4 de jan de 2014

[Resenha] Jogos Vorazes, de Suzanne Collins

Mesmo que você nunca tenha ido ao cinema ver os filmes estrelados por Jeniffer Lawrence, tenho certeza de que sabe do que se trata a superprodução Jogos Vorazes, adaptação da bem-sucedida série literária. Mas para essa resenha, pretendo me afastar das telonas e focar apenas no livro em si.

Jogos Vorazes é o primeiro volume da trilogia escrita por Suzanne Collins, que continua nos livros Em Chamas e A Esperança. A obra trás uma mistura de ficção, aventura infanto-juvenil e drama de sobrevivência.

Em um futuro distópico, os doze distritos da nação Panem são comandados com mão de ferro pela Capital, que impõem um regime ditatorial. A cada ano, um garoto e uma garota de cada distrito são sorteados para participar dos Jogos Vorazes, uma competição selvagem transmitida ao vivo para todo o país, da qual apenas um dos participantes saí com vida. Após sua irmã caçula ser sorteada, Katniss Everdeen, uma jovem caçadora do Distrito 12 se oferece para tomar o lugar dela.

Embora seja um romance infanto-juvenil, Jogos Vorazes toca em algumas questões delicadas do mundo moderno. Não é difícil perceber a força da crítica social presente no livro, a começar pelo abismo social que separa luxuosa e avançada Capital do pobre Distrito 12, uma espécie de favela construída ao redor de uma mina de carvão. Katniss observa essas diferenças diversas vezes durante a fase de preparação.

Todo o glamour que rodeia os Jogos não muda a sensação de vigilância por parte do governo, que seguindo a cartilha do Pão & Circo, oferece um espetáculo para que o povo esqueça suas misérias (alguém falou em Copa do Mundo?)

A selvageria da disputa, onde é preciso matar seus adversários para ser o campeão remete aos reality shows e seu entretenimento baseado na depreciação humana. Um sistema do qual a própria Katniss tira vantagem ao fingir um romance com seu colega de distrito, Peeta, para ganhar mais presentes dos patrocinadores, enviados à arena através de pequenos helicópteros.

A história é toda narrada em primeira pessoa por Katniss. Já acostumada a caçar animais com arco e flecha para sustentar a família, a protagonista de Jogos Vorazes é uma moça de temperamento forte, mas sempre muito honesta, seja em suas explosões de raiva, seja nos momentos de generosidade. Contada por uma adolescente, a história tem uma linguagem simples e acessível. Ainda assim, a narrativa se mostra sólida, sem se tornar coloquial demais em momento algum.

O ritmo da trama é bastante ágil e Suzanne Collins consegue achar o ponto certo de equilíbrio entre a ação e a narração, mesmo quando é preciso explicar algo específico do mundo onde tudo se passa. Algumas passagens são bem violentas, em especial no clímax, mas nada que chegue a deixar a leitura pesada demais.

Jogos Vorazes agrada tanto ao seu público-alvo (adolescentes) quanto adultos. Uma excelente aventura que não deixa de abordar questões relevantes pelo caminho. Recomendado!

FICHA TÉCNICA

JOGOS VORAZES

Autora: Suzanne Collins
Ano de lançamento: 2010
Número de páginas: 400
Editora: Rocco

28 de dez de 2013

Melhores de 2013

Chegou a hora da última postagem do ano trazendo a minha lista com aquilo que vi de melhor na literatura, cinema, quadrinhos, TV e games. As obras que fazem parte dessa lista foram escolhidas de acordo com um único e específico critério: o meu gosto pessoal.

Mesmo assim, sintam-se a vontade para deixarem a sua opinião. Concordam, discordam? Acham que esses são os melhores? Lembrando que os vídeos abaixo e outros podem ser conferidos na minha playlist no Youtube.


MELHORES DE 2013


MELHOR LIVRO: O Espadachim de Carvão, de Affonso Solano


A obra de Affonso Solano conta a história de Adapak, um jovem de aparência exótica que parte em uma jornada em busca de sua verdadeira origem. O Espadachim de Carvão se destaca principalmente por apresentar um mundo fantástico totalmente novo, sem inspirações em mitologias conhecidas e consegue equilibrar a beleza da magia com os pecados da sociedade [leia a resenha completa].


