28 de out de 2010

Dr. Caligari em Quadrinhos


Lançado em 1920, ou seja a quase 1 século, O Gabinete do Dr. Caligari ainda hoje é considerado um dos melhores filmes de terror de todos os tempos.

Também é, ao lado de Nosferatu, um dos ícones do cinema expressionista alemão. Um movimento que revolucionou a sétima arte, apresentando uma nova estética, cenários pertubadores e trilhas sonoras góticas (que naquela época eram executadas por músicos ao vivo, ou por gravadores).

No livro Caligari: do cinema aos quadrinhos. o roteirista Gian Danton apresenta um excelente estudo sobre o expressionismo alemão, além de uma adaptação em quadrinhos desse grande filme, com arte de José Aguiar.

O melhor de tudo, é grátis. Para adquirir gratuitamente uma cópia do arquivo, basta enviar um e-mail para a editora Marca da Fantasia.

Uma leitura imperdível!

12 de out de 2010

New Game


Feriadão, todo mundo de folga... então ao invés de falar sobre quadrinhos hoje eu quero falar sobre um dos meus passatempos favoritos... games.

Passatempo que, por sinal tem uma grande influência na minha obra.

Também pudera, eu já tive um Atari 2600, depois um Nintendinho, e aí segue a evolução com o Super Nintendo, Play Station 1 e agora estou no Play Station 2, onde eu devo ficar mais algum tempo devido a questões financeiras...

Bom, quero compartilhar com vocês alguns links sobre o mundo dos games.

Game Up - é um programa que vai ao ar pela ESPN Brasil, tem notícias, reviews, reportagens. No site dá pra assistir o programa completo sem pagar nada.

Game Trailers - site que é referência quando se trata de previews, novidades e video reviews. Também tem o impagável Angry Video Game Nerd, que detona os piores jogos de todos os tempos. Mas é tudo em inglês.

Game FAQs - outro site em inglês. Tem um gigantesco acervo de dicas (cheats), saves pra baixar e detonados (walktroughs) detalhados.

Por hoje é só, e no próximo post voltaremos a programação normal.

7 de out de 2010

A História Sem Fim


Desde que os mangás invadiram as bancas muitas pessoas começaram uma guerra: de um lado os fãs de comics, de outros os fãs de mangás, e no meio do fogo cruzado ficavam os mais espertos desfrutando o melhor dos dois mundos.

E uma afirmação que se ouvia muito era que os mangás eram melhores porque, ao contrário dos comics tinham começo, meio e fim bem definidos.

Atualmente, porém essa afirmação vai ficando cada vez mais batida, a medida em que vão se multiplicando títulos longevos como Naruto e Bleach, que seguem atravessando os anos sem perspetiva de terminarem em um futuro próximo.

Mas esses não são os únicos exemplos de mangás intermináveis. E é aqui que entra em cena uma palavra que se tornou o pesadelo dos leitores: hiato.

Se você prestou atenção às aulas de grámatica sabe que hiato é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes, mas no mundo otaku hiato é o nome que se dá a uma pausa na publicação de algum título que pode durar alguns meses ou até mesmo anos!

É o caso de Hunter x Hunter, de Yoshihiro Togashi que já sofreu looongas pausas inúmeras vezes, por problemas de saúde do autor, para que ele saísse em lua-de-mel, ou sem nenhuma razão aparente.

Outro caso é o de Evangelion, de Yoshiuki Sadamoto que começou a ser publicado em 1995 e continua até os dias de hoje! Em todo esse tempo foram lançados apenas 12 volumes no Japão (ou seja, pouco mais de 1 por ano). Não há nenhuma razão específica para esse ritmo lento, além da própria disposição do autor em (não)trabalhar.

Agora Eva está de volta pela JBC, que vai continuar a história de onde a Conrad parou. Mas sinceramente, eu pretendo deixar minha coleção incompleta. Um pouco por ideologia, e muito por simples perda de empolgação, afinal já vão mais de três longos anos desde que a última edição chegou as bancas brasileiras.

É bom lembrar que hiatos não são exclusividades dos japoneses. Na Europa, as publicações têm um ritmo mais lento chegando a extremos como a minissérie francesa Lunna (de Crisse e Keramidas) que teve suas 5 edições publicadas ao longo de seis anos. Já nos Estados Unidos, a revista Buffy, the Vampire Slayer ficou parada por cerca de seis meses.

Sejam quais forem as razões, eu acredito que hiatos e edições anuais são uma grande falta de respeito com os leitores, sem falar na falta de comprometimento e profissionalismo! Além de um grande problema comercial, já que a regularidade gera fidelização, por outro lado grandes pausas e irregularidade levam à disperção dos leitores.

