15 de nov de 2011

A polêmica da lei de cotas

Quem acompanha notícias sobre quadrinhos nacionais já deve ter ouvido falar sobre o projeto de lei de autoria do deputado Vicentinho (PT) que visa criar uma cota miníma para publicação de quadrinhos brasileiros. Em resumo, a lei determinaria que uma editora que publica quadrinhos deveria reservar 20% da sua linha para HQs made in brazil.

Esse projeto não é novo, e já tramita por Brasília há alguns anos. Se, e quando o projeto poderia ser aprovado é incerto, mas vira e mexe a discussão volta a tona: para se criar um mercado de quadrinhos nacionais forte, é necessária uma lei de cotas?

Vou dizer uma coisa pra vocês: eu sou totalmente contrário à criação dessa lei.

Me parece que aqueles que são a favor dessa política acreditam que com isso veremos editoras como a Panini e a JBC publicando mangás e comics nacionais com a mesma qualidade que dedicam a seu material importado, bancas cheias de bons títulos brasileiros e leitores ávidos para consumir as HQs tupiniquins. É claro que seria ótimo termos um cenário assim, porém eu penso que essa lei não é a forma de alcançar isso.

Citei a Panini acima, mas é possível que toda essa discussão não afete essa editora. Mesmo sem os números exatos, acredito que os vários títulos da Turma da Mônica já a deixariam dentro da lei de cotas, e em último caso bastaria encomendar uma nova publicação ao pessoal da MSP.

Naturalmente, esse não é a realidade das outras editoras (lembrando que eu não falo em nome de ninguém, hein gente?!), mas vamos pensar: o mercado de quadrinhos também é uma forma de comércio, e como qualquer estabelecimento comercial as editoras precisam tomar decisões que sejam financeiramente interessantes. Uma HQ nacional pode ser comercialmente viável? Sim! Holy Avenger é um bom exemplo disso, contudo não vamos nos esquecer que os custos e os riscos de produzir uma revista são muito maiores do que importar material pronto. E se houvesse interesse comercial em correr esses riscos, isso já estaria sendo feito.

Mas pode não ser só um problema de interesse, existe outra questão: quantas editoras tem caixa suficiente para isso? Sem interesse comercial e sem caixa, haveria o risco de vermos uma enxurrada de HQs sem qualidade produzidas a baixos custos apenas para cumprir as cotas. E por qualidade não falo da história ser boa ou ruim, até porque esse é um conceito subjetivo (e gosto não se discute). Por qualidade, quero dizer material bem planejado e executado, com consistência nos roteiros, desenhos, etc; bom acabamento e impressão, além de uma distribuição eficiente.

Por tudo isso, eu não vejo a lei de cotas como a solução para se criar uma nova cultura de quadrinhos brazucas. Eu acredito que programas como o ProAC, que já financiou algumas HQs, podem ser um caminho. Outra caminho seria o de oferecer incentivos fiscais a editoras que publicarem títulos feitos por aqui (semelhante a Lei Rouanet que oferece deduções de impostos para quem investir em projeto culturais). Assim, uma HQ nacional poderia ser mais interessante do ponto de vista comercial e as editoras poderiam selecionar melhor o quê publicar.

Afinal, uma revista em quadrinhos deveria conquistar seu espaço nas bancas pela qualidade, e não por força de alguma lei.

E vocês o que pensam sobre esse assunto? Deixem seus comentários.

29 de out de 2011

PsyVamp - lançamento Infinitum

Você está na escola, no metrô, no shopping center, na fila do supermercado… e, de repente, suas forças vão embora. Você se sente fraco, sua energia escoando rapidamente, e pensa que não se alimentou direito. Você foi pego. 

Eles estão em toda parte à procura de alimento. Escolhem suas vítimas e saciam sua fome silenciosamente, sem ser notados. São predadores. Vampiros. Mas não espere por grandes presas, transformações físicas e mordidas no pescoço. Esse tipo de vampiro não se alimenta de sangue. 
Seriam eles bons, malignos ou apenas uma força da natureza? Você se tornaria um deles se pudesse? Ou os combateria, buscando formas de se proteger? Qual as intenções das Ordens Iniciáticas vampíricas?
Você tem coragem de se aventurar por esse mundo muito mais sombrio do que a noite?