MELHOR FILME PIPOCA: Jogos Vorazes - Em Chamas



No segundo capítulo da saga, Katniss Everdeen precisa lidar com as consequências de ter desafiado o regime ditatorial da Capital. Jogos Vorazes continua trazendo uma crítica feroz às chamadas políticas pão & circo e aos reality shows. É raro ver um blockbuster abordar temas tão delicados. O resultado é um filme maior e melhor que o primeiro em muitos aspectos. Empolgante e eletrizante, mas também faz pensar.


MELHOR FILME ALTERNATIVO: Juan dos Mortos



Juan dos Mortos é uma produção cubana de 2011 que só chegou aos nossos cinemas esse ano. No filme, vemos como o boa-vida Juan, acompanhado de sua filha e um grupo de amigos, lida com um ataque de zumbis em Havana. Esqueça o altruísmo dos heróis americano, aqui eles chegam a criar um serviço destinado a caçar mortos-vivos (por um bom pagamento, é claro): "Juan dos Mortos, matamos seus entes queridos". Comédia com muito humor negro.



MELHOR HQ DE SUPER-HERÓIS: The Movement


Enquanto a maioria dos heróis derrota vilões que querem dominar o mundo, The Movement (inédita no Brasil) mostra uma comunidade de super-humanos unida contra a falência do Sistema em uma cidade dominada por policiais desonestos e políticos corruptos (parece familiar?). Com roteiros de Gail Simone e arte de Freddie Williams II, essa é uma série que tem muito a ver com o momento atual do  nosso país. Os membros da equipe principal são (da esquerda para a direita): Kartasis, Burden, Ven, Virtue (a líder), Tremor e Mouse.


MELHOR ANIME/MANGÁ: Kami-Sama no Inai Nichiyoubi



O título em inglês desse anime é Sunday Without God (traduzindo, O Domingo Sem Deus). Em um mundo onde não há mortes e nascimentos, os hakamoris (coveiros) são os únicos que tem o poder de enviar uma alma para o além. Com 12 episódios, o anime acompanha a pequena Ai, uma jovem hakamori em uma jornada para salvar um mundo que parece estar além da salvação. Uma história bonita e contemplativa que medita sobre qual é o real significado de estar vivo.


MELHOR SÉRIE DE TV: In The Flesh (1ª. temporada)



E tem mais zumbis, dessa vez em um drama da BBC. In The Flesh começa após a humanidade sobreviver a um apocalipse zumbi. Os mortos-vivos que restaram agora recebem um tratamento especial para se reintegrarem a sociedade. É o caso de Kieren, um zumbi, suicida em sua vida humana e homossexual que retorna para seu lar em uma pequena cidade no interior, onde enfrentará o medo e o preconceito dos moradores, além de ter de lidar com as lembranças das coisas horríveis que fez. A temporada teve 3 episódios.


MELHOR GAME: Grand Theft Auto V



Mesmo em um ano repleto de jogos excelentes, o quinto capítulo da sempre polêmica série GTA consegue se destacar. O game de mundo aberto inova ao trazer, não um, mas três protagonistas: o ladrão de bancos aposentado, Michael, o rapaz do subúrbio, Franklin e o maníaco de carteirinha, Trevor em sua rotina de desafiar a lei para faturar alto em golpes arriscados. No caminho deles estão a máfia chinesa, traficantes mexicanos e agentes corruptos do governo [leia a resenha completa]

14 de dez de 2013

[Resenha] Sementes no Gelo, de André Vianco

Não sou um grande fã de histórias de terror. Poucos são os filmes do gênero me agradam (acho a maioria muito bobos) e o mesmo vale para os livros. Não que eu não aprecie a obra de H. P. Lovecraft ou um bom livro de Stephen King, só que esse está longe de ser meu tipo favorito de leitura. Mas como tenho lido muita fantasia decidi variar um pouco.

Acabei procurando Sementes no Gelo, de André Vianco por duas razões. Primeiro, ouvi muitos elogios à essa obra. Segundo, eu ainda não ter lido nenhum livro deste que é considerado um dos grandes autores nacionais da atualidade. Eu gostaria muito de dizer que gostei da experiência… mas estaria mentindo.