Ora se alguém quer que eu leia a sua história, deveria, no mínimo fazer uma.

4 de out de 2010

[Dicas para escrever] Criação de Personagens - parte 2


Pra quem não viu, da última vez nós falamos aqui sobre algumas dicas para criação de personagens.

Agora vamos com a segunda parte dessas dicas, com uma ficha de personagem no final.

Personalidade

Chegamos agora a parte mais complexa da criação de personagens: a personalidade. Aqui será preciso se passar um pouco mais de tempo pensando do que nas outras etapas. Mas com certeza é um esforço que vale a pena, pois quanto mais tempo você passar elaborando a personalidade, menor é a chance de criar um personagem clichê.

Na hora de definir a personalidade vale a mesma regra sobre o passado. Mesmo que os leitores não saibam de certos elementos sobre a personalidade e a psicologia desse ou daquele personagem, é importante que o roteirista saiba, para escolher melhor suas ações.

Talvez a melhor forma de tornar um personagem mais realista seja acrescentar algumas incoerências e/ou defeitos em sua personalidade. É o que acontece com Yukino Miyazawa, do mangá Kare Kano (de Tsuda Masami), na escola Yukino é uma aluna-modelo, inteligente e prestativa, mas em casa ela se mostra relaxada e preguiçosa. Já nos comics, basta ver como Batman, mesmo sendo heróico e honesto também é obsessivo e manipulador.

Esse é um bom ponto para começarmos. Quais são as melhores qualidades e os piores defeitos do seu personagem? Quais são seus medos?

Depois vamos pensar nos objetivos do seu personagem, afinal são suas metas que o impulsionarão para frente e o manterão firme nos momentos difíceis. Um objetivo pode ser algo longo e interminável (um super-herói que jurou combater o crime), ou algo que ele/ela possa concretizar algum dia, (como Naruto que sonha em ser o líder da Vila da Folha).

Quais são os objetivos de seu personagem? Por que ele/ela quer isso? O que fará para alcançar seu sonho? Quais são seus maiores obstáculos?

E como ninguém é uma ilha, o nosso personagem terá de se relacionar com as pessoas à seu redor. O comportamento é a característica mais marcante de um personagem, é o que define como ele ou ela será visto e lembrado pelos leitores.
O que o seu personagem pensa sobre as pessoas à sua volta? E sobre as pessoas em geral? O que ele/ela pensa sobre si mesmo(a)? Como as outras pessoas o vêem?

Peculiaridades

Existem mais alguns detalhes extras que podem ser incorporados ao personagem, as peculiaridades. São pequenas coisas do cotidiano que, talvez não acrescentem nada a história, mas acrescentam mais cor ao personagem.

Coisas do tipo, qual é o prato predileto do personagem? Ele ou ela tem algum hobby? Algum animal de estimação? Ele/ela sente atração por que tipo de mulher/homem?

Ficha

Muitos roteiristas, tanto veteranos, quanto novatos gostam de elaborar fichas de personagens na hora da construção. Aqui vai uma ficha criada por mim, repassando o que vimos nesse aqui. É possível achar fichas muito mais detalhadas na internet.
FICHA DE PERSONAGEM

Bom pessoal, é isso. Espero que essas dicas possam ser úteis e lembrem-se: escrevam sempre!

28 de set de 2010

[Dicas para escrever] Criação de Personagens - parte 1


Qual é a primeira coisa que vem a sua mente quando se fala em Star Wars? É possível que muitas pessoas pensem em naves espaciais e nos diferentes planetas, mas a maioria irá pensar em Darth Vader, Princesa Leia e nos cavaleiros jedi com seus sabres de luz.

Por mais que o mundo da história seja rico e envolvente, são os personagens que mantém os leitores fiéis à história. Um bom personagem é alguém fácil de se gostar ou odiar, alguém carismático que possa levar os leitores a se identificar, espelhar ou admirar.

Mas como criar um personagem assim? Infelizmente, não há uma fórmula para criar personagens carismáticos, e isso sempre depende mais dos leitores do que do próprio autor. Mas no geral, podemos dizer que personagens mais bem elaborados, e com um ou dois defeitos têm mais chances com o público.

A criação de personagens é um assunto complexo e já foi tema de inúmeros estudos. Longe de mim, dar a palavra final, mas aqui vão algumas etapas básicas que podem te ajudar nessa missão.

Definição

Aqui temos apenas a informação básica, o mínimo necessário para saber com quem estamos lidando. É possível escrever uma história fechada de poucas páginas apenas com essas informações (como eu faço aqui no blog), mas não HQs com mais páginas ou mais capítulos.

