7 de set de 2011

Concurso literário do site A Irmandade

O site A Irmandade está promovendo o seu 2° Desafio Literário e a proposta é bastante interessante: escrever um conto a partir de uma entre três imagens. Abaixo segue o texto de apresentação. Para mais informações, acesse o site oficial do Desafio clicando aqui.

Senhores, o 2º Desafio Literário promovido por este site será parecido com o 1º, tendo em vista pequenas alterações no sentido de oferecer maiores opções à criatividade dos participantes. Portanto, o conto deverá conter no máximo 3.000 palavras e a construção narrativa deverá fazer referência direta ou indireta a uma das 3 imagens.

Os livros doados e os colaboradores deste segundo Desafio Literário são:

Anno Dracula – Editora Aleph
Imaginários 4 - Editora Draco
Sociedade das Sombras – Editora Estronho
Metamorfose – Fúria dos Lobisomens – Lino França Jr. (Membro Fundador)
Niger Noctem - Volume 1 – Sr. Arcano ( Membro Cadastrado no site )

3 de set de 2011

Recomeçar do Zero

E a palavra da moda é... reboot! Não, não estou falando da divertida série animada dos anos 1990, e sim do reinício (mais um) do Universo DC.

Porém, esse novo reboot não segue a mesma linha de outras histórias que supostamente deveriam zerar os títulos da editora como Zero Hora, Crise Infinita e Crise Final. Sagas de qualidade duvidosa e, que na verdade quase não tiveram impacto sobre a continuidade das revistas.

Segundo Jim Lee e Dan Didio, a ideia agora é fazer uma reformulação profunda, aos moldes do que foi feito na megassaga Crise nas Infinitas Terras nos anos 1980. (clique aqui para ler mais sobre as declarações dos editores)

Na época, o reboot tinha um objetivo claro: enxugar a cronologia dos heróis que, então era uma verdadeira festa da uva, cada autor fazia o que bem entendia sem nenhum senso de continuidade ou coesão, bem diferente do que vinha sendo feito na Marvel.

Mas deixemos os anos 1980 de lado e voltemos à 2011 e o novo reboot. Quando li sobre os planos desse novo reinício minha primeira reação foi torcer o nariz (como acredito que fizeram a maioria dos leitores). Seria muito fácil chegar aqui e descer a lenha em tudo, no entanto eu prefiro pisar um pouco no freio e procurar entender melhor a situação.

É fato conhecido que ao longo dos anos DC e Marvel têm encontrado cada vez mais dificuldade em formar novos leitores e uma das razões desse problema é a longa e complexa cronologia dos heróis. Você que está lendo essa coluna, sabe dizer quantos Robins já existiram? Ou qual personagem famosa dos X-Men morreu em 2004 e nunca mais voltou? 

Não é fácil para um novo leitor descer de pará-quedas no meio do turbilhão de heróis que mudam de identidade, mortes e ressureições, vilões que se tornam heróis e depois voltam a ser vilões. Voltando ao momento em que os super-heróis surgiram, a DC passa o recado de que não é mais preciso conhecer de cor um sem fim de histórias do passado, os leitores podem começar a acompanhar as revistas a partir de agora sem perder nada, e ainda ver a construção de uma nova mitologia chegando ao ponto do editorial da revista Justice League #1 trazer a frase: "Essa não é a Liga da Justiça que o seu pai lia." (ah, sim! As respostas das perguntas acima são 5 e Jean Grey).

Outra inicativa para atrair novos leitores será focar mais em histórias fechadas, assim qualquer pessoa poderia ler qualquer edição sem ficar perdido.

Mais um ponto é a questão da inclusão das linhas Wildstorm (que inclui os Wildcats), Vertigo (Sandman, Constantine, Monstro do Pantâno entre outros) e até do personagem Super-Choque ao Universo DC tradicional sem parecer que foram costurados depois. Como tudo isso vai se acertar junto, só o tempo dirá.

Mas é claro que as coisas estão longe de serem perfeitas. Nem todas as revistas estão ambientadas no "tempo presente", as continuidades de Batman, Lanterna Verde e Aquaman não foram tão afetadas quanto o Super-Homem, e a Mulher-Maravilha é uma incógnita, uma vez que a heróina já vinha passando por um reconstrução em sua revista. Parece que faltou planejamento, não dá pra negar.

Também não me agradou a volta de Barbara Gordon como Batgirl, eu vinha gostando da fase atual da personagem com Stephanie Brown (ex-Salteadora) por baixo da máscara, além disso quem ficará no papel de Oráculo, o "auxílio 24 horas para super-heróis"?

