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3 de set. de 2011

Recomeçar do Zero

E a palavra da moda é... reboot! Não, não estou falando da divertida série animada dos anos 1990, e sim do reinício (mais um) do Universo DC.

Porém, esse novo reboot não segue a mesma linha de outras histórias que supostamente deveriam zerar os títulos da editora como Zero Hora, Crise Infinita e Crise Final. Sagas de qualidade duvidosa e, que na verdade quase não tiveram impacto sobre a continuidade das revistas.

Segundo Jim Lee e Dan Didio, a ideia agora é fazer uma reformulação profunda, aos moldes do que foi feito na megassaga Crise nas Infinitas Terras nos anos 1980. (clique aqui para ler mais sobre as declarações dos editores)

Na época, o reboot tinha um objetivo claro: enxugar a cronologia dos heróis que, então era uma verdadeira festa da uva, cada autor fazia o que bem entendia sem nenhum senso de continuidade ou coesão, bem diferente do que vinha sendo feito na Marvel.

Mas deixemos os anos 1980 de lado e voltemos à 2011 e o novo reboot. Quando li sobre os planos desse novo reinício minha primeira reação foi torcer o nariz (como acredito que fizeram a maioria dos leitores). Seria muito fácil chegar aqui e descer a lenha em tudo, no entanto eu prefiro pisar um pouco no freio e procurar entender melhor a situação.

É fato conhecido que ao longo dos anos DC e Marvel têm encontrado cada vez mais dificuldade em formar novos leitores e uma das razões desse problema é a longa e complexa cronologia dos heróis. Você que está lendo essa coluna, sabe dizer quantos Robins já existiram? Ou qual personagem famosa dos X-Men morreu em 2004 e nunca mais voltou? 

Não é fácil para um novo leitor descer de pará-quedas no meio do turbilhão de heróis que mudam de identidade, mortes e ressureições, vilões que se tornam heróis e depois voltam a ser vilões. Voltando ao momento em que os super-heróis surgiram, a DC passa o recado de que não é mais preciso conhecer de cor um sem fim de histórias do passado, os leitores podem começar a acompanhar as revistas a partir de agora sem perder nada, e ainda ver a construção de uma nova mitologia chegando ao ponto do editorial da revista Justice League #1 trazer a frase: "Essa não é a Liga da Justiça que o seu pai lia." (ah, sim! As respostas das perguntas acima são 5 e Jean Grey).

Outra inicativa para atrair novos leitores será focar mais em histórias fechadas, assim qualquer pessoa poderia ler qualquer edição sem ficar perdido.

Mais um ponto é a questão da inclusão das linhas Wildstorm (que inclui os Wildcats), Vertigo (Sandman, Constantine, Monstro do Pantâno entre outros) e até do personagem Super-Choque ao Universo DC tradicional sem parecer que foram costurados depois. Como tudo isso vai se acertar junto, só o tempo dirá.

Mas é claro que as coisas estão longe de serem perfeitas. Nem todas as revistas estão ambientadas no "tempo presente", as continuidades de Batman, Lanterna Verde e Aquaman não foram tão afetadas quanto o Super-Homem, e a Mulher-Maravilha é uma incógnita, uma vez que a heróina já vinha passando por um reconstrução em sua revista. Parece que faltou planejamento, não dá pra negar.

Também não me agradou a volta de Barbara Gordon como Batgirl, eu vinha gostando da fase atual da personagem com Stephanie Brown (ex-Salteadora) por baixo da máscara, além disso quem ficará no papel de Oráculo, o "auxílio 24 horas para super-heróis"?

E não tem jeito. é impossível evitar aquela sensação que ao simplesmete zerar os crônometros, os editores fizeram a opção de varrer a sujeira para debaixo do tapete, e não de realmente limpar a sala, acertando tudo com seus títulos regulares.

