10 de ago de 2010
3 de ago de 2010
Documentário Sobre a Carreira de Grant Morrison
O filme percorre os 30 anos da carreira de Morrison, um dos melhores roteiristas da atualidade. No currículo do cara estão clássicos como Homem-Animal, Invisíveis, Grandes Astros Superman e atualmente está fazendo um trabalho espetacular na revista americana Batman & Robin.
No vídeo abaixo, Grant fala sobre seu inusitado encontro com um fã vestido de Super-Homem e como isso o inspirou a escrever Grandes Astros Superman.
27 de jul de 2010
Anime à Brasileira?

Logo depois disso, um amigo me falou sobre o anime Michiko to Hatchin, que serve quase de complemento à questão HQM. A série tem sido muito divulgada como um anime passado no Brasil.
Na verdade, Michiko to Hatchin não se passa realmente em terras brazucas, e sim em um país gênerico, claramente inspirado no Brasil, mas que não é chamado assim.
Dessa forma, a produção justifica um pouco alguns erros culturais, como os textos em portunhol e fusquinhas como viaturas da polícia. A abertura faz referências a favelas e praias, além do tema ser um samba remixado.
Outra curiosidade é que uma das protagonistas atende pelo singêlo nome de Michiko Malandro (será uma parente distante de Sérgio Mallandro?).
A essa altura você pode estar se perguntando: o que tudo isso tem a ver com a editora HQM?
Bom, eu (e muitos outros) critiquei a editora por publicar material nacional no sentido oriental da leitura, da direita para a esquerda, em uma tentativa de se assemelhar ao máximo possível com um mangá made in Japan.
Enquanto isso, Michiko to Hatchin, embora ambientado nesse Brasil esquisito, se mantém fiel à suas origens, com uma narrativa e uma linguagem próprias dos animes, mantendo assim sua própria identidade cultural e personalidade, valores que a HQM abriu mão.
23 de jul de 2010
Questão de Identidade

(Você pode ler a notícia completa aqui)
Não é preciso ser nenhum especialista, nem ter um olho clínico para ver que o visual remete diretamente aos mangás japoneses por execelência (aliás em termos de visual, os desenhos são realmente muito bonitos!). Mais que isso, são histórias ambientadas no Japão com personagens nipônicos.
Nenhum problema até aqui. Contudo, a HQM tomou uma atitude (na minha humilde opinião) totalmente infeliz: publicar suas revistas no sentido oriental da leitura, ou seja, da direita para a esquerda. Ao fazer isso a HQM abriu mão de algumas coisas importantes, não só nos quadrinhos, mas em qualquer tipo de midia: uma identidade e uma personalidade próprias.
Mangá não é só um nome dado a um estilo de quadrinhos, assim como a leitura oriental não é uma opção artística, são elementos sócio-culturais japoneses.
Vou deixar bem claro que não pretendo levantar a bandeira do nacionalismo, até porque nunca fui um grande defensor de causas.
Mas veja bem, se você abrir uma HQ Disney, com uma leitura um pouco mais atenta é possível dizer se a história em questão foi produzida no Brasil, nos Estados Unidos ou na Itália, não só por causa da estética, mas também pela narrativa.
Mas já que estamos falando de mangás nacionais, vamos a eles. Veja o caso da Turma da Mônica Jovem, ainda que use a estética dos mangás, o título nunca tentou se passar por um mangá verdadeiro. O mesmo acontecia com Holy Avenger, outro mangá nacional bem sucedido.
Essas são histórias com personalidade e estilo próprios. E é isso que representa uma identidade cultural, mais do que nacionalismo ou patriotismo, tem a ver com personalidade.
Quanto a HQM, me parece que a intenção da editora é (e digo isso sem maldade alguma) encontrar algum leitor desavisado, que compre um de seus lançamentos pensando tratar-se de material japônes legitimo. As vendas é que irão dizer se a estratégia vai ou não funcionar, e isso não depende da aparência nem do sentido da leitura, e sim da qualidade das revistas.
21 de jul de 2010
Palestra: A Arte de Contar Histórias
Quem quiser assistir ao vídeo basta visitar o blog do Angel clicando aqui.
6 de jul de 2010
A Pior HQ de Todos os Tempos