A Infinitum convida você para desvendar os mistérios sobre esses seres, tão fascinantes e sedutores quanto os vampiros convencionais ― só que mais reais, o que os torna ainda mais interessantes.

Doze histórias foram reunidas em uma antologia em formato e-book, com autoria de:

Vampsy Gang – Adriano Siqueira (autor convidado) | A PassageiraLucas LourençoA Doutora e o Doador – Joe de LimaCanção de Terror – Gian DantonDança em Gotas Aline T.K.M. | Eterno – Caio BersotFilho Faminto – Ramon de SouzaLucy in the Sky Whit Diamonds – Goldfield | Nênia – Camilla Ferreira | O Preço da CuraRoberta SpindlerRuby – Valentina Silva FerreiraUm Chakra de Grande Qualidade – João Manuel da Silva Rogaciano | Prefácio de Anny Lucard

> acesse a loja virtual da Editora Infinitum

> leia mais sobre PsyVamp

26 de out de 2011

Prévia de HQ

Um dos trabalhos que estou desevolvendo atualmente é uma HQ one-shot em parceria com o Rafa Lee. Ainda não sei se essa história vai ver a luz do dia, já que se trata de um projeto a ser apresentado para as editoras. Aqui abaixo uma pequena prévia dessa HQ: a primeira página arte-finalizada, ainda sem cores e sem texto (torçam por nós).


18 de out de 2011

Antologia - Sexo, Livros e Rock and Roll

Desde que eu decidi dividir o meu tempo entre quadrinhos e literatura, comecei a postar anúncios de antologias abertas a participação de todos. Alguns comentaram sobre a possibilidade de partipar de uma delas, mas eu fico pensando: alguém chegou a enviar um conto para uma das antologias divulgadas por aqui?

Bom, espero que essas dicas estejam sendo úteis, nem que seja só para vocês conhecerem novos livros.

Ah, sim! Antes que eu me esqueça, se estiver pensando em enviar um conto para uma antologia, tome cuidado com umas e outras que cobram taxa de inscrição, ou que promovem venda consignada (o autor recebe uma certa quantidade de livros para vender e tem que repassar uma parte do lucro para a editora). Pessoalmente, eu não confio em nenhum desses modelos, se quiser participar, é por sua conta e risco.

Mas enfim, vamos ao que interessa que é uma nova antologia da Editora Estronho, com uma proposta desafiadora: escrever um conto baseado em uma música. Abaixo segue a sinopse.

O tradicional rock and roll é a base dessa nova proposta da Editora Estronho. Fantasias e sonhos devem se misturar a relatos e testemunhos reais, através de contos e crônicas que, obrigatoriamente, vão unir o rock and roll a pelo menos mais um dos temas restantes, explícitos no título dessa antologia. E assim como o rock, queremos algo descontraído e divertido. O bom humor deve ser um componente em destaque em suas escritas. Elementos fantásticos são bem-vindos, mas não serão obrigatórios, pois o estilo é livre. Serão aceitos contos e crônicas.

Mas é claro que, a Editora Estronho não deixaria as coisas assim tão fáceis. Os textos deverão ser baseados em uma música, à escolha do autor, devendo ser obviamente um rock and roll.

Prefácio de Fausto Fawcett. Autores convidados: Alfer Medeiros, ("Fúria Lupina" e "Livraria Limítrofe") e Gabriel Hamdan (vencedor do 3º concurso de minicontos do Estronho).


Boa sorte para todos!

8 de out de 2011

HQs Virtuais 3

Vamos para mais uma seção de dicas de webcomics de artistas nacionais. Como? Você não viu as outras? Nesse caso, clique aqui para corrigir esse problema. Beleza? Então vamos em frente!

De Raphael Fernandes e Abel, essa webcomic conta a história de um grupo de ativistas na luta contra a ditadura militar. Um roteiro consistente e uma boa arte estilo noir.