[Atualização] Eu não queria esticar ainda mais esse post, mas acabei deixando de fora uma consideração importante: como ficam os fãs das antigas? Esses têm se queixado muito de falta de respeito da editora, e não os culpo por pensar assim, de certa forma faltou mesmo essa consideração, porém me parece que objetivo era mesma focar em leitores mais jovens. Como já comentei ali embaixo e no Orkut, o público adulto consome pouco, no máximo lemos alguma minissérie ou graphic novel. Quanto aos títulos regulares, raramente o público adulto os acompanha, e isso se torna um grande problema para a editora que precisa de um público consumista que gere lucros. De mais a mais, eu não acredito que a maioria dos fãs antigos  ira abandonar os personagens, eu penso que esse público vai continuar na mesma situação: acompanhando de longe, e comprando algo de vez em quando. [fim da atualização]

Enfim, gostando ou não do reboot da DC não dá pra negar a coragem da editora de mexer dessa forma com algo tão enraizado na cultura pop. Colocando tudo na balança, eu acredito que essa pode sim ser considerada uma iniciativa justificável.

O site Universo HQ fez uma matéria bem detalhada sobre como as coisas vão ficar que você acessa clicando aqui.

Para o bem e/ou para o mal, as mudanças estão ai, e espero que saiam boas histórias dessa salada. E afinal, boas histórias não são o que realmente importa?

7 de out. de 2010

A História Sem Fim


Desde que os mangás invadiram as bancas muitas pessoas começaram uma guerra: de um lado os fãs de comics, de outros os fãs de mangás, e no meio do fogo cruzado ficavam os mais espertos desfrutando o melhor dos dois mundos.

E uma afirmação que se ouvia muito era que os mangás eram melhores porque, ao contrário dos comics tinham começo, meio e fim bem definidos.

Atualmente, porém essa afirmação vai ficando cada vez mais batida, a medida em que vão se multiplicando títulos longevos como Naruto e Bleach, que seguem atravessando os anos sem perspetiva de terminarem em um futuro próximo.

Mas esses não são os únicos exemplos de mangás intermináveis. E é aqui que entra em cena uma palavra que se tornou o pesadelo dos leitores: hiato.

Se você prestou atenção às aulas de grámatica sabe que hiato é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes, mas no mundo otaku hiato é o nome que se dá a uma pausa na publicação de algum título que pode durar alguns meses ou até mesmo anos!

É o caso de Hunter x Hunter, de Yoshihiro Togashi que já sofreu looongas pausas inúmeras vezes, por problemas de saúde do autor, para que ele saísse em lua-de-mel, ou sem nenhuma razão aparente.

Outro caso é o de Evangelion, de Yoshiuki Sadamoto que começou a ser publicado em 1995 e continua até os dias de hoje! Em todo esse tempo foram lançados apenas 12 volumes no Japão (ou seja, pouco mais de 1 por ano). Não há nenhuma razão específica para esse ritmo lento, além da própria disposição do autor em (não)trabalhar.

Agora Eva está de volta pela JBC, que vai continuar a história de onde a Conrad parou. Mas sinceramente, eu pretendo deixar minha coleção incompleta. Um pouco por ideologia, e muito por simples perda de empolgação, afinal já vão mais de três longos anos desde que a última edição chegou as bancas brasileiras.

É bom lembrar que hiatos não são exclusividades dos japoneses. Na Europa, as publicações têm um ritmo mais lento chegando a extremos como a minissérie francesa Lunna (de Crisse e Keramidas) que teve suas 5 edições publicadas ao longo de seis anos. Já nos Estados Unidos, a revista Buffy, the Vampire Slayer ficou parada por cerca de seis meses.

Sejam quais forem as razões, eu acredito que hiatos e edições anuais são uma grande falta de respeito com os leitores, sem falar na falta de comprometimento e profissionalismo! Além de um grande problema comercial, já que a regularidade gera fidelização, por outro lado grandes pausas e irregularidade levam à disperção dos leitores.

Ora se alguém quer que eu leia a sua história, deveria, no mínimo fazer uma.