O pior gibi da história? É o que sites como o Savage Critic têm dito sobre Justice League: The Rise of Arsenal #3. Há duas cenas da HQ que circulam pela web para exemplificar o caso: uma em que Arsenal está com cara de poucos amigos após brochar com a namorada, e outra em que luta contra uma gangue para defender um gato morto que, no meio de uma alucinação, ele acredita ser sua filha morta. No site Bleeding Cool você vê algumas imagens.
A minissérie deveria tratar do renascimento de Arsenal - Roy Harper, o antigo Ricardito, parceiro do Arqueiro Verde - após os eventos da minissérie Justice League: Cry for Justice (execrada lá fora). Roy teve um braço cortado pelo vilão Prometeu - o mesmo que também matou sua filha durante a destruição de Coast City.
Na mini, o herói ganha um novo braço biônico, prontamente oferecido por seus amigos heróis, e tenta lidar com suas outras perdas. Desde a edição 1 está tendo alucinações que o puxam para as drogas - e vale lembrar que ele já foi o super-herói drogado mais famoso dos quadrinhos, na década de 70.
A minissérie, porém, é um desastre. Não há motivo para ela existir, na verdade - é um arco que se resolveria em poucas páginas, e com menos situações constrangedoras. O roteiro é uma piada. Os diálogos não chegam a ser do estilo tão-ruins-que-são-bons - são simplesmente rasos. E os desenhos, totalmente inconstantes de quadro a quadro - veja a sequência da brochada, por exemplo.
Mas o que chamou atenção dos resenhistas que a tacharam de pior HQ da história é a inconsistência da obra toda. Numa história sobre perda e recuperação, viram piada cenas que deveriam ter um grande peso dramático.
A DC tem se esmerado em HQs ruins nos últimos tempos. Não se vê investimento da editora em bons escritores, mas sim em uma leva de novatos pouco promissores - desde que consigam entregar um roteiro em poucos dias, atendendo mandos e desmandos editoriais. Da mesma forma, a política oficial de “melhor um gibi mal desenhado do que um gibi atrasado” gera aberrações. Rise of Arsenal é o cúmulo.
fonte:omelete.com.br
30 de jun de 2010
[Dicas para escrever] Tipos de Roteiro: Layout

Lembrando que os outros dois tipos mais comuns, o Full Script e o Método Marvel já foram comentados aqui e aqui.
Layout
Apesar de não fazer tanto sucesso lá fora, o Layout (também chamado de Rafe) é bastante usado aqui no Brasil, sendo o estilo preferido de roteiristas como Alexandre Nagado e Wellington Srbek, além de ser utilizado na produção das revistas da Turma da Mônica.
O layout é basicamente um esboço da HQ feito pelo próprio roteirista, mostrando assim como deve ser a diagramação, os ângulos, as poses dos personagens, etc, etc...
A maior vantagem do layout é oferecer ao roteirista controle absoluto sobre o resultado final da história, aqui a liberdade do artista é praticamente zero. A desvantagem é que o roteirista deve ter boas noções de diagramação e narrativa visual.
Alguns layouts já vêm com o texto escrito à mão, outros trazem apenas indicações nos balões, e o texto vem em algum documento separado, ou digitado abaixo dos quadros. Esse último é o caso do layout que eu desenhei de SUZANA & JÚLIO. O texto está ai embaixo e o layout você pode conferir acima:
SUZANA & JÚLIO - Joe de Lima
PÁGINA 01
1. "É sério, Júlio..."
2. ...essa prova do ENEM vai acabar comigo!
3. Nem me fale. Eu ainda vou morrer de tanto estudar!
4. E pensar que eu ainda tenho treino de handebol hoje!
5. Não sabia que você estava no time, Suzana.
Pessoalmente, eu não gosto muito desse tipo de roteiro. Acho que limita demais a mão do desenhista.
Bom, é isso. Agora que você já conhece todos os tipos de roteiro, suas vantagens e desvantagens, pode escolher qual deles combina melhor com seu estilo narrativo. Então não fique aí parado, comece a escrever!
