar mais.

Para encerrar, já que o tema é o mercado literário, minha dica para quem está querendo publicar seus primeiros textos é buscar as antologias. Elas são um jeito prático de ganhar experiência e fazer novos contatos. No geral, as editoras Draco, Buriti e Literata costumam apresentar novas coletâneas regularmente. Para aqueles que desejam entender melhor como funciona o mercado editorial brasileiro, eu recomendo demais ouvir os três episódios do Cabuloso Cast que abordam esse assunto:


Acho que por hoje é isso, na verdade, esse post ficou bem maior do que eu esperava! Boas escritas à todos!

13 de jul de 2014

[Resenha] A Esperança, de Suzanne Collins

Como fiz nas resenhas dos volumes anteriores dessa série, vou começar com um pequeno parêntese para falar sobre cinema. Ou melhor, para não falar. Ao contrário dos livros anteriores, li este sem nenhuma referência cinematográfica. Ou seja, o texto é absolutamente focado em literatura.

A Esperança é o terceiro (e último) volume da série de Suzanne Collins, iniciada em Jogos Vorazes e  que continuou no livro Em Chamas, chegando agora à conclusão. Essa resenha pode conter alguns spoilers da primeira e segunda parte, mas não dessa terceira.

A história começa pouco depois do Massacre Quaternário, que terminou de forma abrupta quando Katniss destruiu a arena do Jogos Vorazes. Embora ela tenha sido salva dos escombros juntamente com Finnick e Beete, Peetae Johanna não tiveram a mesma sorte, ambos foram capturados pela Capital, que, em retaliação, lançou um ataque aéreo que varreu o Distrito 12 do mapa. Gale, a mãe de Katniss e Prim estão entre os poucos sobreviventes.

Agora encontramos Katniss vivendo com sua família no Distrito 13, um imenso bunker subterrâneo que muitos acreditavam ser apenas uma lenda urbana. A jovem toma conhecimento de uma rebelião secreta, da qual Haymitch e Plutarch já participam, e decide se juntar ao movimento encabeçado pela presidente Coin para derrubar o regime ditatorial da Capital, tornando-se o rosto do movimento rebelde.

Após o final, literalmente, explosivo de Em Chamas e a promessa de uma guerra prestes a estourar. Comecei a ler A Esperança cheio de expectativas e pronto para um desfecho eletrizante. No entanto, os primeiros capítulos se encarregam de baixar a adrenalina dos leitores. Durante boa parte do livro, o confronto segue por um caminho diferente e bem menos empolgante.

Um tema recorrente ao longo da trilogia Jogos Vorazes é o poder da mídia sobre a massa. Os melhores exemplos são os próprios Jogos (um reality show brutal), e o oportunismo de Katniss ao fingir um romance com Peeta para ganhar a simpatia do público e o apoio dos patrocinadores. Logo, parece natural que, num primeiro momento, a guerra entre a Capital e o Distrito 13 seja através de propagandas. Faz todo o sentido dentro do universo da série, mas a execução dessa ideia é que deixa a desejar. Pessoalmente, não consegui me livrar da sensação de que a primeira parte do livro estava apenas enrolando o tempo.

Outro ponto negativo é a evolução de Katniss como personagem, que aqui, quase não acontece. Durante todo o livro ela é praticamente a mesma pessoa que vimos no fim de Em Chamas.

Porém, apesar do que pode parecer, A Esperança não é um livro ruim. Há muitos aspectos positivos a serem destacados. Como sempre, a critica social é muito forte. Apesar de lutar contra uma ditadura, o Distrito 13 vive na mais rígida disciplina militar. Em vários momentos, Katniss se questiona sobre a semelhança entre os métodos de Coin e Snow e se a rebelião irá mesmo mudar as coisas.

Na parte final, o clímax trás de volta toda aquela ambientação emocionante que já conhecemos dos Jogos (embora não exista uma nova edição nesse livro). Nos últimos capítulos fica claro que em tempos de guerra, é difícil esperar por um final feliz. Não quero dar detalhes demais, mas há uma morte  inesperada que é de partir o coração.

Para encerrar, o triângulo amoroso Katniss / Peeta / Galeganha uma dinâmica bem diferente e, sim, ela faz uma escolha.

Em resumo, A Esperança pode não ser a conclusão que todos esperavam, mas é um bom livro e encerra a série Jogos Vorazes de forma digna. Recomendado (e que a sorte esteja sempre a seu lado)!