27 de jul. de 2010

Anime à Brasileira?


Lembram que não faz muito tempo que eu falei aqui sobre os mangás nacionais da editora HQM?

Logo depois disso, um amigo me falou sobre o anime Michiko to Hatchin, que serve quase de complemento à questão HQM. A série tem sido muito divulgada como um anime passado no Brasil.

Na verdade, Michiko to Hatchin não se passa realmente em terras brazucas, e sim em um país gênerico, claramente inspirado no Brasil, mas que não é chamado assim.

Dessa forma, a produção justifica um pouco alguns erros culturais, como os textos em portunhol e fusquinhas como viaturas da polícia. A abertura faz referências a favelas e praias, além do tema ser um samba remixado.

Outra curiosidade é que uma das protagonistas atende pelo singêlo nome de Michiko Malandro (será uma parente distante de Sérgio Mallandro?).

A essa altura você pode estar se perguntando: o que tudo isso tem a ver com a editora HQM?

Bom, eu (e muitos outros) critiquei a editora por publicar material nacional no sentido oriental da leitura, da direita para a esquerda, em uma tentativa de se assemelhar ao máximo possível com um mangá made in Japan.

Enquanto isso, Michiko to Hatchin, embora ambientado nesse Brasil esquisito, se mantém fiel à suas origens, com uma narrativa e uma linguagem próprias dos animes, mantendo assim sua própria identidade cultural e personalidade, valores que a HQM abriu mão.

23 de jul. de 2010

Questão de Identidade


Pra quem ainda não sabe, recentemente a editora HQM entrou no mercado de mangás nacionais com dois títulos: Vitral e O Princípe do Best-Seller.

(Você pode ler a notícia completa aqui)

Não é preciso ser nenhum especialista, nem ter um olho clínico para ver que o visual remete diretamente aos mangás japoneses por execelência (aliás em termos de visual, os desenhos são realmente muito bonitos!). Mais que isso, são histórias ambientadas no Japão com personagens nipônicos.

Nenhum problema até aqui. Contudo, a HQM tomou uma atitude (na minha humilde opinião) totalmente infeliz: publicar suas revistas no sentido oriental da leitura, ou seja, da direita para a esquerda. Ao fazer isso a HQM abriu mão de algumas coisas importantes, não só nos quadrinhos, mas em qualquer tipo de midia: uma identidade e uma personalidade próprias.

Mangá não é só um nome dado a um estilo de quadrinhos, assim como a leitura oriental não é uma opção artística, são elementos sócio-culturais japoneses.

Vou deixar bem claro que não pretendo levantar a bandeira do nacionalismo, até porque nunca fui um grande defensor de causas.

Mas veja bem, se você abrir uma HQ Disney, com uma leitura um pouco mais atenta é possível dizer se a história em questão foi produzida no Brasil, nos Estados Unidos ou na Itália, não só por causa da estética, mas também pela narrativa.

Mas já que estamos falando de mangás nacionais, vamos a eles. Veja o caso da Turma da Mônica Jovem, ainda que use a estética dos mangás, o título nunca tentou se passar por um mangá verdadeiro. O mesmo acontecia com Holy Avenger, outro mangá nacional bem sucedido.

Essas são histórias com personalidade e estilo próprios. E é isso que representa uma identidade cultural, mais do que nacionalismo ou patriotismo, tem a ver com personalidade.

Quanto a HQM, me parece que a intenção da editora é (e digo isso sem maldade alguma) encontrar algum leitor desavisado, que compre um de seus lançamentos pensando tratar-se de material japônes legitimo. As vendas é que irão dizer se a estratégia vai ou não funcionar, e isso não depende da aparência nem do sentido da leitura, e sim da qualidade das revistas.

9 de mar. de 2010

E o Oscar vai para...


Depois de 1 semana de férias forçadas, o blog está de volta as atividades.

