7 de jun de 2014

[Resenha] O Aprendiz de Assassino, de Robin Hobb

Apesar de lá fora, Robin Hobb ser uma referência em literatura fantástica, admito que nunca tinha lido nada da autora e confesso que essa obra só  entrou na minha lista pela sinopse, que me lembrou uma série de games da qual sou fã: Assassin’s Creed (de fato, eu não me surpreenderia se descobrisse que os jogos foram baseados nesse livro).  No fim, o resultado foi uma leitura que me surpreendeu e me agradou em vários aspectos!

Escrito por Robin Hobb — um dos pseudônimos da autora Margaret Astrid Lindholm Ogden — e publicado originalmente em 1995, O Aprendiz de Assassino é o primeiro volume da Saga do Assassino (The Farseer Trilogy).

O livro conta a história do jovem FitzCavalaria Visionário. Filho bastardo do príncipe Cavalaria, o garoto é levado para viver em Torre do Cervo, onde acaba sendo criado pelo cocheiro Bronco. Visto por muitos como um intruso na corte e considerado responsável pela queda de seu pai, Fitz é designado pelo Rei Sagaz para se tornar discípulo do misterioso Breu e ser treinado na arte do assassinato diplomático, ou seja, executar alvos políticos sem deixar vestígios. Ao mesmo tempo, os reinos dos Seis Ducados são assolados pelos ataques cada vez piores dos Navios Vermelhos, que deixam para trás cidades arrasadas e vitimas reduzidas a um estado selvagem.

Embora possa ser classificado como fantasia medieval, O Aprendiz de Assassino é mais pé no chão do que a maioria das obras do gênero. A ambientação é muito mais próxima de como a vida na idade média deve ter sido realmente, com a lama e o luxo convivendo lado a lado. Existem duas habilidades fora do normal que estão mais para poderes psíquicos do que magia: o Talento, uma espécie de telepatia avançada e prestigiada; e a Manha, que é a capacidade de se conectar com as mentes de pessoas e animais.

Ainda sobre esses poderes especiais, consta que O Aprendiz de Assassino nasceu de uma ideia básica de Robin Hobb: “e se a magia fosse viciante?”. Assim, o Talento e a Manha exercem um efeito quase intoxicante no usuário. O melhor reflexo disso é Veracidade.

O livro é narrado em primeira pessoa em tempo passado. Tudo indica que se trata de um Fitz maduro e calejado nos contando a história de sua vida. É notável como a autora conseguiu captar com perfeição os anseios e frustrações de um garoto adolescente, em especial no que diz respeito à relação de Fitz e Moli Veleira, seu primeiro amor. É difícil não simpatizar com o jovem e sua trajetória difícil. Tirando uma aptidão natural para a Manha (habilidade que não é muito bem vista), o rapaz é uma pessoa comum obrigada a enfrentar uma dura e sofrida jornada. Uma curiosidade é que ele jamais chega a conhecer o pai.

A narrativa evolui num ritmo devagar, mas envolvente. Os cenários são descritos em detalhes e de forma a fazer o leitor mergulhar no ambiente, enquanto as descrições de personagens fazem um belo uso de meta-linguagem, baseando-se nas impressões que causam e não na aparência. Como vocês já devem ter percebido, a maioria dos nomes tem significados ligados à personalidade. Méritos para a editora Leya, que acertou em traduzir os nomes para o português, caso contrário, os mesmos teriam perdido muito de sua força.

Antes de terminar, vale destacar que os amantes de cachorros têm um  par de razões a mais para ler essa obra: Narigudo e Ferreirinho, os dois cães de Fitz. Mais que mascotes, ambos são personagens realmente importantes no livro. Com uma boa narrativa, personagens interessantes e um clímax eletrizante, O Aprendiz de Assassino é uma excelente leitura e superou minhas expectativas. Recomendado!

A Saga de FitzCavalaria continua em O Assassino do Rei

O APRENDIZ DE ASSASSINO
Autora: Robin Hobb
Páginas: 416
Lançamento: 1996 (no Brasil, 2012)
Editora: Leya

24 de mai de 2014

Chamadas para novas antologias da Editora Draco

Posso estar enganado, mas tenho a nítida impressão de que até agora o número de novas antologias em 2014 era pequeno se comparado com anos anteriores. Acho que o pessoal da Draco deve ter pensando a mesma coisa porque nas últimas semanas colocaram várias antologias novas no blog da editora. Os temas estão bem variados e tem até de quadrinhos. Abaixo tem uma pequena sinopse de cada uma, clicando no título, você acessa a página com o regulamento.