E não tem jeito. é impossível evitar aquela sensação que ao simplesmete zerar os crônometros, os editores fizeram a opção de varrer a sujeira para debaixo do tapete, e não de realmente limpar a sala, acertando tudo com seus títulos regulares.

[Atualização] Eu não queria esticar ainda mais esse post, mas acabei deixando de fora uma consideração importante: como ficam os fãs das antigas? Esses têm se queixado muito de falta de respeito da editora, e não os culpo por pensar assim, de certa forma faltou mesmo essa consideração, porém me parece que objetivo era mesma focar em leitores mais jovens. Como já comentei ali embaixo e no Orkut, o público adulto consome pouco, no máximo lemos alguma minissérie ou graphic novel. Quanto aos títulos regulares, raramente o público adulto os acompanha, e isso se torna um grande problema para a editora que precisa de um público consumista que gere lucros. De mais a mais, eu não acredito que a maioria dos fãs antigos  ira abandonar os personagens, eu penso que esse público vai continuar na mesma situação: acompanhando de longe, e comprando algo de vez em quando. [fim da atualização]

Enfim, gostando ou não do reboot da DC não dá pra negar a coragem da editora de mexer dessa forma com algo tão enraizado na cultura pop. Colocando tudo na balança, eu acredito que essa pode sim ser considerada uma iniciativa justificável.

O site Universo HQ fez uma matéria bem detalhada sobre como as coisas vão ficar que você acessa clicando aqui.

Para o bem e/ou para o mal, as mudanças estão ai, e espero que saiam boas histórias dessa salada. E afinal, boas histórias não são o que realmente importa?

19 de ago de 2011

Antologia de contos - 2013 Ano Um

Essa antolgoia é uma parceria entre as editoras Ornitorrinco e Literata. Segue a sinopse.

Séculos atrás, os maias previram que o mundo chegaria a um fim catastrófico, após passar por cinco ciclos de existência. Com seus vastos conhecimentos de astronomia, concluíram que raros alinhamentos estelares, associados às posições do Sol e da Terra, trariam a destruição do mundo como o conhecemos.

A destruição prevista pelos maias viria através do Sol. A estrela, que antes proporcionava condições para a vida na Terra, passaria a emanar cada vez mais energia, fazendo com que a vida na Terra tivesse um fim trágico.

O calendário maia indica uma data exata para essa destruição: 21 de dezembro de 2012.

Somam-se à profecia inúmeras crenças, previsões científicas e místicas, assim como fatos que são conhecidos de todos. O Sol atingirá, entre 2012 e 2013, o nível mais alto de emissões energéticas dos últimos anos. Diversas organizações internacionais afirmam constantemente que o degelo das calotas polares é irreversível. As agências espaciais reafirmam que não existe tecnologia capaz de impedir a colisão de um asteróide com a Terra. O aquecimento global tende a aumentar de maneira descontrolada. A escassez de alimentos é uma ameaça constante. Catástrofes naturais são cada vez mais comuns.

Seja qual for a causa, muitos acreditam que a civilização humana, ou até mesmo o mundo que a abriga, está com os dias contados. Muito já se escreveu e falou sobre as catástrofes e destruições que estão por vir. De um modo ou de outro, o mundo sempre acaba. Como o próprio ciclo da vida, tudo tem um fim. Mas também tem um recomeço. Não queremos saber do fim, sim desse recomeço.
 
E se o mundo acabar? E se os maias estiverem certos? E se você sobreviveu? O que fazer nessa situação?

Chegou a hora de repensar tudo isso e preparar o mundo para o que virá depois do fim. Como acabou não é importante. O que importa é que acabou, e agora?

Boa sorte a todos!

17 de ago de 2011

Sobre a fase atual do blog...

Recentemente esse blog tem se focado muito em links de antologias e de quadrinhos para leitura online. Bem diferente de antes, quando tinhamos as dicas para escrever, apostilas, roteiros prontos, etc

Essa mudança editorial não foi algo que eu planejei. Atualmente eu estou atravessando um novo momento na minha carreira. Ainda não achei meu lugar ao Sol, mas estou envolvido em um número bem maior de projetos: tem Onipotente, contos e outro projetos que eu ainda não posso revelar.

Agradeço muito a vocês, que através do blog me ajudaram a ter essa nova projeção, em contrapartida, o tempo disponível para me dedicar a esse espaço tem diminuído cada vez mais.