Quero aproveitar agora enquanto o assunto ainda está quente pra falar sobre o Oscar 2010. Pra começar, como tantos outros fiquei surpreso em ver a fúria de Rubens Ewald Filho quando o prêmio de melhor filme não foi para Avatar, e sim para Guerra ao Terror.

Antes, quero dizer que, na minha humilde opinião, quem realmente merecia levar a estatueta era Bastardos Inglórios. Apesar de tratar de um tema usado várias e várias vezes: a Segunda Guerra Mundial, o longa de Quentin Tarantino foge do óbvio desde a primeira cena, já com a participação genial de Christoph Waltz. Outro exemplo disso é a personagem Shosanna, interpretada por Mélanie Laurent. Em qualquer outro filme, Shosanna seria o interesse romantico de Aldo Rayne (Brad Pitt), aqui os dois nem mesmo se encontram e Tarantino tinha outros planos para a moça. Isso sem falar dos ótimos diálogos do filme.

Mas voltando à Avatar. Me surpreende essa crítica raivosa do Rubens, desde quando filme caro é sinônimo de filme bom? Avatar é bom filme e funciona muito bem como diversão descompromissada, mas pra mim, não passa disso. O filme ganhou os prêmios que merecia ganhar, os técnicos. Ninguém questiona que o visual e a construção do mundo de Pandora são espetaculares, mas e o roteiro? A história de Avatar é uma coleção de clichês e fórmulas repetidas, sem o visual embascante não se sustentaria.

Já sobre Guerra ao Terror, acho que o Oscar de melhor direção vencido por Kathryn Bigelow é bem merecido, ela realmente faz um trabalho esmerado. Por outro lado, eu acho que se não fosse pelo americanismo, dificilmente Guerra ao Terror teria vencido como melhor filme, até porque, assim como Avatar trata-se de uma mera repeticão de fórmulas já testadas.

24 de fev. de 2010

Frank Miller: ex-gênio ou ruim de próposito?


Outro dia participei de um debate no blog Roteiro de Quadrinhos sobre Frank Miller. Em uma resenha da graphic novel Batman: O Cavaleiro das Trevas 2 veio à tona a questão se Miller ainda é o velho gênio de outrora.

Pra quem não tá entendendo nada, aqui vai o resumo da ópera.

Frank Miller é roteirista/desenhista. Sua era de ouro foi durante as décadas de 1980 e 90, quando, ao lado de feras como Alan Moore e Neil Gaiman, promoveu uma revolução nos comics, introduzindo o conceito de quadrinhos para adultos.

Nesse tempo, Miller produziu Batman: O Cavaleiro das Trevas, 300, Sin City, A Queda de Murdock, e (sem a mesma badalação, mas com a mesma qualidade) Ronin e Marta Washington.

Todas essas histórias são clássicas! E o que elas têm de tão íncrivel? Você pode perguntar. Além da estética inconfundível de Miller, essas obras se destacam pela sua narrativa cinematográfica. Em O Cavaleiro das Trevas, o roteiro mergulha fundo na psicólogia do Homem-Morcego, mostrando um grande duelo entre Bruce Wayne e Batman. Já 300 é um deleite visual, cheia de páginas duplas e splash pages.

Então vieram os anos 2000 e começaram os problemas. De lá pra cá, Frank Miller não fez nada que prestasse, mas para seus ferrenhos defensores, há um motivo para isso: supostamente, ele quer provar que, atualmente é possível vender horrores, mesmo com uma história horrorosa. Em outras palavras, Frank Miller está sendo ruim de próposito.

Primeiro foi O Cavaleiro das Trevas 2, que nada tinha de brilhante ou genial, na verdade, a história mais parece algum roteiro de Super Amigos, cheia de cores berrantes e diálogos vazios. Mais recentemente, Frank se juntou ao ótimo desenhista Jim Lee para criar All-Stars Batman & Robin, a idéia era repaginar a origem da Dupla Dinâmica, mas na prática temos um série que se apóia em mulheres semi-nuas e violência sem sentido. Além de algumas passagens ridiculas, como quando Batman se pinta da cabeça aos pés de amarelo para bater de frente com o Lanterna Verde (Santa falta de noção, Batman!)

