7 de out de 2010

A História Sem Fim


Desde que os mangás invadiram as bancas muitas pessoas começaram uma guerra: de um lado os fãs de comics, de outros os fãs de mangás, e no meio do fogo cruzado ficavam os mais espertos desfrutando o melhor dos dois mundos.

E uma afirmação que se ouvia muito era que os mangás eram melhores porque, ao contrário dos comics tinham começo, meio e fim bem definidos.

Atualmente, porém essa afirmação vai ficando cada vez mais batida, a medida em que vão se multiplicando títulos longevos como Naruto e Bleach, que seguem atravessando os anos sem perspetiva de terminarem em um futuro próximo.

Mas esses não são os únicos exemplos de mangás intermináveis. E é aqui que entra em cena uma palavra que se tornou o pesadelo dos leitores: hiato.

Se você prestou atenção às aulas de grámatica sabe que hiato é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes, mas no mundo otaku hiato é o nome que se dá a uma pausa na publicação de algum título que pode durar alguns meses ou até mesmo anos!

É o caso de Hunter x Hunter, de Yoshihiro Togashi que já sofreu looongas pausas inúmeras vezes, por problemas de saúde do autor, para que ele saísse em lua-de-mel, ou sem nenhuma razão aparente.

Outro caso é o de Evangelion, de Yoshiuki Sadamoto que começou a ser publicado em 1995 e continua até os dias de hoje! Em todo esse tempo foram lançados apenas 12 volumes no Japão (ou seja, pouco mais de 1 por ano). Não há nenhuma razão específica para esse ritmo lento, além da própria disposição do autor em (não)trabalhar.

Agora Eva está de volta pela JBC, que vai continuar a história de onde a Conrad parou. Mas sinceramente, eu pretendo deixar minha coleção incompleta. Um pouco por ideologia, e muito por simples perda de empolgação, afinal já vão mais de três longos anos desde que a última edição chegou as bancas brasileiras.

É bom lembrar que hiatos não são exclusividades dos japoneses. Na Europa, as publicações têm um ritmo mais lento chegando a extremos como a minissérie francesa Lunna (de Crisse e Keramidas) que teve suas 5 edições publicadas ao longo de seis anos. Já nos Estados Unidos, a revista Buffy, the Vampire Slayer ficou parada por cerca de seis meses.

Sejam quais forem as razões, eu acredito que hiatos e edições anuais são uma grande falta de respeito com os leitores, sem falar na falta de comprometimento e profissionalismo! Além de um grande problema comercial, já que a regularidade gera fidelização, por outro lado grandes pausas e irregularidade levam à disperção dos leitores.

Ora se alguém quer que eu leia a sua história, deveria, no mínimo fazer uma.

4 de out de 2010

[Dicas para escrever] Criação de Personagens - parte 2


Pra quem não viu, da última vez nós falamos aqui sobre algumas dicas para criação de personagens.

Agora vamos com a segunda parte dessas dicas, com uma ficha de personagem no final.

Personalidade

Chegamos agora a parte mais complexa da criação de personagens: a personalidade. Aqui será preciso se passar um pouco mais de tempo pensando do que nas outras etapas. Mas com certeza é um esforço que vale a pena, pois quanto mais tempo você passar elaborando a personalidade, menor é a chance de criar um personagem clichê.

Na hora de definir a personalidade vale a mesma regra sobre o passado. Mesmo que os leitores não saibam de certos elementos sobre a personalidade e a psicologia desse ou daquele personagem, é importante que o roteirista saiba, para escolher melhor suas ações.

Talvez a melhor forma de tornar um personagem mais realista seja acrescentar algumas incoerências e/ou defeitos em sua personalidade. É o que acontece com Yukino Miyazawa, do mangá Kare Kano (de Tsuda Masami), na escola Yukino é uma aluna-modelo, inteligente e prestativa, mas em casa ela se mostra relaxada e preguiçosa. Já nos comics, basta ver como Batman, mesmo sendo heróico e honesto também é obsessivo e manipulador.

Esse é um bom ponto para começarmos. Quais são as melhores qualidades e os piores defeitos do seu personagem? Quais são seus medos?

