
Pedi ao meu amigo J. R. Pereira que falasse um pouco sobre o mercado de HQs e as aberturas para novos autores.
Ele é um veterano dos quadrinhos, trabalhou, inclusive na versão brazuca do Megaman. Atualmente está desenvolvendo o livro Mil Nomes.
No final do texto tem dois links pra quem se interessar.
J. R. Pereira: Quadrinhos sempre foram uma diversão simples, barata e de consumo rápido. Porém, hoje você tem uma conjuntura editorial que não permite trabalhar nos moldes dos quadrinhos que estamos acostumados. Um gibi da Mônica, por exemplo, é comercialmente impraticável para quem não dispõem de uma estrutura econômica imensa. Pois é dessa estrutura que vem o capital para o gerenciamento do gibi. Pois se ele fracassar nas vendas, a estrutura o sustenta e fica até parecendo que ele vende... Mas não vende. Por isso, o autor que se diz "independente" (o que, aliás, é um termo infeliz pois não existe autor de HQ independente pois ele depende das vendas para se sustentar e no ponto de vista ideológico ele não apresenta ideal contrário ao sistema) não consegue sustentar mais do que uma ou duas edições de quadrinhos... Por ano! (exemplo? Penitente). Isso quando muito porque o normal é fazer HQ trienal, quadrianual ou "de-vez-em-quando-al". (Velta) Mas há alternativas. O autor pode colocar seus quadrinhos na Internet e ir trabalhando devagar, com calma e aos poucos, agradando os leitores, recebendo por pay-per-click ou vendendo produtos derivativos de sua criação: camisetas, canetas, canecas, adesivos, etc. Mesmo as edições caseiras podem ser uma alternativa desde que ele mantenha uma periodicidade constante com seu webcomic e venda ilustrações e produtos derivativos de seus personagens. Demanda um investimento pequeno mas é um trabalho absurdo de monstruoso e o nosso autor é, além de preguiçoso, muito atrelado às idéias antigas de que ele só será reconhecido e valorizado se trabalhar para uma grande editora. É uma visão terceiro-mundista absurda e canhestra mas está aí, sendo seguida por quase todos. No meu caso, optei pelo meio-termo: não me é complicado fazer quadrinhos. Mas a mídia HQ é pequena para comportar tudo o que quero dizer. Assim, optei por viabilizar meus livros mas colocando páginas de quadrinhos no meio. Não é uma idéia nova: Millor Fernandes, o saudoso Leon Eliachar e meu querido Aparício Torelli já haviam lançado livros com HQs misturadas ao texto. Porém, a minha HQ é parte integrante e complementativa da história. Ela acrescenta elementos importantes à narrativa mas sem perder o foco da premissa do texto. Então o importante é tentar READAPTAR as HQs para os formatos que estão funcionando. No meu caso são os livros. E não simplesmente insistir em formatos que são economica e editorialmente inviáveis, que vão na contra-mão das exigências de nosso mercado. Acredito piamente que o gibi a 4 cores, 26 páginas, formato americano, poucos quadrinhos por página e um fiapo de história é uma ofensa à inteligência do leitor. Por isso a HQ precisa reaprender a andar por conta própria e não se deve insistir em formatos falidos e fracassados. São os novos tempos. Sacou?www.japanfury.comwww.milnomes.com