13 de jul de 2013

[Resenha] Filme: Homem de Aço

Em mais um dia no Planeta Diário, Clark Kent lida com seu romance com Lois Lane, que não ata nem desata, quando sua super-audição capta um pedido de socorro. Clark dá uma desculpa esfarrapada e sai para vestir o uniforme azul e voar pela janela. Uma típica história do Superman, certo?

Bom, esqueça! Lex Luthor, identidade secreta, cueca vermelha por cima das calças. Você não vai ver nada disso em Homem de Aço. Talvez na continuação, mas não hoje.

Aqui preciso fazer duas considerações: primeiro, ainda estou mais acostumado a chamar de Super-Homem; segundo, assim, como Homem de Ferro 3, imagino que o Homem de Aço deve dividir os fãs. O que sei é que eu gostei. Gostei muito!

O que temos aqui é um filme difícil de ser definido. Na maior parte do tempo é mais ficção cientifica do que uma história tradicional de super-heróis. Também é a jornada pessoal de um homem em busca de seu lugar no mundo ao mesmo tempo em que conta a saga de um salvador destinado a proteger a humanidade, quase um messias. E quando chega a hora da ação, as lutas ocorrem em uma escala épica, digna de Dragon Ball Z!

Se nos filmes de Christopher Reeve, o Super era a encarnação da bondade e da justiça, aqui temos uma tentativa de humanizar o herói. Ele ainda simboliza a esperança, mas é um símbolo ao nosso alcance: passível de erros, que tem medo de seu destino, mas ainda assim luta pelo que acredita. Em resumo, esse não é o Super-Homem que conhecemos (uma cena em especial, perto do fim, já está deixando os puristas de cabelo em pé).

Não que seja um personagem diferente. A essência é a mesma, foi o mundo que mudou desde os tempos de Reeve, algo que Bryan Singer não percebeu no filme de 2006 com Brandon Routh.

Zack Snyder acerta a mão em sua direção e faz escolhas interessantes na hora de mostrar naves voando pelo céu e nas cenas de ação. O toque de Christopher Nolan se faz sentir na hora de dar um tom mais realista, o que resulta em uma atmosfera parecida com a recente trilogia do Batman. E o roteiro de David S. Goyer é dinâmico e consegue amarrar bem todos os elementos diferentes do filme.

O Homem de Aço não só resgata o Super-Homem nos cinemas, como também conta uma história grandiosa, emocionante e humana. Mais do que recomendado!

5 de jul de 2013

[Resenha] Crônicas dos Senhores de Castelo: O Poder Verdadeiro, de G. Brasman & G. Norris

Temos visto recentemente um número considerável de bons livros de fantasia nacional, mas quando o assunto é a ficção cientifica nacional, a quantidade de obras cai bastante. Aqui temos um livro que não é propriamente um sci-fi, e sim uma ficção fantástica, mas aponta que o gênero ainda tem salvação no Brasil.

Meu primeiro contato com os Senhores de Castelo foi através da fanfic O Filho do Fim, do meu amigo Victório Anthony. Daí foi um pulo para ler Crônicas dos Senhores de Castelo: O Poder Verdadeiro, primeiro volume da série infanto-juvenil criada por Gustavo Brasman e Gustavo Norris, que apesar dos pseudônimos gringos, são brasucas.

Como disse acima, essa é uma obra de ficção fantástica, ou seja, temos uma alta tecnologia que necessariamente não tem explicação cientifica, como em Star Wars. Na verdade, o mundo dos cavaleiros jedi, com seu mix de magia e tecnologia fantástica parece ter sido uma das inspirações para esse livro. Outra fonte de inspiração parece ser os jogos de RPG, onde um grupo de heróis com poderes e habilidades bem diferentes se lança em uma longa jornada.

Os Senhores de Castelo são uma organização criada para proteger a paz e fazer justiça através do universo, ou melhor dizendo, multiverso. Na história, acompanhamos dois Senhores de Castelo: o pistoleiro Thagir e o “monge” Kullat, que tem como missão escoltar a princesa guerreira Laryssa e seu guarda-costas robô Azio para garantir que um poderoso artefato conhecido como Globo Negro não caia em mãos erradas.