Depois vamos pensar nos objetivos do seu personagem, afinal são suas metas que o impulsionarão para frente e o manterão firme nos momentos difíceis. Um objetivo pode ser algo longo e interminável (um super-herói que jurou combater o crime), ou algo que ele/ela possa concretizar algum dia, (como Naruto que sonha em ser o líder da Vila da Folha).

Quais são os objetivos de seu personagem? Por que ele/ela quer isso? O que fará para alcançar seu sonho? Quais são seus maiores obstáculos?

E como ninguém é uma ilha, o nosso personagem terá de se relacionar com as pessoas à seu redor. O comportamento é a característica mais marcante de um personagem, é o que define como ele ou ela será visto e lembrado pelos leitores.
O que o seu personagem pensa sobre as pessoas à sua volta? E sobre as pessoas em geral? O que ele/ela pensa sobre si mesmo(a)? Como as outras pessoas o vêem?

Peculiaridades

Existem mais alguns detalhes extras que podem ser incorporados ao personagem, as peculiaridades. São pequenas coisas do cotidiano que, talvez não acrescentem nada a história, mas acrescentam mais cor ao personagem.

Coisas do tipo, qual é o prato predileto do personagem? Ele ou ela tem algum hobby? Algum animal de estimação? Ele/ela sente atração por que tipo de mulher/homem?

Ficha

Muitos roteiristas, tanto veteranos, quanto novatos gostam de elaborar fichas de personagens na hora da construção. Aqui vai uma ficha criada por mim, repassando o que vimos nesse aqui. É possível achar fichas muito mais detalhadas na internet.
FICHA DE PERSONAGEM

Bom pessoal, é isso. Espero que essas dicas possam ser úteis e lembrem-se: escrevam sempre!

28 de set de 2010

[Dicas para escrever] Criação de Personagens - parte 1


Qual é a primeira coisa que vem a sua mente quando se fala em Star Wars? É possível que muitas pessoas pensem em naves espaciais e nos diferentes planetas, mas a maioria irá pensar em Darth Vader, Princesa Leia e nos cavaleiros jedi com seus sabres de luz.

Por mais que o mundo da história seja rico e envolvente, são os personagens que mantém os leitores fiéis à história. Um bom personagem é alguém fácil de se gostar ou odiar, alguém carismático que possa levar os leitores a se identificar, espelhar ou admirar.

Mas como criar um personagem assim? Infelizmente, não há uma fórmula para criar personagens carismáticos, e isso sempre depende mais dos leitores do que do próprio autor. Mas no geral, podemos dizer que personagens mais bem elaborados, e com um ou dois defeitos têm mais chances com o público.

A criação de personagens é um assunto complexo e já foi tema de inúmeros estudos. Longe de mim, dar a palavra final, mas aqui vão algumas etapas básicas que podem te ajudar nessa missão.

Definição

Aqui temos apenas a informação básica, o mínimo necessário para saber com quem estamos lidando. É possível escrever uma história fechada de poucas páginas apenas com essas informações (como eu faço aqui no blog), mas não HQs com mais páginas ou mais capítulos.

A primeira coisa é definir o conceito, ou seja, o que o seu personagem é. De que tipo de pessoa estamos falando? Um guerreiro ou um advogado? Uma freira ou uma espiã internacional? Ou será um pica-pau com uma risada marcante?

Qual é o nome do seu personagem? E qual é a idade, ou no caso de personagens longevos (como vampiros e super-heróis), qual é a idade real e a aparente?
Depois vêm suas ocupações, o que ele/ela faz pra viver? Tem alguma outra atividade secreta? (Clark Kent é repórter e também é o Super-Homem). Onde vive (ou se esconde), e com quem?
Ele ou ela é solteiro(a), está namorando, é casado(a), divorciado(a) ou viúvo(a)? Tem amigos ou inimigos? Quem são?

O Passado

No mundo dos quadrinhos o passado define o presente. Pense em quantos personagens só se tornaram o que são devido há algum evento em seu passado. Peter Parker se tornou o Homem-Aranha para se redimir da morte de seu tio Ben. Magneto (dos X-Men) odeia a humanidade porque sua família foi enviada para um campo de concentração quando ele era criança. Gaara (do mangá Naruto, de Masashi Kishimoto) se tornou um maníaco homicida após sobreviver a uma tentativa de assassinato.

