13 de ago de 2010

Acervo de Roteiros (em inglês)


Outro dia um amigo me pediu pra analisar um roteiro que ele tinha escrito e pra minha surpresa era um roteiro em "T".

Pra quem não sabe, um roteiro em "T" é como uma tabela que funciona assim:

coluna 1 - número do quadro
coluna 2 - descrição do quadro
coluna 3 - diálogos e textos do quadro

Esse tipo de roteiro é comum na televisão, mas nas HQs é algo que já está ultrapassado há muito tempo.

A bem da verdade, é que não existe uma forma correta de se formatar um roteiro full script (lembra quando eu falei sobre tipos de roteiro aqui?), mesmo assim roteiristas que quiserem ver alguns exemplos e desenhistas em busca de alguns textos para treinar, podem encontrar muito material no site abaixo:

The Comic Book Script Archive

Esse site possui um grande acervo de diversos roteiristas diferentes incluíndo Neil Gaiman, Warren Ellis, Grant Morrison, Brian Michael Bendis, entre outros.

É tudo em inglês, mas pra quem não tem problema com o idioma, vale muito a pena uma conferida.

3 de ago de 2010

Documentário Sobre a Carreira de Grant Morrison

Grant Morrison: Talking with Gods é um documentário a ser lançado na New York Comic-Con desse ano.

O filme percorre os 30 anos da carreira de Morrison, um dos melhores roteiristas da atualidade. No currículo do cara estão clássicos como Homem-Animal, Invisíveis, Grandes Astros Superman e atualmente está fazendo um trabalho espetacular na revista americana Batman & Robin.

No vídeo abaixo, Grant fala sobre seu inusitado encontro com um fã vestido de Super-Homem e como isso o inspirou a escrever Grandes Astros Superman.


27 de jul de 2010

Anime à Brasileira?


Lembram que não faz muito tempo que eu falei aqui sobre os mangás nacionais da editora HQM?

Logo depois disso, um amigo me falou sobre o anime Michiko to Hatchin, que serve quase de complemento à questão HQM. A série tem sido muito divulgada como um anime passado no Brasil.

Na verdade, Michiko to Hatchin não se passa realmente em terras brazucas, e sim em um país gênerico, claramente inspirado no Brasil, mas que não é chamado assim.

Dessa forma, a produção justifica um pouco alguns erros culturais, como os textos em portunhol e fusquinhas como viaturas da polícia. A abertura faz referências a favelas e praias, além do tema ser um samba remixado.

Outra curiosidade é que uma das protagonistas atende pelo singêlo nome de Michiko Malandro (será uma parente distante de Sérgio Mallandro?).

A essa altura você pode estar se perguntando: o que tudo isso tem a ver com a editora HQM?

Bom, eu (e muitos outros) critiquei a editora por publicar material nacional no sentido oriental da leitura, da direita para a esquerda, em uma tentativa de se assemelhar ao máximo possível com um mangá made in Japan.

Enquanto isso, Michiko to Hatchin, embora ambientado nesse Brasil esquisito, se mantém fiel à suas origens, com uma narrativa e uma linguagem próprias dos animes, mantendo assim sua própria identidade cultural e personalidade, valores que a HQM abriu mão.

23 de jul de 2010

Questão de Identidade


Pra quem ainda não sabe, recentemente a editora HQM entrou no mercado de mangás nacionais com dois títulos: Vitral e O Princípe do Best-Seller.

(Você pode ler a notícia completa aqui)

Não é preciso ser nenhum especialista, nem ter um olho clínico para ver que o visual remete diretamente aos mangás japoneses por execelência (aliás em termos de visual, os desenhos são realmente muito bonitos!). Mais que isso, são histórias ambientadas no Japão com personagens nipônicos.

Nenhum problema até aqui. Contudo, a HQM tomou uma atitude (na minha humilde opinião) totalmente infeliz: publicar suas revistas no sentido oriental da leitura, ou seja, da direita para a esquerda. Ao fazer isso a HQM abriu mão de algumas coisas importantes, não só nos quadrinhos, mas em qualquer tipo de midia: uma identidade e uma personalidade próprias.