Um site de tiras que satiriza os filmes de terror e seus personagens tipícos. Todas produzidas pelo meu  amigo, o próprio Pensador Louco em pessoa. Como ele consegue manter um ritmo acelerado de produção sozinho é algo que eu nunca vou saber.

Essa webcomic já um pouco mais conhecida e está no ar há algum tempo. A história narra as desventuras de um grupo de piratas em quadros cheios de caras e bocas. Quem assina tudo é o Yuri Landim.

20 de set de 2011

Lendo a nova DC

Eu já deixei aqui a minha opinião sobre o reboot da DC Comics. Parte da estratégia de relançamento da editora é a iniciativa New 52, ou seja cinquenta e duas revistas mensais lançadas a partir do número 1!

Bom, seria preciso muuuita disposição (sem falar no tempo livre) para ler todas as revistas, e convenhamos não são todos os títulos que valem tanto a pena. Mas quatro revistas me chamaram mais a atenção, e agora que tive a oportunidade de as ler, trago até você a minha opinião sobre o que eu considero o melhor do reboot da DC (ou não).

Liga da Justiça #1
É difícil fugir desse título, a Liga é o termometro do Universo DC. E, de fato a história mostra como será o relacionamento dos heróis entre si e com a população. Pena que o roteiro de Geoff Johns esteja muito fraco. Temos um capanga de Darkseid correndo pelas ruas, Batman e Lanterna Verde se desentendem, Super-Homem e Lanterna Verde se desentendem, dialógos com a profundidade de um pires. Os editores promoteram que a nova revista da Liga seria como um filme blockbuster, e sob esse ponto de vista, o objetivo foi cumprido: explosões, efeitos especiais, a versão mais exagerada da arte de Jim Lee. Se eu continuar a ler será apenas por curiosidade, mas estou com um pé atrás com essa revista.

Action Comics #1
Essa revista se passa alguns anos antes da Liga. Aqui Grant Morrisson volta aos primeiros dias do Super-Homem para reconstruir o mito do personagem. Usando uma roupa simples como "uniforme", ainda descobrindo todos os seus poderes e até se ferindo com mais frequência. Mesmo essa edição sendo focada na ação, o roteiro de Morrisson flui bem e de forma agradável, ele parece consciente de que os leitores conhecem bem esse personagem. Os desenhos de Rags Morales reforçam ainda mais o clima retrô. Bem que poderiam aproveitar para mudar a personalidade de Lois Lane, mas ela continua sendo a mesma chata pedante de sempre (paciência). É ums história de supers diferente do que nos acostumamos nos últimos tempos. Recomendado.

Batman & Robin #1
Revista passada 5 anos depois de Liga da Justiça. O que me atraiu nesse título foi a proposta do roteirista Peter J. Tomasi, em focar a trama no novo desafio de Batman: a paternidade. Para quem não sabe, o Robin atual, Damian é filho de Bruce Wayne. Então agora o Homem-Morcego não só deve treinar um parceiro, como ensinar seu filho a ser um verdadeiro herói, mas como o moleque foi criado por assassinos sua personalidade é dificil. Boa parte da edição é dedicada a mostrar, com ótimos diálogos, como será o relacionamento entre eles. A arte de Patrick Gleason também merece destaque. Recomendado.

Monstro do Pântano #1
Sempre tive muita curiosidade sobre esse personagem, que há muito anda longe dos holofotes. Mesmo sendo uma revista DC, tem um jeitão de independente. Essa edição é dedicada a mostrar o cenário e apresentar em detalhes o protagonista Alec Rolland. Mesmo com a aparição do Super-Homem, é uma revista de terror e não de super-heróis, por isso segue um ritmo diferente, mais lento e com um destaque maior para os personagens a para a tensão de cada sequência. O roteiro de Scott Snyder é consistente, porém não surpreende, enquanto a arte de Yanick Paquette combina bem com o estilo (tanto que ele dá umas escorregadas com o Azulão). Vale a pena dar uma conferida.

Essas foram as revistas que eu li até agora. Não tenho certeza se vou acompanhar outros títulos, eu aviso se encontrar mais alguma coisa boa. E é claro, se alguém aqui tiver lido essas ou outras das novas revistas da DC, sinta-se a vontade para deixar sua opinião.