19 de jul de 2014

Novas jornadas: Rumo ao Mercado Literário

Na postagem de hoje, quero abrir espaço para trocar uma ideia com vocês. Mas no final tem alguns links também (pelos quais, não ganhei nada. É propaganda gratuita mesmo).

Essa semana, postei no meu outro blog o último capítulo de Serpente de Fogo, depois de pouco mais de 1 ano do início. Foi uma jornada e tanto! Estou satisfeito por ter conseguido me manter focado no mesmo projeto por tanto tempo. Também aprendi muito e sinto que evoluí como escritor. Mas ainda não deixei totalmente esse universo: estou trabalhando em uma versão e-book, com a história completa e revisada. O lançamento será em breve.

Ao mesmo tempo, é hora de buscar novos projetos e minha maior meta agora é conseguir entrar de vez no mercado literário com um livro impresso. Sei que já comentei no Twitter e no Facebook sobre um livro de super-heróis que pretendo escrever. Adoro esse projeto, o planejamento dele está bem adiantado e quero muito que seja publicado. No entanto, após me inteirar um pouco mais sobre o mercado literário, percebi que para mim - um autor sem nome no mercado - seria difícil encontrar uma editora para esse projeto por seu tema e tamanho (minhas primeiras estimativas são de, no mínimo, 600 páginas).

Até penso em tentar a auto-publicação, mas apenas inicialmente. Por essas razões, decidi vou colocar o livro dos supers em espera por hora e tentar a sorte com algum projeto mais acessível. Algo mais comercial, mais pipoca mesmo (conheço gente que tem calafrios só em ouvir essas duas palavras XD). Ao contrário do que fiz no passado com outras ideias, dessa vez, prefiro esperar a coisa toda estar bem encaminhada antes de dar maiores detalhes. Em outras palavras, o negócio agora vai ser falar menos e trabalhar mais.

Para encerrar, já que o tema é o mercado literário, minha dica para quem está querendo publicar seus primeiros textos é buscar as antologias. Elas são um jeito prático de ganhar experiência e fazer novos contatos. No geral, as editoras Draco, Buriti e Literata costumam apresentar novas coletâneas regularmente. Para aqueles que desejam entender melhor como funciona o mercado editorial brasileiro, eu recomendo demais ouvir os três episódios do Cabuloso Cast que abordam esse assunto:


Acho que por hoje é isso, na verdade, esse post ficou bem maior do que eu esperava! Boas escritas à todos!

13 de jul de 2014

[Resenha] A Esperança, de Suzanne Collins

Como fiz nas resenhas dos volumes anteriores dessa série, vou começar com um pequeno parêntese para falar sobre cinema. Ou melhor, para não falar. Ao contrário dos livros anteriores, li este sem nenhuma referência cinematográfica. Ou seja, o texto é absolutamente focado em literatura.

A Esperança é o terceiro (e último) volume da série de Suzanne Collins, iniciada em Jogos Vorazes e  que continuou no livro Em Chamas, chegando agora à conclusão. Essa resenha pode conter alguns spoilers da primeira e segunda parte, mas não dessa terceira.

A história começa pouco depois do Massacre Quaternário, que terminou de forma abrupta quando Katniss destruiu a arena do Jogos Vorazes. Embora ela tenha sido salva dos escombros juntamente com Finnick e Beete, Peetae Johanna não tiveram a mesma sorte, ambos foram capturados pela Capital, que, em retaliação, lançou um ataque aéreo que varreu o Distrito 12 do mapa. Gale, a mãe de Katniss e Prim estão entre os poucos sobreviventes.

Agora encontramos Katniss vivendo com sua família no Distrito 13, um imenso bunker subterrâneo que muitos acreditavam ser apenas uma lenda urbana. A jovem toma conhecimento de uma rebelião secreta, da qual Haymitch e Plutarch já participam, e decide se juntar ao movimento encabeçado pela presidente Coin para derrubar o regime ditatorial da Capital, tornando-se o rosto do movimento rebelde.

Após o final, literalmente, explosivo de Em Chamas e a promessa de uma guerra prestes a estourar. Comecei a ler A Esperança cheio de expectativas e pronto para um desfecho eletrizante. No entanto, os primeiros capítulos se encarregam de baixar a adrenalina dos leitores. Durante boa parte do livro, o confronto segue por um caminho diferente e bem menos empolgante.

