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15 de jun. de 2010

[Dicas para escrever] Tipos de Roteiro: Método Marvel


Já falamos sobre como formatar um roteiro Full Script (você não viu? Clique aqui).

Agora vamos falar sobre outro tipo de roteiro, o Método Marvel.

Método Marvel

Também chamado de ARGUMENTO ou MARVEL WAY, esse tipo de roteiro foi criado por Stan Lee em meados dos anos 1960. Nessa época Lee assinava inúmeros títulos: Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, X-Men entre outros. Teria sido muito difícil escrever tantos roteiros ao mesmo tempo utilizando o Full Script, por essa razão Stan Lee desenvolveu um tipo novo de roteiro: o Método Marvel.

Funcionava assim, em poucas linhas Lee fazia um resumo de uma história inteira. Veja um exemplo:

O Duende Verde foge da cadeia e seqüestra Mary Jane. Seguindo as pistas deixadas no local do crime, o Homem-Aranha encontra seu inimigo e sua amada no alto da ponte Hudson. Herói e vilão lutam. Quando percebe que vai ser derrotado, o Duende derruba Mary Jane da ponte, mas o Aranha consegue salvá-la. O vilão foge prometendo vingança.

Com essa sinopse em mãos o desenhista ilustrava toda a história (a diagramação ficava toda a cargo do do próprio artista) e, só depois, Lee voltava para escrever os diálogos (deve por isso que os diálogos que ele escrevia nesse período eram tão estranhos!)

Com o tempo o Método Marvel evoluiu um pouco. Atualmente, o roteirista escreve um pequeno resumo para cada página, mas ainda cabe ao desenhista toda a parte da diagramação. Os diálogos, agora já vêm no roteiro.

Vejamos como o roteiro de SUZANA & JÚLIO ficaria no Método Marvel:

SUZANA & JÚLIO – Joe de Lima
PÁGINA 01
Uma casa em um bairro de classe média. Suzana e Júlio estudam na sala de estar, em meio a muitos livros. Suzana é loira e usa um top e uma bermuda jeans. Júlio é moreno e veste uma camisa e bermudão. Eles conversam, de forma bem-humorada sobre o cansaço dos estudos. Ela se queixa de ainda ter treino depois.
SUZANA – É sério, Júlio. essa prova do ENEM ainda vai acabar comigo!
JÚLIO – Nem me fale. Eu ainda vou morrer de tanto estudar!
SUZANA – E pensar que eu ainda tenho treino de handebol hoje.
JÚLIO – Não sabia que você estava no time, Suzana.

Como dá pra ver, o Método Marvel dá muito mais liberdade para o artista.


A grande vantagem desse tipo de roteiro é permitir que, assim como Stan Lee, você possa lidar com vários projetos simultâneos. A maior desvantagem é que o estilo do desenhista se sobrepõe ao seu estilo narrativo.

Sobre isso, Gian Danton faz o seguinte comentário em seu livro Como Escrever Histórias em Quadrinhos: “Pegue histórias dos X-Men de vários desenhistas, mas todas escritas por Chris Claremont. As histórias desenhadas por John Byrne são completamente diferentes daquelas desenhadas por Bill Sienkiewicz. Parece que são escritas por pessoas diferentes.”

Já vimos como o desenhista Rafa Lee desenhou SUZANA & JÚLIO seguindo um roteiro Full Script. Agora veja acima como ele ilustrou a mesma página, mas dessa vez, seguindo a versão do Método Marvel.

Pra completar essa trilogia, eu volto falando sobre o Layout.

9 de jun. de 2010

[Dicas para escrever] Tipos de roteiro: Full Script


Existem basicamente 3 grandes formas de formatar um roteiro: Full Script, Método Marvel e Layout. Não dá pra dizer qual é a melhor, cada uma delas oferece vantagens e desvantagens.

O entrosamento com o artista e o nível de controle que você quer ter sobre o resultado final também devem ser considerados antes de decidir qual tipo de roteiro você pretende usar.

Hoje vamos falar sobre o tipo que eu mais uso aqui no blog, o Full Script. Depois falaremos sobre os outros dois.

Full Script

Esse é o tipo mais comum de roteiro. Nele você deve fazer uma descrição detalhada quadro-a-quadro da história, incluindo também os diálogos, os sons e qualquer outro texto que apareça. Você também pode usar esse espaço para fazer considerações sobre os personagens e sua psicologia, como a colorização deve ser feita, e qualquer outra informação que julgue importante. Por exemplo:

Apesar dessa situação ruim, Suzana mantém uma atitude positiva.

Ou...

Essa página deve ser colorizada apenas em tons de azul.

Seja objetivo, evite divagações e lembre-se: o desenhista não imagina as coisas do mesmo jeito que você. Se você quer que o Cebolinha apareça usando uma fantasia de Super-Homem, escreva:

Cebolinha está usando uma fantasia de Super-Homem.

Se você escrever assim...

Cebolinha está usando um colante azul e capa vermelha.

...o resultado pode não ser o esperado.

Para formatar um roteiro Full Script você deve começar com uma folha de rosto com o título da história e o nome do autor. Depois escreva o número da página, o número do quadro seguido de sua descrição, e abaixo do quadro, as falas dos personagens. Sons e onomatopéias também devem ser descritos aqui.