Os eventos do passado sempre irão interferir com o presente em diferentes intensidades. E lembre-se: mesmo que os leitores nunca venham a saber sobre o passado de um personagem é importante que o roteirista tenha pelo menos o quadro geral, para assim, determinar melhor as atitudes desse ou daquele individuo.

Vamos pensar então: Onde o personagem nasceu e cresceu? Como foi sua infância? Como era sua relação com a família e com os amigos de infância? Ainda tem contato com essas pessoas? Qual foi o fato mais marcante na vida dele ou dela?

Aparência

A menos que o seu personagem seja invisível, você por certo quer que ele/ela tenha um visual único e chamativo. Mesmo que o traço dos personagens (ou character design) seja criado pelo desenhista, ele fará isso com base nas referências que você passou.

Um erro comum quando se está começando é imaginar todos os personagens (ou pelo menos a maioria deles) como pessoas jovens, bonitas e na moda. Isso deixa a HQ repetitiva e pouco realista, como acontecia com os primeiros títulos da editora Image: todos os homens eram grandes e fortes, e todas as mulheres eram gostosas e se vestiam como strippers.

Nesse caso, a variedade é a fórmula do sucesso. Dito isso, vamos passar a questão do aspecto físico.
Qual é a cor dos cabelos e olhos? A que etnia pertence? Qual é o tipo físico (forte, gordo, esbelto)? Possuí algum traço marcante no rosto ou no corpo (tatuagens, cicatrizes, pierciengs, etc.)?
Uma boa regra aqui é criar um contraste entre os personagens. Se o herói é loiro, então sua namorada deve ser morena, ruiva, negra, etc. O importante é que não seja loira também.

Por fim, chegamos ao vestuário. As roupas refletem o dia-a-dia do nosso personagem: um mendigo vestirá trapos sujos, já um executivo usa terno e gravata. O mesmo princípio vale para a personalidade: uma garota tímida usará roupas conservadoras, enquanto outra mais saidinha vestirá trajes ousados.

Encerramos por aqui a primeira parte dessa coluna, fiquem atentos para a segunda parte.

26 de ago de 2010

Concurso no Blog Verdugo


O blog de tiras Verdugo, o Inacreditável da minha amiga Verônica Saiki.

O concurso consiste em criar uma camisa para o personagem principal do blog.

As 3 melhores recebem um boneco artesanal usando a camisa que criou.

O regulamento e mais detalhes estão aqui.

Boa sorte!

13 de ago de 2010

Acervo de Roteiros (em inglês)


Outro dia um amigo me pediu pra analisar um roteiro que ele tinha escrito e pra minha surpresa era um roteiro em "T".

Pra quem não sabe, um roteiro em "T" é como uma tabela que funciona assim:

coluna 1 - número do quadro
coluna 2 - descrição do quadro
coluna 3 - diálogos e textos do quadro

Esse tipo de roteiro é comum na televisão, mas nas HQs é algo que já está ultrapassado há muito tempo.

A bem da verdade, é que não existe uma forma correta de se formatar um roteiro full script (lembra quando eu falei sobre tipos de roteiro aqui?), mesmo assim roteiristas que quiserem ver alguns exemplos e desenhistas em busca de alguns textos para treinar, podem encontrar muito material no site abaixo:

The Comic Book Script Archive

Esse site possui um grande acervo de diversos roteiristas diferentes incluíndo Neil Gaiman, Warren Ellis, Grant Morrison, Brian Michael Bendis, entre outros.

É tudo em inglês, mas pra quem não tem problema com o idioma, vale muito a pena uma conferida.

3 de ago de 2010

Documentário Sobre a Carreira de Grant Morrison

Grant Morrison: Talking with Gods é um documentário a ser lançado na New York Comic-Con desse ano.

O filme percorre os 30 anos da carreira de Morrison, um dos melhores roteiristas da atualidade. No currículo do cara estão clássicos como Homem-Animal, Invisíveis, Grandes Astros Superman e atualmente está fazendo um trabalho espetacular na revista americana Batman & Robin.

No vídeo abaixo, Grant fala sobre seu inusitado encontro com um fã vestido de Super-Homem e como isso o inspirou a escrever Grandes Astros Superman.