Um tema recorrente ao longo da trilogia Jogos Vorazes é o poder da mídia sobre a massa. Os melhores exemplos são os próprios Jogos (um reality show brutal), e o oportunismo de Katniss ao fingir um romance com Peeta para ganhar a simpatia do público e o apoio dos patrocinadores. Logo, parece natural que, num primeiro momento, a guerra entre a Capital e o Distrito 13 seja através de propagandas. Faz todo o sentido dentro do universo da série, mas a execução dessa ideia é que deixa a desejar. Pessoalmente, não consegui me livrar da sensação de que a primeira parte do livro estava apenas enrolando o tempo.

Outro ponto negativo é a evolução de Katniss como personagem, que aqui, quase não acontece. Durante todo o livro ela é praticamente a mesma pessoa que vimos no fim de Em Chamas.

Porém, apesar do que pode parecer, A Esperança não é um livro ruim. Há muitos aspectos positivos a serem destacados. Como sempre, a critica social é muito forte. Apesar de lutar contra uma ditadura, o Distrito 13 vive na mais rígida disciplina militar. Em vários momentos, Katniss se questiona sobre a semelhança entre os métodos de Coin e Snow e se a rebelião irá mesmo mudar as coisas.

Na parte final, o clímax trás de volta toda aquela ambientação emocionante que já conhecemos dos Jogos (embora não exista uma nova edição nesse livro). Nos últimos capítulos fica claro que em tempos de guerra, é difícil esperar por um final feliz. Não quero dar detalhes demais, mas há uma morte  inesperada que é de partir o coração.

Para encerrar, o triângulo amoroso Katniss / Peeta / Galeganha uma dinâmica bem diferente e, sim, ela faz uma escolha.

Em resumo, A Esperança pode não ser a conclusão que todos esperavam, mas é um bom livro e encerra a série Jogos Vorazes de forma digna. Recomendado (e que a sorte esteja sempre a seu lado)!

A ESPERANÇA
Autora: Suzanne Collins
Páginas: 424
Lançamento: 2012
Editora: Rocco

28 de jun de 2014

[Game] South Park - The Stick of Truth

Ame-o ou odeio-o, South Park é um desenho que inegavelmente conquistou seu lugar na cultura pop, com seu elenco de garotos boca-suja e um humor que vai da sátira ao nonsense, sempre chegando perto dos limites do bom gosto e outras vezes ultrapassando essa linha sem a menor cerimônia. Curto muito as primeiras temporadas, mas não venho acompanhando nos últimos anos. Como a maioria das série longevas, South Park tornou-se vítima de sua própria fórmula.

Apesar do sucesso na TV, a série nunca teve a mesma sorte nos videogames, limitando-se a poucas tentativas que nem são dignas de nota. Foi então que os criadores da série entraram na parada com a proposta de fazer um game que parecesse um episódio jogável do desenho. O resultado é South Park - The Stick of Truth, para PS3, Xbox 360 e PC.

A história do game gira em torno do Cajado da Verdade, um artefato que dá ao usuário poderes para controlar todo o universo! Atualmente, o Cajado está em posse do líder dos humanos, o mago Cartman e seus aliados: a princesa Kenny e o paladino Butters. Porém, o rei dos elfos, Kyle, acredita que não é seguro manter um item tão poderoso com os humanos e pretende tomá-lo com a ajuda do ranger Stan e do bardo Jimmy. Tudo muda com a chegada de um novo garoto, que ambos os lados acreditam ter o poder para conquistar a vitória final. Claro que esse Novato é o jogador (ou seja, você).

A princípio, essa premissa estilo Senhor dos Anéis parece estranha, mas tudo não passa de uma grande brincadeira dos garotos. As armaduras são fantasias, as espadas são de madeira ou papelão, os itens de cura são salgadinhos e refrigerantes e o próprio Cajado da Verdade é apenas um graveto. Por outro lado, existe uma ameaça real que irá surgir com o desenrolar da trama.

Em termos de jogabilidade, South Park - The Stick of Truth é um RPG de turnos à moda antiga, baseado em ataques, magias, itens de cura e status especiais. O sistema é simples, mas com alguns toques de complexidade (é preciso apertar o botão no tempo certo para aumentar a força dos golpes e defesas). É possível customizar a aparência do Novato, no entanto, será sempre um menino, não é possível escolher uma menina. O game não tem dublagem brasileira, mas vem com legendas e menus em português. A tradução foi muito bem feita, mantendo a maioria dos nomes e termos do desenho, além de palavrões sem censura, afinal, não seria South Park sem palavrões.

A principal característica do jogo é ser extremamente fiel ao seu material original, partindo do princípio que os jogadores já estão familiarizados com os personagens e o mundo que habitam. Para onde quer que se olhe, há uma referência a algum episódio. As piadas são as mesmas da TV (na verdade, há anos não me divirto tanto assim com o desenho), o que significa que se você não gosta do humor da série, provavelmente não vai gostar do game.