Sendo um livro infanto-juvenil, a narrativa tem um ritmo dinâmico e com uma linguagem bem acessível. A estrutura da trama é linear e os personagens, apesar de arquetípicos, são carismáticos. O interior trás algumas ilustrações dos personagens e cenários, se aproximando um pouco de uma light novel.

De forma resumida, pode-se dizer que a aventura é a própria história. Os heróis escapam de um perigo apenas para cair em outro logo adiante, e vale ressaltar que os desafios são variados e interessantes. Por um lado isso garante um texto rápido e ágil, capaz de atrair algum jovem ainda não acostumado ao hábito da leitura. Por outro, me parece um erro acreditar que esse público não seria capaz de assimilar um cenário mais elaborado ou personagens mais profundos. Aí está Harry Potter que não me deixa mentir.

É aqui que reside o maior pecado do livro: o excesso de simplificação.

Em muitos momentos fala-se sobre um multiverso cheio de planetas e civilizações exóticas, mas toda essa grandiosidade fica de lado, já que praticamente toda a ação se passa no reino de Agas’B. Nem mesmo chegamos a ver como se viaja de um mundo à outro e até a explicação sobre quem são os Senhores de Castelo não aparece dentro do livro, só podendo ser encontrada na orelha da capa. Conhecer o mundo onde a história se passa é boa parte da diversão em uma leitura desse tipo, uma diversão que os autores preferiram resumir a notas de rodapé. Outra questão é o pouco desenvolvimento dos personagens e da forma como se relacionam (ao fim da história não sabemos quase nada sobre Kullat).

No final das contas, colocando acertos e erros na balança, faço uma análise positiva de Crônicas dos Senhores de Castelo: O Poder Verdadeiro. Fica a impressão de que a obra não alcançou todo o seu potencial, mas pode ser uma boa pedida como primeiro livro.

FICHA TÉCNICA
CRÔNICAS DOS SENHORES DE CASTELO: O PODER VERDADEIRO

Autores: Gustavo Brasman e Gustavo Norris.
Lançamento: 2010
Número de páginas: 236
Editora: Verus

22 de jun de 2013

[Dicas para escrever] Psicologia e Simbolismo

Esse é um post que eu já queria fazer há algum tempo. Muitas grandes histórias também são elogiadas pelo uso do simbolismo, pelas analogias e por mensagens que nem sempre percebemos de forma consciente. Não, não estou falando de mensagens subliminares e sim de algo mais profundo, quase espiritual.

Os vídeos abaixo mostram uma palestra sobre esse tema: a psicologia e o simbolismo nas histórias com as quais temos contato.

Vi esses vídeos graças a indicação de um amigo. Essa foi uma palestra de Edgar Damiani na Campus Party 2010. O foco é nos games, mas tudo que é dito vale muito para os autores e pode mudar a maneira como você enxerga a arte de contar histórias. Vai ser preciso abrir um espaço na sua agenda já que, juntas as duas partes somam quase 4 horas de duração e, acreditem, vale cada minuto.




15 de jun de 2013

Campanha de incentivo à leitura

Para quem ainda não conhece, a "Campanha de incentivo à leitura" é uma corrente que rola pela internet. O meu blog já recebeu duas indicações, uma do Lugar Distante e outra do Gole Nerd. Hora de colocar minha participação na brincadeira em dia ^^

As regras para participar são:
- indicar mais 10 blogs
- alertar os indicados
- compartilhar a imagem da campanha
- e responder a pergunta: "Que livro indicaria para alguém começar a ler?", indicando pelo menos um livro.

Certo, aqui vão minhas indicações (a ordem não segue nenhum tipo de ranking):

- Baú do Joe (foi mal, não resisti)

Agora aqui vão minhas dicas de leitura. Uma série de livros e alguns quadrinhos.

Livro: Coleção "Os Karas", de Pedro Bandeira

Essa é uma dica para quando te perguntarem que livro oferecer a um adolescente para ajudá-lo a criar o hábito da leitura. Os Karas, de Pedro Bandeira é uma série que acompanha um grupo de cinco estudantes do colegial (4 rapazes e 1 garota) com um talento natural para solucionar mistérios e se envolverem em problemas. A linguagem é ágil e cinematográfica e o mais importante: a história respeita a inteligência do jovem leitor.