Improváveis aliados, terríveis forças da natureza, implacáveis inimigos, filhotes da bomba atômica, criaturas vindas das profundezas e de outras dimensões… Esses são os monstros gigantes, ou kaijus, palavra japonesa que significa “monstro” ou “estranha fera”, e sua variação, daikaijus, “monstros gigantes”. Grandalhões que nasceram na cultura pop japonesa, cujo principal astro ainda é – e sempre será – Godzilla, que completou 60 anos e ressurgiu nas telonas dos cinemas.


O paleontólogo britânico Richard Owen cunhou o termo “dinossauro” (“lagarto terrível” em grego).  Não há como não concordar com a nomenclatura, pois é pelo monstro de proporções absurdas que todos nos apaixonamos quando crianças.  Contudo, é por causa do fascínio científico por tais animais que essa paixão permanece conosco ao longo da vida adulta.  Dinossauros constituem figurinha fácil na cultura pop contemporânea: filmes, seriados, desenhos animados, jogos, quadrinhos, livros, memes.


Não queremos histórias que tenham simplesmente como pano de fundo a história do Japão. Ou que fale de herdeiros desses legados ancestrais em uma Tóquio do século XXI. A ideia é a fantasia e a imaginação que esses personagens inspiram. Então se quer usar história, que seja como 47 Ronins. Que seja um mundo em que a tradição e as lendas se misturem. Aí fica bacana para criar ninjas que enfrentam demônios de outras dimensões, como em Ninja Gaiden.


Elementar, meu caro Watson. A frase clássica acima resume para muita gente o espírito de Sherlock Holmes, o maior detetive de todos, mesmo que o personagem jamais a tenha dito em nenhum das aventuras literárias narradas por seu fiel amigo John H. Watson. Ainda assim, está firmemente arraigada no imaginário popular sobre o excêntrico morador do 221B da Baker Street, graças a uma das dezenas de adaptações e releituras para o cinema (ou teatro, segundo outras versões).


Não há estilo correto. Queremos misturas que vão desde os traços étnicos que resgatam a nossa cultura popular até desenhos que bebem em fontes longínquas! Dos mangás aos europeus aos heroicos comics estadunidenses. Ou nada disso, uma proposta única e típica dos brasileiros que conquistam o mundo das artes sequenciais. O formato dos álbuns é 17 x 24 cm e a mancha de arte passa a ser estipulada em 14 x 21 cm, ou seja, as margens são de 1,5cm em todos os lados.

20 de mai de 2014

Convite e data de lançamento de Daemonicus

Confirmada a data de lançamento da antologia Daemonicus - Histórias Fantásticas de Demônios, organizada por Georgette Silen. Participo com o conto "Cinco Sombras".



10 de mai de 2014

Esquadrão Terror #02

Saiu o número 2 da webcomic Esquadrão Terror, com roteiro meu, desenhos de Carlos Baima e cores de Bianca Ramos. A trama acompanha uma equipe de anti-heróis criada pela ONU para fazer o trabalho sujo: eliminar ditadores e terroristas mundo à fora, sempre por baixo dos panos.

Esse roteiro foi o último que escrevi para o título, que continuará nas mãos de outra pessoa, mas estejam certos de que depositem nele o mesmo empenho de qualquer outro dos meus trabalhos.

Cliquem na capa para acessar e deixem sua opinião nos comentários! Ah, podem acessar Esquadrão Terror #01 aqui ^^



3 de mai de 2014

Concurso: "A Fantasy quer o seu Mundo"

A Editora Casa da Palavra, lançou um concurso bem interessante através do seu selo Fantasy. A ideia é publicar um novo livro de literatura fantástica de um autor nacional. Os interessados em participar vão precisar correr contra o tempo, já que o prazo para se inscrever é um pouco curto. Até o dia 25 de maio.

Abaixo segue o regulamento da primeira etapa. Clicando aqui você acessar a página do concurso e ler o regulamento completo.