Mangá não é só um nome dado a um estilo de quadrinhos, assim como a leitura oriental não é uma opção artística, são elementos sócio-culturais japoneses.

Vou deixar bem claro que não pretendo levantar a bandeira do nacionalismo, até porque nunca fui um grande defensor de causas.

Mas veja bem, se você abrir uma HQ Disney, com uma leitura um pouco mais atenta é possível dizer se a história em questão foi produzida no Brasil, nos Estados Unidos ou na Itália, não só por causa da estética, mas também pela narrativa.

Mas já que estamos falando de mangás nacionais, vamos a eles. Veja o caso da Turma da Mônica Jovem, ainda que use a estética dos mangás, o título nunca tentou se passar por um mangá verdadeiro. O mesmo acontecia com Holy Avenger, outro mangá nacional bem sucedido.

Essas são histórias com personalidade e estilo próprios. E é isso que representa uma identidade cultural, mais do que nacionalismo ou patriotismo, tem a ver com personalidade.

Quanto a HQM, me parece que a intenção da editora é (e digo isso sem maldade alguma) encontrar algum leitor desavisado, que compre um de seus lançamentos pensando tratar-se de material japônes legitimo. As vendas é que irão dizer se a estratégia vai ou não funcionar, e isso não depende da aparência nem do sentido da leitura, e sim da qualidade das revistas.

21 de jul de 2010

Palestra: A Arte de Contar Histórias

No último Anime Family, meu amigo Angel ministrou uma ótima palestra sobre mitos que compõe histporias de aventura e sobre a jornada do herói.

Quem quiser assistir ao vídeo basta visitar o blog do Angel clicando aqui.

6 de jul de 2010

A Pior HQ de Todos os Tempos


Sabe aquela piada "uma aula de tudo o quê você não deve fazer"? Bom, aqui temos um exemplo real disso. é a minissérie Justice League: The Rise of Arsenal, ainda inédita no Brasil, a matéria que segue é do site o Omelete e contém spoilers.

O pior gibi da história? É o que sites como o Savage Critic têm dito sobre Justice League: The Rise of Arsenal #3. Há duas cenas da HQ que circulam pela web para exemplificar o caso: uma em que Arsenal está com cara de poucos amigos após brochar com a namorada, e outra em que luta contra uma gangue para defender um gato morto que, no meio de uma alucinação, ele acredita ser sua filha morta. No site Bleeding Cool você vê algumas imagens.

A minissérie deveria tratar do renascimento de Arsenal - Roy Harper, o antigo Ricardito, parceiro do Arqueiro Verde - após os eventos da minissérie Justice League: Cry for Justice (execrada lá fora). Roy teve um braço cortado pelo vilão Prometeu - o mesmo que também matou sua filha durante a destruição de Coast City.

Na mini, o herói ganha um novo braço biônico, prontamente oferecido por seus amigos heróis, e tenta lidar com suas outras perdas. Desde a edição 1 está tendo alucinações que o puxam para as drogas - e vale lembrar que ele já foi o super-herói drogado mais famoso dos quadrinhos, na década de 70.

A minissérie, porém, é um desastre. Não há motivo para ela existir, na verdade - é um arco que se resolveria em poucas páginas, e com menos situações constrangedoras. O roteiro é uma piada. Os diálogos não chegam a ser do estilo tão-ruins-que-são-bons - são simplesmente rasos. E os desenhos, totalmente inconstantes de quadro a quadro - veja a sequência da brochada, por exemplo.

Mas o que chamou atenção dos resenhistas que a tacharam de pior HQ da história é a inconsistência da obra toda. Numa história sobre perda e recuperação, viram piada cenas que deveriam ter um grande peso dramático.

A DC tem se esmerado em HQs ruins nos últimos tempos. Não se vê investimento da editora em bons escritores, mas sim em uma leva de novatos pouco promissores - desde que consigam entregar um roteiro em poucos dias, atendendo mandos e desmandos editoriais. Da mesma forma, a política oficial de “melhor um gibi mal desenhado do que um gibi atrasado” gera aberrações. Rise of Arsenal é o cúmulo.

fonte:omelete.com.br