Comic: He-Man and the Masters of the Universe

Com esse novo título (continuação de uma minissérie publicada no ano passado), o roteirista Keith Griffin e o desenhista Pop Mhan fizeram o que parecia impossível: levar o He-Man a sério! Com um teor mais adulto, mas respeitando a mitologia do personagem, a HQ consegue agradar os fãs antigos ao mesmo tempo em que trás com sucesso o herói oitentista para o século 21.

Mangá: Diário do Futuro (Mirai Nikki)
"Até onde você chegaria para realizar seu desejo?". Essa é a grande questão de Mirai Nikki (de Sakae Esuno), mangá onde o jovem Amano Yukiteru recebe um celular capaz de prever o futuro. Agora Yukiteru terá de enfrentar outros 11 donos de diários do futuro em confrontos até a morte. O prêmio? O poder para transformar seus desejos em realidade.

HQ europeia: Incal

Incal é uma dica para quem busca uma leitura mais complexa. Essa minissérie em seis volumes é trabalho de dois mestres: Jodorowski e Möebius. Incal conta a história de John Difool, um bufão que por pura sorte (ou azar) encontra o artefato mais poderoso do universo e passa a ser perseguido por dúzias de facções. As reviravoltas são tão constantes que, de uma página para outra a história pode mudar completamente.

8 de jun de 2013

Seleção final - Daemonicus

A editora Literata divulgou a lista dos contos selecionados para a antologia Daemonicus, livro irmão de Angelus - Histórias Fantásticas de Anjos. Foram selecionados 15 textos e meu conto "Cinco Sombras" é um deles. Aqui vai a lista completa.



- Felipe Pires – O Encarregado do Diabo;
- Felipe Leonard – A Raposa Vermelha;
- Gutemberg Fernandes – Abraxas; 
- Joe de Lima – Cinco Sombras;
- Kasumi Himura – Onna;
- Suzy M. Hekamiah – O Vento Árabe;
- Ren Deville – Espelhos;
- João Rogaciano – Jinni, o Demônio Destruidor;
- Josy Alves – A Canção do Incubus;
- Luiz Teodosio – Por isso eu gosto da cidade;
- João Victor Burgos Fernandes – O Diabo na Garrafa;
- Douglas Briganti – O Homem do Terno Branco;
- Alexandre Rofer – O Portador da Luz;
- Jerri Dias – A Troca;
- Leandro Zerbinatti de Oliveira – A Face de Hannya.

1 de jun de 2013

O gênero Dark Fantasy

Está no ar Serpente de Fogo, série literária de minha autoria. Quem leu o post que fiz aqui no blog falando sobre esse novo projeto viu que classifiquei essa história como pertencente ao gênero dark fantasy, ou em bom português, fantasia sombria. O que nos leva a questão: que raio vem a ser isso?

Bom, definir gêneros não é uma tarefa das mais fáceis. As regras não costumam ser muito claras e sempre (sempre) há exceções. Em suma, essa é uma classificação um tanto ambígua e depende muito do próprio autor do texto (nesse caso, eu). Voltando a nossa questão principal, para entender o que é dark fantasy é preciso ter em mente um outro gênero de histórias: a fantasia medieval.

Acredito que qualquer leitor desse blog esteja familiarizado com o termo fantasia medieval, que é usado para definir aquela classe de contos que apresentam uma versão fantástica da idade média. As histórias desse gênero costumam ser aventuras alegóricas onde o bem vence o mal, normalmente com ajuda de um pouquinho de magia. O típico herói de fantasia medieval é o cavaleiro de armadura brilhante que derrota o dragão para salvar a donzela em perigo. O maior exemplo desse tipo de histórias são as lendas do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda.

A fantasia sombria surge como uma derivação da fantasia medieval, nascendo do desejo de contar essas mesmas histórias sob uma visão adulta. Saem as alegorias, entram o clima pesado e temas mais maduros. A linha que separa o bem e o mal já não é tão clara, e há uma presença maior de conteúdo sexual. Naturalmente, essa definição exclui qualquer trama ambientada no mundo moderno. Já vi quem considerasse obras como Entrevista com o Vampiro como dark fantasy, mas eu, pessoalmente vejo essa classe de histórias como parte de um gênero diferente (não é tarefa das mais fáceis, lembram?).