Pretendo voltar a escrever novas dicas para autores (já tenho separadas as imagens da primeira parte de uma matéria sobre diálogos), colunas e novos roteiros também, mas primeiro eu preciso reorganizar minha agenda.

Para quem chegou agora ao blog, espero possa encontrar algo de interessante na seção de atalhos ali a direita. Para quem já está por aqui a mais tempo, espero que essa fase atual esteja do seu agrado, e tão logo possível, teremos mais do material que estavamos acostumados a ver por aqui.

10 de ago de 2011

HQ Virtuais 2

Já vimos aqui no blog um par de dicas de webcomics de autores brasileiros (se você ainda não viu, clique aqui). Agora vamos para mais uma rodada.

Trata-se de um site que apresenta várias HQs para leitura online: Calundu & Cacoré, Demetrius Dante, Nanquim Descartável, Porção Extra, Nova Hélade e Terapia. Todas com autores e estilos diferentes.

Fanzine assinado pela minha amiga Yumi Moony. É uma história no estilo shoujo mangá, trás uma comédia romântca que se passa nos bastidores de um clube de química (matéria que sempre me deu calafrios!). O primeiro volume está disponível para leitura online.

Essa história é assinada por uma grande equipe. Com um estilo mais cru e ambientada em Paraty conta a saga do nerd Társio que se vê envolvido em uma trama cheia de demônios após conhecer o misterioso Luiz Pinga. Mais brazuca que isso, impossível!

3 de ago de 2011

Seleção Final de Psyvamp

Conheçam a lista dos contos selecionados para a antologia Psyvamp, da Editora Infinitum.

Tive a felicidade do meu conto ficar entre os escolhidos, vejam a lista abaixo e acessem o site da editora para mais informações.

A Passageira – Lucas Lourenço
A Doutora e o Doador – Joe de Lima
Canção de Terror – Gian Danton
Dança em Gotas - Aline T.K.M.
Vultos da Escuridão – Bruno Resende Ramos
Eterno – Caio Bersot
Filho Faminto – Ramon de Souza
Lucy in the Sky Whit Diamonds – Goldfield
Nênia – Camilla Ferreira
O Preço da Cura – Roberta Spindler
Ruby – Valentina Silva Ferreira
Um Chakra de Grande Qualidade – João Manuel da Silva Rogaciano

28 de jul de 2011

[Dicas para escrever] 8 dicas para escrever contos

Já foram postados aqui no blog várias dicas para escrever roteiros de quadrinhos, mas até hoje eu não tinha trazido nada para ajudar os contistas de plantão. Ultimamente eu tenho procurado dar um foco mais literário para minha carreira, e postado sobre antologias abertas à novos escritores, já estava mais do que na hora de trazer algo assim.

O texto que segue foi escrito por James McSill, traduzido por Kyanja Lee e postado no site da Revista Fantástica.

1. Ter um único fio narrativo. Como o espaço de um conto é limitado – talvez pouco mais do que 1000 a 2000 palavras – não há espaço para explorar as histórias de vários personagens ou mostrar como os personagens principais reagem em diferentes situações. 
Estabeleça uma linha de história e não se desvie da mesma.  Alguns exemplos:
*a. Helena planeja uma vingança contra a mulher que roubou o seu emprego.
*b. Camila decide se fica ou não com a carteira que encontrou na rua.
*c. Ricardo enfrenta o seu arqui-rival numa competição de vida ou morte de motocicleta.
Se você começar a ampliar a trama de sua história – talvez focalizando as vidas de todos os competidores da corrida de moto de Ricardo – você está escrevendo uma novela ou um romance. Qualquer conto com mais de 4000 palavras é difícil de vender. Qualquer texto com mais de 6000 palavras  é, em difinitivo, uma novela.

2. Um espaço temporal curto. Um conto é como uma foto – um instante congelado no tempo. - Faz um check-up de como seu personagem lida com um fato, em um período difícil ou traumático de sua vida. (Não é para lidar com a história de sua vida, fazer o estudo de um personagem ou escrever a crônica de suas várias aventuras.) - Os melhores contos têm um foco restrito – uma linha de história cobrindo não mais do que alguns dias. As histórias mais envolventes cobrem eventos que atingem seu herói em poucas horas cruciais. Um único estado de espírito, ritmo e estilo. - Um conto deve produzir o mesmo sentimento ao longo da narrativa. Não deve iniciar com um tom emocional recheado de sofrimento, para acabar descambando para um de comédia explícita. - Ele não d eve acelerar ou diminuir o seu ritmo de forma oscilante. Ou passar de um estilo seco, com sentenças cortantes e um vocabulário simples para uma prosa ininterrupta, langorosa, destilando expressões barrocas e imagens hiperbólicas. - No momento em que você muda a direção ou o tom que está sendo adotado, você provoca um tranco em seu leitor.