Em resumo, South Park - The Stick of Truth é um game muito divertido, com um bom sistema de batalha e muito (mas muito mesmo) humor ácido, mas eu vejo como um grande fanservice. Para quem curte o desenho, é imperdível. Se não for o seu caso, pode não ser o jogo mais adequado para você.

Plataformas: PS3, PS4, XBox 360, XBox One, PC
Gênero: RPG
Estúdios: Obsidian, South Park Digital, Ubisoft
Lançamento: 2014

14 de jun de 2014

[Conto] O Gato no Muro

Esse foi o meu primeiro conto a ser publicado em uma antologia: Lugares Distantes. Com o fim da editora Infinitum, decidi postá-lo aqui no blog. O texto foi revisado, mas não reescrito. A história continua a mesma.
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Quando saiu no início da noite, Lucas disse aos pais que iria dormir na casa de seu amigo, Edu. Nada que pudesse preocupá-los. Eduardo tinha o hábito de reunir seus colegas de classe para noitadas de filmes e videogame; além disso, os pais do garoto sempre ficavam de olho na molecada. Lucas sabia que era uma péssima ideia dizer a eles quais eram seus verdadeiros planos: uma aventura vazia e infantil para provar sua masculinidade.

12 de jun de 2014

Capa e pré-venda de Mundos - Volume 2

A editora Buriti divulgou a bela capa da antologia Mundos - Vol. 2, da qual vou participar com o conto "O Campo dos Vaga-Lumes". A editora já iniciou a pré-venda com desconto, frete grátis e parcelamento no cartão.

Aqui a lista com os autores participantes e abaixo tem o link para quem quiser fazer a pré-compra.

Autores:

Fernando Medici
Lucas Maziero
Caroline Policarpo
Jota Marques
Rubem Cabral
Davi M. Gonzales
Daniel I. Dutra
Verônica S. Freitas
Maurício Kanno
Joe de Lima

7 de jun de 2014

[Resenha] O Aprendiz de Assassino, de Robin Hobb

Apesar de lá fora, Robin Hobb ser uma referência em literatura fantástica, admito que nunca tinha lido nada da autora e confesso que essa obra só  entrou na minha lista pela sinopse, que me lembrou uma série de games da qual sou fã: Assassin’s Creed (de fato, eu não me surpreenderia se descobrisse que os jogos foram baseados nesse livro).  No fim, o resultado foi uma leitura que me surpreendeu e me agradou em vários aspectos!

Escrito por Robin Hobb — um dos pseudônimos da autora Margaret Astrid Lindholm Ogden — e publicado originalmente em 1995, O Aprendiz de Assassino é o primeiro volume da Saga do Assassino (The Farseer Trilogy).

O livro conta a história do jovem FitzCavalaria Visionário. Filho bastardo do príncipe Cavalaria, o garoto é levado para viver em Torre do Cervo, onde acaba sendo criado pelo cocheiro Bronco. Visto por muitos como um intruso na corte e considerado responsável pela queda de seu pai, Fitz é designado pelo Rei Sagaz para se tornar discípulo do misterioso Breu e ser treinado na arte do assassinato diplomático, ou seja, executar alvos políticos sem deixar vestígios. Ao mesmo tempo, os reinos dos Seis Ducados são assolados pelos ataques cada vez piores dos Navios Vermelhos, que deixam para trás cidades arrasadas e vitimas reduzidas a um estado selvagem.

Embora possa ser classificado como fantasia medieval, O Aprendiz de Assassino é mais pé no chão do que a maioria das obras do gênero. A ambientação é muito mais próxima de como a vida na idade média deve ter sido realmente, com a lama e o luxo convivendo lado a lado. Existem duas habilidades fora do normal que estão mais para poderes psíquicos do que magia: o Talento, uma espécie de telepatia avançada e prestigiada; e a Manha, que é a capacidade de se conectar com as mentes de pessoas e animais.

Ainda sobre esses poderes especiais, consta que O Aprendiz de Assassino nasceu de uma ideia básica de Robin Hobb: “e se a magia fosse viciante?”. Assim, o Talento e a Manha exercem um efeito quase intoxicante no usuário. O melhor reflexo disso é Veracidade.