A ESPERANÇA
Autora: Suzanne Collins
Páginas: 424
Lançamento: 2012
Editora: Rocco

28 de jun de 2014

[Game] South Park - The Stick of Truth

Ame-o ou odeio-o, South Park é um desenho que inegavelmente conquistou seu lugar na cultura pop, com seu elenco de garotos boca-suja e um humor que vai da sátira ao nonsense, sempre chegando perto dos limites do bom gosto e outras vezes ultrapassando essa linha sem a menor cerimônia. Curto muito as primeiras temporadas, mas não venho acompanhando nos últimos anos. Como a maioria das série longevas, South Park tornou-se vítima de sua própria fórmula.

Apesar do sucesso na TV, a série nunca teve a mesma sorte nos videogames, limitando-se a poucas tentativas que nem são dignas de nota. Foi então que os criadores da série entraram na parada com a proposta de fazer um game que parecesse um episódio jogável do desenho. O resultado é South Park - The Stick of Truth, para PS3, Xbox 360 e PC.

A história do game gira em torno do Cajado da Verdade, um artefato que dá ao usuário poderes para controlar todo o universo! Atualmente, o Cajado está em posse do líder dos humanos, o mago Cartman e seus aliados: a princesa Kenny e o paladino Butters. Porém, o rei dos elfos, Kyle, acredita que não é seguro manter um item tão poderoso com os humanos e pretende tomá-lo com a ajuda do ranger Stan e do bardo Jimmy. Tudo muda com a chegada de um novo garoto, que ambos os lados acreditam ter o poder para conquistar a vitória final. Claro que esse Novato é o jogador (ou seja, você).

A princípio, essa premissa estilo Senhor dos Anéis parece estranha, mas tudo não passa de uma grande brincadeira dos garotos. As armaduras são fantasias, as espadas são de madeira ou papelão, os itens de cura são salgadinhos e refrigerantes e o próprio Cajado da Verdade é apenas um graveto. Por outro lado, existe uma ameaça real que irá surgir com o desenrolar da trama.

Em termos de jogabilidade, South Park - The Stick of Truth é um RPG de turnos à moda antiga, baseado em ataques, magias, itens de cura e status especiais. O sistema é simples, mas com alguns toques de complexidade (é preciso apertar o botão no tempo certo para aumentar a força dos golpes e defesas). É possível customizar a aparência do Novato, no entanto, será sempre um menino, não é possível escolher uma menina. O game não tem dublagem brasileira, mas vem com legendas e menus em português. A tradução foi muito bem feita, mantendo a maioria dos nomes e termos do desenho, além de palavrões sem censura, afinal, não seria South Park sem palavrões.

A principal característica do jogo é ser extremamente fiel ao seu material original, partindo do princípio que os jogadores já estão familiarizados com os personagens e o mundo que habitam. Para onde quer que se olhe, há uma referência a algum episódio. As piadas são as mesmas da TV (na verdade, há anos não me divirto tanto assim com o desenho), o que significa que se você não gosta do humor da série, provavelmente não vai gostar do game.

Em resumo, South Park - The Stick of Truth é um game muito divertido, com um bom sistema de batalha e muito (mas muito mesmo) humor ácido, mas eu vejo como um grande fanservice. Para quem curte o desenho, é imperdível. Se não for o seu caso, pode não ser o jogo mais adequado para você.

Plataformas: PS3, PS4, XBox 360, XBox One, PC
Gênero: RPG
Estúdios: Obsidian, South Park Digital, Ubisoft
Lançamento: 2014

14 de jun de 2014

[Conto] O Gato no Muro

Esse foi o meu primeiro conto a ser publicado em uma antologia: Lugares Distantes. Com o fim da editora Infinitum, decidi postá-lo aqui no blog. O texto foi revisado, mas não reescrito. A história continua a mesma.
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Quando saiu no início da noite, Lucas disse aos pais que iria dormir na casa de seu amigo, Edu. Nada que pudesse preocupá-los. Eduardo tinha o hábito de reunir seus colegas de classe para noitadas de filmes e videogame; além disso, os pais do garoto sempre ficavam de olho na molecada. Lucas sabia que era uma péssima ideia dizer a eles quais eram seus verdadeiros planos: uma aventura vazia e infantil para provar sua masculinidade.