Nem vou falar do filme Spirit, adaptação da obra suprema do mestre Will Eisner. Miller escreveu o roteiro, dirigiu o filme e cuspiu na lâpide de seu mentor.

Pra mim, essa história de ruim de próposito não cola. Em sua grande fase, Miller não precisava de justificativa para ser lido, ele era um gênio! Ponto. Tudo isso só prova que a tietagem só vê aquilo que quer ver. Fica aqui a expectativa de que algum dia Frank se canse dessa "brincadeira" e volte a ser bom de próposito.

17 de jan. de 2010

O Tempo Passa...


Outro dia finalmente consegui pôr as mãos em uma HQ que eu estava louco pra ler. Trata-se do primeiro volume da excelente História & Glória da Dinástia Pato. Escrita pelo mestre Guido Martina, com desenhos de Romano Scarpa e Giovan Battista Carpi, e arte-final de Giorgio Cavazzano.

Como a história original é de 1970, não dá pra ler sem notar a mudança de linguagem de lá pra cá.

O ritmo é a primeira coisa que chama a atenção: mais lento? Não, pelo contrário, extremamente rápido! Especialmente no primeiro capítulo, onde os fatos são disparados contra o leitor, que nem tem tempo pra pensar no que está acontecendo.

Mas o que mais chama a atenção é a ausência do politicamente correto. Se hoje em dia é preciso tomar sempre cuidado com as atitudes dos personagens para não passar uma mensagem errada, nos anos 70 as coisas eram bem diferentes.

O Tio Patinhas (na verdade, antepassados que se parecem e comportam como ele) é o maior exemplo disso: desvio de verbas, fraude, comércio ilegal, falsificação. Para aumentar sua fortuna, ele se vale desses e de outros metódos questionáveis. Mas nada disso é mostrado como errado ou desonesto, aqui tudo é visto como provas da "esperteza" do Pato Mais Rico do Mundo.

As boas histórias são eternas! Disso ninguém dúvida, mas lembre-se, tudo muda: o mercado, a linguagem, o público. Talvez por não perceber isso, as HQs Disney estão em decadência, só que isso já é assunto pra outro dia...

24 de dez. de 2009

Corrida de obstáculos

Quase natal, fim de ano chegando. Talvez esse seja o último tópico desse ano, afinal ninguém é de ferro, né? Uma folguinha de vez em quando, cai bem.

Antes de fechar pra balanço, quero deixar alguns pensamentos aqui. Como vocês sabem, a vida de um quadrinhista não é bolinho. Quero falar um pouco sobre essas dificuldades e os obstáculos que estão em nosso caminho.

Meu objetivo com esse texto não é fazer ninguém desistir, nem apresentar solução para todos os problemas. São apenas algumas coisas que observei pelo caminho (e olha que eu nem estou nessa a tanto tempo). Pode ser que isso te dê algo pra pensar... ou não.

Treino e auto-crítica

Chega um dia, lá pela adolescência, quando você, que sempre pensou que desenhava e escrevia bem, descobre que não desenha, nem escreve tão bem assim. Mas como pode ser? Afinal, os seus pais e meia dúzia de amigos sempre te elogiaram. Cair em sí é o primeiro desafio do quadrinhista. Fazer uma boa auto-crítica é vital pra quem quer seguir essa carreira. Olhe para o seu trabalho, está bom mesmo? Compare com alguma revista que você gosta: o roteiro é criativo e original, ou vazio e sem sentido? E o mais importante: você compraria? E lembre-se sempre de treinar, treinar e treinar, seja você roteirista, desenhista, arte-finalista, etc.