A trama é ambientada em Osasco e começa quando Tânio Esperança, um detetive particular sem dinheiro é procurado por sua velha amiga Lisete, que diz estar sendo atormentada pelo fantasma de um menino chamado Pedro. Ao mesmo tempo, mais crianças fantasmas são vistas pela cidade envolvidas em assassinatos brutais de estupradores, pedofilos e outros tipos de criminosos. De inicio, o detetive não acredita no sobrenatural, mas à medida que a investigação avança, Tânio percebe que os fantasmas não apenas são reais, como são diferentes de outros relatos de assombrações.

A primeira coisa que chama a atenção em Sementes no Gelo é seu tamanho diminuto. Com apenas 174 páginas a obra está mais para uma noveleta do que um romance e essa falta de espaço têm reflexos no livro como um todo.

Os personagens são bastante rasos. Não possuem diferentes facetas, motivações claras ou ambições, apenas reagindo às situações que são colocadas. Os diálogos são rasteiros e recheados de chavões. Parece até que os personagens estão lendo suas falas. Da mesma forma, a ambientação não é aproveitada. A história se passa em Osasco, mas poderia ser em qualquer outro lugar que não faria diferença, já que o autor se limita a citar nomes de ruas e locais que significam pouca coisa para aqueles que não conhecem a cidade.

A polícia é presença constante durante toda a trama, o que, na minha opinião, compromete o clima de tensão e suspense que se espera em uma história como essa (afinal de contas, quem chamaria a polícia para cuidar de um caso de fantasmas?). A trama não flui de forma natural, resultando em muitas situações forçadas. Para se ter uma ideia, em dado momento, o responsável simplesmente aparece diante do detetive Tânio e faz o imenso favor de contar todos os detalhes de seu plano.

Apesar de tudo isso, há pontos positivos para serem destacados. Vianco faz algumas referências interessantes a elementos do nosso cotidiano como o Jornal Nacional e a revista Época. As crianças-fantasma também são interessantes. Esqueça as almas penadas com assuntos inacabados. Aqui as assombrações ganham nova origem e novos poderes.

Sementes no Gelo definitivamente não me agradou, mas vale para aqueles que procuram uma leitura rápida e para quem quiser ver um tipo de fantasma diferente do tradicional.

FICHA TÉCNICA

SEMENTES NO GELO
Autor: André Vianco
Lançamento: 2002
Páginas: 174
Editora: Novo Século

7 de dez de 2013

HQ - Serpente de Fogo: Ataque ao Vilarejo

Como a maioria de vocês deve saber (mesmo que não acompanhem), estou publicando uma série literária do gênero dark fantasy com capítulos semanais disponíveis para leitura online gratuita: Serpente de Fogo. Logo no início da série somos apresentados à Mirya Clancey, que nos contará a saga de seus pais e também fala sobre a rivalidade com seu meio-irmão.

Hoje trago para vocês uma HQ curta contando uma pequena história extra estrelada por uma Mirya mais jovem do que aquela que vemos em Serpente de Fogo, e por Rodrick, o meio-irmão de Mirya. Não é preciso acompanhar a série para ler essa HQ, que tem apenas 4 páginas e é auto-contida (tem começo, meio e fim). A arte é de Rafa Lee.

Clique na imagem para ler.



E aqui, o roteiro original em full script (download via 4Shared)

30 de nov de 2013

[Game] Grand Theft Auto V

Grand Theft Auto V é o novo capítulo da controversa série de jogos da Rockstar. Uma palavra sobre esse game: Uau! Comecei minha primeira sessão com as expectativas lá no alto e tenho que dizer que GTA 5 superou todas elas!

Quem experimentou os games anteriores ou já está habituado à mecânica de jogos de mundo aberto não deve esperar por grandes inovações.

Não, o que realmente destaca esse game dos demais é a quantidade inacreditável de possibilidades: desde dirigir carros e motos à pilotar helicópteros, aviões e submarinos; de jogar tênis ou golfe à praticar ioga; de administrar seu próprio negócio (lícito ou não) à investir em ações na bolsa de valores, de dar um rolé com os amigos à colecionar fotos das strippers com as quais você dorme. E isso é só um pouco (quase nada) da lista imensa de coisas para se fazer na cidade fictícia de Los Santos.

Aliás, todos os aspectos do jogo são grandiosos. O tamanho da cidade é absurdo, como também é o cuidado com os detalhes. É possível notar a textura do asfalto enquanto dirige, as ruas são sinalizadas, todas as lojas têm nomes e por aí vai. Nenhum outro game conseguiu emular o mundo contemporâneo nesse nível.