No mundo da literatura, atualmente a maior referência em fantasia sombria é a saga As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin que começa no livro Guerra dos Tronos (editora Leya). Em 2011, essa obra foi adaptada para a TV em uma bem sucedida série da HBO. Mesmo com a popularidade da saga de Martin, talvez o maior expoente da dark fantasy na literatura seja a obra de Michael Moorcock, Elric de Melniboné. Ainda que pouco conhecidos por aqui, os livros do anti-herói albino, Elric são extremamente populares nos Estados Unidos e Europa. Outro trabalho de destaque é a Saga do Bruxo, do autor polonês Andrzej Sapkowski que teve dois livros publicados no Brasil pela Martins Fontes: O Último Desejo e A Espada do Destino. A Saga do Bruxo também ganhou o mundo dos games na série de jogos The Witcher.

O cinema também já bebeu muitas vezes nessa fonte. Um dos primeiros grandes filmes de destaque é o clássico oitentista O Príncipe Guerreiro (1982), do diretor Don Coscarelli. Em tempos recentes, tivemos produções como o longa animado A Lenda de Beowulf (2007), de Robert Zemeckis e Anjos da Noite 3: A Rebelião (2009), com Michael Sheen e Rhona Mitra. Outro sucesso na telona foi Branca de Neve e o Caçador (2012), com Kristen Stewart, Charlize Teron e Chris Hemsworth. E apesar de não terem todos os elementos da nossa definição de fantasia sombria, O 13º Guerreiro (1999) e O Pacto dos Lobos (2001) figuram com frequência em listas de melhores filmes do gênero.

Chegando ao mundo dos quadrinhos, o maior ícone dark fantasy é o nosso velho amigo Conan (vivido no cinema por Arnold Schwarzeneger e mais tarde por Jason Momoa). No Brasil, a  era de ouro do bárbaro foi na saudosa revista da Abril Jovem, A Espada Selvagem de Conan, que durou mais de 200 edições! Outro ícone desse gênero é a exuberante Red Sonja (que até ganhou um filme pra lá de suspeito em 1985, estrelado por Brigitte Nielsen). Mesmo sendo uma personagem bem conhecida por aqui, apenas poucas histórias da heróina chegaram à nossas bancas. Também merece destaque a HQ francesa Arawn (inédita no Brasil), com roteiro de Ronan Le Breton e a arte espetacular de Sébastien Grenier.

Na Terra do Sol Nascente, podemos destacar Berserk, de Kentaro Miura, mangá que já conta com 36 volumes e ainda está em publicação, enquanto o anime teve 25 episódios; Claymore, de Norihiro Yagi, com 23 volumes de mangá e uma adaptação para a TV com 26 episódios; e RG Veda, do Clamp, mangá que durou 10 volumes e ganhou uma pequena versão anime com apenas 2 episódios.

Ufa! É isso aí, agora você não pode dizer que não conhece o gênero fantasia sombria. Claro que existe muito mais material por aí. Se você conhece outro livro, filme, série de TV, anime, quadrinho ou etc. que merece destaque, deixe a dica nos comentários.

Até!

29 de mai de 2013

Serpente de Fogo

Apresento a vocês o lançamento da minha nova série literária: Serpente de Fogo. Esse novo trabalho será publicado em capítulos semanais, todas as quartas no meu novo blog Baú do Joe.

Serpente de Fogo é uma história do gênero dark fantasy, ou fantasia sombria (gênero que é uma versão mais madura da fantasia medieval) com forte influência das HQs europeias.

Na trama, vamos acompanhar Valek e Liana Clancey, um guerreiro e uma feiticeira, mãe e filho unidos por um sentimento proibido. Juntos em uma jornada épica através do Mundo Antigo, eles desafiarão ordens religiosas, povos guerreiros, reis e nações inteiras enquanto buscam transformar uma profecia em realidade.

Para acompanhar Serpente de Fogo basta acessar o Baú do Joe, e não deixem de conhecer a fanpage para ser os primeiros a saber das novidades desse e de outros trabalhos.

Boa leitura!