Realidade de mercado

Temos aqui um problema bem real e complicado. O mercado brasileiro não quer você. Na verdade, o mercado não quer ninguém. A situação editorial brasileira está totalmente fechada, não há abertura. Agora, a questão é: o que você vai fazer a respeito? Cabe a você mesmo criar suas oportunidades, você tem a missão de convencer as editoras a aceitar o seu trabalho. E com a ajuda da internet, é possível hoje, montar uma equipe com pessoas de qualquer lugar do mundo (possível, não fácil). Então pare de reclamar e vá trabalhar.

Vida adulta

Funciona assim, um belo dia você é jovem e sonha fazer a revista do Batman ou do Homem-Aranha, ou ainda ter seu mangá publicado pela Shonen Jump (pra mim, esse último é mais delírio que sonho). No outro dia, você tem marido/esposa, filhos, emprego e um monte de contas pra pagar. Sim, meus amiguinhos, nenhum desafio para um quadrinhista é maior do que conciliar a vida adulta com o seus sonhos quadrinhísticos. Como não dá pra viver de quadrinhos, você precisa de outro ganha-pão, e nem sempre é fácil ter tempo para tudo isso. Eu consigo manter um equílibrio razoável, mas não sou casado, nem tenho filhos. Porém, mesmo se eu já tivesse constituído família, não poderia te dizer o que fazer. Não há fórmula mágica pra resolver essa questão, cada um deve lidar com isso de acordo com sua própria realidade.

Bom, era isso que eu queria dizer. Não sei se consegui passar a minha mensagem, até porque não sei bem que mensagem eu queria passar. Seja como for... Boas festas! Te vejo em 2010!

26 de nov. de 2009

Sobre o Mercado e Outras Coisas...


Pedi ao meu amigo J. R. Pereira que falasse um pouco sobre o mercado de HQs e as aberturas para novos autores.

Ele é um veterano dos quadrinhos, trabalhou, inclusive na versão brazuca do Megaman. Atualmente está desenvolvendo o livro Mil Nomes.

No final do texto tem dois links pra quem se interessar.


J. R. Pereira: Quadrinhos sempre foram uma diversão simples, barata e de consumo rápido.

Porém, hoje você tem uma conjuntura editorial que não permite
trabalhar nos moldes dos quadrinhos que estamos acostumados.
Um gibi da Mônica, por exemplo, é comercialmente impraticável para
quem não dispõem de uma estrutura econômica imensa. Pois é dessa
estrutura que vem o capital para o gerenciamento do gibi. Pois se ele
fracassar nas vendas, a estrutura o sustenta e fica até parecendo que
ele vende... Mas não vende.

Por isso, o autor que se diz "independente" (o que, aliás, é um termo
infeliz pois não existe autor de HQ independente pois ele depende das
vendas para se sustentar e no ponto de vista ideológico ele não
apresenta ideal contrário ao sistema) não consegue sustentar mais do
que uma ou duas edições de quadrinhos... Por ano! (exemplo?
Penitente).
Isso quando muito porque o normal é fazer HQ trienal, quadrianual ou
"de-vez-em-quando-al". (Velta)

Mas há alternativas.
O autor pode colocar seus quadrinhos na Internet e ir trabalhando
devagar, com calma e aos poucos, agradando os leitores, recebendo por
pay-per-click ou vendendo produtos derivativos de sua criação:
camisetas, canetas, canecas, adesivos, etc.

Mesmo as edições caseiras podem ser uma alternativa desde que ele
mantenha uma periodicidade constante com seu webcomic e venda
ilustrações e produtos derivativos de seus personagens.

Demanda um investimento pequeno mas é um trabalho absurdo de
monstruoso e o nosso autor é, além de preguiçoso, muito atrelado às
idéias antigas de que ele só será reconhecido e valorizado se
trabalhar para uma grande editora.
É uma visão terceiro-mundista absurda e canhestra mas está aí, sendo
seguida por quase todos.