"O participante deverá enviar uma sinopse (de até 140 caracteres com espaço) de seu manuscrito para o e-mail concursofantasy@casadapalavra.com.br a partir do dia 28 de abril até o dia 25 de maio de 2014. No mesmo e-mail, deve constar o nome completo do autor, idade, local onde reside e uma minibiografia de aproximadamente 500 caracteres com espaço (conte-nos quem voce é, onde estudou, seus objetivos etc). Os autores das sinopses selecionadas serao anunciados no site oficial da Fantasy..." [continue a leitura]

19 de abr de 2014

Top 5 - Games Favoritos

Os videogames fazem parte da minha vida e por isso acabam tendo influência na minha obra de uma forma ou de outra. Meu primeiro aparelho foi um Atari 2600, depois vieram Nintendinho, Super Nintendo, Playstation, Playstation 2 e  atualmente estou no X Box 360. Ainda não sei quando vou passar para a nova geração. Minha preferência seria pelo PS4, mas por questão financeiras, acho que vou ficar no XOne.

E já que o assunto são os jogos eletrônicos, aqui está uma lista com meus cinco games favoritos em todos os tempos. Precisei pensar muito, mas acho que essas são, realmente as melhores experiências de jogo que tive. Seria impossível pra mim rankear esses games por ordem de preferência, por isso estão listados por ano de lançamento.

Super Mario World (1990)



A história de Super Mario World é aquela que você já conhece muito bem. Bowser capturou a Princesa Peach e cabe à Mario e Luigi atravessar 8 mundos diferentes para salvá-la. Como a maioria dos jogos do Mario, é extremamente viciante, tem uma quantidade imensa de fases secretas, desafio crescente e, é claro, tem Yoshi, o simpático dinossauro que serve de montaria. Um verdadeiro clássico!

Pro Evolution Soccer (1994)



Pro Evolution Soccer, ou simplesmente PES é um game de futebol que atravessou décadas desde os tempos do Super Nintendo (quando se chamava International Superstar Soccer). Ainda hoje, o jogo sofre por falta de licenças oficiais. Muitos times tem nomes e escudos errados (felizmente é possível editar tudo), mas quando o assunto é bola rolando, sempre preferi PES ao FIFA. Nos últimos anos, a versão brasileira tem vindo com narração do grande Sílvio Luiz e comentários de Mauro Beting.

Final Fantasy IX (2000)



FFIX começa com o jovem Zidane e seu grupo teatral preparando uma apresentação que servirá de distração para que a princesa Garnet possa fugir do castelo. Esse é apenas o início de uma série de eventos que culminará em uma batalha cósmica pela salvação de dois mundos! Nostalgia é a palavra-chave do meu Final Fantasy preferido, com muitas referências aos games que vieram antes. O jogo tem como canção-tema a inesquecível Melodies of Life, na voz de Emiko Shiratori.

Shadow of The Colussus (2005)



Conta a história de Wander, um jovem guerreiro que faz um pacto com uma entidade: se ele derrotar 16 criaturas colossais, a entidade ressuscitará sua amada Mono. Continuação espiritual de Ico (outro ótimo jogo da mesma produtora), Shadow of The Colussus oferece uma experiência única no mundo dos games! Nada se compara à escalar um inimigo gigantesco à procura de seus pontos fracos. Como se não bastasse, SoTC ainda traz uma reviravolta surpreendente no final.

Trilogia Mass Effect (2007)



Mass Effect acompanha a saga do comandante Shepard e seus aliados na luta contra os Reapers, uma raça de aliens cibernéticos que destruiu todas as formas de vida da galáxia há 50 mil anos e agora quer repetir a dose. Com uma mistura de RPG e tiro em terceira pessoa, ME se destaca por dar ao jogador a chance de contar sua própria história: é possível customizar o personagem principal (incluindo sexo e aparência) e escolher que caminho seguir, que postura tomar diante da guerra, quem serão seus interesses românticos, etc. E cada escolha tem um reflexo na trama.

12 de abr de 2014

Por dentro do mercado editorial


Há algum tempo, compartilhei aqui no blog, um episódio do Cabuloso Cast falando sobre o lado negro do mercado editorial e recentemente eles voltaram ao tema, dessa vez abordando os bastidores desse mercado, com a presença do autor Eric Novello e de três editores profissionais. Não é exatamente um programa de dicas, mas para quem pensa em entrar nesse mercado, é muito importante entender como ele funciona.