A maior inovação que GTA 5 trás em matéria de gameplay é o fato de termos não um, mas três personagens principais. São eles: Michael De Santa, um ladrão de bancos aposentado que vive em uma mansão e está sempre em pé de guerra com a esposa e os filhos; Franklin Clinton, rapaz do subúrbio que mora com uma tia bagaceira e vive de pequenos golpes, mas que está cansado de se arriscar por ninharias; e Trevor Phillips, um antigo parceiro de Michael que pode ser descrito como um sujeito psicótico, violento e alucinado… não só é um maníaco, como gosta disso!



Como é possível alternar entre eles quase que livremente (dentro e fora das missões), cabe ao jogador a tarefa de cuidar da aparência, casas, carros, roupas, economias, equipamentos e negócios de cada um dos três. Isso dá uma perspectiva totalmente nova ao jogo.

Os games da Rockstar são conhecidos por serem polêmicos e GTA 5 não foge à regra. Nossos “heróis” são pessoas que vivem à margem da lei (cabe ressaltar que pessoas honestas são raridade em Los Santos). Roubar carros, usar drogas, aplicar golpes milionários, fugir da polícia… tudo isso é rotina! O jogo chega ao extremo de ter uma cena de tortura interativa, onde o jogador escolhe uma "ferramenta" e deve executar comandos para utilizá-la no pobre torturado.

Mas para aliviar o clima pesado, tudo é pontuado por muito, muito humor negro. Especialmente nos desenhos e reality shows que o jogador pode assistir na TV, que criticam de forma bastante ácida o que anda passando pelas telinhas atualmente.

Se você não lida bem com o politicamente incorreto, Grand Theft Auto V não é o seu jogo. Caso contrário, é um game imperdível! Não só um dos melhores do ano, mas um dos melhores em todos os tempos!

Plataformas: PS3, PS4, XBox 360, XBox One, PC
Gêneros: ação, aventura, tiro em terceira pessoa
Lançamento: 2013
Estúdio: Rockstar



16 de nov de 2013

[Dicas para escrever] Foco Narrativo, com Pedro Bandeira

Hoje quero trazer para vocês uma aula sobre foco narrativo com um professor bem especial: Pedro Bandeira, autor de Os Karas. Para quem não conhece, essa é uma das séries infanto-juvenis mais bem-sucedidas da literatura nacional. As histórias acompanham as aventuras de um grupo formado bom cinco colegas do colegial: Miguel, Calú, Crânio, Chumbinho e Magrí, que a cada livro se vêem em uma nova trama de mistério, suspense e perigo.

Em ordem, os livros são:
- A Droga da Obediência;
- Pântano de Sangue;
- Anjo da Morte;
- A Droga do Amor;
- Droga de Americana.

Nas seis aulas abaixo, Pedro Bandeira fala sobre um tema de suma importância na hora de escrever um livro: a narrativa. Os temas abordados vão desde o narrador à como envolver os leitores de forma emocional. A linguagem utilizadas é simples, mas trás dicas preciosas. Vale a pena ver!

Lembrando que os vídeos compartilhados aqui no blog e na fanpage estão disponíveis na minha playlist Baú do Joe. Até!

Nota: Não foi possível incorporar o primeiro vídeo, mas a clicando no link do título do vídeo abaixo, você pode ver todas as aulas.

9 de nov de 2013

Conto - A Carta Para O Doutor

Como sou curadora do museu municipal, muita gente pensa que passo o dia inteiro sem fazer nada além de admirar arte. Bom, pode não ser o emprego mais pesado do mundo, mas têm dias e dias. Hoje estou fazendo hora extra noite afora para preparar uma grande exposição de esculturas para a próxima semana e devido a vários probleminhas, as obras só foram entregues no fim do expediente.

Dou um giro pelo museu para ver se está tudo em ordem. Caminho sozinha pelos corredores e não demora para ver algo fora do lugar. Alguém colocou um grupo de uma dúzia de pequenas gárgulas de pedra na sala barroca, ao invés da gótica. Depois resolvo isso. Agora, preciso cuidar da remoção das últimas peças da exposição anterior Engraçado. Em uma segunda olhada, algumas gárgulas parecem estar em posições diferentes.

Minha imaginação está me pregando peças.

Na sala seguinte, me deparo com outro problema. Apanho o rádio no meu cinto e me volto para a câmera no canto da sala.