Exemplo:

SUZANA & JÚLIO – Joe de Lima

PÁGINA 01
– QUADRO 01. Panorâmica. Vemos a fachada de uma casa em um bairro de classe média. É uma casa moderna, com janelas verticais e um telhado fugindo daquele padrão de sempre. A casa também possui um gramado e uma garagem.
CAP/SUZANA – “É sério, Júlio...”

– QUADRO 02. Panorâmica. Agora estamos dentro da sala de estar. Faça um ambiente moderno e confortável, com sofás, mesa de centro, quadros, etc. Suzana e Júlio estão sentados no chão, com um monte de livros e cadernos sobre a mesa. Os dois têm uns 19-20 anos. Suzana é loira e usa um top e uma bermuda jeans. Júlio é moreno e veste uma camisa e bermudão. Os dois estão cansados de estudar (que novidade...). Apesar do cansaço, ambos mantém o bom humor.
SUZANA – ...essa prova do ENEM ainda vai acabar comigo!
JÚLIO – Nem me fale. Eu ainda vou morrer de tanto estudar!

– QUADRO 03. Quadro mais fechado. Suzana se espreguiça enquanto Júlio folheia um livro.
SUZANA – E pensar que eu ainda tenho treino de handebol hoje.
JÚLIO – Não sabia que você estava no time, Suzana.

Note como o nome do personagem sempre deve aparecer antes de sua fala, sem essa informação, o desenhista e o letrista podem se confundir.

Certo:
SUZANA – E pensar que eu ainda tenho treino de handebol hoje.

Errado:
– E pensar que eu ainda tenho treino de handebol hoje.

A principal vantagem do Full Script é combinar um maior controle do roteirista, e ainda assim permitir que o desenhista tenha certa liberdade. Seu problema é ser o tipo de roteiro mais trabalhoso e que toma mais tempo.

Acima vocês podem ver como o desenhista Rafa Lee desenhou esse roteiro (confira a segunda parte dessa série, falando sobre o Método Marvel).

1 de abr. de 2010

[Dicas para escrever] A Importância do Conflito


Imagine a seguinte história: a mãe de uma garotinha pede que ela leve uma cesta de doces para sua velha avó, a garota leva a cesta, se diverte na casa de sua avó e volta para casa. Fim.

Que tal? Gostou dessa história? Bem, se você respondeu “não”, então somos dois.

Mas o que falta nessa história? A resposta é simples: falta um conflito. Em uma HQ (ou filme, série, novela, etc.) um conflito pode ser um obstáculo a ser superado, um choque de ideologias ou um desafio a ser vencido.

Na história da garotinha, por exemplo, as coisas ficariam bem mais interessantes se houvesse algum perigo na floresta, digamos, um lobo feroz louco para jantar, tanto a garotinha, quanto a vovó. Agora o nosso pequeno conto ficou mais atraente, não?

Existem vários tipos de conflitos que podem ser usados em uma história em quadrinhos.

Uma revista de super-heróis e muitos mangás de ação trazem o conflito do bem contra o mal. Romeu & Julieta mostra o conflito de um jovem casal contra a sociedade que se opõe a seu amor. Quase todas as tragédias gregas são sobre o homem contra o destino.

Em O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, além da luta contra o crime, Batman também tem que enfrentar um conflito interno entre sua vida como Bruce Wayne e um impulso de voltar a ser o Homem-Morcego. Aliás, muitas vezes um conflito interior pode ser tão emocionante quanto uma batalha épica.

21 de jan. de 2010

[Dicas para escrever] Guias para Roteiristas (O Retorno)


Tópico repetido?! Mais ou menos. Esse post é lááá do começo do blog (como se fizesse tanto tempo assim) e fala sobre cursos e apostilas para roteiristas. Como muita gente pode não ter visto o post original e como esse é um assunto sempre relevante, vamos trazê-lo de volta à tona.

Não é difícil encontrar guias e cursos para desenhistas por aí, eles existem aos montes. Mas quando o assunto são guias para roteiristas a coisa muda de figura.

Aqui vão algumas obras que podem te ajudar nesse sentido.

Primeiro temos três guias rápidos escritos pelo roteirista Gian Danton, todos disponíveis para download gratuito.

Como Escrever Histórias em Quadrinhos
O Roteiro nas Histórias em Quadrinhos
Seja Mais Criativo

E ainda temos, é claro, a "Biblía dos Roteiristas", a trilogia escrita por Scott McCloud (e que lhe rendeu inúmeros prêmios):

Desvendando os Quadrinhos
Reinventando os Quadrinhos

E o meu favorito:

Desenhando Quadrinhos


Apesar do título em português, é voltado para o roteiro. É uma leitura indispensável para novos roteiristas, e para os veteranos também.


Lembre-se que não dá pra ensinar a ter boas ideias, o objetivo desses guias é dar a você dicas para chegar mais facilmente a essas ideias.

12 de jan. de 2010

[Dicas para escrever] Registro de Roteiros


Começou 2010! O decanso foi bom, mas é hora de voltar ao trabalho.

Vamos começar o ano falando de um assunto que deixa muita gente em dúvida: registro de roteiros.

No seu blog, o Gian Danton fez uma coluna bem explicativa, falando sobre preços, métodos e se vale a pena registrar um roteiro.

Clique aqui para ler essa matéria.