No meu caso, optei pelo meio-termo: não me é complicado fazer
quadrinhos. Mas a mídia HQ é pequena para comportar tudo o que quero
dizer.
Assim, optei por viabilizar meus livros mas colocando páginas de
quadrinhos no meio.
Não é uma idéia nova: Millor Fernandes, o saudoso Leon Eliachar e meu
querido Aparício Torelli já haviam lançado livros com HQs misturadas
ao texto.

Porém, a minha HQ é parte integrante e complementativa da história.
Ela acrescenta elementos importantes à narrativa mas sem perder o foco
da premissa do texto.

Então o importante é tentar READAPTAR as HQs para os formatos que
estão funcionando.
No meu caso são os livros.
E não simplesmente insistir em formatos que são economica e
editorialmente inviáveis, que vão na contra-mão das exigências de
nosso mercado.

Acredito piamente que o gibi a 4 cores, 26 páginas, formato americano,
poucos quadrinhos por página e um fiapo de história é uma ofensa à
inteligência do leitor.
Por isso a HQ precisa reaprender a andar por conta própria e não se
deve insistir em formatos falidos e fracassados.

São os novos tempos.

Sacou?

www.japanfury.com
www.milnomes.com

4 de set. de 2009

Cascão Porker e a Pedra Distracional


Desde criança eu sempre fui um fã incondicional da Turma da Mônica, e tudo indica que vou continuar sendo pelo resto da vida!

Essa semana li mais um número da série Clássicos do Cinema (título especializado em paródias de grandes successos da telona), Cascão Porker e a Pedra Distracional.

Uma das grandes sacadas de Maurício de Souza & Cia. sempre foi se manterem atentos aos hits da cultura pop, mantendo assim, um certo ar moderno em personagens que já contam mais de 40 anos.


Mas o que mais me chamou a atenção nessa edição foi o acabamento: impressão em papel off-set, e desenhos seguindo um estilo diferente da revista normal, lembrando bastante o visual dos longas animados da turminha, preservando boa parte dos traços a lápis na versão final, dando assim uma aparência diferente e charmosa.


Fica aqui uma dica crucial para quem quer se manter no mercado de entretenimento por muito tempo: é preciso saber se reinventar, e inovar smpre. Cascão Porker e Turma da Mônica Jovem são essenciais para atrair novos leitores. Porém, nunca se deve trair suas origens, a velha turminha sempre estará lá para os leitores antigos.

1 de set. de 2009

Homem-Aranha é da Disney


Ontem o mundo do entretenimento foi abalado com a notícia da compra do grupo Marvel Entertaiment pela Disney por módicos 4 bilhões de doláres (clique aqui para ler a notícia).


Desde que recebi essa informação fiquei pensando sobre o que eu poderia dizer sobre isso. Pensei, meditei, analisei, pensei mais um pouco e... não cheguei a nenhuma conclusão.


Me parece que o grande medo do público é a Disney impor o seu "estilo família" aos comics e filmes Marvel. O que significaria nada mais de Hugh Jackman correndo pelado e fatiando manés no próximo filme do Wolverine, o fim das cenas de sexo na linha Marvel Max (provavelmente o próprio selo seria extinto); e o que seria de personagens politicamente incorreto como Justiceiro, Nick Fury e o já citado Wolverine?


Por outro lado, é bom lembrar que os quadrinhos Disney vão de mal a pior nos Estados Unidos. O que aconteceria se as revistas de Mickey, Donald & cia. começarem a sair com o logo da Marvel?


Mas é claro que o oposto também pode acontecer. Talvez a Disney deixe a diretoria da Marvel como está, sem alterar nada na política da editora. Nesse caso a compra seria apenas um bom jeito de colocar uns cobres a mais no bolso.


Tudo isso são meras especulações, não dá pra saber ao certo o que vai acontecer, nem como isso vai afetar o futuro das marcas. Até o momento tudo sobre esse assunto é um grande ponto de interrogação. Mais do que isso são conjecturas e factoídes, nada mais.