O livro é narrado em primeira pessoa em tempo passado. Tudo indica que se trata de um Fitz maduro e calejado nos contando a história de sua vida. É notável como a autora conseguiu captar com perfeição os anseios e frustrações de um garoto adolescente, em especial no que diz respeito à relação de Fitz e Moli Veleira, seu primeiro amor. É difícil não simpatizar com o jovem e sua trajetória difícil. Tirando uma aptidão natural para a Manha (habilidade que não é muito bem vista), o rapaz é uma pessoa comum obrigada a enfrentar uma dura e sofrida jornada. Uma curiosidade é que ele jamais chega a conhecer o pai.

A narrativa evolui num ritmo devagar, mas envolvente. Os cenários são descritos em detalhes e de forma a fazer o leitor mergulhar no ambiente, enquanto as descrições de personagens fazem um belo uso de meta-linguagem, baseando-se nas impressões que causam e não na aparência. Como vocês já devem ter percebido, a maioria dos nomes tem significados ligados à personalidade. Méritos para a editora Leya, que acertou em traduzir os nomes para o português, caso contrário, os mesmos teriam perdido muito de sua força.

Antes de terminar, vale destacar que os amantes de cachorros têm um  par de razões a mais para ler essa obra: Narigudo e Ferreirinho, os dois cães de Fitz. Mais que mascotes, ambos são personagens realmente importantes no livro. Com uma boa narrativa, personagens interessantes e um clímax eletrizante, O Aprendiz de Assassino é uma excelente leitura e superou minhas expectativas. Recomendado!

A Saga de FitzCavalaria continua em O Assassino do Rei

O APRENDIZ DE ASSASSINO
Autora: Robin Hobb
Páginas: 416
Lançamento: 1996 (no Brasil, 2012)
Editora: Leya

24 de mai de 2014

Chamadas para novas antologias da Editora Draco

Posso estar enganado, mas tenho a nítida impressão de que até agora o número de novas antologias em 2014 era pequeno se comparado com anos anteriores. Acho que o pessoal da Draco deve ter pensando a mesma coisa porque nas últimas semanas colocaram várias antologias novas no blog da editora. Os temas estão bem variados e tem até de quadrinhos. Abaixo tem uma pequena sinopse de cada uma, clicando no título, você acessa a página com o regulamento.


Improváveis aliados, terríveis forças da natureza, implacáveis inimigos, filhotes da bomba atômica, criaturas vindas das profundezas e de outras dimensões… Esses são os monstros gigantes, ou kaijus, palavra japonesa que significa “monstro” ou “estranha fera”, e sua variação, daikaijus, “monstros gigantes”. Grandalhões que nasceram na cultura pop japonesa, cujo principal astro ainda é – e sempre será – Godzilla, que completou 60 anos e ressurgiu nas telonas dos cinemas.


O paleontólogo britânico Richard Owen cunhou o termo “dinossauro” (“lagarto terrível” em grego).  Não há como não concordar com a nomenclatura, pois é pelo monstro de proporções absurdas que todos nos apaixonamos quando crianças.  Contudo, é por causa do fascínio científico por tais animais que essa paixão permanece conosco ao longo da vida adulta.  Dinossauros constituem figurinha fácil na cultura pop contemporânea: filmes, seriados, desenhos animados, jogos, quadrinhos, livros, memes.


Não queremos histórias que tenham simplesmente como pano de fundo a história do Japão. Ou que fale de herdeiros desses legados ancestrais em uma Tóquio do século XXI. A ideia é a fantasia e a imaginação que esses personagens inspiram. Então se quer usar história, que seja como 47 Ronins. Que seja um mundo em que a tradição e as lendas se misturem. Aí fica bacana para criar ninjas que enfrentam demônios de outras dimensões, como em Ninja Gaiden.


Elementar, meu caro Watson. A frase clássica acima resume para muita gente o espírito de Sherlock Holmes, o maior detetive de todos, mesmo que o personagem jamais a tenha dito em nenhum das aventuras literárias narradas por seu fiel amigo John H. Watson. Ainda assim, está firmemente arraigada no imaginário popular sobre o excêntrico morador do 221B da Baker Street, graças a uma das dezenas de adaptações e releituras para o cinema (ou teatro, segundo outras versões).


Não há estilo correto. Queremos misturas que vão desde os traços étnicos que resgatam a nossa cultura popular até desenhos que bebem em fontes longínquas! Dos mangás aos europeus aos heroicos comics estadunidenses. Ou nada disso, uma proposta única e típica dos brasileiros que conquistam o mundo das artes sequenciais. O formato dos álbuns é 17 x 24 cm e a mancha de arte passa a ser estipulada em 14 x 21 cm, ou seja, as margens são de 1,5cm em todos os lados.