3. Descrições breves. Um conto não é o espaço para exibir suas habilidades descritivas. Descrições extensas matam o ritmo e desviam a trama da atenção do leitor. - Você deve sempre ter como objetivo alcançar o máximo efeito com o mínimo de palavras. Você pode preencher uma página descrevendo cada aspecto da aparência de uma mulher de idade, mas a única informação útil que você terá dado ao leitor é que a mulher é idosa. Ou seja, você poderia atingir o mesmo efeito em seis palavras. Ex: Edite tem ondas prateadas nos cabelos. - Forneça apenas as informações secundárias que forem relevantes à trama. - Se a estória for sobre as lutas e as vitórias de John com o fim de seu casamento, o fato de ele ter feito seis tentativas para obter suas medalha s de natação nos 100 metros ou ser alérgico a amendoim não é importante. - O truque é manter um bom balanço e fornecer informações concisas e fatos relevantes suficientes sobre um personagem, de maneira que o leitor consiga visualizá-lo.

4. O mínimo de personagens. Quatro personagens ou menos. Não há tempo nem espaço em um conto para encontrar um batalhão de novos rostos, e memorizar cada personagem e seu grau de parentesco ou envolvimento com outros. - Pense em como é difícil você se lembrar de todos os nomes das pessoas a quem é apresentado em uma festa. Dois é o número ideal de personagens para um breve conto, pois permite que você use diálogos de como eles conversam e reagem. Três é excelente para contos explorando o eterno triângulo amoroso, mas quatro é, de fato, o limite.

5. Sem enredos paralelos, moral camuflada ou subtemas. Simplifique. Conte a estória da forma mais direta possível e não tente ser tão brilhante ou intelectual. - O enredo é de suprema importância. Assim, não permita que nada interfira na forma ligeira e uniforme que se recomenda ao narrar a história. Esse desvio poderá acontecer se sua escrita falar em vários níveis e revelar toda a sorte de verdades ao leitor. Se isso acontecer, ótimo. Mas não se esforce para isso, em definitivo. Deixe que aconteça de modo espontâneo. - Não faça de seu texto uma lição de moral.  - Não use simbolismos. - Não estabeleça a noção de que tudo tenha que ser significativo e profundo, pois grandes são as chances de que você termine com uma história cheia de significados entediantes.

6. Nada de criar um cenário ultra elaborado e redundante. As razões mais comuns que dispersam o leitor em alguns contos é que os escritores gastam as preciosas  linhas iniciais montando o cenário. Ao invés de narrar a história, prendem-se a descrições desnecessárias sobre o tempo, a cidade em que a história ocorre, ou o estado de humor do personagem principal, sua aparência ou seu histórico familiar. - Vá direto à trama em sua primeira frase. - Saiba também estabelecer o final da história. Termine-a de imediato assim que o conflito de seu personagem for resolvido. Não se deixe arrastar sem rumo por vários parágrafos extras, até se esgotar num sopro. - Assim como uma boa piada, um conto tem que ter um final arrebatador.

7. Diálogos tensos e cortantes. Não há como justificar um título atraente e arrebatar a atenção de seu leitor se toda vez que seu personagem principal fala, dá vontade de bocejar. - Diálogos devem ter um ritmo veloz, excitante e dramático. São uma ótima maneira de injetar emoção em uma história. Ajudam a criar estados de humor e tensão. - Crie diálogos concisos. Que eles sejam apenas um flash (recorte sonoro) da realidade, e sirvam apenas para dar vida ou caracterizar de forma peculiar os personagens, e não prosaicos bate-papos. -  Um texto sem diálogos fica menos tenso.

8. O menor número de pontos de vista quanto possível. Um bom conto deve relatar o que acontece ao seu personagem principal quando ele enfrenta uma certa quantidade de situações. E nós, leitores,  devemos enxergar esses eventos através de seus olhos – e somente através deles. Se começarmos a ver a ação pela perspectiva de outro personagem, o texto não está sendo eficaz. - Além de ser muito confuso, isso distancia o leitor do herói – quebrando o vínculo de empatia. Quando uma história funciona bem, tem apenas um único ponto de vista, através do qual o leitor imagina a si próprio como herói. - Troque de ponto de vista quando isso for vital para o enredo. Não mais do que uma vez, no conto.