A primeira coisa é definir o conceito, ou seja, o que o seu personagem é. De que tipo de pessoa estamos falando? Um guerreiro ou um advogado? Uma freira ou uma espiã internacional? Ou será um pica-pau com uma risada marcante?

Qual é o nome do seu personagem? E qual é a idade, ou no caso de personagens longevos (como vampiros e super-heróis), qual é a idade real e a aparente?
Depois vêm suas ocupações, o que ele/ela faz pra viver? Tem alguma outra atividade secreta? (Clark Kent é repórter e também é o Super-Homem). Onde vive (ou se esconde), e com quem?
Ele ou ela é solteiro(a), está namorando, é casado(a), divorciado(a) ou viúvo(a)? Tem amigos ou inimigos? Quem são?

O Passado

No mundo dos quadrinhos o passado define o presente. Pense em quantos personagens só se tornaram o que são devido há algum evento em seu passado. Peter Parker se tornou o Homem-Aranha para se redimir da morte de seu tio Ben. Magneto (dos X-Men) odeia a humanidade porque sua família foi enviada para um campo de concentração quando ele era criança. Gaara (do mangá Naruto, de Masashi Kishimoto) se tornou um maníaco homicida após sobreviver a uma tentativa de assassinato.

Os eventos do passado sempre irão interferir com o presente em diferentes intensidades. E lembre-se: mesmo que os leitores nunca venham a saber sobre o passado de um personagem é importante que o roteirista tenha pelo menos o quadro geral, para assim, determinar melhor as atitudes desse ou daquele individuo.

Vamos pensar então: Onde o personagem nasceu e cresceu? Como foi sua infância? Como era sua relação com a família e com os amigos de infância? Ainda tem contato com essas pessoas? Qual foi o fato mais marcante na vida dele ou dela?

Aparência

A menos que o seu personagem seja invisível, você por certo quer que ele/ela tenha um visual único e chamativo. Mesmo que o traço dos personagens (ou character design) seja criado pelo desenhista, ele fará isso com base nas referências que você passou.

Um erro comum quando se está começando é imaginar todos os personagens (ou pelo menos a maioria deles) como pessoas jovens, bonitas e na moda. Isso deixa a HQ repetitiva e pouco realista, como acontecia com os primeiros títulos da editora Image: todos os homens eram grandes e fortes, e todas as mulheres eram gostosas e se vestiam como strippers.

Nesse caso, a variedade é a fórmula do sucesso. Dito isso, vamos passar a questão do aspecto físico.
Qual é a cor dos cabelos e olhos? A que etnia pertence? Qual é o tipo físico (forte, gordo, esbelto)? Possuí algum traço marcante no rosto ou no corpo (tatuagens, cicatrizes, pierciengs, etc.)?
Uma boa regra aqui é criar um contraste entre os personagens. Se o herói é loiro, então sua namorada deve ser morena, ruiva, negra, etc. O importante é que não seja loira também.

Por fim, chegamos ao vestuário. As roupas refletem o dia-a-dia do nosso personagem: um mendigo vestirá trapos sujos, já um executivo usa terno e gravata. O mesmo princípio vale para a personalidade: uma garota tímida usará roupas conservadoras, enquanto outra mais saidinha vestirá trajes ousados.

Encerramos por aqui a primeira parte dessa coluna, fiquem atentos para a segunda parte.

26 de ago de 2010

Concurso no Blog Verdugo


O blog de tiras Verdugo, o Inacreditável da minha amiga Verônica Saiki.

O concurso consiste em criar uma camisa para o personagem principal do blog.

As 3 melhores recebem um boneco artesanal usando a camisa que criou.

O regulamento e mais detalhes estão aqui.

Boa sorte!

13 de ago de 2010

Acervo de Roteiros (em inglês)


Outro dia um amigo me pediu pra analisar um roteiro que ele tinha escrito e pra minha surpresa era um roteiro em "T".

Pra quem não sabe, um roteiro em "T" é como uma tabela que funciona assim:

coluna 1 - número do quadro
coluna 2 - descrição do quadro
coluna 3 - diálogos e textos do quadro

Esse tipo de roteiro é comum na televisão, mas nas HQs é algo que já está ultrapassado há muito tempo.

A bem da verdade, é que não existe uma forma correta de se formatar um roteiro full script (lembra quando eu falei sobre tipos de roteiro aqui?), mesmo assim roteiristas que quiserem ver alguns exemplos e desenhistas em busca de alguns textos para treinar, podem encontrar muito material no site abaixo:

The Comic Book Script Archive

Esse site possui um grande acervo de diversos roteiristas diferentes incluíndo Neil Gaiman, Warren Ellis, Grant Morrison, Brian Michael Bendis, entre outros.

É tudo em inglês, mas pra quem não tem problema com o idioma, vale muito a pena uma conferida.